Fated to Love You
18 If our love is tragedy why are you my remedy?
Notas iniciais
High dive into frozen waves
Where the past comes back to life
Fight fear for the selfish pain
And it's worth it every time
Hold still right before we crash
Cause we both know how this ends
Our clock ticks 'till it breaks your glass
And I drown in you again
Mergulho do alto nas ondas congeladas
Onde o passado volta à vida
Luto contra o medo da dor egoísta
E vale a pena toda vez
Segure firme antes de nós batermos
Porque nós dois sabemos como isso termina
Nosso relógio bate até quebrar seu vidro
E me afogo em você de novo
Clarity – Foxes.
– Isso não é um sonho... é real?
Niko virou-se para olhar Félix, que estava encostado a bancada da cozinha, uma taça de vinho nas mãos o olhando como se realmente acreditasse que estava sonhando. Niko sorriu, uma parte de si também se perguntava se não era um sonho, mas o formigamento que ainda sentia por todo seu corpo da noite que passaram juntos era real demais para ser um sonho.
Fizeram amor mais duas vezes, a terceira vez foi sem pressa e sensual, e quando os primeiros raios de sol invadiram o quarto, caindo sobre a pele nua de ambos, fizeram amor novamente, tão empolgados... que terminaram no chão.
Niko se afastou da salada que preparava, um cheiro delicioso se espalhava por toda a cozinha, sorrindo parou na frente dele.
– É real — sussurrou tocando o rosto dele, ele sorriu, colocando a mão dele sobre a sua.
Niko se deixou aninhar nos braços dele, desfrutando da sensação de contentamento de estar com ele. Félix suspirou pesadamente, e a sensação agradável que sentia foi substituída por apreensão. Algo o estava incomodando.
Niko recuou para olha-lo.
– Tem algo te incomodando — ele começou a balança a cabeça para negar — Félix, me deixa te ajudar, você não confiar em mim?
– Carneirinho, não é isso! — Félix fechou os olhos e abaixou a cabeça, como se fosse difícil demais olha-lo.
Niko sentiu um calafrio atravessar seu corpo com o temor do que poderia estar o afligindo, ele havia lhe contado tudo que tinha feito de errado, será que ele deixou mais alguma coisa de fora, algo pior do que jogar uma criança em uma caçamba de lixo?
Niko escorraçou o pensamento indesejável, já o conhecia o suficiente para entender que todos os erros que Félix havia cometido foram causados por falta de amor.
– Félix — o chamou, ele ergueu a cabeça encontrando seus olhos — Eu te amo.
Félix sorriu, ele sabia. Mas não havia mal nenhum em deixar isso absolutamente claro, que o amava e que estava do lado dele, para apoia-lo, e ajuda-lo no que ele precisasse.
– Eu também te amo, eu apenas... — ele parou, respirou fundo, pegou a taça de vinho que estava sobre a bancada e tomou um gole — queria que esse fim de semana fosse perfeito... eu queria me lembrar desses dias... antes...
O olhar dele mudou, como se toda a luz tivesse se apagado de dentro deles.
– Antes?
Ele hesitou, então sorriu, um sorriso triste, a luz dos olhos dele retornando gradualmente.
– Vou contar a Paloma o que fiz... vou contar a ela que Paulinha é filha dela.
Niko abriu um sorriso fraco, estava orgulhos dele, sabia que Félix sofreria quando a verdade viesse à tona, mas também sabia que ele nunca conseguiria seguir em frente com um peso desse tamanho pairando sobre sua cabeça. Ainda sentia dificuldade de acreditar que ele tinha feito o que tinha feito.
Quando ele contou que havia encontrado a filha da Paloma, e que essa criança era filha do sócio dele, e que para complicar estava namorando Jonathan. Sentiu-se puxado em duas direções opostas, feliz por Paloma, e triste por Félix, que precisaria enfrentar as consequências dos seus atos.
Paulinha era um doce de menina, a conheceu quando Jonathan a levou ao restaurante, a observou com atenção, ela tinha os traços da família Khoury, Niko não tinha certeza se era apenas sua mente reagindo por saber que ela era filha da Paloma, mas a achou idêntica a mãe.
Niko olhou diretamente nos olhos dele.
E o beijou. Várias vezes, na boca e em sua bochecha, tentando retardar e impedir que toda essa tristeza invadisse, pelo menos por enquanto, esse pequeno refúgio de felicidade que haviam criado.
Félix relaxou com seus beijos, sorrindo contra sua boca, as mãos dele eram macias em contato com sua pele, e tão familiares que seu corpo reconhecia ao mais delicado toque. Ficaram se beijando por alguns minutos, até ouvirem o barulho de carros se aproximando.
Félix o abraçou apertado, aproveitando esse último segundo de contato íntimo, quando as vozes e as risadas chegaram aos seus ouvidos, os chamando, Félix o soltou, Niko entrelaçou seus dedos entre os dele, e juntos foram ao encontro a sua família.
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– Você quer para de andar de um lado a outro, vai abrir um buraco no chão.
Eron parou de andar em círculos e encarou Amarilys, seus olhos mostrando a fúria frustrada que sentia dentro de si.
– Eles estão juntos, eu sei!
Amarilys respirou fundo, tentando conter sua irritação, Eron parecia um disco arranhado, tudo que ele pensava e dizia era sobre Niko. Como ele não conseguia ver que tinham chegado ao fim, e que ela estava disposta a dar a ele mais do que Niko nunca pode ou poderia.
Vinha tentando mostrar isso a ele o apoiando sem ressalvas, demostrando que estava do lado dele, foi capaz até de procurar Niko, mas o que conseguiu foi uma discussão com o amigo. Niko estava irredutível em relação a Félix, e não podia culpa-lo, Félix era bonito e rico, e Niko já contava com o apoio de quase toda a família Khoury, e por mais que o Dr. Cesar esperneasse um dia teria que aceitar a escolha do filho. O que Amarilys não conseguia entender, é o que Niko tinha para ter dois homens como Félix e Eron, dispostos a tudo para ficar com ele.
O amigo era bonito, mas era tão ingênuo, quantas vezes seu excesso de bondade a irritara ao ponto de querer socar o rosto dele. Lamentava por Niko, mas essa seria uma boa experiência para ele, que aprenderia que o mundo não era tão cor de rosa como ele achava.
– Você tem que manter a calma, não pode estragar tudo, agora que está tudo quase encaminhado.
– Não sei... e se o Niko me odiar?
– Ele não vai — Amarilys disse com firmeza — ele vai está tão decepcionado com Félix e sentindo-se um idiota por ter jogado fora tudo o que vocês construíram... você estará do lado dele quando ele descobrir...
– E se o Félix vier atrás dele?
– Eron, Niko vai está tão magoado, eu estarei aqui, para ajudar, que nada que Félix diga fará diferença.
Eron se agarrou a essa esperança, detendo sua caminhada sentou-se ao lado de Amarílys no sofá.
– Obrigado... você tem sido uma ótima amiga.
Amarilys sorriu e ajeitou a gravata dele que estava desalinhada. Esse era apenas a parte do plano que Eron conhecia, mas Amarilys tinha seus próprios planos.
– Eu gosto muito de você... e do Niko — ela começou alisando o terno nos ombros dele — você pode confiar em mim, sempre, por que não tem ninguém que goste de você como eu gosto.
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Edith avançou com passos firmes em direção a secretaria de Cesar, não confiava nela, mas ela se tornara sua tábua de salvação. As coisas na mansão Khoury não andavam nada bem, Pilar a pressionava para ir embora, e mesmo que ainda contasse com o apoio de Cesar o mesmo não duraria por muito tempo.
E a pressão viam de todos os lados, até seu filho a intimou a assinar o divórcio, quase não pode acreditar ao descobrir que Félix estava morando com Jonathan, e que eles estavam tão unidos como Edith nunca viu ou imaginou que seria possível.
Félix estava diferente, não sabia explicar o que havia mudado nele. O simples pensamento que o causado de todas essas mudanças era o tal de Niko a enchia de raiva, tristeza e desapontamento. Durante todos os anos que esteve ao lado dele nunca o viu tão sereno e feliz, por mais que tentasse nunca conseguiu provocar essas emoções nele.
– Obrigada por ter vindo Edith.
Edith ergueu a sobrancelha com o tom de intimidade que ela havia usado. Quando se conheceram, no dia que invadiu o escritório de Félix com os papeis do divórcio, ela se aproximou solicitar e prestativa, mas não a enganou por muito tempo, conhecia muito bem mulheres como Aline, sabia quão perigosas elas podiam ser, quase sentia pena de Pilar, essa mulher não se contentaria em ser apenas mais uma amante do Dr. Cesar.
– Eu preciso voltar a loja... não posso demorar.
– O que temos para conversar será rápido... gostaria de um café? — ela perguntou e virou-se chamando o garçom sem esperar resposta da sua convidada.
Em sua última conversa com Félix, quando ele foi vê-la na loja, voltou a pedir que desse o divórcio, insistiu que era o melhor para os dois, que poderia ser feliz, e isso quase a convenceu, amava Félix, mas nunca foi feliz com ele, mas as palavras seguintes dele, que ela poderia encontrar um amor de verdade como ele havia encontrado, a enfureceram.
Já havia encontrado seu amor de verdade, e era Félix. Mas o que podia fazer se ele não a amava? Desistir? Tentar encontrar alguém que a amasse de verdade?
– Edith... pedir que viesse, por que em breve colocaremos em pratica o que combinamos...
Edith se mexeu desconfortável, se tudo desse certo afastaria ele para sempre de Félix, mas se conhecia Félix, e o conhecia, ele não aceitaria a derrota sem revidar, e se ele descobrisse que estava envolvida nessa armação...
Talvez sua mãe tivesse razão, deveria arrancar o máximo que pudesse de Cesar e aceitar o que Félix oferecia, o que não era pouco.
– Eu não tenho...
– Dr. Cesar me contou — Aline disse segurando sua mão com mais força que o necessário, seu rosto sem nenhum vestígio de sorriso — que Jonathan é filho dele.
Edith tentou puxar sua mão, mas ela não afrouxou o agarre, ao contrário o intensificou.
– Seria horrível se o Dr. Félix soubesse disso, com o temperamento dele, não quero nem pensar o que ele faria com você, e seu filho? Como será que reagiria a uma notícia dessas?
– Você está me ameaçando?
Aline sorriu mostrando seus dentes muito brancos e soltando sua mão.
– Claro que não... somos amigas Edith, tudo que eu quero é que você consiga salvar seu casamento, não é isso que você quer?
Edith não respondeu nada por um momento, sabendo que naquele momento havia apenas uma resposta para essa pergunta.
– Sim, é tudo que eu quero.
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Niko precisava se conter para não se beliscar e comprovar que o que estava vivendo era real, estavam almoçando, várias conversas rodavam a mesa ao mesmo tempo, enquanto levavam garfadas a boca do salpicão de frango que tinha preparado, projetos em andamento, vestibular que se aproximava, o quanto o almoço estava delicioso, lembranças de verões passados, amigos que precisavam conhecer, matricula na nova escola...
Niko mal tinha trocado duas palavras com Félix desde a chegada das crianças, Paloma e Bruno, mas estava muito consciente da presença dele, os olhos dele nunca paravam de buscar os seus e vice versa.
Após a sobremesa, uma torta de ameixa, que foi saboreada e repetida, todos debandaram, Jonathan e Paulinha desapareceram em direção à praia, Jaime e Fabricio com Adriana resolveram explorar a casa, Félix se afastou com Bruno, sobrando Niko e Paloma.
– Obrigada Niko — Paloma disse de repente, sorrindo para Niko, que a olhou surpreso com o agradecimento inesperado.
– Obrigado? Paloma...
– Pelo que você fez está fazendo pelo meu irmão — Niko sorriu timidamente — desde que você entrou na vida dele, Félix se transformou... como se ele usasse uma armadura pesada e você o despiu dela, nos deixando ver o verdadeiro Félix.
– Félix também me transformou, com ele me sinto mais forte, mas feliz. Me sinto inteiro, nunca sentir com ninguém o que sinto quando estou com ele.
Paloma o olhou por um momento pensando consigo mesmo.
– Quando você está com alguém que você realmente ama, faz toda a diferença.
– Você melhor do que ninguém sabe disso, não é? Você e o Bruno!
Paloma sorriu tristemente, seus olhos perdendo um pouco do brilho.
– É um pouco assustador, acreditei que não conseguiria amar novamente... Bruno preencheu um pouco desse vazio que eu sinto desde que...
Niko sentia seu coração congelar, com um sorriso tremulo puxou a mão dela e a apertou. Queria pode dizer que a filha dela estava mais próxima do que ela imaginava, mas não podia, sentia uma batalha em seu coração, mas por mais que não quisesse admitir, era uma batalha onde já havia um vencedor.
– Eu lamento querida — conseguiu dizer, Paloma respirou fundo.
– Hey cunhado — ela disse, testando a palavra, e sorrindo genuinamente — acho que sobrou para nos essa bagunça.
Niko correspondeu o sorriso se pondo de pé, o sol do meio da tarde cobria todo o jardim, pode ouvir as vozes de Jaime e Fabricio empolgados com alguma coisa, com um suspiro se deixou fantasiar que Félix contaria a Paloma toda a verdade e que nada mudaria.
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Paloma respirou profundamente sentindo o cheiro salgado do mar entrar por suas narinas a revigorando, teriam mais uma hora de sol, antes das estrelas reivindicarem seu lugar. A agua que cobria seus pés era morna, sentia-se completamente relaxada que fechou os olhos aproveitando cada segundo da sensação.
– Esse lugar é lindo.
Seu sorriso se expandiu ao ouvir essa voz, e sentir a presença do seu lado. Era inevitável, precisava apenas olhar Paulinha para seu coração se encher de algo, que Paloma só poderia classificar como amor.
– Faz muito tempo que estive aqui... acho que a última vez, devia ter a sua idade.
– Não acredito, se tivesse uma casa como essa em um lugar como esse, viria todo fim de semana.
– Pois bem, você pode vir sempre que desejar, todos os fins de semana se quiser.
Paulinha sorriu para ela, haviam chegado no fim da manhã, mas ela já ostentava uma marquinha do biquíni azul que usava. Desde que seus olhos se puseram nela, sentiu algo transbordando dentro de si, e uma ligação se formou entre as duas imediatamente.
Uma voz em sua cabeça lhe dizia com uma frequência que a irritava que estava transferindo todo seu amor materno, que nunca pode dar ao seu bebê, para Paulinha. Talvez fosse verdade, mas como pediatra milhares de crianças cruzaram seu caminho, e nunca sentiu por nenhuma delas o que sentia quando a olhava, quando conversavam e riam.
Conversar com ela, ouvi-la contar seus planos, seus medos, suas dúvidas, confiando seus segredos a Paloma.
– Você e o Jonathan?
Paulinha suspirou, suas bochechas corando levemente.
– Acho que poderia ficar horas, e usar todos as palavras existentes no mundo para descrever como estou feliz, e ainda assim não seria suficiente — ela disse e olhou por sobre seu ombro Jonathan que conversava animadamente com Bruno.
Paloma pegou nas mãos dela.
– Vocês formam um casal lindo... e Jonathan gosta muito de você.
– Mais um item a minha lista de agradecimentos ao tio Félix.
Paloma se virou para olhar o irmão, que estava em baixo de um grande guarda sol, usando óculos escuros, mas Paloma sabia que seus olhos estavam fixos em Niko, Jaime e Fabricio, que brincavam na areia, construindo um grande castelo.
Um leve sorriso surgiu nos lábios dele, o que era contrastante com a tristeza que notou em seus olhos desde que chegou. Paloma franziu a testa, já a algum tempo Félix demonstrava, por mais que ele tentasse esconder, uma tristeza profunda, como se ele estivesse prestes a perder algo muito importante. Com um balança de cabeça afastou a ideia. Seu irmão nunca esteve tão feliz. Paulinha tinha razão, também devia a ele, foi por causa de Félix que Bruno e Paulinha entraram em sua vida, seria sempre grata a ele.
Não demorou o céu se coloriu em tons de amarelo, vermelho e laranja, em um lindo pôr do sol, as crianças foram quase arrastadas para casa, todos tomaram banho, vestiram roupas leves e jantaram no jardim mais um banquete preparado por Niko. Quando estavam satisfeitos foram para a grande sala levando suas taças de vinho, depois de toda a agitação do dia não demorou para as crianças cochilarem no sofá, e foram prontamente levadas para seus quartos. Jonathan e Paulinha escapuliram avisando que iriam ao centro e que provavelmente chegariam tarde.
Paloma estava prestes a convidar Bruno para andarem pela praia, o que daria um pouco de privacidade para Niko e Félix, mas o que realmente queria era beija-lo do jeito que não devia ser testemunhado por ninguém. Mas Félix tocou em seu ombro indicando com o olhar que o seguisse. Sorriu, mas seu sorriso se desfez ao olhar Bruno, que parecia tenso e Niko que parecia prestes a se desmanchar em lágrimas.
Uma brisa gelada fez sua pele arrepiar, estava a dois passos de Félix, seus passos deixavam marcas na área, ele parou abruptamente o que fez com que Paloma quase esbarrasse nele.
Ele olhou o mar, seu peito subindo e descendo.
– Félix?
O medo começou a se instalar em seu peito, quando ele encontrou seu olhar, seus olhos cheios de lágrimas não derramadas.
Paloma ergueu sua mão para tocar o irmão, mas ele recuou como se tivesse medo do seu toque.
– Neste mundo existe palavras muito difíceis de se dizer — Félix começou sua voz uma mistura de sentimentos, dor, medo, angustia, resignação... — como quando você tem que explicar a dor que causou a outro, e quando esse outro é alguém que você ama.
Paloma franziu a testa não entendendo o que ele queria dizer.
– Félix... eu não...
– Paulinha é sua filha.
Paloma teve a impressão que por um segundo tudo se deteve, o vento parou de soprar, as ondas de se moverem... então o som voltou machucando seu ouvidos.
– O-oque? — Conseguiu dizer, seus sentimentos colidindo entre a alegria de que isso fosse verdade e o absurdo da afirmação dele.
– Paulinha é sua filha... a criança que levaram dos seus braços no banheiro daquele bar.
Paloma sentia seu corpo tremer ao lembrar daquela noite, por mais que tentasse esquecer ainda conseguia visualizar vividamente todos os acontecimentos que deixaram uma ferida tão profunda em seu coração.
Félix a olhou, podia ver nos olhos dele um lamento terrível de dor. Mas por que? O que estava acontecendo?
– Eu lamento... eu não queria causa mais essa dor... eu já te causei tantas.
– Félix eu não entendo...
– Fui eu... fui eu que arranquei a Paulinha dos seus braços... fui eu que deixei você naquele banheiro... fui eu que afastei sua filha de você...
Félix continuou falando, sobre como a odiava, como a via como sua inimiga, como achou que estava morta, como jogou sua filha em uma caçamba de lixo, e que Bruno a encontrou... As palavras deles a afundando em um mar de incompreensão e confusão.
O olhou com esperança de que o que ele havia dito fosse mentira. Mas não era. Tudo começou a girar a sua voltar, suas pernas perdendo toda a sensibilidade, seu estômago revirando, o conteúdo do seu estomago tentando subir por sua garganta.
– Sei que não tenho o direito de pedir isso, mas espero que um dia você possa me perdoar — ele disse com um fiapo de voz.
Paloma já não conseguia mais se manter em pé. Seu irmão, seu irmão, Félix, seu coração não queria aceitar, não quando haviam criado um vínculo, ao mesmo tempo que sabia que Paulinha era sua filha, sempre soube desde o segundo em que a viu. Uma mistura de gritos estrangulados e soluços irromperam por sua garganta a sufocando.
Braços a rodearam, Paloma se debateu acreditando que era Félix, as lagrimas e a dor a cegavam, mas os braços em volta do seu corpo não a largaram, a segurando com mais força.
– Shiii vai ficar tudo bem... vai ficar tudo bem...
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Niko apertou com força suas mãos uma na outra, Bruno andava de uma ponta a outra da varanda, seu olhar preso na direção que Félix e Paloma haviam seguido. O dia havia começado tão bem, sorriu ao lembrar de como foi está com ele na noite anterior e nessa manhã. Mas agora Félix estava lá fora relembrando seu pior erro, vivendo seu pior pesadelo. E não havia nada que Niko pudesse fazer para protegê-lo dessa dor.
– Não posso mais — Bruno disse detendo sua caminhada — Preciso ver como ela está.
Niko respirou fundo e concordou com a cabeça, tudo que queria era ir até Félix e abraça-lo. Félix e Paloma não estavam longe, ele estava de costas, podia ver quão cansado ele estava por seus ombros caídos. Paloma não parecia estável, lágrimas molhavam o rosto dela, e mesmo daquela distancia podia ver o desespero em seus olhos.
Bruno correu na direção dela, quando as pernas dela cederam a levando ao chão, os soluços dela ecoando por toda a praia. Félix virou-se, quando Bruno a segurou, Niko ofegou quando encontrou os olhos dele.... sua expressão era a de alguém que andou um longo caminho apenas para ser rejeitado.
Félix o alcançou após algumas passadas parando na sua frente, cada soluço de Paloma parecia destruí-lo um pouco mais a cada segundo. Niko segurou em sua mão o afastando, temporariamente, de todo esse sofrimento.
O guiou até a casa e depois ao quarto. Félix sentou-se na cama, seu olhar perdido, Niko se aproximou acariciando os cabelos dele, ele apoiou a cabeça contra seu peito, os braços dele o abraçaram pelos quadris, as lágrimas não demoraram a chegar, fazendo o corpo dele tremer. Niko o abraçou apertado, uma mão nos ombros dele, e a outra ainda acariciando os cabelos dele. Esperando até que ele estivesse pronto para falar.
– Me sinto aliviado — ele sussurrou depois de um tempo contra sua camisa – não sei se tenho o direito de sentir isso, mas sinto.
Niko se inclinou encostando sua bochecha sobre a cabeça dele.
– Você tirou esse peso dos seus ombros, é normal que se sinta aliviado... e com o tempo, você e Paloma podem tentar reconstruir a relação de vocês...
Félix virou a cabeça para olha-lo nos olhos.
– Ela nunca vai me perdoar, talvez eu não mereço ser perdoado.
– Todos merecemos uma segunda chance, de provar que mudamos, e você mudou... e Paloma vai ver isso...
– Como você pode me amar? Como você pode não sentir repulsar por mim? Eu me sinto repulsivo, como eu pude jogar uma criança no lixo...
Niko pressionou seus lábios contra a testa dele.
– Tudo que você fez foi por faltar de amor... eu te amo, por que você é um homem bom, doce, divertido... eu te amo por que é você.
– Eu devo ter feito alguma coisa muito boa em outra vida para merecer você.
Niko sentou-se de frente para Félix, entrelaçando seus dedos nos deles.
– Alguém me disse que estamos predestinados, eu acredito nisso, meu coração já pertencia a você, mesmo que eu ainda não soubesse disso.
Os olhos deles ficaram muito tristes, ele começou a falar devagar, como se tivesse pensando em suas palavras com cuidado, enquanto as lágrimas deslizavam por seu rosto.
– Eu te amo, eu quero que você seja feliz... eu quero mais que tudo que você seja feliz... me promete que você vai ser feliz?
Niko o abraçou novamente seus lábios se movendo contra os cabelos dele quando respondeu.
– Eu prometo.
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Félix não teve uma noite tranquila, por consequência Niko também não, ele ficou abraçado a Niko, a cabeça em seu ombro os braços em volta do seu peito, o abraçando como uma criança assustada, e quando conseguiram cochilar foi acordado por Félix se debatendo e murmurando palavras que não conseguia entender, o puxou para seus abraços o embalando e confortando, até que o pesadelo fosse embora, mas já era tarde, Félix não mais dormiria essa noite.
Quando amanheceu, Niko despertou atordoado por não sentir a presença dele ao seu lado, afastando o sono pulou da cama, o buscando no banheiro, quando estava pronto a busca-lo em outros cômodos da casa, notou a folha de papel meticulosamente dobrada sobre a mesa de cabeceira.
Niko, desculpa por sair sem avisar, preciso resolver um assunto com urgência.
Félix.
Niko releu o bilhete incontáveis vezes, antes que as palavras fizessem sentido. Félix tinha ido embora. Dobrou o papel com o mesmo cuidado que quem escreveu e colocou sobre a mesa. Respirando fundo Niko empurrou o desapontamento e a irritação para um canto distante da sua mente por Félix ter fugido, deixado apenas um bilhete.
Podia compreende-lo se quisesse ir embora, mas por que ir assim, sem se despedir, o que diria quando Jonathan e as crianças perguntassem por ele? E o que mais o angustiava, que Félix estava sozinho e sofrendo.
Com um suspiro de resignação resolveu ocupar sua mente, as crianças não demorariam a acordar, e acordariam famintas. Após um banho rápido, se dirigiu para cozinha, mas parou abruptamente na porta ao ver Jonathan, ele tinha os ombros curvados, a cabeça apoiada nas mãos, seu olhar muito distante.
– Jonathan? — Niko o chamou suavemente.
Ele balançou a cabeça como se tentasse sair de um transe, sua expressão era de alguém que acabava de ver seu mundo desabando diante dos seus olhos.
– Niko... hã, você quer um café? — ele perguntou levantando-se, olhando em voltar como se tentasse lembrar onde estava.
– Jonathan está tudo bem?
– Sim... eu... sim está tudo bem!
– Jonathan — Niko disse ainda mantendo o tom suave, Jonathan parecia prestes a desmontar em vários pedaços na sua frente.
– Você sabia? Sobre meu pai, sobre o que ele fez?
Ele encontrou seus olhos, antes que Niko conseguisse dizer algo, Jonathan levantou a mão o impedindo de falar, com um suspiro tremulo voltou a sentar-se na posição inicial que Niko o havia encontrado.
– Como você...
– Ele me contou... — Niko franziu a testa, Félix tinha contado ao filho? Quando? Antes de partir? Jonathan forçou um sorriso — Ele me contou antes de ir embora — respondeu às suas perguntas mudas.
Niko se aproximou e sentou-se ao lado dele, já havia percorrido esse caminho antes, conhecia algumas das perguntas que rondavam a cabeça de Jonathan, e a vontade de que tudo não passasse de uma mentira cruel.
– Sei o quanto é difícil pra você... mas também está sendo pro seu pai, ele está tentando Jonathan, e tudo que ele precisa agora é do nosso apoio.
– Eu quero... mas o que ele fez... como vou encarar a Paulinha? Eu não posso olha-la e fingir que nada aconteceu.
Niko segurou no antebraço de Jonathan e pressionou.
– Ela não tem culpa do que aconteceu... eu não tenho nem certeza se a culpados, ou apenas vítimas.
– Vitimas? Você ver meu pai como uma vítima?
– Não estou redimindo Félix do que ele fez... o que ele fez... fico até arrepiado, parece filme de terror... mas pense na vida que seu pai levou, em tudo que ele reprimiu, no esforço em vão que ele fazia para conquistar a admiração e a afeição do seu avô... ele se arrependeu Jonathan, se arrependeu sinceramente, tanto que contou tudo a Paloma, a você, pode imaginar o quanto foi difícil e doloroso.
Jonathan jogou a cabeça para trás, olhando o teto, como se assim pudesse impedir as lágrimas de caírem. Quando ele parecia ter controlado suas emoções voltou a olhar Niko nos olhos.
– Obrigado Niko, acho que eu só precisava que alguém confirmasse o que eu já sabia.
Niko sorrio e começou a se mover pela cozinha, em poucos minutos o cheiro de café se espalhou pelo cômodo, Adriana não demorou a aparecer o ajudando a preparar o café, Jonathan agradeceu a caneca de café e se retirou ainda exibindo um olhar triste.
– Adriana, por favor veja se Fabricio já acordou, passe no quarto do Jaime também.
– Pode deixar seu Niko.
Niko pegou o celular assim que Adriana saiu da cozinha, provavelmente Félix ainda estaria na estrada, e não atenderia o celular dirigindo. Desanimado voltou a guarda o aparelho no bolso, quando ouviu passos se aproximando. Bruno entrou na cozinha, cansaço irradiando dele.
– Paloma?
– Ela cochilou um pouco — Bruno respondeu recebendo a caneca de café que Niko estendia — foi uma noite longa para ela... Félix?
Niko suspirou, talvez Félix ter ido embora foi a melhor opção, um encontro com Paloma apenas danificaria mais o que já estava tão frágil, mas egoistamente desejou que ele tivesse ficado do seu lado.
– Ele foi embora.
Bruno acenou e tomou mais um gole de café, como se tentasse ganhar tempo, quando falou não havia raiva em sua voz apenas cansaço.
– Quando ele me contou o que tinha feito, meu primeiro instinto foi querer soca-lo... — Niko fixou seus olhos em Bruno, afastando qualquer emoção — mas é necessário muita coragem para admitir o que ele fez... estou dividido sobre o que pensar ou sentir em relação ao Félix.
– Não sou o juiz mais imparcial quando se trata do Félix, eu o amo.
– Sei o que quer dizer — Bruno sorriu, então seu sorriso morreu — Paloma... ela está muito ferida, acho que ainda não conseguiu assimilar que o irmão que ela adorava foi capaz de fazer o que fez.
– Você está enganado Bruno!
Os dois olharam para Paloma parada na porta, sua expressão era calma, seus olhos estavam muito vermelhos e tristes. Niko não sabia o quanto dá conversar ela escutou.
– Gostaria de um pouco de café?
– Não, obrigada Niko.
Paloma puxou um banco ao lado da bancada e sentou-se olhando através da janela que mostrava um pedaço do jardim, um silencio pesado caiu sobre eles, sendo quebrado quando Jonathan e Paulinha entraram na cozinha. A tensão se misturou ao silencio, todos os olhos, com exceção de Paulinha, se viraram para Paloma em espera.
Paulinha notando que havia algo errado, olhou do pai, que estava sentado na mesa, a Niko apoiado na bancada, até Paloma que estava de costas, ainda olhando o vazio. Niko prendeu a respiração, e não foi o único, quando Paloma virou-se, lágrimas deslizavam por sua face, com um impulso ela se jogou para frente, segurando Paulinha em seus braços.
Niko mordeu seu lábio inferior, seus olhos marejados, Paulinha encarou Bruno e Jonathan, seu olhar expressando a confusão que sentia ao ter Paloma soluçando em seus braços.
Após Paloma se acalmar, Bruno a levou para o quarto, e Jonathan fez o mesmo com Paulinha a levando para o jardim, da cozinha Niko podia vê-los conversando, Paulinha gesticulando, pedindo explicações sobre o que tinha acontecido.
As únicas vozes ouvidas durante o café foram as de Fabricio e Jaime, Paulinha estava em um silencio amuado, Jonathan tinha desaparecido no andar superior, mas não demorou a aparecer, seus olhos indo direto ao encontro dos de Niko. O fim de semana que deveria ter sido especial, havia terminado.
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A noite mal tinha caído quando Niko chegou em casa, Jonathan parou o carro, Jaime e Fabricio dormiam no banco de trás, Adriana se apressou a sair, esticando as pernas depois de uma longa viagem, Niko teria preferido ir direto para a casa de Jonathan, queria ver Félix, mas Fabricio acordaria exausto, e mal humorado por terem ido embora tão cedo, tanto Fabricio quanto Jaime ficaram terrivelmente decepcionados com a partida prematura, os ânimos só foram acalmados com uma promessa de retorno em breve.
Assim que atravessou a porta, Eron estava a sua espera, estava pronto a retrucar qualquer comentário agressivo, mas ele apenas o olhou, respirando fundo Niko se dirigiu ao quarto de Fabricio, surpreso com a reação dele.
Mesmo Fabricio tendo dormido quase o caminho inteiro, bastou um banho e algo para comer para que novamente caísse em um sono profundo. Assim que Niko fechou a porta do quarto do filho, pegou o celular e ligou para Félix, mas assim como tinha acontecido quando tentou falar com ele no caminho de voltar a ligação caiu na caixa postal. Após tomar um banho, tentou novamente com o mesmo resultado.
Niko podia sentir o medo cravando suas garras cada vez mais fundo em sua carne a cada tentativa frustrada. Onde Félix estava?
Novamente acordou abruptamente a coberta enrolada em suas pernas, dessa vez quem tinha tido um pesadelo era ele, não conseguia se lembrar do sonho, seu peito subindo e descendo rápido enquanto tentava normalizar seus batimentos cardíacos, mas a sensação de terror e desespero continuava em sua boca, na forma de um gosto metálico e amargo.
Percebendo que não conseguiria mais dormir Niko saiu da cama, o primeiro que fez ao levanta-se foi olhar o celular em busca de algum contato que Félix poderia ter feito durante a noite, mas como esperava ele não tinha ligado.
Pensou por um segundo em tentar novamente, mas afastou a ideia, eram cinco da manhã, provavelmente ele estava dormindo. Niko suspirou profundamente, e foi para único lugar onde não enlouqueceria com os pensamentos que davam voltas em sua cabeça.
Bater e sovar massa o ajudaram a se livra da tensão e dos pensamentos ruins, não demorou sua bancada estava repleta de massas, massas de bolo, pão e tinha até preparado uma massa caseira de macarrão que sua mãe havia lhe ensinado.
Estava tão concentrado no afazer que apenas notou a presença de Eron na cozinha quando se virou para colocar um dos bolos que tinha preparado no forno.
– Uau, muita coisa na cabeça Niko? — ele perguntou com um sorriso jovial.
Niko deu de ombros, Eron era última pessoa com quem dividiria sua angustia por falta de notícias de Félix.
– Apenas acordei com vontade de cozinhar.
Eron ergueu a sobrancelha, ainda mantendo o sorriso.
– Niko, não vivemos juntos algumas semanas, e sim anos, quantas vezes vir você correr para a cozinha e preparar comida para um exército quando algo te incomodava ou preocupava.
Niko bateu na massa a sua frente com mais força, não queria conversar com Eron, mas essa era o mais próximo de uma conversa civilizada que tinham a dias.
– Não se preocupe Eron, estou bem, não há nada me preocupando ou incomodando.
– Você é um péssimo mentiroso Niko... esse foi um dos motivos pelo qual me apaixonei por você.
– Eron...
– Vou vender a casa para você! — Niko o olhou não conseguindo esconder o espanto.
– Está falando sério?
Eron fez uma careta, mas balançou a cabeça confirmando.
– Eron... isso é melhor para nós...
– Na verdade vou vender a casa com uma condição.
Niko puxou o ar pelo nariz tentando não transparecer sua irritação por ele está impondo condições.
– Qual?
– Quero que você vá comigo a um lugar.
– Um lugar? Que lugar Eron?
– Você vai ao restaurante hoje? — ele perguntou de repente deixando Niko desorientado.
– Sim... mas...
– Passo mais tarde lá, preciso te mostrar algo — ele disse e saiu da cozinha, Niko pensou em segui-lo e exigir que ele se explicasse, mas não queria iniciar uma discussão, não quando ele começava a ceder. Voltou a sova a massa com novo vigor, dessa vez, realmente sentindo prazer no que fazia.
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Os minutos se transformaram em horas e Niko mantinha sua raiva misturada com pânico em fogo brando, Félix não tinha respondido a nenhuma das suas mensagens ou atendido suas ligações, ligou para Jonathan, que também não tinha notícias do pai desde o dia anterior, o fazendo se sentir culpado por preocupa-lo, mas quando o pânico chegou a níveis insuportáveis, vencendo a lutar contra a raiva, ligou para o hospital, apenas para ser informado que Félix não aparecia por lá a dias.
Jonathan já havia ligado duas vezes, sua voz tão preocupada quanto a de Niko, perguntando se o pai havia entrado em contato. Estava decidido a procurar a polícia, quando Eron entrou no restaurante, um sorriso enorme no rosto.
– Oi Niko.
– Oi Eron... eu preciso sair agora, podemos conversar depois.
– Niko, eu não vou demora... o que eu tenho que te mostrar, vai ser rápido — Eron olhou em voltar, o restaurante estava relativamente cheio — Podemos conversar no seu escritório?
Niko respirou fundo impaciente, mas Eron não o deixaria em paz, era melhor deixa-lo mostrar o que quisesse.
– Está bem!
Niko não conseguia se lembrar se alguma vez Eron esteve em seu escritório, mas assim que ele entrou, um incomodo se infiltrou em seu estômago, esse era o lugar que ficava com Félix, aquele era o sofá onde ficavam abraçados, era absurdo mais quase podia sentir o cheiro dele emanar das paredes e dos moveis.
– Então Eron?
Eron calmamente abriu sua pasta e tirou dois envelopes pardos e voltou a fecha a pasta calmamente. Niko olhou o relógio impaciente, e de voltar para Eron, que estendeu um dos envelopes.
Niko fixou seu olhar no envelope, como se fosse um animal perigoso prestes a devora-lo.
– O que é isso?
– Olhe você mesmo.
Eron balançou o envelope, e Niko o pegou, seu coração sendo espremido em seu peito, enquanto seu sangue parecia subir a toda velocidade para sua cabeça.
– Abre.
Enquanto suas mãos abriam o envelope, Niko as olhava como se elas estivessem o traindo. Seu rosto se inundou de alivio ao retirar uns documentos cheios de números, os folheou com a testa franzida, não precisava ser formado em administração para ver que se tratava de documentos alterados, observando mais atentamente podia ver que eram documentos do San Magno.
– Eron, o que significa isso?
– A prova de que Félix é um ladrão — Eron disse com um sorriso triunfante, mas aos poucos o sorriso dele se desfez diante do olhar de descrença de Niko — Não são documentos falsos Niko... está ai, todos os desfalques que Félix fez contra o hospital da própria família.
Niko respirou fundo e empurrou os documentos contra o peito de Eron, passando por ele, já estava com a mão na maçaneta quando ele o deteve.
– Você sabe onde o Félix está?
Niko girou o corpo, dessa vez Eron não tinha nenhum sorriso no rosto, sua expressão era dura, ele ergue o outro envelope, que era menor que o anterior. Niko o pegou com raiva, olhando em desafio para seu ex companheiro.
– Mas documentos com histórias sobre o Félix?
– Não, ai mostra onde ele está, e com quem está, mas no caso de você achar que são falsas, posso levar você até lá, pra você ver com seus próprios olhos.
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Niko ordenou a si mesmo que não chorasse, que não se partisse ao meio, ainda segurava o envelope com força, amassando o conteúdo, sua vontade era de rasgar em milhares de pedaços as fotos, mas não adiantaria, elas já estavam gravadas em sua mente, cada detalhe.
Eron estacionou em frente ao prédio, e o olhou.
– Vamos Niko!
As lágrimas insistiam em querer jorrar, Niko apertou os lábios com força, suas pernas não queriam se mover, estava cometendo um erro. Félix ficaria furioso se descobrisse que tinha acreditado no Eron.
– Não... eu não vou — disse com a voz tremendo.
– O que você sente por ele é tão forte que te deixou burro? Mesmo com as fotos que você tem em mãos, você prefere fechar os olhos para a verdade. Viver uma ilusão!
Eron saiu do carro, deu a voltar e abriu a porta do passageiro com raiva. Niko estava decidido a não sair a não duvidar, mostraria as fotos para Félix e ele explicaria o que tinha acontecido.
– Me leva embora Eron... quero ir para casa.
– Não, você vai comigo, foi o que combinamos para eu vender a casa... depois de você ver que ele está apenas brincando com você, se quiser continuar acreditando nas palavras bonitas dele, tudo bem, eu desisto... nunca mais procuro você Niko.
Niko se odiou quando saiu do carro, suas pernas bambeando enquanto seguia Eron, estranhamente tudo que parecia sustenta-lo eram as fotos que ainda segurava entre seus dedos, apertando com cada vez mais força.
Eron o puxou do elevador com força, Niko quase esbarrou na porta quando ele o soltou, sua mente era um turbilhão de pensamentos, que o deixava zonzo e enjoado. Antes que pudesse protestar a campainha foi tocada.
Não conseguia desviar o olhar da porta, seu coração se movia batendo em cada pedaço do seu corpo, deixando uma dor pulsante por onde passava, não conseguiu mais manter o controle sobre sua respiração. Quando a porta se abriu, tudo pareceu cessar em um estalar de dedos.
– Em que posso ajudar? — ele perguntou com um sorriso, seu olhar passando distraidamente de Niko para Eron, então o olhar dele mudou em reconhecimento — Eu conheço vocês! Você é o dono do restaurante japonês não é?
Niko tentou falar, mas nenhum som saiu da sua boca.
– Estamos procurando Félix... ele está? — Eron perguntou, segurando no braço de Niko como se temesse que ele saísse correndo.
– Aconteceu alguma coisa?
– Ele está ou não está? É importante!
Ele hesitou por um segundo, então abriu a porta dando passagem para eles entrarem. Assim que Niko entrou o primeiro que viu foi uma foto de Félix e Anjinho abraçados em um bonito porta retrato, Niko sentia-se paralisado, seu coração era o único órgão do seu corpo que trabalhava, batendo furiosamente.
– Félix está dormindo, mas se é importante, eu vou chama-lo....
Niko o acompanhou apenas com os olhos, ele abriu uma porta, um homem estava deitado na cama de bruços, as costas nuas, acompanhou Anjinho deslizar as mãos pelos cabelos dele e depois pela pele exposta, até ele começar a se mover do jeito preguiçoso de quem foi despertado de um sono agradável. Félix virou-se sentando-se na cama, seu olhar indo de encontro ao de Niko. Uma sombra se moveu atrás dos olhos dele, mas ele desviou o olhar, seus lábios se moveram, e Anjinho levantou-se e fechou a porta.
O som da porta se fechando fez Niko sair da paralisia, passando os braços em voltar do próprio corpo, deixando as fotos que estava agarrado como um colete salva-vidas caírem no chão, enquanto as lágrimas se derramavam, seu peito doía, dificultando sua respiração, e como uma reflexão tardia se perguntou quanta dor o coração podia absorver e mesmo assim ainda continuar batendo.
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