Fechado Para Reforma!
14 Acredite, Poseidon.
Notas iniciais
CAPÍTULO 14: Acampamento Meio-Sangue – Acredite, Poseidon.
Terceiro Dia– Parte 1.
Poseidon abriu os olhos e não resmungou da claridade pela primeira vez em milênios. Acordar cedo era realmente terrível, mas naquela manhã ele não se sentiu assim tão aborrecido. E isso, ele intimamente esperava, devia ser um bom sinal.
O deus ficou mais alguns minutos deitado, apenas se preparando mentalmente para enfrentar a quantidade assustadora de campistas para os quais ele teria que dar aula, enquanto encarava o teto azul claro.
Poseidon tentou chegar à alguma conclusão do que estava acontecendo em sua mente. Mas tudo que ele conseguia pensar era que não precisaria ficar mais preso no acampamento, já era o terceiro dia, afinal.
E, conseqüentemente, estaria livre de Atena. Definitivamente o Deus dos Mares não estava entendendo nada que se passava dentro dele. Porque, desde a noite anterior, todos os seus pensamentos se voltavam para ela. E aquilo era absurdamente estúpido.
Qual é. Eu não tenho que ficar pensando no que ela vai fazer depois de sair dessa porcaria de Acampamento. Está entendendo, subconsciente idiota? – Ele repreendeu a si mesmo, se arrastando para fora da cama. –Se Atena SONHAR que estou pensando nela, arranca minha cabeça. E duvido que vai ser a de cima. É, o Jerry que vai sofrer e... MAIS QUE PORRA!
Poseidon olhou o relógio de pulso. Ainda não acreditando que já era 08:08
Atena vai me matar. Oh, merda! Eu não deveria pensar nela de novo. Peraí... Será que é ela quem tá pensando em mim? Horas iguais e... Que coisa mais gay, cara. Acho que de tanto aquela sabe tudo irritante falar que eu sou perturbado, tô ficando mesmo. Que droga é essa de acreditar em uma teoria idiota de mortais, sobre horas iguais?
Ele suspirou. Realmente estava um tanto paranóico aquela manhã.
Poseidon andou até a mala enorme e escolheu a clássica camiseta laranjada do Acampamento e um jeans claro, com o primeiro tênis slip on cinza que encontrou. Pegou a toalha e foi até a porta.
Se ele não estivesse tão distraído, com toda a certeza não teria batidoa porta na cara de Atena. Ah, sim, porque ele fez isso.
–X-
A deusa estava com o punho estendido para tocar na porta, quando Poseidon a abriu subitamente. Mal deu tempo dela reparar na cara de quem-acabou-de-acordar dele, e a porta foi fechada.
Atena crispou os lábios e continuou na sua pose, imóvel, até que, pela segunda vez, a porta foi aberta.
—Huh. – Poseidon a encarou, parecendo menos assustado que da primeira vez. – Bom dia?
—Isso me pareceu mais um “cai fora”. – Ela apontou. – De qualquer maneira, aí está você.
Ele conseguiu captar o tom categórico dela e percebeu que devia estar muito encrencado, mas, qual é!, ele não esperava que ela aparecesse ali do nada.
—É. Onde mais essa perfeição estaria? – Ele sorriu marotamente e apontou para si mesmo.
Antes que ela pudesse se refrear, olhou para Poseidon. O que foi um erro.
Deve ter sido algum tipo de recorde, porque em menos de um segundo, a deusa estava tão vermelha que daria inveja a qualquer tomate. Ela cobriu os olhos com as mãos, e virou o rosto para o lado. Estática demais até para sair correndo dali.
Primeiramente Poseidon franziu as sobrancelhas, em uma expressão muito confusa. Depois, ele entendeu e teve que conter um sorriso debochado. E por fim, enrolou a toalha na cintura.
Atena não arriscou checar se era seguro olhar e continuou onde estava, sem ver nada. Até que uma raiva escaldante se apossou dela, e a deusa pôde ouvir sua própria voz berrar.
—AH, SEU PERVERTIDO. CUBRA-SE! MAS QUE INFERNO, POSEIDON!
—Hey, não precisa gritar. – Ele riu, achando tudo malditamente engraçado. – É só uma cueca box azul marinha, muito sexy, por sinal.
—Argh! Você já ouviu falar em pijamas? – Ela disse a primeira coisa que veio à mente. – Droga. Já é seguro olhar?
—Qual o problema em dormir de cueca? Pijamas são muito quentes. – O Deus do Mar deu de ombros. – Bem, isso depende do que você considera seguro.
—POSEIDON!
—Sim, Senhorita Drama. Eu já estou tampando a minha linda cuequinha e o Jerry com a toalha.
Atena engoliu em seco.
Desnecessário. Completamente desnecessário. Ela não precisava saber que, er... o amiguinho dele tinha... ugh, um nome.
—É sério. Pode olhar. Nada aqui vai te tornar impura.
—Eu vou te esperar lá em baixo. – Ela retirou a mão do rosto, mas preferiu olhar para um ponto acima da cabeça dele. – NÃO DEMORE! Eu ainda quero ver se dá tempo de tomar café da manhã, seu ser inútil.
Poseidon riu enquanto a observava descer as escadas. E então entrou para o banho.
Menos de quinze minutos depois ele estava sentado na cama, calçando os sapatos, quando viu alguma coisa flutuar a dez centímetros do próprio rosto.
O deus pegou o papelzinho e o leu. Duas vezes. Até que teve a idéia mais brilhante de todos os tempos, e guardou o bilhete no bolso.
–X-
Parecia uma eternidade, mas fazia menos de vinte minutos que Atena esperava sentada no sofá – ainda em choque – quando Poseidon apareceu.
Decentemente vestido, ela reparou, aliviada.
Eles seguiram até o refeitório mantendo uma distância segura. Poseidon percebeu que Atena parecia um pouco tímida por tê-lo visto só de roupas de baixo. Mesmo que ele não se importasse com isso.
Quando os dois diretores substitutos se sentaram a mesa, a maioria dos campistas já seguiam para as aulas, e Rach estava mais sorridente que o normal ao dizer bom dia.
—Eu já avisei que vocês vão demorar um pouquinho. – A ruiva disse, com um sorriso bem bizarro. – E eu já tô indo, até o almoço, galera.
Rachel saiu correndo na direção dos estábulos. A deusa da Sabedoria engoliu o iogurte e se levantou também.
—Hey! Espera. – Ela ouviu a voz de Poseidon e virou-se pra ele. – Eu vou com você até sua primeira aula.
—O que você vai fazer lá? – A loira arqueou uma sobrancelha.
—Jenny me disse que faz Arco e Flecha, queria conversar com ela.
Atena não respondeu e saiu dali, com Poseidon a seguindo prontamente.
–X-
—Quíron e Percy chegam hoje, e então estaremos livres...
Atena continuou a andar, tomando o cuidado de não se virar para que Poseidon não visse seu sorriso satisfeito.
—E então eu estarei livre de você! – Ela retrucou triunfante.
Poseidon apressou o passo, até que estivesse caminhando lado a lado com a deusa.
—Bem... – Ele começou, colocando as mãos nos bolsos da calça. Atena lançou um breve olhar, instigado, e anuiu com a cabeça, pra mostrar que estava escutando. – Eu tinha em mente uma idéia diferente quanto a isso.
—Como assim? – Ela ergueu uma sobrancelha para o vazio a sua frente, sem se atrever a olhar para ele. – Que idéia diferente pode haver? Eles chegam e nós vamos embora daqui. Eu passo meus últimos quatro dias em paz, até o Olimpo ser reaberto. E nós nos vemos na festa de abertura. Ou, com sorte, eu nem te encontro lá. E todos vivem felizes para sempre.
O sorriso de Poseidon diminuiu visivelmente mas, graças aos deuses, ela não estava olhando pra ele para perceber isso. E por algum motivo muito esquisito, o comentário de Atena o afetou de alguma forma.
—Er... Eu tinha pensado, hm...—Ele respirou fundo e falou tudo de um fôlego só. – Eu tinha pensado em passarmos o resto do fim de semana juntos.
Atena tossiu e esperou pelo momento em que Poseidon diria que não passava de uma brincadeira de mau gosto. Mas ele não disse “há, te peguei” nem nada do tipo.
—E porque faríamos isso? – A loira perguntou com o fio de voz que lhe restava.
—Primeiro: se não fizermos isso nem todo mundo ficará feliz, já que Afrodite certamente ficaria desolada e...
—Pode me citar motivos válidos? – Atena rolou os olhos azuis. – Afrodite é paranóica.
—E você não tem seu cartão Lótus. Nem dinheiro. E precisa comprar comida, roupas... Quer dizer, eu acho que você não vai quer usar essas que Afrodite separou por mais quatro dias. – ele apontou e a deusa corou até o dedão do pé. De fato, o short branco era bem mais curto que o devido, e a blusa do Acampamento extremamente justa. – E eu não tenho onde ficar.
—Como você sabe que estou sem dinheiro?
—Você está sem a carteira, dã.
—E como você sabe disso?
—Tenho minhas fontes. — Ele deu de ombros.
Atena refletiu por um momento. Seus olhos se estreitaram quando percebeu onde ele queria chegar.
—Há milhares de hotéis onde você poderia se hospedar. Poruqe está, supostamente, se preocupando comigo?
Poseidon deu de ombros, tentando parecer inocente. A loira suspirou.
—Mas é claro que você não poderia deixar de me atormentar por quatro dias, certo?
—Yeah, agora entendo porque dizem que você tem uma mente desenvolvida para o crime... Mas então, o que me diz?
Eles finalmente tinham chegado ao campo de treinamento de Arco e Flecha. Uma porção de campistas se virou para ver o que estava acontecendo, ou porque os dois não estavam brigando. Poseidon se controlou para não rolar os olhos.
—Eu vou pensar. – Foi tudo o que ela respondeu tirando a aljava das costas. – Bom dia, semideuses! Podem preparar as flechas, hoje temos um alvo móvel. Hey, Jenny venha aqui um pouquinho.
A garotinha de cabelos loiros sorriu e acenou para Poseidon e depois saiu correndo até os dois ao ser chamada.
—Oi, mamãe.
—Oi querida. – Atena abraçou a pequenina com um sorriso no rosto .Porque aquela criatura tinha que ser tão malditamente fofa?
—E eu não ganho um abraço? – Poseidon perguntou, com um certo tom de manha na voz, que fez com que a deusa risse. – É assim?
—Awn, tio Popo! É claro que você ganha
Jenny pulou no colo dele e ficou agarrada ao pescoço do deus, e ele tratou de distribuir beijinhos no topo da cabeça da loirinha. O deus a segurou e começou a fazer cosquinhas freneticamente.
A pequena ria sem parar, e por algum motivo desconhecido, Atena sorriu também. Mal acreditando que Poseidon estava sendo tão carinhoso e amável.
—Mamãaaaaae... So – A little Jenny se contorceu mais um pouco e suas risadas infantis ecoaram. – Socorro! Clê-mên...cia.
Atena rolou os olhos. Deuses, Poseidon era mesmo um ser sem infância.
—Poseidon. Você ainda tem que dar aula hoje, lembra?
—Humpft. – Ele resmungou. – Infelizmente, eu sei. Jen’ posso conversar com você?
—Depende. – A loirinha sorriu de maneira muito travessa.
—Isso quer dizer que posso. – Ele sorriu, se lembrando de antes do almoço. – Só leva alguns minutos.
—Acho que se a gente for pra perto daquele alvo láaaaaaaaa – Ela apontou a uns duzentos metros. – Ninguém vai atrapalhar.
—Hey, que tipo de assuntos particulares você pode ter com minha filha?
Atena arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços embaixo do peito. Poseidon abriu a boca, mas foi Jenny que respondeu:
—Negócios, mamãe.
Poseidon riu antes de sair correndo atrás da pestinha.
–X-
—E então, tio Poseidon?
Poseidon futricava nas flechas de Jenny, observando com demasiada atenção cada uma delas.
—Sim?
—Nós não íamos conversar? – Ela rolou os pequeninos olhos azuis igualzinho a mãe.
—Nah.
—Quer dizer que você me chamou aqui a toa?
—Você é legal.
Jenny arqueou uma sobrancelha e riu.
—É. Eu acho que sou.
—E é muito diferente da sua mãe.
Poseidon ergueu os olhos para ver ela o encarando de forma confusa. A loirinha colocou a mão na cintura e depois deu de ombros.
—As pessoas costumam falar o contrário.
—Huh. – Ele percebeu a bobagem que falara, quer dizer, a garota era uma cópia exata da mãe. Até tinha as mesmas manias. – Ah, você é mais sociável.
—Eu não lembro o que essa palavra quer dizer. Depois eu olho no dicionário. – Ela despenteou a franja e sorriu marotamente para o deus. – Mas eu ainda acho que você não quer falar sobre isso.
—Você é muito custosa.
—E você mente muuuuuuuito mal, tio P. O que é que o ser mais lindo do mundo está escondendo da pobre e ingênua Filhinha de Atena?
Poseidon teve que rir da carinha de inocente dela.
—Você está me bajulando. Mas ainda está certa.
—Geralmente eu tô mesmo. Mas desenrola, eu estou curiosa.
—Bem, eu recebi isso hoje de manhã. – Ele tirou o bilhete amassado do bolso e entregou-o a ela. – E precisava de alguém com uma inteligência suprema pra me ajudar a entender o que está nas entrelinhas. Mas é claro que eu não ia pedir pra sua mãe.
Jenny pegou o pedaço de pergaminho rosa-choque, e apertou os olhos para conseguir ler o que estava escrito numa letra floreada e fina:
“Tio Poseidon!
Eu não acredito que você já vai se separar de Atena. Agora que vocês estão ficando tão fofos juntos. Awn!
Não disse que vocês logo iam parar de brigar? Acho que eu deveria ganhar o prêmio Nobel da Paz.
Sabe, fiquei sabendo por fontes confiáveis que a pobrezinha da minha meia irmã está sem a carteira dela. E você está sem onde ficar depois que sair do acampamento.
É a oportunidade perfeita! Quer dizer, vocês conseguem ficar mais quatro dias sem cometer um assassinato. É só unir o útil ao agradável.
Acho bom você providenciar isso rápido.
E não se preocupe. Eu sei que vocês não querem se separar ainda.*
Amor,
Afrodite.”
A little Jen abriu o maior sorriso que conseguiu. Poseidon continuou calado esperando por alguma explicação potencialmente inteligente.
—Acho que está muito claro, Popo. – A loirinha deu de ombros. – E isso é muito fofo!
—Claro? Há, Jenny. Se há uma pessoa paranóica que consegue ver coisas onde não tem é sua tia Afrodite.
—É. Mas será que ela também sente as coisas enganadas?
—Como é que é?
—Aqui ó.
Jenny devolveu o papel a ele e apontou um Post Scrip, que Poseidon tinha certeza que não estava lá a dez minutos atrás.
“*P.S.: Ah sim, querido tio, eu sei porque você está tão confuso. Também posso sentir! Não é lindo? Ownt! E não tente se enganar, eu entendo muito dessas coisas domeu departamento.”
Poseidon encarou o bilhete por mais alguns segundos.
—Hey, você sabe qual é o departamento da tia Afrodite, né? – Jenny abafou uma risadinha. – AWN, QUE GRACINHA!
A pequena começou a saltitar de um lado para o outro e ele finalmente entendeu.
Não, não, não. NÃO! – O deus começou a pensar desesperadamente.
E então ela apareceu ali. Atena chegou perto dos dois com um sorrisinho meigo e pegou a filha no colo.
—Jen, o que é tão lindo, hein, meu amor? – Atena olhou para Poseidon, mas ele não devolveu o olhar. – Espera. O que é isso na sua mão, querida?
A loira tomou o papelzinho da mão da filha e o analisou, com Jenny tentando desesperadamente tomá-lo de volta.
Atena olhou para Poseidon, muito surpresa e ele pôde perceber algum sentimento jamais visto antes nos olhos dela.
E então o mundo dele desabou.
Não! Eu... Eu não posso. Eu não estou sentindo isso. Não mesmo. Jamais... Eu não posso estar apa— Ele não deixou que sua mente completasse a palavra. – Não porela.
–X-
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