Notas iniciais
Oi, voltei ajsajhsja Eu falei que tinha uma surpresa, então aqui estou eu! Tcharammmm Eu escrevi esse bônus antes mesmo do epílogo, tamanha minha ansiedade! A surpresa é na verdade, o conjunto dos Bônus. Sim, serão mais de um! Cinco, para ser exata. Todos abordando nossa princesinha, a Mel. Houveram muitos pedidos para que eu fizesse um spin-off sobre a vida da Mel, mas eu realmente não tenho condições de comprometer o meu tempo dessa forma (pelo menos por enquanto), então bolei esse especial de cinco bônus sobre a nossa queridinha, já que o primeiro já estava pronto, de qualquer forma. Enfim, espero com todo o meu coração que gostem dessa mulher doce e decidida que é a Mel. Nos vemos lá embaixo!

Bônus I

Se tem uma coisa que eu aprendi com os meus pais, foi a ser honesta sobre meus sentimentos.

Bem, meus pais têm uma das histórias de amor mais loucas que já ouvi: ele gostava dela, que gostava do professor. Quando finalmente mamãe acordou para o que estava acontecendo, estava prestes a embarcar para a Inglaterra, onde morou por um ano.

Quando finalmente voltou ao Brasil, meus pais namoraram por um curto período, e então terminaram. Por causa do término, mamãe resolveu aceitar a oferta de um amigo (que também era ex-namorado) e se mudou para Los Angeles, onde vivemos hoje. Cinco anos se passaram até que papai e mamãe se reencontrassem, aqui em L.A..

Só que papai estava supostamente noivo (de uma mulher horrenda, devo acrescentar), e mamãe se recusou a continuar com ele quando descobriu, mesmo ele nem estando noivo de verdade (aquela mulher era louca, só pode).

Resultado: papai voltou ao Brasil, sem minha mãe, que ficou em L.A. chorando as pitangas. Num surto que lhe deu, percebeu o erro que estava cometendo, comprou uma passagem e embarcou para o Rio de Janeiro.

Nessa parte da narrativa eu pensava "Eba, agora eles finalmente vão ficar juntos!". Bem, sim. Mas não sem antes um pouco de drama.

Acontece que papai não estava no Rio, e sim na Bahia, visitando a pousada do meu tio Alan. Resultado: mamãe pensou que papai não a queria mais, comprou a passagem para Belo Horizonte e seguiu para a casa da vovó. Enquanto isso, papai, que tinha acabado de ler as mensagens que mamãe lhe enviara, fez as malas às pressas e tentou fazer com que seu amigo encontrasse sua amada no aeroporto do Rio, mas ele teve problemas com o carro e não conseguiu chegar lá.

Meu pai, motivado a ter a mulher que amava de volta, comprou uma passagem para BH e aguardou no aeroporto pelo voo de mamãe, que desembarcava desolada da aeronave.

A partir daí, tudo deu certo: eles se declararam e desde então estão juntos. E eu e meus irmãos somos os frutos desse amor.

Você pode me culpar por ser uma romântica incurável? Mas, de qualquer forma, o maior aprendizado que consegui tirar de toda essa história foi: sempre seja clara sobre seus sentimentos e intenções.

E eu realmente coloquei isto em prática, não apenas em relacionamentos, mas em todos os aspectos. Quer dizer, quase todos.

Justamente pelo histórico dos meus pais, sempre fui conhecida por ser sincera com tudo e todos.

Me lembro de quando fiz quinze anos e falei para o Harry, filho da tia Ana e do tio Dan, que o achava muito bonito e queria namorar com ele. Assim, na maior cara de pau.

Papai quase infarta quando anunciamos o namoro, três meses depois. Mamãe deu uma risadinha, mas nenhum dos dois fez nenhuma objeção.

Namoramos por três anos, a química era boa, nós gostávamos um do outro e sempre fomos muito amigos, então isso ajudou muito.

O término também foi pacífico, nenhum de nós dois estava disposto a perder a amizade um do outro, nem deixar um clima ruim nas frequentes reuniões das nossas famílias.

Sem ressentimentos, rompemos o namoro, para a alegria do meu pai, que me achava muito nova para relacionamentos, e para a tristeza de nossas mães, que esperavam que nós nos casássemos. Casar! Eu tinha dezoito anos, pelo amor de Deus!

De qualquer forma, ainda houveram recaídas, quando ambos estavam solteiros e entediados, ou bêbados demais para raciocinar.

Porém, de um ano para cá, as coisas mudaram um pouco. Harry está namorando agora, uma moça chamada Lauren. E, mesmo que não estivesse, algo mudou dentro de mim.

Lembra lá no início, quando falei que eu era sincera sobre meus sentimentos e intenções em quase tudo? Exatamente.

Pense bem, eu tenho vinte e cinco anos agora, é meio patético a situação que me encontro agora. Estou há quase um ano apaixonada pelo mesmo cara e não faço ideia de como falar isso para ele.

A Paloma, minha melhor amiga, sempre me encoraja a abrir o jogo e contar tudo para ele. Claro, não contei para ela quem ele era, não saberia lidar caso ela não conseguisse aceitar o fato de que sou loucamente apaixonada pelo irmão mais novo dela.

Sim, eu sou apaixonada pelo Rafael. Não me pergunte como, só aconteceu. Num ano, nós éramos apenas grandes amigos. Passamos umas férias juntos em Porto Seguro e quando voltei, puf, apaixonada.

Nem me pergunte, nem eu entendi. Quer dizer, rolou sim um clima em alguns momentos. E nós nos beijamos uma vez, quando estávamos bêbados demais para medir nossos atos. Mas não passou disso, um único beijo.

E logo eu, que nunca fui de lembrar de muita coisa quando bebia, tenho guardado em minha mente cada detalhe daquele beijo. O jeito como nossas bocas se encaixaram, como suas mãos percorreram meu corpo e como seus dentes puxaram o meu lábio inferior no fim do beijo.

É, acho que não deveria ter começado a pensar nisso agora, pensei, encarando meu reflexo no espelho. O batom vermelho que eu segurava estava em meu queixo, ao invés dos meus lábios.

Consertei o estrago e terminei a maquiagem, colocando meu vestido longo branco logo em seguida. Era ano novo e nós estávamos todos juntos nas casas de praia da tia Gabi e da tia Nat.

Respirei fundo, tentando me acalmar. Havia tomado uma decisão enquanto terminava a minha maquiagem. Iria contar tudo para o Rafael hoje. Que se dane.

Ano novo, vida nova, não é mesmo? You only live once, carpe diem, não me importa! De hoje não passa!

Esperei a Paloma terminar de se arrumar, ela tinha vinte e oito anos e era a minha melhor amiga de todos os tempos, junto com o Oliver, irmão do Harry.

Nós nos conhecemos desde sempre, mas ficamos muito próximas quando ela passou uns meses lá na minha casa em Los Angeles, antes de conseguir um apartamento para ela.

A partir daí, éramos eu, ela e o Oliver, e o Harry, ocasionalmente.

— Paloma! Desse jeito você só termina no Carnaval! — reclamei pela demora, recebendo um "Já estou indo!" como resposta.

Depois de dez minutos esperando a criatura, resolvi esperar lá embaixo com o pessoal ou pelo menos encontrar o Oliver.

— Cansei, estou lá embaixo! — gritei, antes de sair e fechar a porta do quarto.

Quando saí, dei de cara com o Rafael, que passeou os olhos pelo meu corpo, até que seu olhar encontrasse o meu e me fizesse respirar fundo. A atmosfera mudou drasticamente, ficou mais quente, mais difícil de respirar. Era assim toda vez que nos encontrávamos desde aquelas férias em Porto Seguro.

— Ah, você ainda está aí! — ouvi a voz da Paloma atrás de mim, me fazendo despertar do transe.

— Vamos? — perguntou o Rafa para a irmã, que lhe sorriu.

— Você está um gato, maninho! — disse a minha amiga, antes de descer as escadas e nos deixar sozinhos no corredor de novo.

— Anh... Você está linda, Mel. — ele me elogiou.

— Obrigada. Você também está um arraso, Rafa. — respondi, sorrindo. — Vamos?

— Depois de você. — respondeu, cavalheiro, indicando o caminho com a mão.

Desci as escadas com as pernas tremendo, como a adolescente que fui a um tempo atrás.

Nos separamos no pé da escada, ele foi cumprimentar algumas pessoas da família e eu e a Paloma nos juntamos aos nossos outros amigos, que eram, na realidade, os nossos irmãos e os filhos dos amigos de nossos pais.

Nós logo pegamos uma bebida, entrando no assunto. O Rafa chegou pouco depois e ficou quase que de frente para mim. Assim, vez ou outra nossos olhares se encontravam e nos encarávamos por longos segundos, até que alguém chamava nossa atenção e nós voltávamos a atenção à conversa.

Minutos mais tarde, quando fui à cozinha atrás de mais bebida (se eu quisesse sobreviver àquela noite, com certeza precisaria), dei de cara com o Harry, depois de pegar mais uma na geladeira.

— Então, você e o Rafael...

— O que? Não! Você está viajando, Harry. — tentei contornar.

— Nem me vem com essa, Mel, te conheço bem demais.

Desviei o olhar da parede e voltei a olhar em sua direção.

— Ok, você está certo. Eu gosto dele. — confessei.

— Então porque não estão se agarrando por aí? — perguntou, pegando ele mesmo mais uma bebida na geladeira.

— Porque... Bem...

— Você não falou a ele? — perguntou, surpreso, ao passo que neguei com a cabeça, dando um grande gole — Uau, então o negócio é sério mesmo. Você nunca deixa de falar nada a ninguém.

— Eu fiz uma promessa a mim mesma de que dessa noite não passava, mas não sei de onde vou tirar a coragem para falar com ele. E tem a Paloma, pelo amor de Deus! — confessei, sentindo o desespero tomar conta de mim.

Harry me envolveu num abraço, beijou minha testa e sussurrou palavras encorajadoras. Depois que me acalmei, ele me soltou.

— Melhor? — perguntou.

— Sim, obrigada!

Antes que pudéssemos falar mais alguma coisa, ouvimos um pigarro. Minha mãe, com a sobrancelha arqueada, estava parada na porta.

— Oi, mãe. — a cumprimentei, dando um beijo em sua bochecha. Sou suspeita, mas mesmo em seus quase cinquenta anos, mamãe era um arraso.

— Olá, meu amor. — respondeu, acariciando meu rosto de forma carinhosa — Harry, Lauren está à sua procura.

— Com licença, então. — falou meu amigo, saindo da cozinha.

— Devo exigir uma explicação? — perguntou mamãe, abrindo a geladeira e enchendo sua taça com um vinho branco.

— Não é nada, eu só precisava de um conselho e o Harry me ajudou. — expliquei rapidamente, bebendo o que restava do meu copo e pegando mais uma garrafinha na geladeira.

— Vai devagar, Melissa. — reclamou dona Fani.

— Essa é a última, prometo. — e era mesmo, pretendia estar relaxada, não bêbada.

— Vamos? Já são onze e meia.

Seguimos para a praia, onde todos se encontravam, à espera dos fogos. Paloma praticamente me arrastou quando me viu.

— Onde diabos você estava? — perguntou, depois de cumprimentar minha mãe.

— Na cozinha, pegando mais uma bebida.

— Eu precisei de você! Lucas está extremamente atraente na blusa de botão branca dele e eu já não sei mais o que fazer! — reclamou, arregalando os olhos.

— Que tal ir lá falar com ele, lembro-me de você afirmar que foi a melhor noite da sua vida. — sugeri.

— E foi! Mas ele é mais novo que eu e é seu primo, ainda por cima. O que também o faz meu primo, de certa forma. Não é estranho?

— Por apenas um ano e alguns meses, Paloma. Não tem nada de estranho nisso. Na verdade, ele está olhando para cá agora mesmo, então eu só vou acenar e chamá-lo aqui. — falei, realmente chamando meu primo, que veio praticamente correndo em nossa direção.

— E aí, Mel? Paloma! — nos cumprimentou, assim que se aproximou o suficiente.

— E aí, Lucas! — respondi, enquanto a Paloma apenas sorriu.

Avistei o Rafael passar, parecia estar procurando alguém. Resolvi que aquela era a minha chance e que tinha que aproveitar.

— Vocês terão que me dar licença, mas tem algo que preciso resolver. — falei, me afastando, não sem antes receber um olhar mortal da minha amiga.

— Rafa! — chamei, fazendo-o se virar em minha direção, com aquele sorriso lindo — Posso conversar com você?

— Sim, é claro. O que houve?

— É que tem algo que eu venho escondendo de você e eu realmente preciso te falar.

— Tudo bem, o que é? — perguntou, ainda com aquele sorriso.

— É que eu... — comecei, mas fui interrompida pela contagem regressiva.

Dez! Nove! Oito! Sete! Seis!

— Continua! — gritou, para que eu pudesse ouví-lo.

— Eu gosto de você!

— O que? Eu não consegui ouvir! — exclamou, me fazendo suspirar.

Cinco! Quatro! Três! Dois! Um!

A contagem terminava, ao mesmo tempo que eu tomava uma decisão arriscada, mas necessária.

Feliz ano novo!

Ao fim da contagem, me aproximei do Rafa, que me encarou com aqueles olhos verdes herdados do pai. Selei nossos lábios de maneira tímida, mas voraz.

Ele abriu a boca, correspondendo ao beijo. Passei minhas mãos pelos seus ombros, concentrando-as no seu cabelo escuro e macio. Suas mãos passearam pelas minhas costas, dando leves apertões e me puxando para o mais perto.

Nos separamos ofegantes, meu batom espalhado pela boca dele.

— Era isso que eu queria te falar. — comecei, mas não pude terminar, visto que fui arrastada pela minha melhor amiga.

— Mas que porcaria é esta, Mel? Escute, você é minha melhor amiga e eu te amo, mas não vou deixar você beijar o meu irmão quando se diz loucamente apaixonada por outro cara!

Respirei fundo, percebendo o quão errada estava por ter guardado aquilo por tanto tempo.

— Paloma, me desculpa por não ter te contado antes, eu só fiquei com medo da sua reação. — comecei.

— Me contar o que?

— É o Rafael, amiga! O cara por quem eu sou loucamente apaixonada é o Rafa! — expliquei.

— Ai meu Deus! — fez uma pausa, tentando compreender o que eu havia acabado de lhe falar — Eu estraguei tudo, não foi? Me desculpa!

— Você não está brava? — perguntei, confusa.

— Claro que não! Você realmente gosta dele, pelo jeito que me contou, ou melhor, não me contou.

— Isso é verdade? — perguntou o Rafa, atrás de mim. Fechei os olhos, respirando fundo e tomando coragem para terminar o que havia começado.

Ouvi minha amiga me sussurrar um "Boa sorte" antes de se afastar, enquanto eu me virava e encarava o Rafael.

Sorri sem jeito, dando de ombros.

— Desculpa por não ter contado antes, mas eu não sabia o que fazer.

— Quanto tempo desde que você...

— Um ano, mais ou menos. Foram aquelas férias em Porto. — expliquei.

— Você deveria ter me dito antes, Mel. — observou, se aproximando de mim — E aí, eu poderia ter feito isso muito antes...

— Isso o que? — perguntei, antes de ser surpreendida com um beijo avalassador.

Correspondi com todo o meu ser, gemendo baixinho ao sentir meu lábio inferior ser puxado pelos seus dentes.

— Isso quer dizer que... — tentei falar, depois que nos separamos.

— Você não foi a única que se afetou com o que aconteceu em Porto, Mel. Desde aquelas férias não consigo tirar você do pensamento. — confessou, passando o polegar pelos meus lábios.

Arfei, encarando seus olhos e depois sua boca, sedenta por mais um beijo. Ele entendeu e me puxou para mais perto, colando nossos corpos e lábios num beijo que fez minhas pernas tremerem.

Notas finais
E aí, o que acharam? É o epílogo, no ponto de vista da Mel, e o começo de algo novo na vida dela. E aí, será que esse romance vai pra frente? Vejo vocês no próximo bônus, um beijo!