Fated to Love You
4 The wisdom of a fool won't set you free
Notas iniciais
Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I'm waiting for that final moment
You'll say the words that I can't say
Toda vez que vejo você caindo
Eu fico de joelhos e rezo
Estou esperando pelo momento final
Que você dirá as palavras que não posso dizer
Bizarre Love Triangle – New Order
Jonathan sentia como se entrasse em tuneis longos e escuros. A escuridão. Paulinha com sangue saindo do seu corpo. Escuridão. Pessoas pressionando seu peito. Escuridão. Paulinha deitada do seu lado imóvel. Escuridão. Tentou segurar na mão dela, mas alguma coisa o prendia impedindo de se mover. Escuridão. Luzes muito forte o cegava. Escuridão. Seu pai flutuando sobre sua cabeça como uma imagem desfocada. Escuridão.
– Pai — chamou quando saiu do ultimo túnel escuro.
– Jonathan! — uma voz distante o chamou — Jonathan pode me ouvir? — Jonathan piscou tentando focalizar quem falava com ele, conhecia aquela voz — Jonathan esta tudo bem! — sua tia Paloma entrou em foco sua voz parecia mais perto.
– Tia — sua voz saiu rouca e arranhava sua garganta.
– Shiii não fale. Tente descansa um pouco.
– O que aconteceu? — se forçou a falar. Sua cabeça começava a clarear — Um acidente.
– Jonathan você não poder se agitar! — Paloma disse fazendo um carinho no braço dele.
Tinha acontecido um acidente. Havia alguém com ele. Tentou se levantar, mas sua tia o segurou.
– Não Jonathan! — ele precisava se levantar tinha alguém que ele tinha que encontrar.
– Acho melhor seda-lo Paloma — não conhecia essa nova voz. Mas já não importava, pois estava novamente entrando nos tuneis.
Ao sair da escuridão. Estava sozinho, o quarto muito branco, com cheiro de álcool. Escuridão.
O quarto era muito claro, mas não estava mais sozinho, sua mãe estava ao seu lado, atrás dela sua avó Tamara. Ouviu sua mãe pedindo a ela que fosse chamar alguém, ela apertou sua mão, escutou as vozes que se aproximavam antes de tudo fica escuro novamente.
Havia um barulho de bip irritante e incessante. Seu avô lhe sorriu.
– Você é realmente muito macho em garoto!
Não queria ouvir seu avô, preferia voltar para a escuridão. E assim o fez.
Dessa vez quando saiu da escuridão, reconheceu quem estava ao seu lado pelo cheiro e pelo toque, abriu os olhos e sorriu para sua bisavó, sua avó Pillar estava do outro lado da cama, segurando sua mão. Ambas faziam carinhos tão bons que foi impossível não adormecer.
Quando abriu os olhos novamente já não se sentia grogue, e sabia que não voltaria para a escuridão. Já era dia claro lá fora, com um pouco de esforço conseguiu se sentar, sua boca estava seca. Os flashes da noite anterior chegaram a sua consciência. Lembrou-se de todos que vieram visita-lo durante a noite. Paloma, sua mãe, suas avós, seu avô e até sua bisavó. Ele foi o único que não veio. Apertou a borda do colchão com força, tentando mandar embora a vontade de chorar. Não valia a pena derramar uma lágrima por ele. Olhou para suas mãos que estavam arranhadas. Como se um balde de agua gelada tivesse sido jogado em sua cabeça no dia mais frio do ano, lembrou-se. E gritou.
– Paulinha!
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Jonathan estacionou o carro e olhou a hora no celular, cinco e quarenta e cinco. Tinha quinze minutos antes dela chegar. Entrou no bar que estava com pouco movimento, os primeiros clientes começavam a chegar. Pediu uma cerveja, mas mudou de ideia e trocou por um refrigerante. Estava dirigindo.
Sentou-se em um lugar que pudesse ver quem entrava, agradeceu o garçom quando entregou o refrigerante, e olhou o relógio, cinco e cinquenta e dois. Abaixou a cabeça e riu, estava ansioso para encontrar uma garota que não conhecia, era ridículo.
– Eu tinha razão! — Jonathan prendeu a respiração, tinha criado uma imagem na sua cabeça de como ela era, mas ela era infinitamente mais linda que a da sua imaginação — Oi Jonathan!
– Paulinha? — Ela sorriu e sentou-se na cadeira ao seu lado, Jonathan se chutou mentalmente, era óbvio que era ela — Como você sabia?... que era eu.
– Você é o homem mais bonito daqui — ela riu e o olhou marotamente — O que significa que eu tenho razão.
– Razão sobre o que?
– Você se um destruído de corações.
Jonathan riu. Ela era divertida, morava com o pai, a quem adorava acima de qualquer coisa. Dona de uma inteligência sagaz, mas também descobriu que ela podia se tímida. Se apaixonou enquanto a via comer uma poção de batatas frita, durante o tempo que passaram juntos conversaram sobre nada e sobre tudo. Mas também teve seu coração partido, quando ela contou sobre o namorado.
– Eu preciso ir — ela disse olhando o relógio — Eu não vi a hora passar
– Se você quiser posso te dar uma carona
Ela o olhou em dúvida. Mas se decidiu.
– Eu agradeceria Jonathan.
Quando entraram no carro, Jonathan se lembrou de algo.
– Tem uma coisa que você não me disse — falou dando partida no carro.
– Sério? Pensei que tinha contado quase tudo da minha longa vida — ela riu — você que não falou muito sobre você.
– Não havia muito a ser dito...
– Sei... mas o que foi que eu não disse?
– O motivo desse encontro?
– Curiosidade! Eu não disse?
– Vamos Paulinha, apenas curiosidade?
– Eu sou uma pessoa muito curiosa.
Jonathan fez uma fingida cara de bravo.
– Diga! — disse usando sua voz mais grave. Ela gargalhou.
– Esta bem — ela disse suas bochechas corando — Por que eu me lembro de você. Me lembro de querer casar com você. E me lembro de você partindo meu coração.
Jonathan buscou os olhos dela. Foi o último que viu, seus olhos, antes do seu corpo se jogado contra a porta do carro por uma força invisível, de tudo a sua voltar girar e girar. E escuridão.
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Simone odiava seu chefe, se não precisasse do emprego, já o teria mandado para o quinto dos infernos. Seus pais dependiam exclusivamente do seu salário para sobreviver, sendo que o que recebiam de aposentadoria dava apenas para os remédios. Quantas vezes, quando chegava em casa devaneava com ele tendo os piores tipos de morte possível. Como desejava vê-lo se arrastando, sofrendo.
Mas não sentiu prazer, quando o viu se apoiar na mesa, branco como leite. Seus lábios tremendo, a agonia que viu nos olhos dele, quando soube do acidente do filho.
– Dr. Félix — tentou se aproximar antes que ele desmaiasse, mas ele não desmaiou. A empurrou correndo para fora da sala.
Simone o seguiu. Ele batia no botão do elevador, como se assim ele pudesse chegar mais rápido. Percebendo que isso era inútil, desistiu, optando pelas escadas.
Simone não pode deixar de fica surpresa, dos anos que trabalhava para ele, nunca o tinha visto subir ou descer as escadas. É, parece que Félix Khoury realmente tinha algum sentimento dentro do seu coração.
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Seu pulmão queimava pelo esforço físico ao qual não estava acostumado. Mas precisava continuar correndo, tinha que chega até Jonathan, não sabia bem o porquê, mas sabia que havia um buraco em seu estômago, que se expandia a cada segundo, e só pararia de crescer quando visse o filho.
Empurrou a porta com força, a luz da emergência o cegou por um momento, respirou fundo tentando se orientar. Um grupo de médicos estavam em volta de uma maca, Félix correu na direção, empurrou um dos médicos o afastando. Jonathan abriu os olhos, colidindo com os dele.
Félix sentiu-se enganado, o buraco que crescia dentro dele não se deteve quando viu Jonathan, mas o engoliu. Alguém o segurou pelo braço o puxando, tentou se desvencilha quando viu que levavam Jonathan embora, mas a pessoa que o segurava, o arrastou com força, o obrigando a sentar-se.
– Fique calmo! — Lutero disse com firmeza e depois acrescentou com mais suavidade — Ele ficara bem, Jonathan é forte!
Félix respirou fundo e se levantou. Lutero não o impediu.
– Precisamos avisa em casa.
– Não se preocupe, eu cuidarei disso.
– Obrigado Lutero.
– Félix! — Paloma corria na direção dele, quando o alcançou o abraçou apertado — Meu irmão, Jonathan vai ficar bem! — ela sussurrou em seu ouvido, passando as mãos em sua costas.
– Félix, Paloma — os irmão se separam — Precisamos avisa também a família da garota.
– Garota? De que garota você estar falando?
– Jonathan estava com uma garota quando aconteceu o acidente.
Félix pressionou suas têmporas. E agora isso, mais um problema.
– Trouxeram os documentos dela? — Paloma perguntou
– Vou verificar com alguma das enfermeiras — Lutero disse se afastando.
– Paloma... — Félix se aproximou da irmã — Pode ver como o Jonathan esta? Eles não vão me deixar vê-lo, você como medica talvez eles deixem.
Paloma deu um sorriso fraco e fez um carinho no rosto do irmão.
– Esta bem! Eu não demoro.
Félix voltou a se sentar, apoio seus cotovelos em suas pernas e cruzou suas mãos, quem o visse acharia que estava rezando, mas Félix não sabia rezar. Ele apenas tentava apagar a imagem de Jonathan deitado naquela maca. O sonho onde dizia ao filho que o amava, voltou a sua mente, se o filho... não! Isso não aconteceria, ele ficaria bem! Lutero e Paloma tinham dito que ele ficaria bem.
– Félix...
Félix percebeu que estava chorando, limpando as lágrimas que escaparam dos seus olhos, se levantou. Lutero fez a gentileza, de fingir que ele não estava chorando.
– A carteira da garota...- ele disse mostrando a carteira a Félix, que indicou com um gesto de mão que ele a abrisse — Ela se chama Paula.
Félix puxou a carteira das mãos do Lutero, e implorou. Não podia ser ela, seria uma brincadeira muito cruel do universo, mas quando abriu a carteira, a primeira coisa que viu foi uma foto, Bruno e Paulinha sorrindo para ele.
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Félix jogou agua no seu rosto, e evitou se olhar no espelho, sua imagem deveria esta horrível, quando tudo isso acabasse iria para um spa, fazer quantos tratamentos estéticos fossem possíveis. Eu te amo tio Félix, a declaração voltou a ecoar em sua cabeça, Eu te amo tio Félix, como um disco arranhado repetindo a mesma musica incansavelmente, Eu te amo tio Félix.
Ela estava sendo operada, ao contrario de Jonathan que estava fora de perigo, ela poderia morrer, Eu te amo tio Félix, se ela fosse mesmo a filha da Paloma, a criança que tinha jogado em uma caçamba de lixo, Eu te amo tio Félix, seria bom que ela morresse, Eu te amo tio Félix, ela poderia destrui-lo, Eu te amo tio Félix, se descobrissem que ele era o responsável pelo desaparecimento dela, Eu te amo tio Félix, todos iriam odiá-lo, perderia a presidência, não podia deixar isso acontecer. Eu te amo tio Félix.
Félix gritou, seu grito ecoando pelo banheiro. Segurou sua cabeça com força.
– Chegar... chegar! — tentou para a voz dela, mas não conseguia. Ela continuava se repetindo e se repetindo. Eu te amo tio Félix.
A porta do banheiro se abriu, um enfermeiro entrou o olhando com preocupação.
– Você esta bem?
Félix riu, Eu te amo tio Félix, e seu riso se tornou uma gargalhada histérica. O enfermeiro o olhou com mais preocupação ainda. Félix passou por ele ainda rindo, mas quando as luzes do correndo o atingiram, o riso morreu, como um interruptor sendo desligado.
Escolheu um corredor qualquer e o seguiu, Eu te amo tio Félix, as pessoas que passavam por ele o olhavam, deveria esta horrível, Eu te amo tio Félix, suas pernas pareciam instáveis, encostou-se na parede.
– Dr. Félix o senhor esta bem?
– Estou — disse olhando em voltar tentando se localizar
– O senhor veio ver como a Paulinha esta? — seus pés tinham lhe traído, o levando ao ultimo lugar que desejaria esta.
– Sim — disse ajeitando sua postura, não precisava que essa enfermeira espalhasse que estava andando feito um bêbado pelos corredores do hospital.
– Ela ainda esta sendo operada — ela suspirou — mas surgiu uma complicação, ela perdeu muito sangue. E o tipo de sangue dela é muito raro, não temos em nosso banco de sangue. E na família ninguém tem o mesmo tipo sanguíneo.
Félix voltou a se apoiar na parede.
– Qual o tipo sanguíneo dela?
– A negativo
Félix sorriu, realmente o universo queria fuder com ele.
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– Félix... você não esta em condições, você não se alimentou direito, e pela sua cara também não dormiu.
– Você quer que aquela garota morra?
Lutero abriu a boca para responder, mas percebeu que não tinha argumento. Se ela não recebesse a transfusão, iria morrer, estavam tentando no banco de sangue de outros hospitais, mas poderia ser tarde demais quando conseguissem.
Lutero não gostava dele, sabia que ele roubava o hospital, nunca tinha conseguido provas para incrimina-lo, mais um dia iria consegui-las, então entregaria nas mãos de Cesar, e sabia que o amigo não hesitaria em joga-lo na rua.
Então ele o puxou pelo braço, lhe dizendo que doaria o sangue para a menina, e mesmo com todos os riscos não conseguiu demove-lo de sua decisão.
– Eu vou chamar a Paloma.
– Não! — ele gritou — Não, por favor Lutero! — sua voz saiu como a de uma crianças assustada. Lutero pensou que naquele momento ele parecia uma criança assustada — Não avise a ninguém... se perguntarem por mim... diga que estou no meu escritório. Não quero que ninguém saiba disso, por favor.
Lutero suspirou.
– Esta bem! Como você quiser.
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Bruno tinha fé em Deus, era grato a ele. No dia que perdeu tudo, recebeu um presente para aplacar sua dor, para que pudesse recomeçar. Ele não tiraria tudo dele novamente. Sua filha ficaria boa, a veria se casar, ter filhos. Paulinha ficaria bem.
– Bruno! — a enfermeira Joana se aproximava sorrindo, um pouco do peso que carregava desde que lhe avisaram do acidente diminuiu — conseguimos um doador!
Sua mãe começou a chora do seu lado, sendo abraçado pelo seu pai. Carlito gritou abraçando Luciano. Bruno também queria gritar. Mas o alivio pareceu anestesia-lo, o deixando imóvel, sua filha ficaria bem!
– Conseguiram em um banco de sangue? — Luciano perguntou.
– Não, um doador se apresentou.
– Doador? — Bruno conseguiu raciocinar, precisaria agrade-lo. Seria eternamente grato a essa pessoa — Quem é essa pessoa?
– Ele pediu para não se identificado. O importante é que sua filha ficará bem.
– Sim, obrigado Joana.
– Se você precisarem de qualquer coisa, podem contar comigo — ela disse antes de deixa-los a sós
– Mãe — Bruno segurou nas mãos da sua mãe — Eu preciso saber quem salvou a vida da minha filha.
– Mas Bruno, essa pessoa não quis se identificar.
– Eu sei, mas eu preciso agradece-lo, por favor mãe.
– Provavelmente ainda deve esta no hospital, eles não o teriam deixado sair após uma doação de sangue.
– Então descubra quem salvou a minha filha!
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Félix sonhava. A onda de prazer que atravessou seu corpo o pegou de surpresa, seus olhos estavam vendados, mas podia sentir o corpo sobre o seu, se movendo lentamente, para frente, para trás, pele contra pele. Mãos seguravam seus pulsos contra a cama, uma boca roçou contra a sua, tentou beija-la, mas ele se afastou com uma risada, que o fez se contorcer debaixo dele. Dentes e língua morderam e molharam sua pele, do pescoço ate seu peito, ele se deteve em um mamilo, sugando, fazendo seu corpo se arquear contra ele. Ele o estava torturando, se perguntou qual dos dois sentia mais prazer nessa tortura. Queria se soltar do agarre dele, e entrar dentro dele rápido e forte ate que não soubessem onde um começava e o outro terminava.
– Me deixa te tocar? — sua voz saiu suplicante.
Podia sentir a respiração dele em sua boca, ele mordeu seu labio inferior.
– Diga! — ele sussurrou parando de se mover
Um gemido de pura frustração escapou dos seus lábios, seu membro pulsando dentro dele, desejando o mais lento e torturante movimento.
– Por favor — implorou e tentou soltar seus braços, mas ele o segurou com mais força, beijando o canto da sua boa.
– Diga! — ele repetiu sua voz rouca contra seu ouvido.
– Eu te amo
Ele voltou a se mover, lentamente.
– De novo
– Eu te amo
Ele se moveu mais rápido, subindo e descendo.
– De novo
– Eu te amo
Mais rápido... Mais rápido... Mais rápido... Mais rápido...
– Eu te amo carneirinho
Murmurou enquanto seu cérebro explodia em luzes, como fogos de artifício, enquanto seu corpo se desintegrava em prazer.
Félix acordou ofegante. Seu peito subia e descia, sua pele estava arrepiada, a sensação que tinha sentido no sonho espalhada por todo seu corpo. Olhou para o seu colo, droga. Mas o que podia esperar, depois de um sonho como esse, já tinha tido sonhos eróticos antes, mas nunca um tão real e não com esse nível de prazer. Sendo sincero com sigo mesmo, nunca tinha alcançado esse tipo de prazer antes com ninguém. Alguém bateu na porta, pegou um travesseiro e colocou no seu colo, e tentou pensar em algo realmente broxante.
– Pode entrar
Não era exatamente o que esperava, mas servia do mesmo jeito.
– Como você esta Félix?
– Me sinto um pouco fraco, mas estou bem Lutero.
– Isso é normal — ele disse se aproximando. Félix apertou a travesseiro contra o colo. Ele segurou seu rosto, abrindo seus olhos e jogando a luz de uma pequena lanterna contra eles.
– Parece que esta tudo bem!
– Como ela esta? — perguntou ansioso.
– Ela esta bem, esta em observação. Mas fora de perigo.
Félix se surpreendeu ao sentisse aliviado.
– E o Jonathan?
– Ele também esta ótimo, acordou a alguns minutos, quase tivemos que ceda-lo para que ficasse na cama. Ele queria ver a Paulinha — Lutero disse sorrindo.
Félix se surpreendeu novamente, quanto tempo tinha dormido? Não que ele se lembrasse de como tinha vindo para nesse quarto. Lutero percebendo sua cara de confuso, explicou.
– Você não se lembra que desmaio? Eu disse a você que poderia acontecer.
Realmente não se lembrava de ter desmaiado. O que queria agora era um bom banho, e precisava ver Jonathan. Pelo menos tinham feito a decência de coloca-lo em um dos melhores quartos do hospital.
– Agora o que eu preciso é de um banho, por favor... Peça para alguém pegar uma muda de roupa no meu escritório, sempre deixo um terno extra lá no caso de alguma emergência.
– Claro.
– Lutero... café da manhã também seria bom.
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Félix se olhou no espelho, agora sim parecia um ser humano decente. Ainda estava um pouco pálido, mas ficava lindo de qualquer jeito. Pegou as roupas que usara durante todo o horrível dia anterior e jogou no lixo. Se pudesse se livrar com a mesma facilidade dos sonhos.
Mas agora seu problema imediato, era Paulinha. Precisava arranjar um jeito de afasta-la da sua família. Precisava descobrir também o que Jonathan e Paulinha estavam fazendo juntos.
E quando resolvesse esses assuntos, resolveria o problema dos sonhos.
Quando chegou ao andar onde Jonathan estava, seu pai conversava com Lutero e Paloma. Andou até eles, Paloma foi a primeira a vê-lo, depois Lutero e então seu pai. Félix pensou que ele iria abraça-lo quando ele levantou um braço e veio na sua direção, seu sorriso começou a se abrir, mas foi interrompido, quando o impacto o acertou na bochecha direita, demorou alguns segundos para entender, enquanto a dor se espalhava pelo seu rosto.
– Pai! — Paloma gritou se pondo entre ele e o pai.
– Você não tem mesmo vergonha na cara. Seu filho sofre um acidente, e você não tem a decência de vê-lo. Esse tapa é pouco eu deveria era dar uma surra em você de criar bicho.
– Cesar você esta se precipitando — Lutero começou — Félix...
– Lutero! — Félix o interrompeu — Desculpe Dr. Cesar, se eu não sou um pai tão magnifico como você.
– Seu moleque! — Cesar tentou se aproximar novamente com o braço erguido.
– Vocês não podem respeitar os pacientes! Gritando como se tivessem em uma feira!
Jonathan estava apoiado na porta, seu braço estava imobilizado, tinha um curativo um pouco acima da sobrancelha direita, e um pequeno corte no lábio superior.
– Desculpe Jonathan, você tem razão — Paloma disse seria olhando para o pai.
– Não precisa fazer uma guerra por que ele não veio me ver vô, não fez falta! — Jonathan disse entrando de novo no quarto, fechando a porta ao passar.
Félix olhou para a porta fechada. Sua mão se fechou em punhos, bem se todos queriam vê-lo como vilão, ótimo! Ele era muito bom nesse papel. Sem olhar para ninguém seguiu para seu escritório.
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– Dr. Félix — Simone parou em sua frente — Já soube que o Jonathan esta melhor — ela disse sorrindo.
– E quem se importa cadela? — disse secamente o que a fez engolir seu sorriso.
– Tem alguém lhe esperando em sua sala
– Por que você deixou alguém entra na minha sala sem o meu consentimento, você é mesmo incompetente — disse a empurrando da sua frente.
Entrou em seu escritório pronto a expulsa o intruso com todos os desaforos que conhecia, mas sorriu ao vê quem era.
– Anjinho — disse o puxando para um abraço.
– Soube o que aconteceu com seu filho e vim ver como você estava... também sentir sua falta.
– Também sentir a sua! Você é a única coisa boa na minha vida Anjinho.
Anjinho encostou seus lábios no pescoço dele, o toque o fez lembrar do sonho, dos lábios do sonho tocando sua pele, a voz rouca sussurrando em seu ouvido. Se afastou de Anjinho como se ele queimasse.
– Félix o que foi? — ele tentou se aproximar, mas Félix não deixou.
– Anjinho acho melhor você ir embora — disse e se arrependeu quando ele o olhou magoado — Agora não é um bom momento, mas prometo que passo mais tarde para te ver.
– Tudo bem... vou esperar você.
Quando ele saiu, pegou a primeira coisa que encontrou e jogou contra a parede. Não podia acreditar que esses malditos sonhos começariam a interferir na única coisa boa da sua vida. Não deixaria ninguém tirar isso dele. Pegou o telefone.
– Simone peça ao Dr. Renan que venha a minha sala agora! — gritou com a secretaria.
Os minutos se arrastaram, enquanto batia seus dedos sobre a mesa. Bateram na porta, e Félix a olhou com raiva como se ela fosse o causado de todos os seus problemas. A porta se abriu e Renan entrou.
– Queria falar comigo Dr. Félix?
Félix o encarou. Seus olhos demonstrando o quão disposto estava de ir até o inferno se significasse dar um fim a esses sonhos.
– Dr. Renan preciso que você me ajude a não sonhar mais!
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