Fechado Para Reforma!

2 Divisão de Tarefas


Notas iniciais
Hahaha, aqui vão eles! Boa leitura. Deixem reviews, ok

CAPÍTULO 02: Acampamento Meio-Sangue – Divisão de Tarefas

Primeiro Dia — Parte 1.

Alguma coisa fazia muito, muito barulho e atrapalhava o sono de Poseidon. Ele colocou um travesseiro sobre a cabeça, tentando voltar para a ruiva italiana com que ele estivera sonhando. Mas as batidas na porta continuaram. Ao que parecia, algum infeliz queria vê-lo irritado.

Cambaleou até a porta, amaldiçoando até a última geração de quem quer que estivesse ali, e encontrou uma ninfa pequena e – aparentemente – desconhecida parada na soleira.

—Er... Bom dia Mestre Poseidon. Desculpe-me te acordar a essas horas, mas é que estão te chamando na cozinha do Olimpo.

—Quantas horas são exatamente? – ele grunhiu, ainda sonolento.

—São sete e quinze, senhor. Mas como eu havia dito eles estão, hã, te esperando e–

—Estão?

—Ah... Bem, sim, o Senhor Zeus e alguns dos Olimpianos.

—Diga que não vou tomar café da manhã. Pensei que Hera já estivesse se acostumando com isso, não precisava fazer com que os outros se atrasassem...

—Na verdade, senhor, você que está atrasado.

—Mas eu não como pela manhã! Na verdade eu nem acordo de manhã.

—Não é o café da manhã, senhor.

—Tem alguma reunião agora?

—Não.

—Um conselho?

—Não, é que...

—Algum problema? É algum mortal? Ou só alguma das festinhas de Afrodite, porque, se for, eu ficarei dormindo. Ainda estou com sono. São sósete e quinze.

—Não, não, nada disso. O acampamento. Você precisa ir para lá, juntamente com Lady Atena, que já está bastante impaciente.

—Argh! Será que esses campistas não poderiam acordar mais tarde? – ele resmungou, pra si mesmo. – Hã, avise que estou indo. Só preciso de um banho.

Poseidon não ouviu resposta, fechou a porta e entrou rapidamente sob a água gelada do chuveiro. Ainda tinha que se arrumar, fazer as malas, deixar Dolphin responsável pelo reino subaquático e ver como a restauração estava por lá, verificar se não estava deixando nada importante ali, no Olimpo, e garantir que Atena não ficasse muito irritada. Se bem que era divertido vê-la assim.

–X-

Atena batia freneticamente com o pé no chão por baixo da mesa, num gesto claro de impaciência. Zeus estava sentado na outra ponta da mesa, os cotovelos cruzados sobre o tampo, apoiando o queixo com as mãos, e Atena sabia que se Hera estivesse pela cozinha àquela hora seu pai não teria uma expressão tão homicida.

Ela consultou novamente o relógio. Sete e vinte e três.

Como alguém podia se atrasar tanto?

Absurdos vinte e três minutos. Ela podia apostar que ele só estava tão atrasado pra irritá-la.

E ela estava parcialmente certa.

–X-

Poseidon fechou o registro após o banho mais rápido de sua vida. Passou a mão pelo cabelo molhado, pensando nas roupas que deveria levar e escovou os dentes com uma calma exagerada. Ele nem sabia aonde iria se hospedar depois dos três dias no Acampamento. Talvez fosse para Los Angeles, ou a alguma casa de praia.

Mas ao sair do banheiro não precisou mais se preocupar com suas roupas. Aparentemente, alguém tinha cuidado disso.

Uma mala imensa, preta, e provavelmente muito cheia estava ao lado do guarda-roupa. Um pequeno bilhete cor-de-rosa pendia da alça, uma escrita floreada e fina estava espremida no papel.

“Bom dia, titio!

Resolvi arrumar suas malas, já que eu sabia que você ao menos se lembraria de fazer isso com antecedência. Não precisa agradecer, eu provavelmente faria isso de qualquer maneira, já que estou cansada daquelas suas camisas havaianas.

Mas não se preocupe, as roupas são adequadas para os lugares que você vai. A propósito, aproveite a companhia da minha meio-irmãzinha. Vocês são incríveis juntos.

Beijos, com amor, Afrodite.”

Poseidon rolou os olhos. Suas camisas havaianas eram completamente normais, além de que o deixavam ainda mais irresistível.

Sem muita paciência, vestiu as roupas que já estavam sobre a cama e calçou um tênis preto. Afrodite tinha deixado tudo arrumado para que ele se apressasse.

Ele guardou o bilhete de qualquer maneira no bolso da bermuda jeans, intrigado sobre o que Afrodite havia falado de Atena. A deusa do amor não era normal. Nem um pouquinho. E que ideia absurda era aquela deles juntos? Tudo bem que eles teriam que passar três intermináveis dias naquele Acampamento, mas nada além disso.

Poseidon pegou a carteira sobre a escrivaninha. E confiando no que Afrodite dissera – coisa da qual ele se arrependeria depois – ele nem conferiu as roupas antes de descer as escadas para a cozinha.

–X-

Quando Poseidon apareceu na escadaria Atena teve vontade de fulminá-lo. E ela teria tentado se não tivesse com seus poderes limitados, lembrança que fez com que ela rolasse os olhos.

A primeira coisa que ela notou é que ambos vestiam roupas semelhantes. Os dois estavam com camisas laranja do Acampamento Meio Sangue, com enormes dizeres de “Diretor Substituto” nas costas. Ele vestia uma bermuda escura, e Atena um short no mesmo tom de jeans, um tantinho curto, o que quase causara uma taquicardia. Nos dois.

Pois Poseidon não pode deixar de notar as pernas bem torneadas da deusa à mostra e coisa pela qual ela havia feito um escândalo. “Não era apropriado que uma deusa casta vestisse algo um palmo acima do joelho”, mas Afrodite nem deu atenção ao argumento dela. E o deus dos mares deu um jeito de esquecer aqueles pensamentos bem depressa, pois ela ainda era a sua sobrinha irritante e sabe-tudo.

Os cachos loiros dela estavam soltos e os olhos azuis em fendas, como se acusassem Poseidon de algum crime horrendo. Ele fechou a cara também. Quem ela pensava mesmo que era para olhá-lo daquela maneira?

Zeus também o encarava, irritado.

—Finalmente.

—Bom dia pra você também, maninho.

—Podemos pular a parte da ironia e ir pra parte em que você desaparece?

—Se Atena estiver pronta. –Poseidon deu de ombros.

—Eu não costumo me atrasar.

—Ah é, Senhora Pontualidade.

—Acho que você não entendeu o que meu pai quis dizer com o “pular a ironia”.

—Dá pra andar logo então?

—Odeio dizer isso, mas vá depressa Atena, já são sete e meia. Annabeth já está chegando. E não deixe que esse irresponsável aí destrua nada.

—Não se preocupe, pai. Até o domingo. Te amo. – ela sorriu, se agarrando a imensa mala rosa – obra de Afrodite – antes de desaparecer em uma coluna de chamas.

Poseidon não se despediu e se foi, deixando um cheiro de brisa marinha para trás.

–X-

O Acampamento Meio Sangue estava bem diferente do que Poseidon se lembrava.

Agora existiam cerca de mais vinte chalés, além dos habituais doze Olimpianos. O anfiteatro parecia ter triplicado de tamanho. O rio de canoagem tinha tantas canoas quanto parecia possível, a arena parecia mais ampla. As arquibancadas que rodeavam a fogueira tinham mais sete degraus cada e agora eram três as paredes de escalada.

Ele estava parado ao lado do Pinheiro de Thalia quando avistou Atena próxima ao refeitório, que ainda mantinha a arquitetura original, sem paredes, só que com mais de trinta mesas, ainda vazio aquela altura.

Ela ainda estava com a imensa mala e ele concluiu que ela ainda não tinha ido à Casa Grande – que também parecia a mesma depois da reforma. E porque, diabos, ela não havia o esperado?

Sem muita paciência Poseidon estalou os dedos e apareceu ao lado de Atena.

–X-

A deusa estremeceu ao sentir o vento ondular próximo dela. Ela já estava parada em frente à porta da Casa Grande, pensando se deveria bater para abrir ou não, quando viu a mão dele sobre a maçaneta.

Poseidon empurrou a porta com tamanha suavidade que Atena duvidava ser possível para um troglodita como ele. Ele entrou sem dizer palavra alguma e ela o seguiu. A Casa Grande ainda era a mesma de que ambos se lembravam.

Poseidon colocou sua mala-enormemente-gigante ao lado do sofá, ao mesmo tempo em que Atena subia as escadas para o segundo piso.

Eram quatro cômodos amplos, ao todo. O quarto da direita parecia ter sido preparado especialmente para ela, os móveis de um tom claro de bege, a cama de casal cheia de almofadas contava com um lençol de seda púrpura e alguns livros espalhados por sobre a escrivaninha.

Já o quarto do meio era mais, hm... Masculino. Os lençóis eram de um azul petróleo que contrastava com a parede muito branca, o guarda roupas parecia menor que o do quarto dela, e os móveis eram mais simples que os seus.

A porta ao lado era a de um banheiro espaçoso, todo cinza e com banheira de hidromassagem. E naquele momento Atena rezou para que os quartos fossem suíte, pois esse era o único banheiro que ela via no segundo andar.

O último quarto era de um amarelo vivo, com rabiscos de caneta hidrocor pelas paredes e desenhos pregados vidraça. E Atena não se surpreendeu ao ver Rachel, o Oráculo de Delfos, procurando alguma coisa em baixo da cama.

Rachel encontrou o outro pé de sua sandália e levantou a cabeça, batendo com ela direto na quina da cama. Ela deu um grito abafado antes de resmungar em voz baixa:

—Oh, droga! Que ótimo Rachel. Agora você está atrasada, cheia de responsabilidades, com um baita machucado na testa e ainda esperando dois deuses birutas e que se odeiam pra te ajudar a tomar conta do Acampamento. Di-vi-no.

Atena conteve um sorriso incrédulo.

—Ham. Acho que os dois deuses birutas já chegaram. – a deusa forçou-se a ficar séria.

Rachel ergueu a cabeça novamente, assustada. E mais uma vez bateu com a testa na cama.

—Atena! – Ela sorriu envergonhada, levando a mão à cabeça e fazendo uma leve careta. – Tudo bem? Eu não estava falando de você e do Poseidon! Não mesmo.

—Ah, é claro. Nem imaginei uma coisa dessas!

—Hã, ok. Me desculpe por isso. É tudo culpa dessa sandália idiota. Logo agora que eu precisava recepcionar vocês e ir para o refeitório, ela some e faz com que eu diga as coisas sem pensar.

—Totalmente compreensível. – Atena fingiu concordar com um argumento sem nexo como aquele. – Bem, de qualquer maneira, acho que você está certa.

—Então não ficou ofendida com o negócio dos birutas porque também acha isso? – Rachel disse. – Oops. Não é nada disso. A sandália, é claro.

Atena riu e rolou os olhos.

—Não. É que estamos mesmo atrasados.

—Ah, sim! Só um momento que vou pegar a lista de atividades que o Quíron me entregou. – Rachel andou até a escrivaninha e revirou algumas folhas. – Eu sei que deixei em algum lugar por aqui...

—Tudo bem. Vou colocar a minha mala no quarto e te esperar no primeiro andar. – Atena propôs.

—Eu não demoro encontrar. O seu quarto é o da direita! – gritou Rachel, enquanto a deusa descia novamente as escadas para pegar suas bagagens.

–X-

A deusa encontrou Poseidon jogado no sofá da sala, passando os canais da televisão tão rapidamente que ele sequer via o que estava sendo exibido. Ele abria e fechava os olhos mais devagar que o normal e a cabeça pendia para o lado, como se o deus estivesse com muito sono.

Atena começou a arrastar sua mala rosa, que fazia um barulho irritante ao ser puxada.

—O que diabos você está fazendo? – questionou Poseidon, incomodado.

—Arrumando as minhas coisas, obviamente.

—E precisa fazer tanto barulho?

—Sim, precisa. – Ela rolou os olhos. – Já que não tem nenhum cavalheiro para fazer o favor de levar minha mala lá para cima.

—É verdade. Você mesmo joga na minha cara que sou uma pessoa não civilizada e incapaz de atos gentis. – Ele deu de ombros. – E porque você não faz simplesmente com que a droga da mala apareça no seu quarto?

—Meus poderes estão limitados.

—Isso quer dizer que você não pode fulminar, matar, transformar e fazer ninguém virar pó. Não diz nada a respeito de tele transportar uma mala, Senhora Inteligência.

—Então digamos que eu não queira fazer isso. – Atena retrucou.

—Você vai carregar isso até o segundo andar só para não fazer o que eu te disse?

—Exatamente.

—Ah, que coisa tocante. – Poseidon comentou em sarcasmo. – Você deve ter algum tipo problema mental.

—É verdade. A sua doença conseguiu me afetar em menos de meia hora. Parabéns.

–X-

Atena já estava de volta ao primeiro andar, depois de arrumar seu guarda-roupa e seus aposentos. Faltavam dez minutos para as oito horas, ela e Rachel esperavam pacientemente (ou nem tanto) Poseidon aparecer na escada.

Ele já estava no segundo andar há uns dez minutos, e isso porque ele fora só pegar um boné.

Totalmente desnecessário. Aposto que é só uma desculpa pra me irritar. Ele não consegue ser pontual uma vez na vida?

A deusa mal acabara de pensar na possibilidade e ele apareceu, sem a droga do boné. Bom saber que Atena tinha sempre a razão.

—Não encontrei. As coisas simplesmente somem aqui! – ele alegou.

—É isso que eu sempre digo! – concordou Rachel.

—Se bem que a Afrodite não deve nem ter pensado em colocar um boné na minha mala.

—Você fez com que ficássemos esperando e ao menos sabia se havia um boné?

—Qual o problema?

—Ah, nenhum. Não estamos atrasados. – Disse Atena com ironia. – Rachel, me passe à lista das atividades, por favor.

Rachel entregou a folha à deusa, que analisou cada item.

—Bem, eu certamente posso dar as aulas de arco e flecha. – Atena concluiu, pensativa.

—Se quiser eu fico com o setor das artes. – Sugeriu Rachel. – E equitação com pégasos.

—Tudo bem.

—O lago de canoagem está bom pra mim. – Continuou Poseidon.

—As paredes de escalada, o arsenal e o anfiteatro não precisam de muita supervisão. Mas com certeza precisamos de alguém que ensine esgrima.

Atena sorriu e disse:

—Eu dou essas aulas também.

Exatamente no mesmo momento em que Poseidon falava:

—Eu posso ensinar esgrima.

Os dois rolaram os olhos juntos.

—Não mesmo, Poseidon. Eu sou a deusa da guerra e da estratégia. Minha área. – exclamou ela, triunfante.

—Eu tenho mais tempo de prática. E sou bem melhor que você. – provocou Poseidon.

—De jeito nenhum!

—Sou sim. Eu não perderia para uma garotinha como você.

—Machista!

—Você sabe que é verdade.

—E eu não sou nenhuma garotinha, seu insuportável!

—Imagine. – Ele concordou em sarcasmo e Atena se segurou para não discutir mais.

—Vocês dois podem, hm... – Começou Rachel. – Dividir o horário.

—Péssima ideia. – Afirmou a deusa.

—Então alguém tem que ceder.

—Argh.

—Eu fico com a primeira meia hora de treino. – Apressou-se Poseidon a dizer.

–X-

Notas finais
A Rachel é tãaao desligada e atrapalhada! *-* Bem, agora cada deus já tem o que fazer meticulosamente programado. Será que assim eles brigam menos? Bem, eu duvido. Um obrigada a quem comentou e quem leu e não deixou review, obrigada também. Mas vê se deixa um comentário por favor. Sua opinião vale muito pra mim. Até o próximo capítulo, onde eles vão para os treinos! Beijos da Mirtle :*