Fechado Para Reforma!
9 Aparições
Notas iniciais
CAPÍTULO 09: Acampamento Meio-Sangue – Aparições.
Segundo Dia – Parte 1.
Atena abriu os olhos e viu que o sol ainda não havia nascido. Ela olhou brevemente para o relógio ao lado de sua cama e viu que já eram sete e dez. A deusa decidiu se levantar e trocar de roupa antes de ir lavar o rosto. Ela foi até a mala e suspirou pesadamente.
Outra vez aquela tortura.
Depois de revirar as roupas por uns bons dez minutos, Atena pegou uma camiseta laranja do Acampamento e uma calça jeans preta. Calçou um tênis Nike azul e penteou os cabelos, fazendo uma trança de raiz. E então desceu as escadas.
A Casa Grande estava escura e a deusa consultou o relógio novamente. Sete e trinta e oito. Porque diabos o sol ainda não havia aparecido?
Atena revirou os olhos ao imaginar o que Apolo deveria estar fazendo. Talvez implicando com Ártemis, ou fazendo coisas piores. De qualquer maneira, ela continuou seu caminho até a cozinha, onde se deixou afundar em uma cadeira.
Atena não sabia o porquê de estar se sentindo tão cansada mas a cabeça da deusa parecia pesar uma tonelada e ela quase não conseguia manter os olhos abertos.
Oh, droga. Eu sou uma deusa. Vamos lá, Atena, encare esse dia esquisito que você tem pela frente. E o sol ainda nem nasceu. Deuses! Papai vai matar Apolo. Ah, sim. Mandá-lo para o tártaro. E ele bem que podia levar Poseidon junto.
–X-
Poseidon estava na varanda da Casa Grande escorado na pequena grade que cercava toda a casa com uma caneca na mão. Ele assoprava preguiçosamente o que parecia ser café puro enquanto observava os semideuses indo para o refeitório naquela escuridão.
Ah, sim. Porque Apolo estava tremendamente atrasado naquele dia.
Rachel parecia calada demais, sentada em uma daquelas cadeiras dobráveis com sua prancheta de desenhos na mão. E a ruiva, diferente dos dois deuses naquele dia, parecida absurdamente animada.
—Bom dia. – Poseidon ouviu a porta da frente bater, mas não se virou para ver Atena se sentar ao lado de Rachel. – O que você está fazendo?
Rachel sorriu e seus olhos pareceram brilhar ao responder:
—Registrando o dia em que o sol resolveu não aparecer.
—Ótimo desenho. – Atena constatou ao olhar por sobre o ombro para o papel na mão da ruiva.
—Ah, obrigada.
Poseidon revirou os olhos e continuou a beber o líquido de sua caneca.
—Não sabia que você acordava antes do meio dia. – Atena disse, se escorando ao lado dele.
—Hm. – Ele murmurou, enquanto terminava o café.
—Hm?
—Já são, hm... – Ele consultou o relógio antes de continuar. – Oito horas. De qualquer maneira, tem um punhado de coisas que você não sabe sobre mim.
Atena deu de ombros.
—Acho melhor eu ir para o refeitório. Apolo pode não cumprir com seus deveres, mas eu tenho que dar o bom exemplo.
—Ah, claro que a Senhorita Perfeição não pode se atrasar nem para o café da manhã. – Poseidon concordou em sarcasmo.
—Vá se ferrar.
—Ora, a Senhorita Perfeição agora fala coisas feias?
—Pare de me chamar assim. Argh. E eu não falo esse tipo de coisa perto de pessoas normais e mentalmente competentes.
Poseidon deu de ombros enquanto a seguia descendo as escadinhas de madeira que levariam ao gramado.
—Hey! Me esperem. – Gritou Rachel, enquanto colocava os lápis no bolso do short jeans surrado e descia as escadas correndo.
—Quanta empolgação.
—É o projeto que eu vou supervisionar no segundo horário essa manhã! Ele é tão incrível e tem tanta coisa pra fazer que não sei se—
—Finalmente! – Murmurou Atena. Poseidon e Rachel se viraram para perguntar sobre o que ela estava falando quando viram os primeiros raios de sol surgirem no horizonte.
—Finalmente mesmo. – Poseidon deu ênfase.
—Você está concordando comigo? – Atena parou de andar e arqueou as sobrancelhas, realmente surpresa com aquilo.
—É o que parece.
—O que você está tramando, Poseidon?
—Como é? – Ele também parou de andar e encarou a deusa.
—Você não discutiu comigo hoje, foi irônico por poucos minutos, ligeiramente gentil e está concordando com o que eu falo. Tem alguma coisa por trás desse seu comportamento. Se bem que você não seria esperto o suficiente para arquitetar algum–
Poseidon bufou.
—Eu não te entendo. Quando eu sou irritante, você acha ruim. Quando eu tento agir civilizadamente e te tratar como eu trato todo mundo você acha estranho.
—Você é estranho.
—Eu só cansei de discutir. – Ele rolou os olhos.
—Em três mil anos você nunca cansou de discutir comigo. Eu não vou aceitar isso normalmente, oras.
Atena cruzou os braços baixo dos seios e lançou-lhe o olhar mais superior que conseguia. E então, para surpresa da deusa Poseidon começou a rir.
—E depois eu que sou estranho. – Ele negou com a cabeça, em meio a risadas curtas. – Parece até que você não quer uma trégua.
—Tecnicamente – Ela começou. – Nós estamos em uma trégua desde ontem, mas é claro que você não iria cumpri-la.
—Você é impossível. – Ele declarou, jogando as mãos para cima, parecendo perder um pouquinho do controle.
Rachel riu e deu as costas aos dois. Ela esperou que eles parassem de discutir enquanto observava o sol se levantar preguiçosamente, parada no meio do gramado.
O sol estava perto do acampamento. Provavelmente Apolo estava tentando reparar o atraso. Só que estava perto demais.
E então pequenas ondas de calor começaram a tremeluzir ao redor dela. O vento cessou por um instante e o calor foi tão intenso que as mãos de Rachel ficaram levemente suadas. Mas talvez não fosse só pelo fato do sol estar perto demais do acampamento.
Ela abriu um pequeno sorriso ao ver o astro brilhar mais no céu. Nem tão alto assim, parecia que o sol estava vindo direto para a barreira mágica.
—AH MEUS DEUSES! – A ruiva gritou e percebeu que os dois deuses pararam de brigar quando o Maserati Vermelho de Apolo passou perto do pinheiro de Thalia e quase pôs fogo na árvore, para então estacionar na quadra de vôlei.
–X-
—Apolo! – Rachel gritou e correu até o Deus do Sol.
A ruiva o abraçou fortemente pelo pescoço e ele a girou no ar. Alguns campistas pararam pra olhar quando ele a colocou novamente no chão e ele deu um selinho nela, que começou a rir.
—Hey! Quanta animação, cenourinha. Tudo porque eu vim aqui?
Ela fez uma careta com a menção do apelido.
Poseidon olhou para Atena com um imenso sorriso presunçoso, como se a cena comprovasse a teoria de que Apolo e Rachel tinham um caso. Atena apenas arqueou as sobrancelhas.
Apolo abraçou Rachel novamente e apoiou o queixo no meio dos fios rubros dela.
—Eu adoro seu cabelo! Ele é tão vibrante e...
—Te faz lembrar alguém? – Rachel perguntou pretensiosa, se referindo a Ártemis que era igualmente ruiva.
—Hã? – Ele fez-se de desentendido.
—Talvez você tenha uma queda por ruivas. – Ela sorriu travessa e Apolo gritou para os dois deuses que estavam a uns passos deles:
—Poseidon! E aí, maninha Atena? Se divertindo?
Apolo ignorou o que Rachel tinha dito e a abraçou enquanto a arrastava de volta ao gramado em frente à Casa Grande.
—Hey, casal! – Poseidon acenou para os dois – Dá pra deixar os amassos pra depois?
—Casal? – Rachel olhou para os lados, parecendo confusa.
Apolo riu e pôs uma mexa do cabelo dela atrás da orelha, antes de sussurrar:
—Acho que ele esta falando da gente, Rach.
—Wow! Nada disso. – Ela virou-se para os outros dois deuses que a encaravam. – Eu não estou com o Apolo.
—Meu amor, se você quiser assumir nosso romance secreto. – Apolo deu de ombros teatralmente. – Eu não vejo problema. – E sorriu inocente para Rachel.
—APOLO!
—Quê?
—Ah, não acreditem nele. – Ela riu e passou o braço pelos ombros dele, o abraçando parcialmente e ficando na ponta dos pés. – Eu sou só o Oráculo de Delfos, serva de Apolo que derrotou a poderosa Píton e blábláblá.
—Hey! Foi uma vitória incrível. – Ele disse parecendo magoado.
—Eu sei, Apolito. Só estava com muita preguiça pra repetir tudo aquilo. Mas isso não quer dizer que eu esteja me agarrando com você por aí.
E foi a vez de Atena sorrir convencida. Poseidon a ignorou.
—Bem direta. – Poseidon riu da careta que Apolo fez.
—Hey! Você é meu Oráculo. Eu tenho meus direitos! – Ele protestou como uma criança.
Rachel rolou os olhos incrivelmente verdes e sorriu.
—Tem é?
—Isso aí. – Apolo a segurou pela cintura e a ergueu para dar outro selinho nela, que virou o rosto e depositou um beijo na ponta do nariz dele. – Rach! Você é má.
Atena olhou para o lado e bufou impaciente.
—Vocês não querem continuar com toda essa melação na frente da deusa puritana e ingênua da Atena, não é? Pra ela já deve ser uma obscenidade tremenda.
—Haha, muito engraçado Poseidon. – Ela fingiu indiferença, mas suas bochechas ficaram rubras ao se lembrar da cena do dia anterior no Chalé de Atena. – E o que você está fazendo aqui, Apolo?
—Eu vim visitar vocês. – Ele sorriu abertamente como se fosse a coisa mais comum do mundo.
—Mas você não deveria estar em uma missão com sua irmã? – Poseidon questionou.
Apolo fingiu não ouvir, mas seu sorriso se desmanchou.
—Rach, o que você acha de um filme de terror? – Ele passou pela varanda com Rachel nos calcanhares e a puxou para dentro da Casa Grande. – É uma ótima desculpa pra você se aproveitar de mim e da minha esplêndida beleza.
—Espera aí! – Rachel parou na frente dele antes que Apolo a empurrasse para o sofá. – Apolo. Olhe para mim. Apolo! Eu estou falando com você. – Ela trouxe o rosto dele para perto de si.
—Vai me beijar? – Ele perguntou, tentando mudar o rumo da conversa.
Rachel sorriu de canto.
—Se você me contar o que foi. – Ela deu de ombros. – Na verdade, é claro que não vou te beijar. Mas quero saber por que você veio aqui
—Hm. Seria uma boa troca.
Rachel se sentou no sofá e Apolo se jogou ao lado dela.
—E então?
—Eu não quero falar sobre isso.
—Tem a ver com Ártemis?
—Eu não consigo esconder nada de você? – Ele bufou e fez com que um balde de pipocas aparecesse. – Ela me odeia. Eu sou irmão mais velho dela! Não é como se ela pudesse me odiar só por eu ser homem e—
Rachel enfiou um punhado de pipoca na boca e ligou a televisão. Ela o encarou antes de completar a frase dele:
—E você está a fim dela.
—Eu? Não! Não é nada disso é só que—
—Eu sou o Oráculo, eu sei das coisas. E de qualquer maneira você não consegue esconder nada de mim.
—Você é meu Oráculo. Não pode saber das coisas que eu não—
—Tem certeza?
Ele riu e colocou as pipocas em cima da mesinha de centro.
—Vai me deixar terminar alguma frase ou—
—Vou completar tudo que você diz? – Rachel riu e arqueou uma sobrancelha ruiva.
Apolo olhou para ela de forma séria e Rachel se encolheu. Mas ela logo viu que estava tudo bem quando ele sorriu malicioso e a empurrou para fora do sofá.
Rachel caiu deitada no tapete bege felpudo e Apolo ficou em cima dela, com os braços apoiados ao redor do corpo da ruiva a impedindo de fugir.
—Ai! Cuidado com as minhas costas seu—
—Olhe bem como você vai falar com seu Senhor. Lord Apolo não costuma aceitar Oráculos petulantes.
—E o que ele faz com quem o desrespeita?
—Isso!
Ele riu antes de começar a distribuir leves beijinhos em cada centímetro de pele exposto que encontrava. E Rachel agradeceu a todos os deuses por estar usando uma camiseta de gola alta.
—Você está se aproveitando de mim! – Ela abafou uma risada enquanto se debatia.
—Eu avisei que tinha meus direitos. – Ele deu de ombros e continuou a distribuir beijos pela testa de Rachel.
—SEU IDIOTA!
Os dois olharam para a porta de entrada, da onde vinham os gritos de Atena. Apolo se levantou a ajudou Rachel, antes que a irmã entrasse e se tivesse um ataque histérico pela cena dos dois.
Mas quem entrou pela porta foi Poseidon parecendo muito frustrado.
Rachel voltou a se sentar no sofá e Apolo colocou o balde de pipocas entre os dois, antes de abraçá-la.
—O que foi dessa vez? – O loiro questionou.
—Sua irmãzinha mimada. – Poseidon retrucou, trincando os dentes.
—Hey! Atena é divertida.
—Ah, é claro que é. Super. Uma graça.
—Queria ver você passar uma semana com Ártemis. – Comentou Apolo, em tom queixoso.
—Hm. – Poseidon sorriu maliciosamente para Rachel. – Ela é gostosa. Mas acho que você está ocupado demais com o novo Oráculo para notar.
—Eu já disse que não tenho nada com esse cabeçudo aqui. – Rachel revirou os olhos e deu um leve tapa na cabeça de Apolo.
—Eu já mencionei meus castigos para pessoas que me tratam assim? – Apolo sorriu marotamente enquanto segurava novamente a cintura de Rachel e tentava dar outro selinho nela.
Poseidon riu.
—É claro que eu acredito, Rachel. Bem, se não se importam eu tenho que olhar um bando de pivetes enquanto vocês se amassam.
Rachel suspirou enquanto empurrava Apolo para longe dela.
—Hey! Espera. – Ela pediu e Poseidon parou com a mão na maçaneta. – Você poderia cobrir meu primeiro horário essa manhã? É com os pégassos. Depois eu assumo uma aula sua.
—Claro. Só o primeiro?
—É. No segundo horário eu tenho o projeto de Artes e é claro que Apolo ficaria honrado em me ajudar, não é? – A ruiva sorriu sugestivamente para o loiro.
—Ok, então. Acho que Apolo vai ter que se contentar com uma rapidinha antes de ir dar aula. – Disse Poseidon antes de sair batendo a porta.
Apolo riu e voltou a encher a boca de pipocas.
—Droga, Apolo! – Rachel resmungou. – Eles nunca vão acreditar em mim desse jeito.
—Que jeito?
—Com seus milhares de selinhos, abraços e todas essas coisas que namorados fazem.
—Nós não fazemos todas as coisas que namorados fazem. – Ele sorriu de forma sacana.
Rachel sorriu de canto e revirou os olhos enquanto puxava o balde de pipoca mais para perto de si.
—Você é impossível!
—Eu sei. E também sou incrivelmente lindo, charmoso, sexy e –
—E vai me contar o que aconteceu pra você ter vindo até aqui.
—Ah não, Rach! – Foi a vez dele gemer em protesto.
—E depressa, Apolo. Temos que ajudar em um projeto de artes ainda hoje.
—Eu já disse que você é má?
—Já. – Ela deu de ombros e sorriu levemente. – E então?
—Me passe o balde de pipocas – Ele começou. – E porque é que você saiu de perto de mim? Desse jeito eu não vou te contar nada.
Rachel riu da birra infantil do deus.
—Chantagista aproveitador.
Apolo a puxou pela cintura uma ultima vez antes de começar a falar.
–X-
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