Fechado Para Reforma!
17 Corrida
CAPÍTULO 17: Acampamento Meio-Sangue – Corrida.
Terceiro Dia– Parte 4.
—Aceite sua derrota, Poseidon.
—Não mesmo. Eu não posso aceitar.
O deus cruzou os braços e fingiu-se de bravo por meio segundo, até que se virou para Atena, sorridente.
—E porque não? –Atena perguntou, já esperando uma resposta bem sem noção e retardada, se desviando dele e continuando seu caminho até a Casa Grande. – Você perdeu. E eu sou a melhor espadachim do mundo. Fim.
—Você não jogou limpo. A deusa da Sabedoria não deveria ser assim tão desonesta.
—Desonesta? – Ela colocou uma mecha atrás da orelha e sorriu de canto. – Posso perguntar por quê?
Porque você me distraiu. Poseidon pensou na resposta mais verdadeira possível, mas resolveu engoli-la. Se ele dissesse aquilo, teria que se explicar. E ele não queria de maneira alguma admitir que tinha se distraído por que, anh... estivera, huh, olhando para as curvas dela.
Não que fosse culpa dele que seus hormônios falassem mais alto. Porque ele tinha certeza que o fato de ficar observando cada milímetro do corpo de Atena estava relacionado aos seus instintos masculinos. Ela era gostosa, afinal de contas. Ah, ele também nunca diria isso em voz alta, porque soava (e era) machista e idiota.
De qualquer maneira, não tinha nada a ver com alguma insinuação idiota de Afrodite.
Como é que ele ia se concentrar em lutar quando sua atenção estava voltada para aquela roupa grudada e completamente sexy que ela vestia?
—Isso não importa. – Ele resolveu dar de ombros.
—Então eu ganhei honesta e lindamente? – Atena provocou, com o sorriso se alargando.
—Tanto faz.
—Há. Como eu sou uma deusa muito boazinha, não vou ficar esfregando na sua cara que sou bem melhor que você, coisa que um certo ser acéfalo certamente faria. Então, só vou comemorar internamente a minha incrível vitória.
—Boazinha? Achei que estivéssemos falando da deusa mais cruel e fria de todo o Olimpo. – Ele retrucou e Atena rolou os olhos. – Mas você não vai ter muito tempo pra comemorar.
—E porque não?
Poseidon sorriu de um jeito muito maquiavélico e despenteou os cabelos.
—Aposto que chego antes de você à varanda da Casa Grande!
—Uma corrida? – Ela arqueou uma sobrancelha perfeita e loira.
—Yeap.
A deusa analisou brevemente a proposta. Eles deviam estar a cem metros da Casa, no máximo, e poucos campistas estavam ali perto àquela hora. Por fim, Atena rolou os olhos.
—Francamente, Poseidon?
—Três...
—Hey! Eu não disse que aceitava!
—Dois...
Atena olhou mais uma vez o percurso. Ele era maior e ela mais rápida. Bem, parecia equilibrado. Poseidon a encarou, sem realmente pedir por uma resposta, com um sorrisinho brincando no canto dos lábios e os olhos verdes brilhando de expectativa.
—Quantos anos você...
—UM!
—Tem mesmo? – Ela perguntou, mas ele já estava à uns cinco metros pra frente. – SEU INFANTIL!
Atena gritou, antes de começar a correr atrás dele, rindo como uma maníaca.
Ele era um grande, grande, grande, imbecil, acéfalo, irritante... Mas era divertido. E a deusa não se repreendeu por pensar assim, enquanto o vento fazia seu cabelo voar e ela corria feliz atrás daquela criatura marinha.
Poseidon ouviu os passos apressados atrás de si e olhou para Atena correndo por um breve segundo. Ela era muito mais rápida e já o alcançava com facilidade. O deus rolou os olhos enquanto voltava a olhar para frente. A varanda da Casa Grande ainda estava a uns bons setenta metros.
—Você vai perder de novo, Bob.
A voz dela soou mais perto do que ele previa. Atena já estava ao seu lado, com o sorriso mais presunçoso que ela sabia expor, arqueando as sobrancelhas como se o desafiasse a contestar. E foi exatamente o que ele fez.
—Vou?
—Com toda certeza. – Os lábios cor-de-rosa dela se torceram em um sorriso muito maquiavélico.
A Casa Grande estava a uns dez metros, quando ele resolveu olhá-la outra vez. Ele sabia que não deveria abaixar sua guarda tão facilmente, mas ainda sim encarou seus olhos azuis tão hipnotizantes e deixou-se perder naquela imensidão por um segundo.
Os dois estavam muito perto, como quando conversavam na praia do Acampamento, ou quando duelavam. Mas tudo parecia ter mudado. Absolutamente tudo.
E, no segundo seguinte, ele estava quase se contorcendo de dor.
—ATENA! – O deus parou de correr e massageou a perna onde ela havia chutado, com mais força do que deveria ser capaz. – Mas que inferno!
Tudo que ele obteve como resposta foi o risinho abafado dela, que já estava subindo o primeiro degrau da escadinha que levava a varanda.
—Você é uma trapaceira incurável, argh. Eu não sabia que era permitido multilar o oponente! – Ele gritou, como um último apelo para que ela desistisse.
—Quanto drama, Poseidon. – Ela suspirou, dando as costas para a Casa e descendo lentamente o degrau. – Francamente, eu não acredito que estou fazendo isso...
Não foi preciso tanto autocontrole para refrear um sorriso convencido daquela vez, contando que a dor na perna retorcia o canto da boca dele em uma careta.
Atena andou os dez metros até ele murmurando coisas inteligíveis, mas Poseidon não se preocupou com isso. Ela colocou a mão na cintura, ficando de frente para o deus, e assoprou uma mecha da franja que caía em seu olho, como a little Jenny fazia quando estava aborrecida.
—Ai. Isso não foi justo.
—Você não é justo uma porção de vezes e eu não reclamo.
—Reclama sim. – Se ela queria discutir como uma criança, ele também o faria.
—É. Às vezes. – Ela deu de ombros e olhou ao redor, evitando a todo custo o olhar atravessado que ele lançava. Até que ela viu a marca roxa e verde que se formava na pele lisa abaixo do joelho dele. – Outch.
—Outch? Você não imagina o quanto isso está doendo. Me deve desculpas.
—Acho que isso não vai melhorar seu machucado.
—Estou sabendo. Mas de qualquer jeito, vai me deixar aqui, sofrendo, sem nem se desculpar por me agredir?
Atena suspirou e olhou novamente para o hematoma.
—Você é tão chato, Poseidon. Desculpe.
Poseidon sorriu internamente com aquilo.
—Não.
—Você pede a porcaria da desculpa e depois não aceita?
—Eu te desculpo. – Ele abriu um sorriso tão travesso quanto o esperado, se aproximando abruptamente dela e tombando a cabeça para que pudesse ficar quase da altura dela. – Se...
Oh, droga. Atena suspirou. Sempre tem que ter um “se”.
—Se...? – A deusa gaguejou, estranhamente com medo da resposta que viria a seguir.
Mas ele não respondeu e piscou um olho, a empurrando levemente do caminho e voltando a correr como o ser mais perturbado do planeta, o que, por sinal, ele era.
Atena não riu e nem rolou os olhos. Ela tinha jogado sujo ao chutá-lo e ele estava dando o troco, mas ela não aceitaria perder para alguém tão deturpado. O som de algo se chocando contra as costas dele foi suficiente para que Poseidon soubesse se tratar de Atena, tentando o empurrar com o ombro. Quando ela viu que ele era bem mais forte tentou passar à frente dele, mas Poseidon colocou o braço na frente dela, fechando o caminho.
Então o máximo que a deusa pôde fazer foi puxar desesperadamente a camisa dele, como se tentasse retardá-lo.
—Não precisa tentar arrancar minha roupa, Ateninha. Três palavras e eu sou seu.
—Três palavras? – Ela murmurou, sem diminuir a velocidade de um passo sequer.
—“Eu me rendo”.
Atena tentou conter o riso e continuar brava, mas, inexplicavelmente, ela não conseguia. Parecia que o tempo que eles tinham passado juntos – míseros três dias – tinha causado uma mudança muito brusca. Porque não era nada normal ela não se irritar perto dele, mesmo com tantas provocações. E mais estranho ainda era querer rir de tais provocações.
—Quer fazer o favor de soltar minha camiseta?
—Nem sonhando.
Poseidon não contestou e continuou a correr loucamente até a varanda da Casa Grande, sem se importar muito no estado em que a roupa escolhida por Afrodite ficaria depois de ser puxada e amassada. Ele pisou no primeiro degrau quando sentiu o pé ser esmagado.
Atena pisava em cada pé dele, conforme ele avançava pela pequena escadinha. E quando eles estavam lado a lado – com Atena prendendo um pé dele. – Poseidon a empurrou levemente com o ombro e a deusa se desequilibrou.
Sem saber o porque, ele estendeu a mão antes que ela pudesse descer o pequeno lance rolando e a puxou para cima dos dois pés dele, como naqueles filmes mortais onde a garota sobe nos pés do garoto e eles dançam alguma música lenta e brega.
A questão é que: eles não estavam dançando.
E a escada pareceu duzentas vezes mais longa quando ele começou a subi-la “carregando” uma Atena boquiaberta. A deusa o olhou, surpresa demais para pedir que ele a colocasse no chão então tratou de pôr as mãos sobre os ombros dele, para que não caísse.
Oh, mas aquilo não adiantou muito. Porque ao apoiar um pé na varanda, é claro que Poseidon tinha que pisar no cadarço solto dela e fazer com que os dois despencassem lindamente na porta da Casa.
—Ai. – Ele resmungou baixinho e, inacreditavelmente, ela explodiu em gargalhadas, ainda esparramada no chão.
—Quem ganhou, afinal de contas?
—Eu, é claro.
Ela rolou os olhos, rindo tanto que mal conseguia negar.
—Mas eu caí primeiro e isso quer dizer que eu cheguei primeiro aqui.
—Porque eu te carreguei. Sem contar que meu pé foi o primeiro a chegar.
—Oh, você é um idiota.
—Eu sei.
Atena se sentou e dois segundos depois Poseidon fez a mesma coisa.
—Eu sou melhor em esgrima que você, e nenhuma corrida vai mudar isso. – Declarou ela solenemente, ajeitando os cachos loiros o melhor que podia, para irritá-lo.
—Eu sou melhor corredor.
—Não, Poseidon, você é mais trapaceiro.
Ele pareceu bem orgulhoso ao ouvir a declaração dela e encolheu os ombros, com falsa modéstia.
—Ah, é um dom.
Ela riu de tamanha bobagem e nenhum dos dois disse mais nada. Sem uma palavra sequer ele se levantou e a puxou pela mão. Atena não contestou quando ele apoiou um braço na cintura dela, apesar de sentir pequenos calafrios perpassando pela coluna.
Poseidon sabia que estava muito instável, porque nem percebeu quando a mão que tinha colocado em volta dela começou a fazer movimentos suaves por cima da camiseta laranja de Atena. Não foi surpresa alguma perceber que ela tinha encolhido levemente, por que parecia muito estranho até pra ele que aquilo estivesse mesmo acontecendo.
As bochechas de Atena ficaram tão vermelhas que ela se recusou a olhar para cima e vê-lo dar um meio sorriso afetado. Mas Poseidon não era o que se podia chamar de uma boa pessoa e resolveu que se era para deixá-la constrangida deveria fazer aquilo da melhor maneira possível.
Ele ergueu o rosto dela com o polegar e pôde ler a confusão nos olhos tão lindos da deusa. Atena não deveria estar entendendo absolutamente nada quando ele colocou uma mecha loira atrás da sua orelha e afagou com a ponta dos dedos a bochecha corada dela.
Eles estavam muito mais próximos do que o aconselhável e mesmo assim ela não recuou. Em partes porque sabia que não faria diferença e também porque estava espantada demais para ter qualquer reação normal.
Era para ser apenas mais uma de suas provocações. Só isso.
Mas Poseidon soube que não tinha mais volta quando desceu a outra mão até as costas dela.
Atena viu o tom de verde dos olhos dele mudar gradualmente, ficando mais escuro a cada milésimo de segundo. Ficando mais intenso e mais hipnotizante. E tudo que ela pôde fazer foi tentar não se assustar com as mãos dele que a enlaçavam e começar um tímido protesto:
—Pos...
Poseidon não deixou que ela terminasse.
Sem realmente pensar no que estava fazendo, sem se importar se tinha algum campista por perto, sem medir as consequências, agindo por mero impulso ou por qualquer outro motivo que ele poderia culpar depois, o deus juntou timidamente seus lábios.
Um choque descomunalmente intenso passou por ambos os corpos, causado por um contato tão pequeno. E foi o que bastou para que Poseidon perceber que queria mais, muito, muito mais.
Ele a empurrou delicadamente contra a parede e fechou os olhos inspirando profundamente antes de beijá-la. Poseidon pressionou seus lábios contra os dela e não encontrou nenhuma resistência. Contendo a vontade de sorrir ele mordeu levemente o lábio inferior da deusa e encaixou completamente seus lábios.
As pernas dela pareciam ser feitas de gelatina, e Atena não soube como se manteve em pé. Talvez tivesse mesmo caído se Poseidon não a estivesse segurando, porque a única coisa que conseguia sentir era a boca tão macia e persuasiva dele. Instintivamente, ela levou as próprias mãos até o cabelo desalinhado dele e bagunçou-os ainda mais, passeando com os dedos ali.
Poseidon entendeu aquilo como um convite e suas mãos se fecharam com força em volta da cintura dela, fazendo pequenos carinhos que a deixaram ainda mais bamba.
Fogos de artifício deveriam estar explodindo em algum lugar, mas isso não importava. A deusa entreabriu mais a boca e Poseidon pediu passagem com a língua, roçando seus narizes de uma forma tão graciosa que era quase impossível se controlar.
Alguma parte da mente de Atena apitava porque ela estava beijando seu arqui-inimigo, porque aquilo era contra seus votos e principalmente porque ela estava gostando. Atena ignorou a sua consciência solenemente e se concentrou nele.
Poseidon ouviu o barulho da porta se abrindo mas nem isso fez com que ele parasse. Ele precisava de Atena. E também precisava de um pouco de ar, pra falar a verdade. Ofegante, a deusa separou lentamente seus lábios. Poseidon continuou a distribuir pequenos selinhos no canto de sua boca e ela teria cedido novamente, mas o barulho da porta e uma voz a fez parar.
—Pai?
Poseidon abriu os olhos, querendo acreditar que ele estava imaginando coisas. Ninguém deveria atrapalhar aquele momento perfeito. Mas, mesmo que ele negasse, Percy estava parado no batente na porta, com a expressão mais desconcertada do mundo e extremamente vermelho.
Poseidon quase suspirou, imaginando que Atena também deveria estar absurdamente corada, e sem coragem o suficiente para olhá-la.
Oh, droga.
–X-
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