Fechado Para Reforma!
20 Café da Manhã
CAPÍTULO 20: Em algum lugar entre a Suíça e a Rússia – Café da Manhã.
Quarto Dia– Parte 2.
Poseidon abriu os olhos. Ele estava parado ao lado de Atena em um beco vazio. O deus arqueou uma sobrancelha ao ver algumas caixas de papelão empilhadas, latas de lixo e saídas de emergência dos prédios que ocultavam a pequena rua.
Atena estava vestida com um vestido tomara-que-caia, em preto e branco, justo na cintura e confortável no resto do corpo, que ia até o meio das coxas. E enquanto eles estavam no Acampamento, Poseidon não teve tempo para reparar quão bonita ela estava, com as delicadas sapatilhas douradas e os cachos caindo suavemente sobre os ombros nus.
Como não havia mais nada de interessante para olhar, ele permitiu-se observá-la tombar a cabeça para a esquerda e cruzar os braços por baixo dos seios, erguendo as sobrancelhas em uma pergunta muda.
—E então, aonde nós estamos?
—Em algum lugar entre a Suíça e a Rússia. – Ela deu de ombros, sem tirar os olhos dele.
—Aah. Isso foi tão específico. – Ele ironizou. – Nós vamos ficar aqui?
—Oh, claro. – Ela retrucou, igualmente sarcástica. – Pode escolher sua cama. Eu sugiro aquele espaço entre as duas caixas de papelão da esquerda.
—Onde estão as malas?
—As mandei direto para a casa.
—O que estamos fazendo aqui, afinal de contas?
—Oh, sem me questionar. – Atena resmungou. – Venha, eu te mostro.
Atena girou sobre os calcanhares a saiu para a rua mais movimentada, com Poseidon em seu encalço. Ela andou alguns metros e então parou em frente a uma portinha com sino, uma enorme janela de vidro, de onde se via o interior cheio de mesinhas e um balcão gigantesco. O cheiro de comida que vinha dali de dentro fez com que ele percebesse que estava faminto.
—Uma padaria. – Ele deduziu, segundos depois de entrar seguindo Atena. – Esclarecedor.
—Um café, na verdade.
—Tanto faz. O que estamos fazendo?
—Você não queria comer? – Ela perguntou, puxando uma cadeira para se sentar.
Poseidon sorriu de orelha à orelha e sentou-se em frente à deusa na mesinha redonda. Ele despenteou ainda mais os cabelos absurdamente pretos.
—Eu sabia que você estava preocupada com a minha alimentação.
Atena riu e concordou cinicamente com a cabeça.
—Oh, é claro que sim, Poseidon. Aham.
—Eu sei.
—É. Imagine, nem é porque eu também estou com fome.
—Não mesmo. Já entendi seu joguinho, Atena.
Ele piscou para ela brincando e Atena se controlou para não rir.
—E qual é meu joguinho? – Ela perguntou, fingindo estar genuinamente interessada.
—Você finge que me odeia há milênios, depois conspira com Afrodite para que ela nos mantenha presa por uma semana em algum lugar, e então declara o amor que sempre sentiu em uma padaria da Escócia.
—Suíça. – Ela corrigiu automaticamente, antes de girar os olhos e comentar em sarcasmo. – Sua teoria faz tooodo o sentido. Uau. Infelizmente, tem uma parte que não se encaixa.
—Qual? – Ele questionou, franzindo o cenho.
—Se eu e Afrodite estamos do mesmo lado nessa história toda, porque é que eu deixaria que ela colocasse esse tipo infame de roupa na minha mala?
Atena apontou a roupa que vestia e Poseidon concluiu mentalmente que aquele não era o tipo de roupa que ele chamaria de infame. Não mesmo.
—Suas roupas fazem parte do plano, é claro. – Ele começou, se recostando na cadeira confortavelmente. – Essas roupas são para tentar me seduzir.
Os cantos dos lábios de Atena se curvaram levemente para cima ao ouvir tamanha bobagem, e ela não conseguiu refrear a pergunta que fez:
—E está funcionando?
O queixo de Poseidon deve ter despencado uns vinte centímetros. Ele esperava que Atena o mandasse deixar de ser tão idiota, como ela usualmente fazia e não que a deusa o provocasse. Atena abaixou a cabeça, querendo que um buraco se abrisse no chão para que ela fugisse para o Mundo Inferior.
Deuses, ela jamais falaria algo daquele tipo se estivesse bem! Uma risadinha maquiavélica de Afrodite ecoou dentro da cabeça da loira. E ela trincou os dentes s ignorou as bobagens que havia falado.
—Não. – Poseidon mentiu. – Você não vai conseguir me seduzir só por estar usando roupas curtas, provocantes e justas.
—Tem certeza? – Atena não percebeu ao certo quando as palavras escaparam da sua boca e, graças aos deuses, Poseidon não precisou responder por que o atendente do pequeno café veio anotar os pedidos.
O homem de meia-idade e sorriso amigável falava grego fluente e se dirigiu primeiro a Atena, com os olhinhos brilhando ao reconhecê-la.
—Senhorita Baker. Há tempos que a senhorita não vem aqui.
—Olá, Richard. – Atena sorriu e duas covinhas muito fofas apareceram em suas bochechas. – Eu tenho estado tão ocupada ultimamente. Este é o Sr. Seaworth.
Atena indicou gentilmente Poseidon que fez um aceno com a cabeça. Richard estendeu-lhe a mão, o cumprimentando formalmente.
—O que vão querer?
—Hm... Pãezinhos doces, por favor. E um cappuccino. Acho que Seaworth prefere um expresso, certo?
—Pode ser. – Poseidon deu de ombros. – Vocês tem pudim?
—Mas é claro, senhor. Um minuto e eu já trago tudo para vocês. O cappuccino com creme extra, senhorita Baker?
—Achei que você já estava se esquecendo. – Atena riu.
—Oh, não, não, não. Minha cabeça ainda funciona muito bem, apesar da idade. Bem, eu não demoro. Com licença.
Richard se retirou e Atena desviou os olhos, rezando para que Poseidon esquecesse o assunto anteriormente citado. Ele fitou o forro de mesa e murmurou alguma coisa.
—Que sobrenome ridículo. Seaworth? Da onde você tirou isso?
_É de um livro. – Atena deu de ombros, satisfeita por Poseidon ter mudado o rumo da conversa. – E me lembra mar, então não corre o risco de confundir quando eu estiver falando com você na frente de outras pessoas.
—Porque você não me disse que estávamos na Grécia?
Atena olhou por sobre o ombro de Poseidon para ver o atendente anotando mais pedidos das outras pessoas que estavam ali. Era cedo, por isso o lugar estava quase vazio e a comida não demoraria tanto.
Ninguém come pudim no café da manhã, Poseidon. – Ela repreendeu, sem dar importância à pergunta dele.
—Eu como. Agora me responda, Senhorita Baker.
Atena rolou os olhos com aquela insistência desnecessária e com o emprego de seu sobrenome falso.
—Achei que você surtaria se soubesse que estamos em Atenas.
Poseidon arqueou as sobrancelhas e relaxou na cadeira, para mostrar que ela estava errada.
—Bom saber que você já aceitou a derrota humilhante. – Atena provocou.
—Você ainda se lembra disso?
—Não é tão fácil esquecer quando existe uma cidade com meu nome.
Poseidon bufou e esperou em silêncio até que Richard trouxesse a comida e colocasse seu pudim gentilmente na mesa. Atena trocou algumas palavras com ele e então o dispensou com sorrisinhos agradáveis para começar a comer.
O deus dos mares olhou de esguelha para Atena beliscando eventualmente seu pãozinho enquanto alternava com goles de cappuccino. Ele aproveitou-se para pegar uma colherada generosa do pudim, mas quando estava a meio caminho da boca Atena ergueu a cabeça.
—Heeey! Você não vai comer doce de manhã, Poseidon.
—É claro que vou. – Ele respondeu, como uma criança que fazia birra e batia o pé.
—Não. Eu não vou conviver com um aproveitador-barato-infantil que esteja com altos índices de glicose logo pela manhã.
—Atena, Atena, Atena... Você não pode falar assim comigo.
—Poseidon, querido – Ela sorriu maleficamente, com a maior taxa de ironia já vista em duas palavras na história. – Você é um maníaco e não há como contestar.
—Humpft. – Ele resmungou, sem ter outra opção a não ser deixar o pudim de lado. – Você vem usualmente até a Grécia tomar café da manhã e eu que sou neurótico.
–X-
Poseidon estava andando ao lado de Atena após vários minutos em que eles discutiram dentro do Café para ver quem pagaria a conta. Por fim, Richard concordara com ele de que o cavalheiro deveria pagar (mesmo que nesse momento Atena contestasse a simples existência de um cavalheiro dentro de Poseidon). De qualquer maneira, ele havia pagado, uma vez que ficaria hospedado com ela.
A calçada estava cheia de turistas que os paravam vez ou outra pedindo informações e Atena respondia a maioria dos caminhos. Depois que a terceira velhinha disse que ela e Poseidon faziam um belo casal, Atena o puxou pela mão, caminhando rapidamente até a primeira viela que encontrou.
—Vamos embora.
Ele arqueou as sobrancelhas e colocou as mãos nos bolsos do jeans.
—Achei que íamos ficar aqui para que você pudesse esfregar na minha cara que Atenas é uma cidade incrível e toda aquela chatice.
Atena riu.
—Essa é uma ótima ideia. Mas não, Poseidon. Vamos para casa.
—Eu não sei se você tem amnésia ou qualquer coisa do tipo, Atena, mas o Olimpo está fechado para reforma.
—Haha, muito engraçado. – Ela rolou os olhos, suspirando. – Nós vamos para casa. Para a minha casa.
Atena andou até ele, tocando levemente o braço do deus e os teletransportando para bem longe dali.
–X-
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