Fated to Love You
5 Because I am Stupid
Notas iniciais
Provavelmente eu não existo nos seus dias, e nem nas suas memorias.
Mas eu continuo pensando em você, fazendo memorias sozinho
Because I am Stupid — Boys Before Flowers
– Dr. Félix os sonhos podem ser...
– Já discutimos essas baboseiras sobre o que podem significar os sonhos, não me interessa. Me de um remédio, me hipnotize, mas faça algo que não me faça mais sonhar — Félix disse exasperado.
– Não é assim que funcionar! — Renan suspirou impaciente — Eu tenho um paciente me esperando... mas podemos nos encontrar mais tarde. Podemos conversar melhor no meu consultório, e tentar encontrar a melhor maneira para que você não tenha mais esses... sonhos indesejáveis.
Félix bufou, não queria esperar, mais sabia que bater o pé como um menino mimado não resolveria... Balançou a cabeça em concordância... no momento Dr. Renan era sua tabua de salvação, e era bom que ele o livrasse desses sonhos!
– Ligarei para sua secretaria avisando o horário.
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Jonathan encarou a porta, hesitando sobre se devia ou não bater, quando já tinha decidido, e estava pronto para da meia voltar, a porta se abriu. Jonathan ficou apreensivo quando seus olhos cruzaram com os de Bruno.
– Como você esta Jonathan? — ele disse o olhando com atenção.
– Bem, obrigado... Bruno... — Jonathan desviou o olhar, Bruno devia odiá-lo, era ele que dirigia o carro que quase matou a filha dele, com um suspiro encontrou os olhos dele — Bruno... eu sinto muito pelo que aconteceu... eu não...
– Jonathan... — Bruno interrompeu as desculpas — O que aconteceu foi um acidente, você não teve culpa nenhuma — Jonathan lhe ofereceu um sorriso tremulo
– Como ela esta? — perguntou olhando para o quarto.
– Ela esta bem!
– Eu poderia vê-la?
– Ela esta dormindo...
– Tudo bem! — Jonathan disse mais não conseguiu esconde a decepção.
Bruno sorriu.
– Mas acho que não tem problema você vê-la por alguns minutos.
Jonathan entrou no quarto, Paulinha dormia tranquilamente, ela ainda estava ligada a alguns equipamentos, mas parecia incrivelmente bem para alguém que horas atrás estava entre a vida e a morte.
Jonathan se sentou em uma cadeira próximo a cama, e tocou a mão dela delicadamente.
Bruno lançou um olhar para sua mão, e Jonathan a retirou com rapidez.
– Pode dizer a ela que vim vê-la, e que eu volto mais tarde, se você não se importar.
– Tenho certeza que ela vai adorar vê você Jonathan — Jonathan sorriu e se levantou pronto para partir — Jonathan, o seu pai... — Bruno desistiu de completa o que queria dizer.
– O que tem meu pai?- Jonathan perguntou uma ideia horrível passando por sua cabeça — Bruno ele não veio incomoda-los, não é? Se ele veio me desculpe...
– Hey garoto! — Bruno o interrompeu — Calma! Seu pai não esteve aqui.
Jonathan franziu a testa.
– Então por que você falou do meu pai — Bruno pareceu desconfortável — Bruno, aconteceu alguma coisa?
– Eu queria agradece-lo.
– Agradecer meu pai? Eu não estou entendendo!
– Seu pai salvou a Paulinha. Foi ele que doou o sangue que salvou a vida da minha filha.
– Meu pai?! — não podia acreditar no que tinha ouvido — Você tem certeza?! Não pode ter sido meu pai! — ele disse em negação
– Não era para nós sabermos, pedir a minha mãe que descobrisse quem fez a doação, ela é enfermeira a anos aqui, então ela descobriu... quero agradece-lo pelo que ele fez.
– Provavelmente sua mãe se enganou, não foi meu pai que doou o sangue para a Paulinha, ele é incapaz de fazer algo para outra pessoa sem receber nada em troca — Jonathan disse amargamente.
Bruno o olhou serio, como se olhar uma criança que acabou de aprontar uma travessura.
– Não sei que tipo de relação você tem com o seu pai, mas foi ele quem salvou a minha filha. Você pode confirmar com o Dr. Lutero, ele acompanhou seu pai... — Jonathan sorriu em descrença — Jonathan, às vezes nós pais, por mais que tentemos, não conseguimos demonstra o que sentimos, deveria conversar com seu pai, ele não é essa pessoa terrível que você imagina.
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Félix estreitou seus olhos, o olhando como se fosse uma cobrar prestes a da o bote. Renan já tinha trabalhando com pacientes que não aceitavam o tratamento, mas o Dr. Félix era pior que um burro empacado.
– Como você espera que eu possa ajuda-lo Dr. Félix se você não se dispõe a dividir seus sonhos!
– Dr. Renan, por que você precisa saber sobre esses sonhos? O que você precisa saber é que eu não quero mais tê-los, e arranjar um jeito de bloqueá-los.
Renan abaixou a cabeça frustrado.
– Estamos aqui a meia hora e eu já lhe expliquei que não tenho como faze-lo não sonhar — ele disse impaciente, respirou fundo, juntando toda a paciência que lhe restava para tentar uma nova abordagem — Preciso que você entenda que para que possa ajuda-lo a não ter mais esses sonhos preciso saber o básico. Não precisa me contar todo o sonho, apenas o básico. Seu subconsciente esta lhe mandando alguma mensagem e apenas quando descobrimos qual é a mensagem é que os sonhos cessaram.
Félix respirou fundo, percebendo que não tinha escolha, se deu por vencido, o que atiçou a curiosidade do Dr. Renan, que tipo de sonhos eram esses que o estavam perturbando tanto, a ponto dele deixar sua teimosia de lado.
– Os sonhos... — ele começou — estão ficando mais nítidos... eu posso lembrar cada vez com mais detalhes — ele estremeceu e seus olhos brilharam intensamente, provavelmente lembrando-se do ultimo sonho.
– Você esta sozinho nesses sonhos? — perguntou o trazendo de voltar ao consultório.
– Não, estou sempre acompanhado.
– Você reconhece alguma dessas pessoas que estão com você?
– Algumas sim, outras não!
– Nesses sonhos a alguma coisa recorrente? — Félix desviou o olhar rapidamente. Se focando em um pêndulo em sua mesa. Renan esperou ate que ele estivesse pronto.
– Uma pessoa — ele disse em um murmúrio.
– Você sabe quem é essa pessoa? — ele fechou suas mãos com tanta força que o nós dos seus dedos ficaram brancos.
– Não — ele disse por fim, mas não parecia totalmente sincero.
– Você acha que conhecer essa pessoa? — Renan tentou novamente, mas não recebeu respostar, esperou até que o silencio se tornou insuportável — Dr. Félix se essa pessoa esta em todos os seus sonhos, ele pode ser a chave para interrompê-los.
Félix levantou com raiva caminhando pelo consultório, com passos fortes.
– Então você me aconselha a procurar esse estranho e dizer a ele que pare de entra nos meus sonhos, é isso?
– Não. Não foi o que eu disse, mas pode ser um caminho, talvez se você vê-lo, falar com ele. Pelo que vejo você sabe quem ele é! — Renan o olhou determinado — Você teria algo a perder se tentasse?
Félix interrompeu sua caminhada, Renan podia ver as engrenagens do cérebro dele trabalhando nos prós e contras da sua sugestão.
– Eu não tenho certeza se essa pessoa, é a mesma dos meus sonhos!
– Como você...
– Por que eu nunca o vi... nos sonhos ele... eu apenas nunca o vi! — Félix disse frustrado.
– Deixa ver se eu entendi... Você acha que essa... pessoa que você conhece... é a mesma dos seus sonhos... mas não tem certeza por que... nunca viu a pessoa do sonho nitidamente?
Félix lhe ofereceu um meio sorriso cheio de sarcasmo.
– Podemos dizer que sim.
– Podemos tentar confirmar se ele é a mesma pessoa.
– Como?
Renan levantou-se, foi ate a mesa cheia de objetos e pegou o capacete que Félix já conhecia, e estendeu a ele com um sorriso.
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O Félix do sonho apertou o volante do carro com força. Gordas gotas de chuva batiam com força contra o carro, o céu estava desabando em água, mas o Félix dentro do carro parecia não se importar.
Mal conseguia enxergar onde estava, e às luzes que viam de fora deixavam tudo mais desfocado. Com um suspiro, colocou a mão na maçaneta do carro hesitando. Félix não podia acreditar que ele sairia naquela chuva, mas o Félix do sonho não se importava com a chuva, com um empurrão saiu do carro. Em poucos segundos sua roupa estava toda molhada, sua franja grudando em sua testa, a agua escorria por sua pele, seus pés o levaram para frente da bonita casa, parou abruptamente quando chegou a porta, seu coração queria seguir em frente, mas seus pés não o obedeciam, respirando fundo ele voltou para a chuva, voltando para o carro.
O calor do carro se chocou contra seu corpo molhado, o fazendo tremer. Félix desejou novamente ter controle sobre esses sonhos, pois desejava urgentemente um coberto, mas o Félix do sonho parecia não sentir seu corpo tremendo de frio. Ele pegou o celular que estava no banco do passageiro, Félix não ficou surpreso, pois já sabia para quem ele estava ligando, quando ele apertou o numero correspondente ao Carneirinho. Os segundos passavam enquanto o som da chamada podia se ouvido. Quando estava quase desistindo, a voz dele se espalhou pelo carro.
– Félix!
Ele respirou fundo, seus lábios tremiam, o que Félix não tinha certeza se era pelo frio ou por outro motivo.
– Oi... — disse por fim sua voz cheia de emoção — Eu te acordei?
Houve um momento de silencio.
– Não, eu estava lendo... o que você quer Félix? Você não disse tudo o que queria... quer acrescentar mais alguma coisa? — ele disse, Félix podia identificar a magoa em sua voz.
– Eu... eu queria te ver...
– Félix já esta tarde... acho melhor conversarmos amanhã.
– Amanhã... Carneirinho eu sinto muito... — ele apertou o telefone contra seu ouvido- Eu sinto muito — ele balbucio para si mesmo, lagrimas escorreram por seu rosto.
Félix pode ouvir um suspiro cansado do outro lado da linha. A chuva ficou mais forte.
– Amanhã... podemos almoçar juntos... e conversar.
– Conversar? — Félix podia sentir seu coração batendo acelerado — Tudo bem... conversamos amanhã.
Félix não podia acreditar que mais uma vez, não veria o rosto dele.
– Félix — pode ouvi-lo, quase um sussurro — Eu...
– Niko — o interrompeu. Agora sabia o nome dele, e poderia confirmar se o carneirinho era mesmo quem imaginava — Eu entendo... não se preocupe.
– O que você entender Félix? — a voz dele saiu estridente
– Niko...
– Niko? Por que você esta me chamando de Niko? — ele o interrompeu sua voz ficando mais alta.
– Eu achei...
– O que você achou Félix? — ele disse irritado — Por que você sempre faz isso, por que você arranja desculpas para fugir de mim?
– Eu não estou fugindo de você, você que não quer me vê? — sua voz saiu uma mistura de alivio e raiva.
– Félix já é tarde, esta chovendo horrores, como poderíamos nos encontrar!
– Eu estou aqui!
– Esta aqui?! Você?!
– Carneirinho... eu precisava... Carneirinho?
A linha ficou muda. Ele olhou o celular, mas uma luz iluminou a frente da casa. Sem esperar ele saiu do carro. Félix ficou com medo, e se perguntou como era possível, deveria sentir apenas os sentimentos do Félix do sonho, mas estava com medo, finalmente encontraria o Carneirinho.
A porta se abriu, a luz iluminou rosto dele. Seus olhos encontraram os seus. Olhos verdes, ele estava de pijama, o cabelo loiro estava bagunçado, segurava com força um guarda chuva, mas a chuva já molhava seus pés e a barra da sua calça. Ele era bonito, mas não parecia ser seu tipo, nunca se imaginou se apaixonado por alguém, e não por alguém como ele.
– Félix! — ele chamou seu nome com horror — Você vai ficar doente... — ele se aproximou, mas o Félix do sonho estendeu o braço impedindo-o de se aproximar.
O corpo do Félix do sonho queimava, suas mãos tremiam. Seu coração batia contra suas costelas dolorosamente. Ele parecia não sentir a chuva caindo sobre a sua cabeça.
– Eu achei que tinha te perdido... — ele começou sua voz ecoando pela rua — Carneirinho eu sou um cara que faz os outros sofrerem, e que não sabe cuidar de ninguém. Eu não sei amar... e não sei como expressar o que sinto — ele deu um leve sorriso triste e abaixou seu olhar — E tão pouco sei como te fazer feliz — Ele respirou fundo — Sendo assim... — seus olhos voltaram a encontrar os deles novamente — Como eu não sei fazer essas coisas, mostre-me como se faz e eu aprenderei — seus pés se moveram em direção a ele apenas alguns centímetros — Se você me pedir que eu cante eu cantarei, se você me pedir que eu dance eu dançarei. Se você quiser flores, eu comprarei. Farei qualquer coisa que você me pedir — Félix observou quando Niko prendeu a respiração, sua boca levemente aberta a espera das palavras que se seguiriam — Sendo assim... Niko... Carneirinho... casa comigo?
Ele o olhou imóvel, seus lábios se moviam, mas pareciam incapazes de produzir som. O guarda chuva que ele segurava escapou de sua mão. Ele sorriu e correu se jogando em seus braços. Seus olhos brilhavam, seu sorriso contrastava com as lagrimas que desciam por seu rosto se misturando com a agua da chuva.
– Sim — ele murmurou — Sim — repetiu — Sim Félix!
Seus braços o puxaram para mais perto, suas mãos foram para o rosto dele, sua pele gelada pela chuva, os lábios dele começavam a tremer.
– Sim? — Sua voz saiu tão feliz, como nunca se lembrou de tê-la ouvido antes, uma gargalhada escapou de sua garganta, quando ele balançou a cabeça em sinal de sim.
– Eu te amo! — disse e foi de encontro aos lábios dele.
–Não! — Félix gritou abrindo os olhos. Estava de voltar ao consultório.
– Dr. Félix, você esta bem? — Renan perguntou preocupado — você estava tremendo descontroladamente, por isso eu o despertei.
Félix respirou fundo, voltar a realidade não foi tão difícil como da vez anterior. Seu corpo ainda tremia, fechou os olhos, percebendo que não queria ter voltado. Os lábios dele tinham tocado os seus quando Renan o trouxe de voltar.
Balançou a cabeça, não queria pensar no sonho, não ainda. O mais importante era que agora sabia quem era o Carneirinho, e se o Dr. Renan estiver certo em breve não teria mais esses sonhos, e isso era tudo o que mais queria, não era?
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Simone entrou na ala pediátrica, e suspirou, realmente precisava arranjar um novo emprego. Agora ele lhe obrigava a fazer coisas que estavam fora das suas funções.
– Oi, eu sou secretaria do Dr. Félix. Eu preciso saber sobre um paciente que esta internado.
– Qual paciente?
– Bem o nome dele é Fabricio, e o nome do pai e Niko. Ele estar internado no quarto 202.
– O que o meu irmão quer com esse paciente? — Simone se virou para encontrar Paloma a olhando.
– Dr. Paloma... eu não sei! Dr. Félix me pediu que viesse verificar se ele ainda estava internado.
Paloma sorriu.
– Pode deixar que eu mesmo informo ao meu irmão.
Simone sorriu preocupada, provavelmente levaria a maior bronca. Realmente precisava arranjar um novo emprego, e logo.
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Félix desligou o telefone. Simone ainda não tinha voltado. Como alguém podia ser tão incompetente. A mandou, a procura de uma simples informação e não da curar do câncer.
Precisava com urgência saber tudo sobre esse Niko, quem ele era, e por que o Félix do sonho o amava tanto. Não podia negar que uma parte de si, tinha certa invejar desse Félix, mas não conseguia entender, aparentemente ambos tinham feito às mesmas escolhas, mas por algum motivo, o Félix do sonho era feliz, mesmo todos sabendo sobre a criança que tinha jogado no lixo. No sonho da praia com a menina... Paulinha, ela disse que ficou doze anos longe da mãe. Sendo que já haviam se passado dezoito anos, que Félix a tinha segurado em seus braços.
Paulinha, ainda precisaria lidar com ela. Mas não tinha como afirma que ela era filha da Paloma por um sonho, mesmo seus sonhos tenham se mostrado um espelho da sua vida, com algumas modificações. Mesmo a doação de sangue, não significava muito, apenas uma coincidência. Uma batida na porta o tirou dos seus pensamentos.
– Entra!
Paloma entrou sorridente.
– Estou atrapalhando? — você sempre atrapalha Paloma Félix pensou.
– Você nunca atrapalha maninha... no que posso ajudar? — disse gentilmente.
– Soube que você queria informações sobre um paciente meu.
Félix ergueu a sobrancelha. Simone era uma idiota.
– Um paciente seu? — se fez de desentendido
– Niko. Sua secretaria perguntou sobre ele, a seu pedido.
– Ah! Claro... — Félix sorriu para irmã — Eu encontrei a carteira dele na lanchonete, e a devolvi, mas como ele não estava deixei com uma das enfermeiras. Queria saber se foi entregue sem nenhum problema.
– Então era isso...
– Sim, apenas isso.
– Quando estive com ele, para dar alta para o Fabricio, ele não fez nenhum comentário a respeito.
– Então acho que esta tudo bem... vocês são amigos? — Félix perguntou tentando demostrar desinteresse.
– Amigos? Não. Ele é amigo da Amarilys, mas gostaria de ser amiga do Niko, ele me pareceu uma pessoa adorável
– Hã... uma pessoa adorável... sei... você sabe meu doce que se apaixonar pelo pai de um paciente é meio clichê para uma medica.
Paloma riu.
– Eu não corro esse risco com Niko, ele é gay.
– Gay! Eu conheço pelo menos uma doida que toparia fica com um gay mesmo sabendo das preferencias dele — Félix disse e fez seu gesto característico de passar o dedo pela sobrancelha.
– Mas esse não é o meu caso — ela disse olhando em voltar ate encontrar os olhos do irmão — Você foi ver o Jonathan?
– Você estava presente quando ele deixou bem claro que minha presença era desnecessária — Félix disse sua voz o mais neutra possível.
– Nosso pai não tinha o direito de bater em você, se ele tivesse visto você quando o Jonathan chegou ao hospital...
– Paloma eu tenho muito trabalho a fazer e você também não é? — Félix disse rudemente, mas percebendo o tom que tinha usado forçou um sorriso.
Paloma balançou a cabeça em concordância. Levantando-se.
Mas antes que ela chegasse a porta, ela se virou.
– Niko tem um restaurante japonês no shopping, ouvir maravilhas sobre ele. Adoraria almoçar com meu irmão um dia desses, o que acha?
– Eu amaria almoçar com minha irmã preferida!
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Jonathan bateu e colocou sua cabeça para dentro do consultório de Lutero.
– Posso entrar?
– Jonathan o que esta fazendo... você deveria esta em repouso.
– Precisava falar com você... mas se estiver atrapalhando volto outra hora — ele disse fazendo menção de sair.
– Você não incomodar. Entra!
Jonathan entrou e sentou-se, Lutero se ajeitou em sua cadeira esperando.
– Eu queria saber uma coisa, por favor, e preciso que você me fale a verdade.
Lutero estranhou a perguntar.
– Mas é claro Jonathan, não sei o que ouviu sobre mim, mas não tenho o habito de contar mentiras.
Jonathan riu.
– Eu sei... Foi meu pai que doou o sangue que salvou a vida da Paulinha? — perguntou sem rodeios.
Lutero o encarou como se tentasse ler seus pensamentos.
– Sim. Seu pai me pediu que não contasse a ninguém.
Jonathan olhou para suas mãos, ainda era difícil acreditar que seu pai tinha feito algo assim.
– Eu não entendo...
– Confesso que eu também não entendo, mas seu pai colocou a vida dele em risco para salvar aquela garota... devo dizer também, que eu nunca o vim tão desesperado, como quando ele te viu naquela maca cheio de sangue.
Jonathan olhou Lutero surpreso.
– Meu pai desesperado?... Por mim?
– Jonathan... — Lutero se inclinou sobre a mesa — Seu pai não foi vê-lo por que ele passou mal, quando doava o sangue, ele desmaiou. Ficou a noite inteira desacordado. Quando despertou, ele perguntou por você. Quando você saiu do seu quarto e o viu discutindo com seu avô, ele tinha acordado não fazia muito tempo. Entende? Assim que ele acordou ele foi vê você.
Jonathan sentiu suas mãos tremerem, apertou uma na outra com força, tentando controlar os tremores e a emoção que ameaçava engoli-lo.
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Niko terminou mais um barco e entregou a um dos garçons. Olhou o relógio, o tempo parecia não passar, queria voltar para casa e ver seu bebê. Fabricio estava bem melhor, mas mesmo assim queria ter ficado mais tempo com ele.
Seus olhos passearam pelo restaurante, indo de encontro ao homem sentado em uma mesa mais afastada. Ele desviou o olhar quando percebeu que Niko o olhava. Niko sorriu, devia ter se enganado, ele não o estava olhando. Um novo pedido chegou a suas mãos e começou a prepara-lo. Um arrepio em sua nuca o fez olhar novamente para o salão seus olhos se detendo novamente no homem moreno, ele sustentou seu olhar por alguns segundos e o desviou novamente.
Niko sorriu, não era a primeira vez que um cliente o encarava, alguns mais ousados viam falar com ele, pedindo seu telefone, ou deixando um numero. Das mulheres conseguia se livrar com mais facilidade, quando dizia que era gay, elas desistiam decepcionadas, mas quando era um homem precisava ser mais enfático. Discretamente olhou na direção dele, ele continuava a olha-lo. Esperava não precisar se grosseiro com ele, para que entendesse que era casado e feliz.
Enquanto passava por algumas mesas, onde clientes rotineiros jantavam, Niko podia sentir o olhar dele o acompanhando, o que já começava a irrita-lo, ele já tinha terminado de comer a um bom tempo, mais ainda não tinha ido embora.
Aproximou-se da mesa dele sorrindo.
– Boa noite! — ele encontrou seus olhos e pareceu analisa-lo, como se tentasse entender uma equação muito complexa.
– Boa noite — ele respondeu e desviou o olhar para as outras mesas.
– É a primeira vez que o vejo por aqui.
– Como saber que é a primeira vez que venho a esse restaurante? — ele perguntou ainda sem encontrar seus olhos.
– Tenho uma boa memoria, e não me lembro de tê-lo visto antes — Niko disse simpático — ou estou enganado?
– É a primeira vez que eu venho. Minha irmã me indicou — ele disse encontrando seus olhos novamente.
– Que bom, significa que ela gostou do restaurante! E você o que achou? Pode se sincero.
– Bem... um dos melhores sushis que já comi em toda a minha vida, mas a minha irmã nunca veio ao seu restaurante... minha irmã é a Paloma!
Niko sorriu abertamente.
– Dr. Paloma! Você tem sorte de ter uma irmã como ela.. por favor diga a ela que eu a estou esperando!
– Claro... -
– Ah, mas eu não me apresentei Nicolas Corona, mas todos os meus amigos me chamam de Niko — disse estendendo a mão, ele olhou sua mão como se tivesse medo de toca-lo.
– Félix — ele disse segurando sua mão — Félix Khoury.
Os olhos dele se cravaram nos seus, e um calafrio subiu sua espinha, como se ele pudesse devora-lo com o olhar. Niko puxou sua mão, ao mesmo tempo em que percebeu que tinha cometido uma grosseria, o nome dele brilhou em algum canto do seu cérebro.
– Félix? Presidente do hospital San Magno?
– Você me conhecer? — ele perguntou e levou a mão a sobrancelha no que pareceu um tique nervoso.
– Minha carteira... eu a esqueci na lanchonete do hospital, você a devolveu.
– Claro — ele pareceu decepcionado — a carteira.
– Você pode me trazer a contar, por favor — ele disse estranhamente desconfortável.
– Não se preocupe, é pela contar da casa! — ele o olhou surpreso.
– Obrigado, mas...
– Não tem mas, sou grato por você ter entregado a minha carteira. Foi muito gentil da sua parte, você poderia ter pedido a alguém, mas você mesmo foi entregar... e você é irmão da Paloma.
Ele olhou para sua boca e suspirou como se tentasse se lembrar de algo muito importante.
– Ok... Foi um prazer conhece-lo Niko — ele se levantou mas não se moveu, pareceu a Niko que ele queria dizer algo mais, esperou mais ele apenas o olhou irritado?
– O prazer foi meu Félix, volte quando quiser — Niko disse por fim.
Ele balançou a cabeça, lhe lançou um ultimo olhar e saiu. Niko se virou para vê-lo sair. Que pessoa mais estranha pensou, mas deu de ombros, e voltou a circular entre as mesas, tirando totalmente Félix Khoury da sua cabeça.
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Félix sentou-se no primeiro banco que encontrou, ao sair do restaurante de Niko. O observou, e pode entender o porquê o chamava de carneirinho nos sonhos, ele tinha um sorriso fácil. Sorria para todos da mesma forma, como se todos fossem iguais.
Félix balançou a perna irritado, por que ele não se lembrava dele! Quer dizer, por que apenas Félix tinha esses sonhos, suspirou frustrado, não podia mentir para si mesmo, quando entrou no restaurante, esperou que ele corresse ate ele, gritasse seu nome e... e o que Félix?
Félix balançou a cabeça rindo, precisava se livrar desses sonhos com urgência, eles começavam a afeta-lo no seu gosto para homens.
Como o Félix do sonho poderia se apaixonar por alguém como ele. Talvez seja pelo sexo, toda vez que se lembrava do sonho com ele na cama, seu corpo reagia. Lembrou-se do ultimo sonho, quando o pediu em casamento. Quando pediu Edith em casamento, foi um casa comigo? Ela disse sim, e pronto. Mas no sonho foi diferente, no sonho tinha se aberto, exposto seu coração para que ele pudesse vê tudo que tinha nele. Para que ele pudesse se ver.
Félix suspirou, como seria amar alguém assim? A ponto de se despir de todos os medos, e deixar que o outro lhe enxergasse como você realmente é, com todos os seus erros, cicatrizes, seus medos e suas dores. Mostrando seus pontos fracos, sem medo de que usem contra você no futuro.
Félix nunca faria isso, nunca se deixaria nessa situação de fragilidade, onde o outro poderia destrui-lo com um toque, como em um castelo de cartas.
Levantou-se, tinha falado com ele, o tinha tocado. Agora era esperar que os sonhos cessassem. Seu celular tocou. Era uma mensagem do anjinho, querendo saber se ele iria ao seu encontro. Não queria ir ao encontro dele, não queria voltar ao hospital, não queria voltar para casa. Félix fechou os olhos e voltou a senta-se percebendo que não tinha nenhum lugar onde queria está, e mais que isso, não tinha nenhum lugar para onde voltar.
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