Notas iniciais
Hey, meus lindos. Mais um capítulo! Gostei desse, particularmente. Haha, espero que gostem também (: Dedicado especialmente as lindas: MaeveDeep e LarissaBruunks, que recomendaram! Amo vocês s2

CAPÍTULO 16: Acampamento Meio-Sangue – Desabafos

Terceiro Dia– Parte 3.

Poseidon estava sentado na areia da Praia dos Fogos, observando o mar. Aquilo lhe trazia certo conforto, mesmo que o oceano estivesse confuso e ligeiramente revoltado. Assim como ele.

Atena estava ponderando entre ficar em pé, com os dedos afundados na areia fofa, ou sujar o short branco. Ela deu de ombros e acabou se sentando ao lado dele, mesmo sabendo que teria um ataque de histeria ao ver a cor de sua roupa mais tarde.

Ele olhou de uma imensidão azul para outra, fitando sem nenhum interesse as nuvens. Suspirando, percebeu que Atena esperava que ele dissesse alguma coisa.

—Você não vai me contar?

—O que você quer saber? – Ele retorquiu, soando mais desinteressado do que pretendia. – Basta que você me pergunte.

—Oh, não. Assim eu só vou saber de partes da história.

—De qualquer maneira você só vai saber minha versão da história, Atena.

—Ah, okay. – Ela rolou os olhos distraída, era uma mania forte demais para ser reprimida na presença dele. – Qual o problema com seu reino?

—Anfitrite. – Ele respondeu, olhando para os pés dela cheios de minúsculos grãos brancos e desajeitando um pouco mais o cabelo.

—Nossa. Não suspeitaria disso nem em um milhão de anos!

—Sabia que faz mal usar tanto sarcasmo em uma frase só, ainda mais quando se fala com o ser mais divino existente?

—Sou eu quem faz as perguntas aqui, Poseidon. – Ela sorriu vitoriosa e dedilhou um cacho loiro. – Sarcasmo é tão divertido.

—Não quando os índices ultrapassam a estratosfera, aí começa a ser irritante.

—Oh, já me disseram isso uma vez. – Atena se fingiu de pensativa por meio segundo. – Ou talvez eu tenha dito à você. O que Anfitrite fez?

—Na verdade não é nada que ela tenha feito. Não exatamente. E não ao reino, de modo direto.

Atena rolou os olhos e virou-se para ele.

—Argh. Me explique direito. Você sabe que odeio não saber das coisas, Poseidon.

—E você sabe que eu adoro te irritar. – Ele gargalhou.

—É, você deve ter algum tipo de dom para isso. Então o que aconteceu?– Antes que pudesse se conter, ela perguntou. Poseidon resmungou alguma coisa inteligível.

— Essa não é uma das melhores perguntas. Próxima.

—Você disse que responderia as minhas perguntas.

—Droga.

—Estou ouvindo.

—Nós não estávamos bem havia algum tempo.

—Mas vocês pareciam bem até a guerra contra Cronos.

O deus suspirou. Era realmente doloroso falar sobre aquilo.

—Na verdade, nós estávamos unidos na guerra. Porque tínhamos um elo em comum.

Atena não interrompeu e Poseidon se deitou na areia quente. Talvez fosse mais fácil conversar com Atena se não tivesse que olhar para ela.

—Nosso casamento já não valia muita coisa. Não é como se eu nunca houvesse gostado de Anfitrite, só que não estava mais dando certo. Nós estávamos entrando em acordo sobre uma separação quando a guerra explodiu. Foi como se voltássemos aos eixos, porque tínhamos algo em comum para defendermos.

Atena franziu as sobrancelhas, levemente confusa. Até que se lembrou vagamente de alguns comentários, semanas depois da queda de Cronos. Naquela época, a deusa não tinha dado tanta importância. Ela estava atarefada demais para que pudesse se preocupar com os outros deuses. Ainda mais quando o deus em questão era Poseidon.

Ela não se preocupara em consolá-lo, dizer palavras gentis nem checar se Poseidon estava bem. Mesmo quando ele havia perdido um filho.

—Eu... Sinto muito. Mesmo. – Como que para confirmar suas palavras, Atena pegou a mão dele.

Ele se retesou com o choque, apenas porque estava surpreso demais, e então relaxou. As mãos deles permaneceram entrelaçadas e Poseidon se sentiu completamente tolo ao perceber que seus pensamentos se dirigiam à como os dedos dela se encaixavam tão confortavelmente.

O deus fez pequenos círculos no pedaço de pele exposta da mão dela, com o polegar e reparou que Atena tinha mãos de pianista. Dedos ligeiramente longos, macios e suaves.

—Obrigado. Tritão era meu herdeiro. O único filho que tive com Anfitrite. Ele era imortal, em partes, digo. Podia morrer em batalha. E foi o que aconteceu, duas semanas depois de ser ferido. – Poseidon apertou levemente a mão dela, como se aquilo pudesse aliviar sua dor. – Anfitrite tentou de tudo, recorreu à magia antiga, chamou os melhores curandeiros, médicos e tudo que estava ao alcance dela. Fez com que todo o reino parasse por um tempo. Mas eu sempre soube, Atena. Eu sabia que não resolveria. E eu deixei.

—Não é sua culpa.

—Eu abandonei meu povo para lutar por uma causa perdida. Anfitrite estava fragilizada e eu não sabia mais o que fazer, até que decidi que nós não nos separaríamos. Quando Tritão morreu – A voz dele mudou drasticamente, assumindo um tom muito pesado. Atena pensou ter visto uma pequena lágrima deslizar pelo rosto dele. Mas talvez fosse apenas reflexo do sol. – Anfitrite surtou. E eu quis o divórcio mais que tudo. Era insustentável.

—Talvez fosse o certo a se fazer. – Ela disse, percebendo que suas mãos ainda estavam juntas.

—Provavelmente. Se bem que deixar as coisas como estavam seria tremendamente mais fácil. Ela não aceitou o divórcio. Tinha acabado de perder o filho e o amava mais que tudo. Não aceitaria perder o marido e o poder que tinha também.

—E você, amava?

A pergunta arranhou a garganta de Atena e Poseidon se sentou, abrindo os olhos e fitando as orbes azuis dela. Ele sorriu minimamente, um sorriso pesaroso e melancólico.

—Ele era meu filho, o amava tanto quanto Percy ou Tyson.

—Não. – Ela abaixou os olhos e sentiu as bochechas esquentarem. – Você a amava?

Poseidon sentiu a garganta secar e coçou a nuca com a mão livre. Alguns segundos se estenderam até que ele respondesse.

—Não. Talvez paixão ou interesse, mas não amor.

—E depois disso tudo... Ela declarou guerra ao seu reino?

—Não foi bem declarar guerra. Ela jurou vingança. Quando nos separamos. Ela alegou que era pela honra de Tritão, mas acredito que era mais uma questão de orgulho. O reino estava fragilizado para outra guerra.

—Mas o reino ainda está sob seu domínio, certo? – Atena inquiriu, uma sensação de nervosismo a tomando.

—Sim. O Palácio está se ajeitando também. – Ele olhou para ela com uma careta infeliz. – Mas isso não importa mais.

—Como assim?

—Anfitrite está grávida.

A surpresa da deusa foi evidente. E mesmo que estivesse sério, Poseidon quis rir. Porque nunca tinha imaginado uma conversa daquelas com Atena, se sentindo confortável o suficiente para descarregar tudo o que estava sentindo.

—Oh, mais não é o fim do mundo. Meu novo herdeiro só terá todo o reino quando eu morrer. – Ele riu. – Então, Anfitrite só tem direito à metade.

Atena rolou os olhos e gargalhou. Oh, ele sempre arranjaria um espaço para fazer piadinhas idiotas.

—É muito maduro da sua parte.

—Eu sou muito maduro. – Ele abriu um sorriso enorme, que morreu logo em seguida. – Chega uma hora, que todos nós temos que ser.

A deusa da Sabedoria olhou para as pequenas faíscas nos olhos verdes brilhantes dele, e então para as duas mãos que permaneciam unidas. E tomou a atitude que julgou ser mais sensata.

Os braços dela o envolveram parcialmente e Atena afundou o rosto na curva do pescoço dele. Poseidon a puxou pela cintura e a abraçou também, aspirando o shampoo de maçã dos cachos loiros dela. O abraçando por simples vontade.

—Eu sabia que você estava tentando arranjar uma desculpa pra me abraçar. – Ele sorriu maroto após um tempo, que pareceu ser perfeitamente infinito.

—Você é tão idiota!

Ela o soltou, se levantando. E estendeu a mão para o deus.

—É claro que nós estamos atrasados. – Atena rolou os olhos. – Parece que isso se torna uma constante quando estou com você.

—Aposto que você não liga. O tempo que passa comigo é o melhor da sua imortalidade.

A deusa não retrucou e abriu um sorrisinho fofo. O puxou pela mão enquanto seguiam para a aula de esgrima. O deus sorriu também, brincando com o cabelo cacheado dela, um sentimento muito confuso pulsando dentro dele.

–X-

Como a primeira hora do dia era de Poseidon, a deusa passou metade do tempo corrigindo os campistas enquanto ele demonstrava alguns golpes usando os bonecos de palha.

Ela não havia sido desafiada, como no primeiro dia, e por algum motivo a deusa se sentia estranha com isso. Atena tentava, sem muito sucesso, ignorar o fato e ajudar um semideus que mal conseguia empunhar a espada pesada.

Poseidon olhou o monte de palha que um dia fora um boneco e depois para os campistas, com uma expressão de falsa modéstia.

—Repitam os golpes que mostrei com sua dupla. – Ele disse, como se fosse a coisa mais fácil do mundo a se fazer. – Quem derramar sangue vai ser obrigado a limpar a sujeira.

A deusa da Sabedoria riu baixinho e andou até ele.

—Não dêem ouvidos à ele. Ninguém aqui pode machucar o oponente. – Ela rolou os olhos antes de se virar para Poseidon. – Você é tão sutil.

—Hey! Porque você acabou de retirar minha autoridade?

—Que autoridade, Poseidon? – Ela riu. – Pessoas com idade mental abaixo de dois anos não tem autoridade.

Foi a vez dele rolar os olhos e guardar a espada.

—Achei que você fosse me desafiar de novo, essa aula. – Ela comentou com descaso, antes de abrir um sorrisinho maroto. – Mas me lembrei que você tem medo de perder pra mim outra vez.

—Eu não perdi. – Ele passou a mão pelo cabelo e a encarou, com o olhar denunciando a provocação que logo viria. – E só não te desafiei porque fiquei com pena de te humilhar duas vezes seguidas na frente de todo o Acampamento.

—Pena? – Ela fungou, ligeiramente inconformada, mas entrando na brincadeira mesmo assim. – Já ouvi você dizer que sente tudo por mim, mas pena é algo novo.

Poseidon balançou negativamente a cabeça.

Não, você nunca ouviu eu dizer tudo que sinto por você, Atena. – Ele pensou. – Eu nunca disse que gos... Argh! Mas que porra é essa que estou pensando? Inferno sangrento. É claro que ela não ouviu, porque eu não sinto nada por ela. Nada.

—Poseidon?

—Hã?

—Você está muito mais estranho que o normal. E isso porque você já é suficientemente esquisito.

—Nah. Já que você insiste, vou voltar a brigar com você, Atena.

A deusa o fitou confusa. Aquilo queria dizer que a trégua estava acabada, afinal?

—Um duelo limpo. – Ele declarou. — E sem revanche.

—Há, parece que as coisas estão começando a ficar interessantes...

Ela gargalhou, os cachos loiros balançando suavemente e os olhos mais azuis e sinceros do que nunca, enquanto sua risada melodiosa ecoava.

Poseidon pegou a própria espada e entregou uma mais leve à ela, com um sorriso torto que Atena reparou – involuntariamente, é claro — ser muito, muito charmoso.

–X-

Notas finais
Ah, não é lindo Poseidon jogando charme pra cima de Atena? *_______* Não só nela, alías, escrevê-lo assim tão fofo está me seduzindo demais. Estou pensando seriamente em deixar os dois separados no fim da fic, para que ele fique comigo. AUHDSAHUSDASHUDASHUDH Ok, brincadeirinha. Mas bem que eu queria mesmo... Vida de mortal é muito triste :/ Reviews, recomendações? Beijos da Mi :*