Notas iniciais
Oi, leitores lindos! Olha, eu sei que demorei dez longos dias pra postar e me desculpem por isso, mas eu passei a maior parte do tempo na casa da minha avó sem meu notebook ou no hospital, nesses últimos tempos. Então, me perdoem. Ok?

CAPÍTULOS 06: Acampamento Meio-Sangue – Aula de Esgrima.

Primeiro Dia – Parte 5.

Poseidon abriu os olhos e viu um amontoado laranja cutucando suas costelas. Ele piscou algumas vezes antes de focalizar os olhos verdes de Rachel, debruçada sobre sua cama.

—Poseidon? Ei! – Rachel abanou a mão na frente do rosto dele. — ATEEEENA, ELE NÃO ACORDA!

—Psiu! – Ele tapou levemente os ouvidos

—AH, ELE ACORDOU SIM! – A ruiva abriu um sorriso esfuziante.

—Ai. Meus. Tímpanos.

—Outch. Me desculpe.

Rachel saiu da frente dele e Poseidon se levantou, coçando o olho com o nó do dedo. Ele olhou brevemente para seu relógio de pulso e viu que já eram quase duas da tarde, a hora da Aula de Esgrima.

—Tem, ugh, uma coisa branca no seu cabelo, Poseidon.

—Hã?

—É. – Rachel parou de mexer nas pequenas luzes da mesa de cabeceira e andou até Poseidon, puxando do cabelo dele um punhado de fiapinhos esbranquiçados. – Plumas. Um milhão delas! – concluiu ela, ficando ligeiramente na ponta dos pés para tirar o resto.

E bem, foi totalmente involuntário o olhar que Poseidon lançou ao decote da camiseta personalizada de Rachel. Afinal de contas, não era culpa dele que a tal camiseta do Acampamento deixasse boa parte do colo dela à mostra.

—Pelo amor dos Deuses, Rachel! – Ele ouviu a voz de Atena gritar do corredor. – Porque é que vocês estão demorando tanto? Era só pra você acordar aquele ser inútil.

A próxima coisa aconteceu de forma desconexa demais para que qualquer um entendesse.

Atena bateu na porta no mesmo instante em que Rachel terminava de limpar o cabelo de Poseidon. Ele se assustou com o barulho da porta e quase empurrou Rachel, que acabou tropeçando na maldita sandália que ela mesma vestia e teve que se segurar para não cair no pescoço de Poseidon, que a agarrou pela cintura e sem querer levantou metade da camiseta já muito decotada.

Ele olhou brevemente para Atena, que estava parada no batente da porta completamente corada e com os olhos arregalados, antes de ajudar Rachel a se firmar de pé.

—Nossa. Isso foi, ahm... constrangedor. – Rachel murmurou, antes de se virar para Atena e ir para o corredor. – Maldita sandália. Vou tirar isso antes que acabe matando alguém. – Ela riu e entrou no quarto amarelo.

—Eu não sabia que vocês estavam, hã... você sabe. Argh.

Atena fitou os próprios pés antes de sair do quarto dele também.

Poseidon encarou o corredor vazio, calçou os sapatos e desceu as escadas correndo atrás da deusa.

Di Imortalles! Será que ela estava mesmo pensando que ele estava fazendo aquilo com Rachel?

–X-

—Ei, Atena!

Ela não respondeu e continuou andando pela varanda da Casa Grande.

Como ele pode ser tão pervertido? Por Zeus, ela é o Oráculo de Delfos! O O-R-Á-C-U-L-O. Se bem que isso não deve ser problema para um ser tão cafajeste quanto ele. Ah, porque é que eu tinha que ver uma cena daquelas? – Pensou ela, quando ouviu ele a chamar novamente.

—Atena! Qual o problema em me esperar?

—Eu já disse que o problema é você, Poseidon.

—Estamos em uma trégua, lembra?

—Ah, uma trégua? Parece que você se esqueceu disso quando foi me irritar mais cedo. – Retrucou ela, enquanto caminhava a passada rápidas em direção a quadra de vôlei.

—Aquilo foi engraçado. – Poseidon começou a rir.

—Como é que você consegue?

—Ser irresistível assim? Ah, é uma coisa natural.

Atena rolou os olhos.

—Ser tão lesado. E irritante. E ficar me atormentando o dia todo!

—Não é culpa minha estar aqui com você. – Ele deu de ombros. – Afrodite é que armou tudo isso aqui.

—Afrodite é uma vadi—

—Seu vocabulário anda bem sujo ultimamente, hein?

—É a convivência com um aproveitador nojento como você.

—Eu não sou um aproveitador nojento! – Ele protestou.

A deusa parou de andar e se virou para encará-lo. Ela arqueou uma sobrancelha loira:

—Aproveitador nojento e pervertido.

Ele rolou os olhos verdes.

—Sou uma pura pessoa, isso sim.

—Ah, é. – Ela concordou em sarcasmo. – E essa pura pessoa estava se agarrando com o Oráculo de Delfos há menos de cinco minutos.

—Aquilo foi um acidente.

—Acidente, sei. Poseidon, infelizmente eu vi o quão acidental foi você levantar a blusa da Rachel.

—Eu não estava dando uns amassos nela!

Atena ficou incrivelmente vermelha ao ouvi-lo negar uma coisa tão óbvia.

—É claro que ela estava abraçada a você por acaso. – Ela bufou. – Nem eu sou tão inocente para acreditar em uma coisa dessas.

—Eu já disse, Atena. – Poseidon não sabia exatamente o porquê, mas queria que ela acreditasse no que ele dizia. – Eu não estava me agarrando com a Rach. – Ele riu antes de continuar. – Mas aposto que se fosse Apolo que estivesse vendo aquele decote... Ei, você acha que Apolo tem um caso com ela?

—Pelos deuses, Poseidon! Ela é o Oráculo. Só uma pessoa tão indecente quanto você daria em cima dela assim, só porque ela é bonita. Hey, é o espírito de Delfos.

—Apolo é tão galinha quanto eu.

Atena não contestou o que ele dizia.

—É. Em todo caso, se ele tiver alguma coisa com ela vai ficar realmente furioso com a cena de vocês. Isso seria hilário. – Atena concluiu, tentando se afastar.

Ela não deu nem três passos e sentiu Poseidon segurar seu braço. Deuses, o que ela havia feito pra merecer aquilo?

—Com licença, Poseidon. – Insistiu ela, buscando se desvencilhar. Mas ele não soltou o braço dela. E, para assombro e tortura da pobre deusa, ele abriu um de seus sorrisos maliciosos e desconcertantes.

—Não me diga que você está com ciúmes.

—Como é que é? – Atena olhou incrédula para Poseidon, que parecia estar se divertindo.

—Primeiro toda aquela cena no almoço e agora você... –

—NÃO SUPONHA COISAS TÃO IDIOTAS.

—Eu não estou supondo. Eu deduzi.

—Você nem sabe a diferença entre supor e deduzir. – Poseidon deu de ombros. – Honestamente, porque eu teria ciúmes de você? – Ela apontou o dedo para o peito dele de forma desafiadora.

Ele quase se afastou ao ver os olhos azuis dela faiscando e passando gradativamente para um tom mais acinzentado, como acontecia quando ela ficava extremamente irritada.

Mas institivamente Poseidon se aproximou dela, fitando diretamente os olhos tempestuosos da deusa e analisando seus lábios reprimidos de frustração. Ela estava com as faces levemente coradas e ele não sabia se era a vergonha da proximidade ou só raiva.

—Você está morrendo de ciúmes porque eu sou incrivelmente lindo, sexy, charmoso... – Ele viu Atena tentar rolar os olhos, mas ela aparentemente não conseguia acabar com o contato visual entre eles. – E porque você está secretamente apaixonada por mim.

Foi o que bastou para que Atena soltasse seu braço do aperto dele e lhe acertasse um tapa na cara. Poseidon cambaleou para trás, desnorteado.

Ele não estava realmente falando sério, era só um joguinho de sedução barato. No entanto Atena estava furiosa.

Ela havia batido nele!

—Espero que isso deforme seu rosto perfeito. – Ela se virou e começou a andar para longe dele.

—Volte já aqui! Você não pode me bater e sair sem nenhuma satisfação.

—Não posso?

E sem esperar resposta a deusa seguiu para a Arena.

–X-

A marca vermelha de cinco dedos no rosto de Poseidon ainda era visível meia hora depois, quando ele estava sentado próximo aos campistas ouvindo Atena monologar por vinte minutos interruptos.

Cara, ela já explicou todas as técnicas imagináveis de defesa. Já descreveu os ataques e os pontos mais vulneráveis em batalha, quando é que ela vai parar de falar e começar a dar a droga da aula? Só falta que ela comece a narrar como se deve fazer um churrasco de monstro com a espada. Pff.

—Então, se um inimigo te ataca pelo flanco direito nunca deixe que a arma dele contorne sua espada. A não ser, é claro, que você queira ficar sem uma orelha. E imagine que o esgrimista–
Ela foi interrompida por um campista que ergueu a mão e todos os outros alunos olharam para ele.

—Alguma pergunta? – Atena indagou, surpresa que alguém não houvesse entendido suas explicações, ou que quisesse mais detalhes.

—Hã, sim. Posso ir ao banheiro?

Atena suspirou baixinho.

—Claro. Mais alguém quer ir?

Cerca de quinze campistas se levantaram e saíram da Arena. O que não fazia muita diferença já que quase todos os semideuses do Acampamento estavam assistindo aquela aula.

Atena voltou a falar e Poseidon continuou tão desatento quanto antes. Parecia que ninguém ali estava de fato prestando atenção.

—Acho que nós já podemos treinar. – Poseidon a interrompeu, dando ênfase na palavra treinar.

—Alguém disse alguma coisa?

Ele girou lentamente os olhos, se levantando. É claro que ela tinha escutado.

—Que tal colocarmos em prática agora?

—A primeira hora de treino é minha, Poseidon.

—Pois é, de treino. Todo mundo aqui sabe o que tem que fazer, nós só precisamos demonstrar.

Os campistas concordaram com a cabeça e ela bufou.

—Tudo bem. Só espero que ninguém saia machucado por falta de técnica.

Jenny que estava no meio da multidão sorriu de canto para a mãe e Atena desejou engolir o que havia dito.

—Então formem duplas, por favor.

—E nada de campistas do mesmo chalé. – Poseidon acrescentou. – Vocês já conhecem os pontos fracos de seus irmãos, precisam enfrentar algo diferente.

Os semideuses se arrumaram em mais ou menos cinquenta duplas, com as espadas em punho e Poseidon teve que pedir uns minutos a mais.

—Nós vamos tentar equilibrar a defesa e o ataque. A meta é desarmar o oponente.

—Joguem limpo. – Atena advertiu. – Nada de poderes ou coisa do tipo. Quem quer me ajudar a demonstrar?

Quase todos os garotos se ofereceram, mas Poseidon sorriu maquiavelicamente antes de informar que tinha que ser um duelo justo. De deus pra deus.

—Você vai duelar comigo?

—É. Vou.

—Se você quer apanhar de novo, sem problemas. – Alguns campistas deram risadinhas e Atena o encarou vitoriosa.

–X-

Poseidon estava começando a se cansar. A defesa dela era impenetrável! Atena lutava com uma espada simples e longa, parecia leve e se adaptava perfeitamente aos golpes que ela aplicava. A espada de Poseidon era mais curta e mais pesada, fazendo com que seus movimentos fossem mais lentos. Qualquer outra pessoa já teria sido decapitada pelos movimentos certeiros dele.

No entanto, não era qualquer outra pessoa. Era Atena, a deusa estrategista da guerra. Ele só não estava perdendo porque era realmente muito bom com a espada. Eles já estavam lutando há dez minutos e nenhum campista parecia entediado de assistir. Eles assoviavam e faziam farol toda vez que um deles se desequilibrava ou coisa do tipo.

Atena girou a espada e em um movimento muito rápido e um corte superficial rasgou o braço de Poseidon. Ele viu que ela também ficara surpresa e que não era a intenção machucá-lo, já que nenhum dos dois estava de armadura.

—Não se esqueçam de que não pode mutilar o oponente! – Ele gritou, dramático, enquanto os campistas riam e Atena fazia uma careta.

Poseidon fingiu que sua espada estava pesada demais e começou a diminuir o ritmo, obrigando Atena a fazer o mesmo. E quando ela estava baixando a guarda, ele a encurralou contra os bonecos de palha.

Atena rolou os olhos. Era uma boa tática. O espaço para ela atacar era realmente pequeno e ela foi obrigada a girar para a esquerda, o que causou um corte profundo em sua bochecha.

Poseidon não percebeu ao certo quando a acertou, mas viu que icor (o sangue dourado divino) escorria pelo ferimento. Ela franziu o nariz tentou limpar o corte com a barra da camiseta, sem parar de lutar. Ele bufou e abaixou a espada.

E foi nesse momento que Atena se aproveitou para inverter as posições, o colocando contra os bonecos de treinamento.

—Cadê toda aquela história de jogo limpo? – Ele sussurrou só para Atena ouvir.

—Só vale para os campistas. – Ela deu de ombros, espetando a espada em um boneco, quando Poseidon se desviou.

Atena puxou a espada e Poseidon fez com que a espada dele se chocasse contra a dela. Ela tentou firmar a arma novamente na mão, mas o máximo que conseguiu foi impulsioná-la contra a espada dele. E as duas saíram deslizando pelo chão, a trinta metros de distância.

Os campistas bateram palmas, vendo que os dois estavam empatados. Poseidon suspirou e Atena cruzou os braços inconformada. Sem saber bem o que estava fazendo ele se aproximou para analisar o corte que havia feito no rosto dela. Atena também não entendeu e arqueou as sobrancelhas de modo desconfiado.

—Está tudo bem?

—Não.

—Não?

—Eu quase perdi.

—Ah, achei que estivesse mais preocupada com a possível hemorragia que eu fiz você ter.

E inesperadamente ela sorriu.

—O que foi? – Ele franziu as sobrancelhas.

—No fim das contas eu vou ganhar.

E Atena saiu correndo para apanhar a espada caída. Poseidon piscou algumas vezes antes de correr atrás dela. Atena sentiu seu pé sendo puxado e nem precisou olhar para trás para ver que era Poseidon. Ele esticou o braço machucado para pegar a espada mais próxima e dela deu um chute fraco com o pé que ele segurava. Poseidon se desequilibrou e escorregou na espada que ele estava prestes a apanhar e puxou Atena junto.

A espada estava a apenas alguns centímetros da mão de Atena, mas ela não conseguia nem abrir os olhos. A respiração ofegante de Poseidon fazia cosquinhas no pescoço dela e ela percebeu que estava caída por cima dele.

Poseidon encarava os cachos bagunçados de Atena caindo por cima de seus ombros e viu que ela mantinha os olhos fortemente fechados. Ele esticou a mão e apanhou a espada, colocando-a na palma semiaberta dela.

—Ainda estamos empatados. – Ele murmurou, levando a mão a bochecha dela e limpando o icor pegajoso.

Atena abriu os olhos e viu as orbes verdes dele extremamente perto. Ela sentiu seu rosto esquentar e teve a total certeza de que estava sem graça. Sem conseguir responder alguma coisa coerente ela se levantou desajeitada e entregou a espada dele.

Poseidon olhou para ela como quem diz “Viu? Eu posso ser gentil”

—Presunçoso. – Ela murmurou, antes de ir para perto dos campistas.

–X-

Notas finais
Haha, achei esse capítulo fofinho. E sim, eles vão continuar a brigar! Só pra avisar o Poseidon não tá gostando da Atena, nem ela dele. É só que ele é um cafajeste sedutor e por isso vai dar em cima dela o tempo todo. He he. Ei, achei que minha escrita ficou um pouco diferente nesse capítulo. Vocês repararam? Ah! Hoje a Fanfic faz um mês! Acho que mereço muitos reviews por isso, né? *carinha de neném pidão* Beijinhos e até o próximo capítulo! Mirtle :*