Fazendo Meu Filme 5 - O Casamento Da Fani
34 Epílogo
Notas iniciais
"Você e eu temos muita história
Nós poderíamos ser o melhor time que o mundo já viu
Você e eu temos muita história
Então não deixe isso ir, nós podemos fazer um pouco mais, podemos viver para sempre"
History — One Direction
—x-
Fani
Eu sou simplesmente apaixonada pelo mar. Depois de tudo que já vivi nesses quase cinquenta anos de vida, ter a chance de sentir a brisa em meu rosto, enquanto meus pés estão enterrados na areia e meu corpo é rodeado pelos braços do amor da minha vida é a própria definição de felicidade.
Depois de tanto tempo casados (quase vinte cinco anos), é uma verdadeira surpresa ainda termos a mesma energia de quando ainda tínhamos vinte e seis.
A Melissa, nossa filha mais velha, tem a mesma idade agora que tínhamos quando reatamos. Com vinte e cinco anos, ela já é uma das residentes mais renomadas do hospital que trabalha e é incrível com crianças, sua especialidade.
A Emma, mais nova, tem vinte e dois anos e está fazendo a especialização em Educação Especial, depois de concluir seu curso de Letras com Francês. Ela está engajada em várias instituições de caridade e está sempre visitando hospitais, creches e orfanatos.
E, é claro, o Derek. Chegando totalmente de surpresa, ele conquistou rapidamente a todos. A Mel já tinha dezoito anos quando ele nasceu e simplesmente caiu de amores pelo irmão, assim como a Emma, que tinha quinze anos.
Nosso caçula foi totalmente inesperado, eu achava que nem podia mais engravidar àquela altura do campeonato. Mas lá estava ele, todo gordinho e risonho, incrivelmente tranquilo.
Era noite e estávamos todos reunidos em Búzios (divididos em duas casas) para celebrar a virada do ano, que ocorreria dali a duas horas.
Minha preocupação eram as crianças, todas juntas numa só casa. Tudo bem, tirando os gêmeos e o Derek, apenas o Alexander é menor de idade, mas só de pensar em quinze pessoas não tão adultas naquela casa eu sinto até um arrepio.
A casa onde nós, os pais, ficamos tinha oito quartos (assim como a das crianças), estávamos tranquilos em relação a isso. Cada casal ficou com um quarto e o Derek, a Cassandra e o Will ficaram conosco.
A Cassandra e o Will tinham seis anos e eram os gêmeos mais fofos que eu já tinha visto, que a Ana não me escute dizer isso. Eles estavam dividindo o quarto restante com o Derek, o meu caçula.
A história dos gêmeos é uma das mais lindas que já ouvi. Três anos atrás, a família toda retornava de um final de semana fora da cidade quando acabaram sofrendo um acidente de carro. Dos quatro integrantes, apenas Cassie e Will sobreviveram.
No testamento, o casal deixava claro: caso algo lhes acontecesse, as crianças deveriam ser criadas pelos padrinhos, a Pri e o Rô.
Foi, é claro, uma grande surpresa para todos, mas nós os acolhemos nessa grande família que formamos como qualquer outro filho ou sobrinho.
Agora, aos seis, eles têm plena noção do que ocorreu com os pais, nossa amiga faz questão de deixar isso claro. E mesmo assim, eles dizem que a Pri é a sua mãe de coração.
Foi preciso várias ligações para que a minha amiga se acostumasse com a ideia de que ela era mãe de novo, dezoito anos depois do nascimento do seu primeiro filho.
Eu havia passado pela mesma situação, o Derek estava com um ano na época, enquanto a Mel já estava na faculdade.
Eles são os mais novos do grupo, junto com o Alexander, também filho da Pri (com dezessete anos). É uma distância tremenda entre eles, mas a partir do Alex, as idades começam a ficar bem próximas.
Mathew e Valentina (filhos da Pri e da Nat, respectivamente) têm dezenove anos cada, enquanto a Manuela e a Helena (filhas da Nat e da Nanda, nessa ordem) têm vinte anos.
A Penélope, a caçula da Ana, tem vinte e um, minha Emma tem vinte e dois e o Troy, segundo filho da Tracy, tem vinte e três.
Também temos o Felipe, o Thomas e o Nicolas, os três com vinte e quatro. O Fê é o mais novo da Gabi, o Thomas é o filho mais velho da Tracy e o Nicolas é o mais velho da Pri.
A Mel e o Rafa têm vinte e cinco, os gêmeos da Ana têm vinte e seis, o Lucas (o mais velho da Nat) tem vinte e sete e a Paloma, a mais velha de todos, está com vinte e oito anos.
Antes, quando eles eram crianças e adolescentes, era mais trabalhoso, já que eles exigiam uma atenção maior. Agora que quase todos são adultos, nós reduzimos nossa preocupação pela metade.
O tempo passa muito rápido, ontem eles eram lindos bebês, gorduchinhos e risonhos. Hoje, alguns já têm idade para iniciar a própria família.
Essa é uma daquelas situações em que você se sente extremamente feliz e, ao mesmo tempo, triste. Digo, se eles estão aptos a formarem a própria família, isso quer dizer que eles não precisam mais de você.
Mas vê-los assim, independentes e responsáveis, correndo atrás da própria felicidade, gera uma paz tremenda dentro dos nossos corações.
Eu me pergunto se a minha mãe sentiu isso, quase trinta anos atrás, quando eu deixei o Brasil e fui viver a minha vida na outra metade do mundo.
No fim de tudo, acho que esse é o objetivo. Você dá o melhor de si para criar aquele ser da maneira mais correta e digna possível, até que ele se torne forte e capaz de andar com as próprias pernas e tecer o resto do próprio destino, e aí ele mesmo acabe criando um filho, ensinando a este tudo aquilo que lhe foi ensinado e aquilo que aprendeu durante o tempo que caminhou com os próprios pés.
É gratificante poder dizer que eu criei e ajudei na criação de médicos, professores, engenheiros, arquitetos, músicos e outros profissionais fantásticos que eu sei que os meus filhos e sobrinhos são e ainda serão.
— Caramba, você está longe! — o Leo comentou, me arrancando dos devaneios da minha mente.
— Só estou pensando no quanto nós crescemos e as crianças também.
— Saudades de quando as meninas eram crianças, eu tinha menos cabelos brancos... — brincou, me fazendo rir.
— Você é um bobo! Uma hora elas tinham que crescer!
— O que os pombinhos acham de se juntar a nós? — perguntou a Ana, de longe. Ela ainda mantinha o cabelo curto, num corte Chanel clássico.
— Nós estamos indo. — concordei, ficando de frente para o meu marido.
Realmente, seus fios escuros agora contavam com diversos fios brancos, um contraste lindo, na minha opinião.
— Eu te amo. — confessei, como muitas vezes, acariciando seu rosto com ternura.
— Não mais que eu — respondeu, depositando um beijo na minha testa.
— Vamos, estão nos esperando. — o puxei pela mão, indo em direção aos nossos amigos, que estavam reunidos a alguns metros de distância.
— Até que enfim! — exclamou a Gabi.
— Deixa de ser chata, você e o Victor estavam se agarrando por aí agora há pouco e eu não falei nada! — brinquei — Onde estão as crianças?
— Ainda estão lá dentro. — respondeu a Pri.
— Nós precisamos parar de chamá-los de crianças, a Paloma tem quase trinta anos.
— Não fala isso perto de mim, me faz lembrar minha idade! — reclamou minha amiga, ao passo que nós rimos.
— Eu vou chamá-los, falta menos de uma hora para a virada. — disse a Tracy.
— Eu vou com você, quero aproveitar e pegar mais vinho. — falei, acompanhando-a até a casa.
Lá dentro, nossos filhos conversavam num grande círculo, fazendo uma barulheira tremenda.
— Falta menos de uma hora, então seria bom que vocês começassem a ir para a praia. — disse a minha amiga, fazendo com que todos se movessem em direção à porta, deixando a casa.
— Onde está a Mel? — perguntei à Lauren.
— Na cozinha com o Harry. — respondeu, com uma expressão insegura.
Sorri, a tranquilizando.
— Eu vou chamá-lo para você. — falei, me dirigindo para a cozinha.
Para ser sincera, essa insegurança da Lauren é até um pouco compreensível, visto que a Mel é ex namorada do Harry.
Não que eu ache que algo vá acontecer, conheço muito bem a índole de ambos, mas se existe alguma chance de eles reatarem, é melhor que esclareçam as coisas antes.
Ao chegar na cozinha, encontro os dois abraçados, com o meu sobrinho sussurrando algo para a minha filha que eu não consegui entender.
Interrompo-os educadamente, ainda parada na porta. A Mel me cumprimenta com um beijo na bochecha.
— Olá, meu amor. — respondi, acariciando meu rosto de forma carinhosa — Harry, Lauren está à sua procura.
— Com licença, então. — falou meu sobrinho, saindo da cozinha.
Encarei minha filha por alguns segundos, antes de começar a andar pela cozinha.
— Devo exigir uma explicação? — perguntei, abrindo a geladeira e enchendo minha taça com um vinho branco.
— Não é nada, eu só precisava de um conselho e o Harry me ajudou. — explicou minha filha rapidamente, bebendo o que restava do copo e pegando mais uma garrafinha na geladeira.
Avaliei um pouco sua reação, meio desconfiada e meio incerta, mas sei que se algo estivesse acontecendo, ela me contaria.
— Vai devagar, Melissa. — reclamei. Mães sempre serão mães.
— Essa é a última, prometo.
— Vamos? Já são onze e meia.
Seguimos para a praia, onde todos se encontravam, à espera dos fogos. Paloma praticamente arrastou minha filha quando a viu.
A amizade delas era fantástica. Minha afilhada havia passado alguns meses na nossa casa, enquanto não encontrava um apartamento para ela. As duas ficaram muito próximas a partir daí e se tornaram inseparáveis, à medida em que o tempo passava.
Sendo minha afilhada, eu tinha muita proximidade com a Paloma, ela me considerava uma segunda mãe e eu cuidava e a aconselhava como se ela fosse filha minha.
— Oi, dinda! A senhora está um arraso! — minha afilhada falou, me dando um abraço.
—Você também está maravilhosa, querida!
— Onde diabos você estava? — perguntou à minha filha, depois de me cumprimentar, me fazendo rir ao vê-la arrastar a Mel pelo braço.
Retornei para o meu marido, de longe, observei a Mel e sua melhor amiga conversando. Logo depois, o Lucas (que eu tenho plena certeza que tem uma paixonite pela minha afilhada) se junta a elas.
— Você está pensativa. — comentou o Leo, me abraçando pelas costas.
— Tenho a sensação de que esse ano nos trará boas mudanças. — explanei meus sentimentos.
Chequei o relógio e vi que estávamos a menos de um minuto de um novo ano, então alertei meus amigos, para que nós nos preparássemos para a contagem regressiva.
— Então vamos torcer para que você esteja correta. — ele disse.
A contagem regressiva começa, fazendo com que todos nós voltássemos nossos olhos para o céu, entoando juntos os últimos dez segundos daquele ano.
Dez! Nove! Oito! Sete! Seis!
— Que esse ano novo seja tão maravilhoso quanto todos os outros que já tive ao seu lado! — falei, juntando nossos corpos e encostando nossas testas.
Cinco! Quatro! Três! Dois! Um!
Um sonoro 'Feliz ano novo' escapou de nossas gargantas, antes que nós uníssemos nossos lábios num beijo cheio de promessas para o ano que está por vir.
Nos separamos ofegantes e sorridentes. Comecei a cumprimentar nossos amigos, abraçando-os e desejando um ótimo ano para todos nós.
Pelo canto do olho, vi a Mel e a Paloma discutindo sobre algo. Pouco depois, elas se abraçaram e eu concluí não ser nada grave.
— Parece que vamos ser sogras, afinal. — comentou a Gabi, rindo.
— O que você quer dizer? — perguntei, e ela apontou para algo atrás de mim.
Ao virar, tive uma das maiores surpresas da minha vida. Minha filha mais velha e o Rafa. Se beijando.
— Por essa eu não esperava! — exclamou a Pri, tirando as palavras da minha boca.
— Eu quem o diga! — falei, rindo.
Ao passar os olhos pela praia, à procura do meu marido (que já devia estar espumando a essa altura), avistei outra cena, dessa vez não tão surpreendente assim.
— Devo admitir que por aquela ali, eu já estava a quase seis meses esperando! — apontei discretamente com a cabeça para onde a Paloma e o Lucas estavam, quase se engolindo.
— Então somos sogras também, amiga! — exclamou a Nat, rindo.
— Acho que devíamos parar de olhar, é meio indiscreto da nossa parte! — falou a Tracy.
Nós rimos, mas desviamos o olhar.
— Bom, eu preciso encontrar o meu marido. Ninguém encosta na princesinha dele! — comentei, olhando ao redor.
— Isso eu bem sei, o Leo fez meu filho sofrer muito quando a Mel e ele começaram a namorar. — comentou a Ana.
— O Victor parece tranquilo, mas só parece mesmo. Por que vocês acham que a minha filha tem quase trinta e ainda é solteira? Ele espanta todos os pretendentes! — a Gabi fala, nos fazendo gargalhar.
— Deixa de besteira, Gabi! — falou a Nanda — Todo mundo sabe que a mais brava da família é você!
— Devo admitir, não é certo jogar a culpa no maridão quando na verdade eu sou quem espanta todos eles! Fazer o que, se nenhum chega aos pés da minha filha. — ela disse.
— Eu quase sinto pena do meu neném! — disse a Nat — Mas o Alberto faz pior com as minhas meninas, então eu até entendo essa proteção.
— Eu preciso ir agora se você espera que seu filho fique vivo, Gabi. — falei — Meninas, segurem a mamãe leoa, tudo bem?
Deixei o grupo, indo em direção ao meu marido, que olhava a cena entre a nossa filha e nosso sobrinho de olhos arregalados.
— Leo... — falei, firme — Você não tem o direito. Ela já tem vinte e cinco anos!
— Você acha que eu não sei? — ele quase gritou, passando as mãos pelo cabelo — Eu não tenho como evitar, aquela é a minha filha, minha princesinha! Eu peguei aquele garoto no colo, por Deus!
— Eu sei disso, amor. E é por esse exato motivo que você deve se acalmar ainda mais. Você conhece o Rafael sua vida toda, ajudou na criação daquele garoto! Você realmente acha que ele pode machucar a Mel de forma consciente?
— É claro que não! O problema é esse! Quando você põe seu coração na balança por alguém, o risco de acabar com ele em pedaços é enorme. Eu não posso proteger a minha filha disso! Não há nada que eu possa fazer, e isso é frustrante! — confessou.
— Isso é lindo, querido, mas as nossas filhas devem aprender que a vida funciona assim, uma hora nós vamos acabar nos machucando. O que importa é que se e quando isso acontecer, estaremos lá para o que elas precisarem.
— Você é a melhor esposa do planeta! — ele disse, me abraçando forte, o que me fez dar risada.
— Eu sei disso. E relaxa, são só alguns beijos! Isso não quer dizer que eles vão se casar ou algo do tipo.
E, bem, eu já deveria estar acostumada com as peças que o destino me pregava. Dali a alguns anos, eu descobriria o quão errada estava. Mas tudo bem, a graça da vida está exatamente nessa incerteza.
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