Faça o que eu mando

4 Amanhã pode ser você


Notas iniciais
Terceiro ato - Cena II Personagens: SOFIA SOUZA – A vizinha. POLICIAL REPÓRTERES 1, 2, 3 e 4.

Na mesma sala de depoimentos.

SOFIA – Onde a Olívia está? Não estou conseguindo falar com a mãe dela. Porque demoraram tanto a me atender? Isso é um absurdo! Contatem a mãe dela o mais rápido possível. Ela tem uma pequena loja de roupas na Alameda, mas está tudo fechado. Vocês tem que encontrar essa mulher o mais rápido possível. Nenhuma mãe merece isso!

POLICIAL – Calma, senhora. Eu estava conferindo alguns depoimentos, agora pode ser a sua vez. E a Olívia já está conversando com a doutora.

SOFIA – Tudo bem. Como eu posso ajudar se eu não estava no ônibus?

POLICIAL – Pode começar me contando tudo que aconteceu de manhã.

SOFIA – Também não sei se posso ajudar. Eu não tenho nenhum parentesco com a Olívia, só estou aqui porque vi as notícias no jornal e não consegui falar com a Sílvia, a mãe dela.

POLICIAL – Nada suspeito?

SOFIA – Não.

POLICIAL – E os familiares dela?

SOFIA – Para falar a verdade, não sei muito sobre a família dela. Acho que vieram do interior de Santa Catarina. Eu trabalho com assessoria de imprensa e não é muito difícil conseguir alguns telefonemas... O fato é que ela está perdida e eu fui a única pessoa aqui, corri e vou fazer o possível para ajudá-la, afinal não é digno deixar uma menina perdida nesse ambiente. Vocês demorarão muito para liberá-la?

POLICIAL – Não posso dar uma resposta oficial agora. Falarei com o responsável pela investigação e avisarei se houver quaisquer novidades.

SOFIA – Tem alguém por aqui que possa me esclarecer o que está acontecendo? Todo mundo já viu na televisão que foi um arrastão silencioso no ônibus. O que falta para prenderem os bandidos?

POLICIAL – Não é tão fácil assim...

SOFIA – Isso é um grande absurdo! Pois bem... Farei o que for possível para ajudar essa menina.

POLICIAL – Está liberada.

Sofia sai da delegacia para tomar um ar e esbarra num dos repórteres que se amontoam na porta da delegacia. De repente, muitos repórteres chegam perto e começam a fazer várias perguntas.

REPÓRTER 1 – A senhora tem notícias sobre o caso do ônibus 67?

REPÓRTER 2 – Quando a senhorita Olívia será liberada para prestar mais esclarecimentos?

REPÓRTER 3 – O que os policiais têm a dizer sobre esse descaso?

SOFIA – Calma! Sou vizinha da Olívia, os policiais falaram que ela está sendo entrevistada, mas eles não têm nenhuma novidade sobre o caso.

REPÓRTER 4 – E as pessoas que foram assaltadas?

REPÓRTER 1 – Não existem imagens desses bandidos?

SOFIA – A segurança em nossa cidade está cada vez pior... Eu acredito que as pessoas assaltadas naqueles ônibus estão com medo de aparecer aqui e ajudar a prender aqueles bandidos. A Olívia está sozinha e ainda não conseguiu contatar nenhum familiar para ajudá-la. Se algum familiar da Olívia estiver assistindo, corra para esta delegacia. Por favor...

Sofia olha para uma das câmeras e começa a fazer um pedido para a população.

SOFIA – Se você foi um refém do ônibus 67, venha até a delegacia prestar depoimento. Não tenha medo de retaliações porque será tudo sigiloso. Precisamos prender esses bandidos antes que esse terrorismo se espalhe pela nossa cidade. Hoje foi a minha vizinha, mas amanhã pode ser você!

Notas finais
Trilha - https://www.youtube.com/watch?v=hTgnDLWeeaM