Fechado Para Reforma!
12 Consequências
Notas iniciais
CAPÍTULO 12: Acampamento Meio-Sangue – Consequências
Segundo Dia – Parte 04.
Atena estava subindo as escadas que levavam a biblioteca do terceiro andar, com uma pilha de livros relativamente pequena nas mãos, e a mente trabalhando à mil por hora, quando pensou ouvir a porta de entrada bater.
Bobagem. – Ela pensou, com desdém. – Estou sozinha aqui. Poseidon está dando aula nesse momento e Rach deve estar muito ocupada.
Pensar em Poseidon fez com que algo dentro dela se retorcesse, mas Atena não se repreendeu totalmente por isso. A deusa havia chegado à uma conclusão enquanto tomava banho, alguns minutos antes. Talvez ela estivesse sendo muito fria nesses três mil anos de convivência com o Deus do Mar sem um motivo muito claro para tantas brigas.
Quer dizer, Atena tinha um motivo para detestá-lo tanto assim. Mas Poseidon não sabia que motivo era esse. E isso era absurdamente errado.
Algumas lágrimas minúsculas e petulantes teimaram em preencher os olhos azuis da deusa, e ela sacudiu a cabeça para não chorar. Só de pensar na possibilidade de contar pra ele sua mente se enchia de lembranças que ela tentava enterrar. Ela não podia contar.
Ela tentou prometer que nunca contaria aquilo à Poseidon.
—NÃO ME SEGURE, RACH! – Atena deu um pulo e os livros caíram no chão quando ela ouviu a voz alterada de Apolo dois andares abaixo.
Deuses, o que é que aquele cabeçudo ainda está fazendo aqui?A deusa deu as costas aos livros espalhados e saiu correndo até a cozinha.
–X-
—ME DEIXE SUBIR, RACHEL ELIZABETH DARE!
—Não.
—EU ESTOU MANDANDO.
—E daí?
—PORRA, RACHEL! EU SOU UM DEUS E VOCÊ TEM QUE ME OBEDECER, SABIA?
—Não tenho não. Cale a boca, Apolo. E se acalme.
—NÃO!
—Então pare de gritar comigo.
—NÃO!
—COMO É QUE É?
Atena chegou até a cozinha e viu Rachel bloqueando a porta para a sala. A ruiva e Apolo se encaravam, bem mais sérios que o normal. A deusa se espantou um pouquinho ao constatar que Rach estava desafiando Apolo.
—Por favor, Rach. – O deus do Sol sussurrou, um certo tom de raiva na voz, apesar de parecer bem mais contido. – Eu não quero brigar com você.
—Você não precisa brigar com ninguém, Ap.
Apolo bufou e cruzou os braços.
—Hey. – Atena disse baixinho e na hora que o loiro a viu arqueou as sobrancelhas.
—Onde é que ele está?
—Quem?
—Poseidon, é claro! AQUELE GRANDE IMBECIL!
—Apolo: NÃO GRITE NO MEU OUVIDO. – Foi a vez de Rachel berrar.
—Outch.
—Wow, o que está acontecendo? Eu costumo dizer que ele é um grande imbecil. Onde estão meus direitos autorais?
—Primeiro me diga onde está aquele verme sem cérebro, maninha.
—Essa frase também é minha. Mas de qualquer maneira – Atena deu de ombros. – Poseidon está dando aula, se é isso que quer saber.
—NÃO TÁ NADA!
—Apolo. Meu. Lindo. Lord. – Rachel ficou na ponta dos pés para olhar nos olhos azuis do deus. – VOCÊ VAI SOFRER SE GRITAR DE NOVO!
—Você é quem tá gritando agora, cenourita.
Atena rolou os olhos.
—Poseidon foi ensinar esgrima, seu cabeçudo.
—EU ESTAVA ENSINANDO ESGRIMA.
Rachel suspirou ao ouvir Apolo gritar novamente. A ruiva o empurrou para se sentar em uma cadeira e ficou escorada na mesa, olhando para Atena parada na porta.
—Apolo e eu estávamos na aula de esgrima, já que eu estava devendo um favor para Poseidon.
—E AQUELE IDIOTA APROVEITOU A TARDE LIVRE PRA AGARRAR MINHA FILHA!
O queixo da Deusa da Sabedoria despencou alguns centímetros e ela olhou para Rachel buscando alguma confirmação.
—Foi o que as filhas de Afrodite disseram. – A ruiva deu de ombros. – Talvez nem seja verdade, Apolito.
—Mas eu vou matar Poseidon do mesmo jeito, só pra ter certeza. ONDE É QUE ELE SE ESCONDEU? – Apolo olhou de relance para a escada, como se quisesse revistar a casa. – QUANDO EU PUSER AS MÃOS NO IDIOTA QUE ESTAVA SE APROVEITANDO DA MINHA FILHINHA PURA E INOCENTE...
A porta da sala bateu e todos os três se viraram para ver um Poseidon entrar por lá. O Deus dos Mares tinha um pequeno sorrisinho estampado no rosto e o cabelo estava mais despenteado que o normal. Ele entrou na cozinha e Rachel segurou Apolo na cadeira.
—Hey, está dando pra ouvir Apolo berrar lá da quadra de tênis. – Poseidon andou até a bancada e se escorou lá. – E quem é imbecil o suficiente para pegar uma de suas filhinhas puras e ingênuas, com um pai tão possessivo quanto você?
Atena quase riu da situação. Aparentemente, Poseidon não sabia que Apolo queria matá-lo e isso já era muito divertido. Bem, isso até o momento em que Apolo bufou e partiu para cima do deus moreno, sem se importar com Rachel pedindo para ele se controlar.
—VOCÊ! – O loiro ergueu Poseidon pela camisa.
—Wow! Cara, eu estou com menos força física que você, então não faça coisas de que vai se arrepender depois.
—Eu NÃO vou me arrepender, imbecil.
—Eu sou um dos três Grandes, Apolo. Pare já com essa besteira e vamos conversar.
—Aposto que você não quis conversar com a minha Carol.
—Peraí. Sua Carol?
—Caroline Miller, sabe?
—Porr... – Poseidon murmurou. – Ela é sua filha?
—Mas é claro, sua toupeira!
—TOUPEIRA O CARAMBA! – Poseidon rolou os olhos.
—PREFERE ANTA, É?
—HEEEEEEEEY. – Atena cruzou os braços para os dois, acabando com a confusão. – Parem com essa palhaçada. Apolo coloque Poseidon no chão.
—Mas maninha, você não vai defender esse cafajeste, né? – Apolo resmungou.
—Apolo!
—Droga.
Poseidon saiu de perto da bancada e se sentou ao lado de Rachel, Atena foi para a mesa também.
—Senta aqui, Ap.
—Não.
—É sério. – Atena rolou os olhos. – Quero saber qual a versão de Poseidon nessa história.
—Merda. – Poseidon murmurou.
–X-
—Como é que eu ia saber que ela é sua filha? – Poseidon tentou se defender. – Não estava escrito “propriedade de Apolo” nem nada do tipo!
—Se você não fosse tão galinha não ia agarrar nenhum campista, e isso inclui minhas filhas. – Apolo retrucou.
—Como se você fosse um santo! Não fui eu que fiz uma lista pra competir com Ares pra ver quem beijava mais garotas em uma semana.
—Ártemis não ia gostar de saber disso. – Rachel comentou, indiferente.
—Isso não vem ao caso. Pelo menos eu não agarrei a filha de nenhum deus!
—Mas está querendo agarrar a própria irmã gêmea. – Poseidon arqueou uma sobrancelha bem cínico.
Atena olhou para os dois e percebeu que eles podiam continuar com aquela discussão besta até anoitecer.
—Tudo bem. – A loira começou. – Parem de agir feito duas crianças. Poseidon está errado por ter, hm... se aproveitado de uma filha de Apolo. Mas nem por isso vocês vão brigar.
—Qual é! Eu não estou errado. – Poseidon resmungou. – Eu não sabia que ela era filha do Patrick Estrela! A garota nem é loira!
Atena franziu as sobrancelhas e negou vagamente com a cabeça.
—Que coisa idiota, Poseidon. Só porque ela não é loira não quer dizer que não é filha dele.
—Mas quando é que eu ia imaginar isso?
—Você nem perguntou? – Apolo questionou, ainda muito irritado.
—Bem, nós tínhamos coisas mais importantes pra fazer do que ficar discutindo seu parentesco e...
Atena sentiu as bochechas ficarem vermelhas e abaixou a cabeça, ao mesmo tempo em que Apolo se pronunciava:
—EU TE MATO!
—Apolo! – Rachel o fuzilou com o olhar.
—Eu não vou mais gritar.
—Ótimo.
—Mas eu não tenho culpa se ela era muito gostosa – Ele voltou a dizer. – pra ser filha desse aí.
—Você não está ajudando, Poseidon. – Atena tamborilou os dedos no tampo da mesa.
Apolo estreitou os olhos.
—Vamos acabar com isso logo, está bem?
—Isso. Eu estou com muita fome pra ficar ouvindo essa conversa. – Rachel concordou. – Qual é. É verdade.
—Então, vocês dois esqueçam esse assunto. – Atena propôs.
—Só se ele prometer nunca mais encostar um dedo em nenhuma campista. – Apolo concordou. – E ficar a dez quilômetros das minhas filhas.
—Tá bom. Desde que Zeus não fique sabendo disso. – Poseidon deu de ombros. – Já basta ele me amolando por causa de Atena.
—Isso. Agora dêem as mãos.
Rachel, Apolo e Poseidon olharam para Atena com cara de ‘WTF?’ e ela resolveu ignorar.
—Vocês me ouviram.
Os dois apertaram as mãos e Atena teve que sorrir.
—Beleza. Vamos, Apolito. Acho que já está na hora do sol se pôr.
—Okay. Mas acho que mereço um beijo depois de todo esse stress. – O loiro sorriu maroto antes de se levantar e dar um breve selinho em Rachel. – E então?
—Ah, cale a boca seu abusado. E pense em um jeito de conquistar sua irmã.
—Sim senhora, Capitã. Tchau pra vocês.
E Rachel desapareceu pela porta empurrando Apolo.
Atena se levantou da cadeira e percebeu que Poseidon a olhava de soslaio.
—Quê foi?
—Eu disse que Apolo parecia o Patrick. Até o ‘Sim senhor, Capitão’ ele diz. Como no início do desenho. Que retardado.
Atena refreou um sorriso e deu de ombros.
—Não fale assim dele. Apolo é fofo.
—Se você diz. – Poseidon concordou. – Bem, acho que vou tomar um banho porque ainda temos um jantar pra coordenar hoje, não é?
A deusa analisou a roupa provavelmente suada de Poseidon e seu cabelo muito bagunçado enquanto concordava com a cabeça. E impediu sua mente de imaginar o que ele estava fazendo para ficar tão desarrumado assim...
Poseidon notou o olhar vago de Atena e ajeitou um sorriso sarcástico e malicioso no rosto.
—Não, eu não cheguei a transar com a garota. Isso – Ele apontou a roupa pegajosa. – é porque eu fui correr na praia antes que realmente fizesse uma besteira.
Atena ficou tão constrangida quanto no dia anterior, quando contou a Poseidon sobre a situação em que encontrara Malcolm e a namorada. E ela ficou parecendo um pimentão novamente.
—Eu não disse nada.
—Mas não quero que você fique pensando que eu sou um tarado aproveitador. – Poseidon afirmou, sem saber ao certo porque confessara aquilo. – Porque eu não sou mesmo.
E dizendo aquilo ele subiu até o banheiro.
A deusa olhou para onde Poseidon estivera segundos antes e meneou a cabeça.
Ela tinha decidido, durante o próprio banho, que tentaria não brigar mais com ele. Depois de ouvir como Apolo se sentia em relação à Ártemis a Deusa da Sabedoria começou a comparar o que acontecia entre ela e Poseidon. E chegou a estranha conclusão de que os dois também ficavam chateados com tanta indiferença.
Ao menos, não estava sendo assim tão difícil tratá-lo normalmente. E um sorriso surgiu sem permissão quando ela pensou que talvez, só talvez, eles finalmente conseguissem se manter em paz.
Não por muito tempo, é claro.
–X-
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