Faux Amour
2 Prólogo - Part. 2
Após ter certeza de que não havia ninguém atrás de mim, continuei meu caminho; Chegando lá, percebi que o cheiro que podridão havia desaparecido, e agora o lugar continha um cheiro doce e relaxante, muito semelhante ao aroma da minha casa, possivelmente, minha mãe e a Tia Bradlyn, haviam feito uma enorme e necessária limpeza naquele sujo e podre apartamento.
Abri a geladeira e percebi que a mesma estava estranhamente cheia, peguei algumas coisas ali, abri a dispensa, — e realmente tive certeza de que tudo havia sido reabastecido. Confesso que fiquei um tanto curiosa, já iríamos passar apenas dois dias aqui. — para pegar pão e alguns biscoitos, coloquei os mesmos em cima do balcão, e me virei de costas para pegar a faca; Quando voltei minha atenção de volta para balcão, e diferentemente de antes, não havia nada em cima dele.
"Será que na verdade, eu não peguei nada?"— Olhei confusa para o Balcão. - "Pensei ter pegado tudo, mas na realidade, não peguei nada?" — Pensei, mas tinha certeza de que havia pegado tudo que iria precisar. Ainda muito confusa e pensativa, abri a geladeira e peguei tudo novamente, coloquei no balcão e me virei para pegar as outras coisas. Novamente, quando me virei, não havia nada em cima do balcão.
"Tá de palhaçada comigo, né?"— Sussurrei comigo mesma e com os pães em meus braços, abri a geladeira, peguei o que faltava e joguei-os de volta no balcão, então finalmente comecei a preparar meu lanche.
Depois que já havia preparado tudo, peguei um dos meus sanduíches e fui dar uma olhada na sala. Chegando lá, vi que o carpete havia sido trocado, agora o mesmo tinha uma cor deprimente e serena; Confesso que mesmo que o carpete tivesse sido trocado, eu ainda conseguia ver as horríveis marcas de sangue; E por incrível que possa parecer, eu conseguia sentir a dor e o sofrimento que o lugar transpassava. Tentando não focar nesse pensamentos, continuei a observar a sala.
Após ter terminado meu primeiro lanche, fui buscar o outro; Quando voltei, me deparei com a terrível imagem de Victória sendo horrivelmente violentada no chão, que não estava mais limpo e sereno como antes, agora, estava mais sujo que antes. Senti meu corpo gelificando por completo, larguei tudo que tinha em mãos brutalmente no chão, e senti a sensação de que nunca mais fosse possível, eu mexer algum músculo do meu corpo; Mas meu rosto, se contorcia em uma expressão de nojo e medo.
Victória estava no chão, de quatro com James em cima da mesma, aparentemente abusando-a. O que realmente estava me assustando, — e me deixando extremamente, confusa — era a expressão que o rosto de Victória expressava; Não era uma de medo e pânico, mas sim, uma repleta de prazer e diversão. Enquanto o som de seus corpos se chocando torturavam-me, Victória, sorrateiramente olhou para mim, deu um grande e assustador sorriso, e então jogou a cabeça para trás, como se estivesse se divertindo muito.
Subitamente, o som de seus suados e impuros corpos chocando-se, finalmente cessou. Estranhamente, James caiu no chão — como se estivesse morto -. E Victória mantendo seu olhar sobre mim, se levantou e caminhou até mim. Quando começou a ficar mais próxima, se colocou em minha frente e olhou no fundo dos meus olhos, então foi neste momento em que eu percebi, que seus olhos continham uma cor extremamente clara e inexpressiva, como se ela não tivesse nenhuma vida ou alma ali presentes.
O jeito que ela me encarava, era como se a qualquer momento fosse me atacar e estava esperando o momento certo para isso, — como uma cobra — ou como se sentasse roubar minha alma para si, confesso que cada segundo em que ela me observava, pareciam como se minha alma estivesse sendo realmente sugada e transformada em energia para ela, pois eu estava me sentindo extremamente desgastada, fraca e muito impotente.
Por um segundo senti minhas pernas fraquejando, e me vi caindo no chão, mas Victória, — ou o que parecia ser ela — me segurou pelo pescoço, me ergueu do chão e observou cada detalhe do meu rosto. Olhava como se eu fosse um pedaço de pernil quentinho, e que só estava esperando a hora certa para me devorar. Depois de alguns segundos assim, estava começando a sufocar, comecei a me debater em suas mãos, e o pânico estava tomando conta de mim. Já não estava sentindo minhas pernas, e o pouco de oxigênio que me restava, estava se esgotando aos pouco. Victória sorriu ao ver meu desespero, e então finalmente me largou no chão.
Recuperei o ar que antes fora tirado de mim, e tentei correr de volta para meu quarto, mas Ela puxou meu tornozelo e me arrastou lentamente para a cozinha, pegou uma cadeira e fez com que eu sentasse na mesma. Caminhou até o armário e tirou de lá um alicate, voltou até mim.
— Sorria, Lalinha, Sorria! — Sua voz era grossa e distorcida. Ela continuava a repetir isso, enquanto inclinava minha cabeça e tentava manter minha boca aberta. — Sorria, Lalinha, Sorriaa!! — Repetiu mais uma vez antes de arrancar meu dente canino esquerdo. O Som do osso sendo arrancado, sentir o sangue escorrendo por entre minha boca e os meus gritos de agonia e dor eram extremamente, estava encantando Victória.
Ao total, ela arrancou 7 dentes e colocou todos em cima do balcão. Victória olhou para mim e deu outro sorriso macabro, assim como antes, sabia que ela iria fazer algo terrível novamente. Ela pegou dois dentes, posicionou-os na frente dos meus olhos e brutalmente, fincou-os ali. Senti tudo ficando em uma escuridão completa, uma dor que era tão aguda, que eu pensei — e rezei — estar morta. A única coisa que pude ouvir foi uma risada alta e pude sentir o sangue quente escorrendo por entre meu rosto.
Acordei tão de repente, me pus ereta na cama e olhei confusa para a janela. O Sol brilhava absurdamente do lado de fora do apartamento, então, logo deduzi que tudo forá um sonho. Um sonho estranho e horripilante. Eu estava sã e salva, agora nenhuma alucinação bizarra da minha prima morta iria me incomodar e/ou tentar me matar — Pelo menos, eu sairia dessa viva. -; Me levantei e comecei a caminhar á caminho do banheiro, chegando lá, pude perceber uma certa quantidade de sangue na porta. Confusa e desesperada, abri a porta com brutalidade e me deparei com a minha mãe dentro da banheira, com cortes nos antebraços, pescoços e um sorriso desenhado com cortes em seu rosto.
Corri até a banheira, peguei seu corpo gelado e abracei o mesmo, rezando para ser mais um sonho horrível.
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