Eu tinha 5 anos, quando tive meu primeiro contato com a morte.

Quando meu primo Thereum, tentou me obrigar a matar os três gatinhos da nossa vizinha, a Sra. Walter. Claro, eu recusei e resisti ao máximo, mas Thereum ficou irritado e acabou depositando um soco forte no lado esquerdo do meu rosto. Nós discutimos depois disso, ele começou a me ignorar, então tentei encontrar um jeito de me vingar. Resolvi contar para a mãe dele, a Tia Bradlyn. Foi uma tarefa muito árdua , fazê-la acreditar que o seu anjinho de apenas 7 anos, estava planejando matar os três gatinhos adoráveis da nossa vizinha velha e rabugenta.

Depois de longos 10 minutos, eu consegui convencê-la de dar pelo menos uma olhada no pequeno Thereum. Mas, infelizmente quando chegamos lá, não encontramos os corpos dos três gatinhos, mas sim o corpo ensanguentado da Sra. Walter, jogado na grama de seu lindo jardim.

O corpo ainda quente, e com apenas um pequeno e fino fio de vida se debatia na grama verde do jardim, que agora estava em um tom avermelhado, por conta do sangue que saia sorrateiramente do extenso corte feito em sua garganta. Enquanto, a Tia Bradlyn tentava ajudar a Sra. Walter, eu simplesmente não estava prestando atenção e muito menos escutando mais nada ao meu redor. Para mim, as únicas coisa que me interessavam, era a imagem da Sra. Walter se afogando na própria poça de sangue, e a majestosa trilha sonora de tudo isso. O pânico das pessoas tentando ajudar a coitada idosa, o riso de satisfação e diversão do meu primo, e claro, o melhor de todos, o som da morte batendo na porta de Elenor Walter.

Após três longos e insuportáveis dias, Thereum admitiu com muita frieza e orgulho, que havia matado Elenor, e foi encaminhado para um hospital psiquiátrico, diagnosticado com Psicopatia, Depressão e Bipolaridade.

Aos 14, 8 anos depois, tive o primeiro contato com o mundo espiritual; quando estava na antiga e perturbadora casa da Tia Bradlyn, nos preparando para ir ao apartamento que costumava ser da minha prima, Victória Smith, fruto do seu pior e mais antigo casamento. No dia seguinte, iríamos para Califórnia, pois iríamos arrumar e buscar algumas coisas da minha prima que foram deixadas lá. Claro que minha mãe não queria que eu fosse, já que segundo ela, o lugar continha uma atmosfera extremamente pesada e tóxica, e isso poderia me deixar um tanto traumatizada; obviamente, que eu não acreditei, minha mentalidade de 14 anos, não aceitava esse "não" da minha mãe, então, fiz de tudo para conseguir a autorização da mesma; depois de insistir tanto, ela acabou por deixar eu ir e eu, super contente e ansiosa, fui arrumar as minhas malas. Mas essa felicidade, não durou muito.

Logo após todos deitarem para descansar, meu pai, que havia saído, chegou muito bêbado, machucado e extremamente agressivo, e iniciou uma briga grande e violenta briga. Minha mãe tentou acalmar ele, mas não deu nada certo, e ele acabou se irritando ainda mais; depois de uma enorme e barulhenta discussão; eu ouvi um estalo, seguido por um grito. Me assustei, me levantei da minha cama e fui correndo ver o que havia acontecido. Quando cheguei lá, vi minha mãe no chão chorando baixinho, meu pai segurando uma garrafa de Vodka rindo; assim que minha mãe me viu ali, olhou para o meu rosto expressando o medo e a angústia e gesticulou para mim voltar para o quarto, balancei a cabeça e sussurrei, dizendo que eu queria ajudá-la; minha mãe tentou levantar e correr até mim, mas meu pai a viu e bruscamente agarrou seus cabelos e a jogou no chão, antes que ela pudesse chegar até mim. Agarrou meu braço e me arrastou até o quarto. Ele me jogou na cama, e rasgou todas as minhas vestimentas; tirou a sua cinta e me prendeu na cama.

— Se você tentar gritar, irá ficar pior que a vadia da sua mãe, me entendeu bem? — Ele disse segurando a minha boca, e lentamente me soltou. — Boa garota... — Sussurrou se levantando e tirando suas calças. Se virou para mim, tirou o seu membro para fora da calça e colocou-o em minha bochecha. — Eu quero que você chupe... E se morder, eu te mato,sua vadiazinha... — Ele disse segurando meu rosto.

Completamente, assustada e em pânico, fiz o que ele mandou. E esse foi o início da noite mais horrível de minha vida.

Quando o dia seguinte finalmente chegou, eu estava totalmente cansada, machucada e destruída, mas mesmo assim, fui com a minha tia para a Califórnia. Chegando lá, tivermos que passar da delegacia para pegar a chave do apartamento; conversamos com o delegado e o mesmo nos deu carona até lá.

O meu conceito sobre o lugar não ser tão perturbador, mudou completamente assim que pisei dentro do apartamento. Na sala, havia uma enorme quantidade de sangue no carpete que antes era rosa, mas agora se encontrava em um tom marrom avermelhado, havia também uma marca de um corpo no chão, como nos filmes e um terrível aroma de coisa estragada.

Minha tia não estava tão triste e chorosa, como na primeira vez que estivera no apartamento, mas eu ainda conseguia sentir a angústia, raiva e rancor que ela estava guardando dentro de si, ao ver todo aquele cenário horrendo. Como se ela estivesse presa em um eterno filme de terror, onde ela se encontrava sozinha, triste e melancólica. Senti a atmosfera do lugar mudando estranhamente, de um ar passado e aterrorizado, foi para um tenso e esquisito; a temperatura mudou e o silêncio reinou secretamente no ambiente; até que finalmente minha tia quebrou esse sereno e secreto reinado.

— Bom... — Ela disse secando algumas lágrimas que ousaram cair e recuperando o fôlego que fora tirado da mesma. — Laura, você fica com o quarto da Vic. Eu e sua mãe, ficamos no quarto de hóspedes, já que é bem maior. — Disfarcei um sorriso e obedeci minha tia.

Andei pelos corredores observando cada detalhe, quando eu finalmente cheguei na porta do "meu"quarto; respirei fundo e adentrei o mesmo. Olhei admirada, sorri encantada e observei cada detalhe daquele lindo e delicado quarto. Confesso que eu não queria mudar nadinha daquele lindo quarto, afinal era o meu quarto dos sonhos. Tentei encarar o fato de que talvez não seria tão ruim dormir no quarto e na casa de uma garota morta.

Após eu ter organizado as minhas coisas, decidi estudar mais sobre o caso de Victória, já que ninguém queria me contar o que realmente aconteceu. Depois de conseguir hakear o sistema da Delegacia, tive acesso à todos os casos registrados no sistema, incluindo o da Victória.

Segundo alguns documentos, Victória estava prestes à ir para Los Angeles, onde havia conseguido uma bolsa de estudos em uma Universidade de Medicina, já que o seu sonho era se tornar Psiquiatra,para ajudar pessoas como seu irmão.
Ela já havia contatado a sua mãe, e queria contar para o seu pai; então, fez de tudo para conseguir entrar em contato com ele, mas infelizmente, conseguiu o seu número mas não conseguiu que ele atendesse, então deixou uma mensagem de voz em sua caixa postal.

"Oi pai! Sou eu, Victória... Sua formiguinha?" — Um riso relaxado e contente. — "Uau, já faz algum tempo que não nos vemos, não? 10 anos não é brincadeira" — Outra risadinha. — "Bom, amanhã eu vou fazer 18 aninhos... Pois é, sua formiguinha, está virando uma formigona! Enfim, eu consegui uma bolsa de estudos em Los Angeles, para estudar Medicina... E como não nos vemos a tanto tempo, achei que seria saudável para nós dois, termos um reencontro, já que eu não me lembro nem do seu rosto..." — A sua voz emitiu um ar triste e tenso. — "Já que você escolheu a minha professora de Ballet em vez da mamãe..." — Uma frase que fora quase impossível de ser ouvida. — "Então, eu vou te mandar o meu endereço pós SMS... Ah! E eu irei para Los Angeles, então trate de chegar aqui antes disso, ok mocinho? — Uma risadinha fofa foi o que encerrou o recado. E essa foi a última vez que ouviram a doce voz de Victória Smith.

Em outro documento, mostra as horas exatas da entrada e saída de James Smith, pai de Victória; Ao todo, James ficou cerca de 15 à 16 horas no apartamento de Victória, à torturando e molestando. Nos relatórios também dizia que Victória fora molestada com duas barras de ferro, diversas lâminas grandes e afiadas e três longos cabos de madeira; Dizia que James introduziu as barras de ferro no ânus e vagina de Victória, depois cortou os longos e belos cabelos da mesma e por fim, colou as lâminas nos cabos de madeira e penetrou-os no ânus, vagina e garganta. E foi assim que ela morreu; Dizia que ela morreu de hemorragia interna(Vagina, Garganta, Útero e intestino delgado) e externa(Coxas, braços, vagina.)

Eu fiquei cerca de 10 horas estudando o caso, e estava extremamente exausta,e então decidi descansar um pouco e talvez comer algo, desliguei meu notebook, e sai do quarto.

Eram 3 da madrugada, e claramente ninguém estava mais acordado, mas eu não dei tanto importância a isso e apenas comecei a caminhar até a cozinha. No caminho, tive que passar pelo corredor, que mesmo sendo tão colorido e alegre, conseguia me deixar assustada e totalmente frustrada, continha uma atmosfera extremamente estranha e bizarra; Novamente observei cada detalhe, mas dessa vez algo estava diferente, talvez fosse a atmosfera que estava pesada e tensa como antes; Talvez a terrível sensação de sentir algo, ou alguém me perseguindo. Antes que eu pudesse olhar para trás, senti uma gélida mão tocando meu ombro esquerdo, e apertando com a maior força de todo mundo. Olhei sorrateiramente por cima do meu ombro, vi uma mulher externamente alta, com os cabelos negros como a noite, a pele branca como a Lua e com um sorriso amarelo feito ouro.


Pisquei algumas vezes, mas quando me dei conta, a mesma não estava mais lá.

Continua...