Fated to Love You

19 Eu não existo sem você


Notas iniciais
Primeiro eu não imaginava que voltaria tão cedo, pois bem aqui estou!!! Com um capitulo gigante!!! Levei 3 dias para escrever, as palavras pareciam pipocar, levei mais dois dias para reescrever, por que depois de ter feito a narrativa de um jeito, para quem leu O Plano, o penúltimo capitulo, esse estava muito parecido, um grande flashback, então mudei de ideia, e ele ficou assim!!! Então, como disse o capitulo ficou enorme, muito maior do que está agora, então eu retirei alguns diálogos, tirei da li, cortei aqui... mas mesmo assim, continuou gigante, pensei em dividir, mas achei melhor deixar assim, por que não tenho certeza como vai ser o próximo capitulo... mas fiquem a vontade para pular quantas linhas quiserem. A narrativa tem alguns flashbacks, que abrange o tempo entre o capitulo 17 We're in heaven, até o ultimo postado, eles não estão em ordem cronológica. Qualquer termo medico que usei nesse capitulo, DEVE E ESTAR COMPLETAMENTE ERRADO!!! ASSIM COMO QUALQUER TERMO JURIDICO!!! Eu não fiz pesquisar sobre nenhum dos dois assuntos, tudo que sei sobre assuntos médicos e jurídicos aprendi assistindo House e Law and Order e outras series do gênero. Penúltimo capitulo da fic que mais me deixou cansada, algumas vezes exausta, esse capitulo nem se falar, mas também a que mais me deu prazer. Queria agradece do fundo do meu coração a você que leu, ou releu? Cada capítulo dessa fic, que embarcou nessa viagem comigo, estamos chegando ao destino final, muito, muito, muito obrigada, e que essa viagem tenha sido tão boa e prazerosa para vocês como foi para mim. Mas quero agradece em especial a três tripulantes, que estiveram comigo o tempo todo, me apoiando, que sem elas esse ship não chegaria até aqui, Carol, Rafa e Marcele. Qualquer palavra de agradecimento que dispense a vocês, seria pouco então, Valeu!!! Bem, vocês já conhecem a frase padrão de todos os capítulos, então hoje eu não vou repeti-la. Boa leitura, e beijos, cheiros e abraços!!!!

Eu sei e você sabe
A distância não existe
E todo grande amor
Só é bem grande
Se for triste

Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos
Me encaminham
Pra você.

Eu não existo sem você — Maria Bethânia.

­­Félix encarou seu reflexo no espelho, que lançou um olhar sem vida em sua direção, sentia tudo dentro de si congelado, se agarrou a essa sensação, enquanto seu sangue fluísse como gelo por suas veias, conseguia pensar com clareza.

Félix fechou os últimos botões de sua camisa, e virou-se para olhar Anjinho, que mantinha uma expressão tensa, seus lábios tão apertados que quase formavam uma linha. Sem dizer nada passou por ele, mas seus pés pararam quando chegou a porta, fechou os olhos, e cerrou os dentes, precisava se forte, se conseguisse enfrentar Niko, conseguiria enfrentar tudo.

Encheu seus pulmões de ar e soltou com força, abriu a porta, mas não havia ninguém, o alivio que sentiu o deixou zonzo, por mais que repetisse que conseguiria, sabia que não era verdade, os poucos segundos que seus olhos fizeram contato com os dele, precisou de todo seu auto controle para não correr para os braços dele, dizer que o amava, que nunca o trairia, ou o machucaria.

Seus olhos se focaram em um envelope no chão, uma ideia se formou em sua mente sobre o que seria o conteúdo, e quando o abriu estava certo, fotos dele com Anjinho, as passou uma a uma, ele e Anjinho em um café, a última era dessa tarde, entrando no prédio.

Com um suspiro cansado, repôs as fotos no envelope, desejando que fosse tudo diferente.

–--

Félix passou pela secretaria do Dr. Renan como um furacão, entrando na sala sem ser anunciado.

– Olá Dr. Renan... preciso da sua ajudar!

– Beth, tire o resto do dia de folga — Renan disse a secretaria que estava atrás de Félix, olhando assustada na direção dos dois homens, com um aceno de cabeça ela saiu fechando a porta.

– Não precisava ter dispensado a secretaria não vou roubar sua tarde inteira... preciso que você me hipnotize, tenho que descobrir quem de verdade é a secretaria do meu pai...

–Dr. Félix!

Félix ergueu a sobrancelha, Renan respirou fundo várias vezes, tentando pôr em ordem seus pensamentos.

– Dr. Renan não tenho o dia inteiro... eu preciso...

– Seus exames chegaram... e os resultados não são bons...

Félix puxou a cadeira em frente à mesa e sentou-se.

– O que quer dizer, com, não são bons?

Renan pegou algumas pastas, abrindo a primeira, onde uma tomografia cerebral podia ser vista, um círculo havia sido desenhado com caneta vermelha, em uma área mais escura da imagem.

– Encontramos uma massa...

A palavra pareceu se chocar contra sua cabeça, se debatendo contra seu crânio, até se acomodar em um canto confortavelmente. Félix olhou o pendulo sobre a mesa, e o segurou, impedindo que as bolinhas se movessem.

– Você quer dizer um tumor? Por favor, posso não se um médico, mas trabalho nesse hospital quase minha vida inteira, conheço mais termos médicos, do que a maioria dos residentes daqui... então não me trate como um dos seus pacientes idiotas.

Renan suspirou.

– Está bem, encontramos um tumor...

Félix abaixou a cabeça, a apoiando nas mãos, sendo tomado por uma vontade louca de gargalhar, mas uma imagem nítida e horrível atravessou sua mente, cessando qualquer vontade de sorrir, Niko e seus filhos chorando.

–... os exames mostram que o tumor está em voltar de nervos e vasos sanguíneos...

Então era assim, esse era o seu castigo?

Ou uma bênção? Uma vozinha murmurou suavemente.

–... A posição onde ele se encontrar...

Bênção?

–... explicar, a dor de cabeça, o sangramento, a tontura... e os sonhos...

Os sonhos!

– Dr. Félix? — Félix não conseguiu controlar que um sorriso nascesse em seus lábios, seus ombros subindo e descendo com o esforço para conter a gargalhada que ameaçava explodir por sua garganta. Era isso? Foi lhe dado a chance de se redimir dos seus erros? De saber como era amar e ser amado? De salvar sua família? Esse era o motivo dos sonhos? Redenção?

Ou o universo, o destino, ou que nome quisessem dar, queria apenas sacaniar com ele antes do seu fim eminente?

– Desculpe Renan — disse respirando fundo — estava divagando.

Renan olhou com atenção para seu rosto, provavelmente esperando que Félix desmoronasse.

– Eu conheço um dos melhores neurocirurgiões do Brasil.... podemos ligar para ele...

Félix levantou-se, sentindo uma necessidade de andar, mas não podia, havia muito a ser feito. Precisava se focar em uma coisa de cada vez, era o único jeito de não perder o controle. Estranhamente a voz do seu pai ressoou em sua mente, ainda se lembrava de vê-lo, com o livro nas mãos, recitando o poema.

Mas tenho promessas a cumprir,

E quilômetros a percorrer antes de dormir,

E quilômetros a percorrer antes de dormir.

– Renan! — Félix virou-se fixando seus olhos no medico — Discutimos isso depois, agora preciso que você me ajude a descobrir algo... preciso que você me hipnotize...

– Félix! — Anjinho o arrancou de sua lembrança — Você está bem?

Félix se obrigou a respirar de forma lentar e ritmada, até que seu coração parasse de bate violentamente, podia controlar sua pulsação e a dor que queria engoli-lo, era capaz de fazer o que tinha se proposto, não permitiria que seu medo e anseio de se acalentado e confortado fosse maior que seu desejo de proteger a todos que amava.

Lágrimas surgiram em seus olhos, lágrimas que vinha lutando implacavelmente desde que viu Niko, pensou que era melhor deixa-las virem agora, por que depois não poderia se permitir.

Com esforço afastou a imagem de Niko parado, no mesmo lugar onde estava agora, lembrou-se do poema, extraindo forças das palavras, tenho promessas a cumprir, e quilômetros a percorrer antes de dormir.

– Preciso ir.

– Tem certeza, não acha melhor dormir aqui... você ainda não parece bem... não sei se é uma boa ideia você dirigir — Anjinho disse sério.

Félix sorriu fazendo um gesto com as mãos, tirando importância do que ele dizia.

– Estou bem... quero ir pra casa, tenho ainda muito o que resolver — Anjinho o encarou por um longo momento, então suspirou percebendo que não conseguiria demove-lo de ir embora — Obrigada Anjinho, você foi um bom amigo.

Ele olhou para baixo, então encontrou seus olhos.

– Não sei se podemos ser amigos.

Félix balançou a cabeça em entendimento. Eles não poderiam ser amigos. Com um sorriso genuíno, se despediu dele, agora com a certeza de que não mais voltaria a esse lugar.

–--

Sua cabeça parecia prestes a explodir, a bênção da ignorância, apenas soube da bomba relógio que tinha em sua cabeça para ela agir como um convidado inconveniente, mexendo em suas coisas, colocando os pés sobre a mesa, tomando posse do controle remoto e decidindo o que assistiriam na tv.

– Félix, eu não sei se vou conseguir...

Félix respirou fundo, tudo que conseguia pensar era que precisava continuar, não importando o quão destroçado ficaria. E o Niko ele também não ficará destroçado? Ele vai superar, ele vai pensar que sou um canalha, e vai superar!

– Anjinho, tudo que você tem que fazer é abrir a porta!

Félix sentou-se quando uma tontura o atingiu, resolveu os últimos detalhes dos documentos que precisava com a Dra. Silvia, além de ter ido falar com a bailarina, por um segundo uma sensação de prazer atravessou a dor que sentia, ao lembrar que a tinha convencido, já que o detetive que contratara ainda não tinha conseguido provas do caso de seu pai com a vagabunda.

A piranha tentará armar para cima dele, o que Félix não deixava de se perguntar, é o que teria acontecido se Anjinho não tivesse lhe contado o plano dela, Niko acreditaria nele quando o encontrasse na casa de Anjinho? Na cama dele?

A dor persistente, não o deixava pensar direito, era como se tentassem abrir seu cérebro a base de marteladas. Anjinho andava de um extremo a outro da sala.

Quando ele lhe contou a visita de Edith e Aline, com uma proposta para se vingar de Félix, onde com a ajuda dele poderia destruir o relacionamento de Félix e Niko, Anjinho foi rápido em fingir que aceitava o que lhe propunham, convencê-lo a ir a um encontro, e depois leva-lo a sua casa, onde serviria uma bebida batizada, que o faria ir para cama com ele.

Essa era a primeira parte, a segunda envolvia Edith, e faria Niko se afastar de Félix para sempre.

Félix olhou o relógio, provavelmente Eron já estava mostrando as fotos a Niko, o envenenando.

– Preciso beber... um whisky — pediu, se não mantivesse a calma, terminaria por quebrar algo.

Isso também ajudou Anjinho que pode ocupar sua mente e mãos, enquanto preparava a bebida. Félix levantou-se para receber a bebida, mas tudo girou a sua voltar, respirou fundo, e pegou o copo.

– Félix, você não parece bem...

Foi o tudo o que ouviu antes de uma onda de escuridão o cobrir.

Quando acordou, por um centésimo de segundo, acreditou que as mãos que o tocavam eram de Niko, mas era Anjinho, sussurrando que eles tinham chegado. Félix se ajeitou sobre a cama e encontrou os olhos dele.

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O caminho até o apartamento de Jonathan foi feito quase no piloto automático, quando percebeu estava em frente ao prédio do filho. Se inclinando contra o banco, se deixou ficar assim, apenas respirando, antes de enfrentar sua próxima batalhar.

A noite não podia está mais deslumbrante, as estrelas pareciam competir para ver quem brilharia mais forte, Félix desviou o olhar para a cama onde Niko dormia, ele parecia em paz e relaxado, sem pode evitar esticou a mão tocando no cabelo dele, e se perguntou pela milésima vez, como podia uma criatura tão puro e inocente como ele ama-lo. Inclinando-se roçou de leve seus lábios contra os deles, precisou se conter para não aprofundar o beijo, e o fato que esse era o último beijo, não ajudava muito. Niko se mexeu, seus lábios se curvando em um sorriso, Félix prendeu a respiração quando os cílios dele se mexeram, mas Niko não acordou.

– Te amo... você é o melhor presente, que eu nunca imaginei que poderia querer ou sonhar... seja feliz Carneirinho.

A casa estava escura e silenciosa, Félix andava com cuidado para não fazer barulho. Quando entrou no quarto de Fabricio, que dormia tranquilamente, mesmo estando em um quarto estranho, talvez inconscientemente ele soubesse que esse quarto o pertencera.

– Queria ter a chance de ser seu pai... de ver você crescer — disse emocionado acariciando o pequeno rostinho.

Encontrou Jaime descoberto, o que trouxe um sorriso ao seu rosto, mas enquanto o cobria a tristeza voltou com força.

– Você vai ser um homem tão incrível quanto seu irmão Jonathan... sei que vai...

Antes de chegar ao quarto de Jonathan, passou em frente ao quarto de Paloma, a porta estava entreaberta, apenas uma fresta, Bruno a segurava em seus braços, mas Paloma não dormia, seus olhos estavam presos na escuridão, antes que pudesse chamar a atenção dela, seguiu em frente, até o quarto de Jonathan.

Como previa, Paulinha também estava lá, a cabeça apoiada no peito dele.

– Jonathan — sussurrou, tocando no ombro do filho

– Pai?

– Shiii... vai acordar a Paulinha... levantar... estou te esperando na cozinha...

Félix lançou um último olhar para trás, para a menina envolta nas cobertas, com um suspiro triste seguiu para a cozinha. Jonathan não demorou a alcança-lo.

– O que está acontecendo? — perguntou passando as mãos nos olhos — O que não podia esperar até de manhã?

– Estou indo embora... preciso que você leve o Niko e as crianças em segurança para casa.

– O que? Por que?

– Daqui a pouco todos vão acordar... minha presença só vai causar incomodo... é o melhor para todos...

– Pai, eu não estou entendendo... você me arranca da cama, diz que está indo embora... explicar isso direito... aconteceu alguma coisa, depois que saímos?

Mesmo na escuridão da cozinha podia ver o olhar alarmado do filho, sua sobrancelha se erguendo interrogativamente.

– Aconteceu... eu contei a verdade a Paloma.

– Verdade?

Já chegará até ali, não podia recuar. Novamente enfrentou o horror e a descrença no olhar daqueles que amava, por um momento chegou a acreditar que ficaria mais fácil, mas não ficava.

Não olhou para trás, mesmo quando era tudo que mais queria, quando entrou no carro, quando dirigiu para longe, enquanto as lagrimas se derramavam e seu coração sofria.

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Respirou fundo e entrou, a sala estava a meia luz, a televisão ligada, uma silhueta se moveu no sofá e soube que era Jaime, pensou em acorda-lo para que fosse para a cama, mas não o fez, passou os dedos por seu cabelo, enquanto se encaminhava para seu quarto.

Não teve tempo de tirar seu paletó, quando Jonathan entrou como um foguete no quarto.

– Onde você estava? Por que não atendeu o celular? Estava prestes a chamar a polícia! — ele disse zangado, mas havia alivio em sua voz.

– Jonathan...

– Pai!

– Não queria preocupar você — disse dando as costas ao filho e indo até o guarda roupa e puxando uma mala.

– Pra que essa mala?

– Preciso fazer uma viagem...

– Você vai viajar? Pai — Jonathan segurou em seu braço o obrigando a olha-lo — Sei que tem muita coisa acontecendo com você... mas estou meio perdido aqui...

– Desculpa Jonathan, despejei muita coisa em cima de você... estou tentando consertar meus erros, e não provocar mais dor a ninguém.

– Eu e o Niko conversamos... sobre o que você fez... pai estamos do seu lado, sei que você se arrependeu... tia Paloma também, um dia vai perceber isso.

– Como ela está?

– Bem, dentro do possível... conversei com o Bruno antes de voltarmos, eles vão contar a Paulinha que ela é filha da tia Paloma.

– Isso é bom, ela merece saber a verdade.

Félix sorriu, com o coração pesado e começou a tirar suas roupas e joga-las dentro da mala.

– Pra onde você vai viajar? Por que essa viagem de repente? Niko sabe sobre isso? É por isso que ele estava com a voz estranha ao telefone?

– Voz estranha? — Félix encarou o filho, no meio do ato de colocar uma camisa dentro da mala.

– Ele me ligou, avisando que você estava bem, que não devia me preocupar... achei a voz dele estranha... estávamos preocupados com você...

Félix largou a peça de roupa e colocou a mão sobre o peito, uma onda de náusea atravessou seu corpo, seu coração afundando.

– Terminamos.

Um longo silencio se fez, enquanto Jonathan o olhava em choque.

– Desculpa, acho que entendi errado... vocês terminaram?

– Apenas... eu e o Niko somos diferentes... nunca daria certo... terminamos agora, antes que nos envolvêssemos mais... e terminássemos por nos machucar terrivelmente — suas palavras soando vazias até para seus ouvidos.

Jonathan abriu a boca e fechou novamente, quando falou sua voz saiu cheia de desconfiança.

– Nem você acredita nisso, eu vi vocês juntos, vi o jeito que vocês se olhavam... eu desafio a qualquer um que viu vocês dois juntos, a dizer que não é amor o que vocês sentem um pelo outro... então pode me explicar o que está acontecendo, antes que meu cérebro derreta e escorra pelas minhas orelhas! — Jonathan disse firme, mas com uma certa impaciência de alguém que explicar algo que deveria ser obvio para todos.

Isso conseguiu trazer um sorriso ao semblante de Félix.

– Hoje foi um dia cansativo... podemos conversar depois?

Jonathan abriu a boca pronto para protesta, mas talvez por ter enxergado a tristeza e o cansaço nos olhos do pai, apenas balançou a cabeça concordado.

– Tudo bem, conversamos amanhã... boa noite pai.

– Jonathan — Félix o chamou antes que ele alcançasse a porta — Eu te amo.

Jonathan sorriu.

– Também te amo pai.

Depois que terminou de jogar suas roupas dentro da mala, Félix se jogou sobre a cama, fechou os olhos tentando pensar em qualquer coisa que não fosse o que estava por vim, não foi surpresa que seus pensamentos se voltaram para Niko, e foram os olhos dele límpidos e seu sorriso aberto o último que viu antes de mergulhar em um sono sem sonhos.

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O shopping estava movimentado mesmo àquela hora da manhã, passou em frente ao restaurante de Niko, mas ainda estava fechado, o que o fez sentir uma mistura de alivio com decepção.

Não havia nenhum cliente na loja, Edith arrumava algumas peças em uma arara, virou-se ainda segurando um vestido, quando ouviu a porta abrir, seu olhar demonstrando medo e cautela quando encontrou os seus.

– Oi Edith.

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Uma fina garoa caia quando saiu do escritório do detetive, após a descoberta que Aline era prima de Paloma, algumas peças começaram a se encaixar, mas ainda não fazia sentindo o por que dela querer destruir sua família. Não sabia nada sobre a mãe de Paloma, e não podia perguntar a seus pais, mas como uma lâmpada acendendo em sua cabeça, descobriu quem poderia ajudá-lo.

Sua avó não estava disposta a ajudar a princípio, ela tentou persuadi-lo, dizendo que o passado devia ficar no passado, que remexer nessas lembranças apenas causaria sofrimento. Mas por fim, conseguiu convence-la, as informações que a avó possuía eram poucas, mas com elas em mãos e uma pequena busca na internet, conseguiu uma foto da mãe biológica de Paloma. Um detetive experiente conseguiria maiores detalhes, para encaixar as peças faltantes.

Seu próximo passo resolveria essa tarde, precisava proteger o patrimônio que um dia pertenceria a seus filhos, e a Paulinha. Ainda não tinha se aprofundado no seu estado e nas consequências que traria a todos a sua voltar. Depois que contou a Bruno a verdade, e enfrentou a reação dele, revelou que pretendia dizer a verdade a Paloma e aceitar o que ela lhe oferecesse, fosse ódio, desprezo ou o que achasse que ele merecia. Mas quando ele o deixou sozinho, precisando absorver tudo que tinha ouvido, Félix roçou a superfície da sua nova condição, estava decidido, e não importava o que acontecesse não abriria mão de nada. Não abriria mão de Niko, desejou que ele estivesse do seu lado, o abraçando e dizendo que ficaria tudo bem, mas tê-lo perto, apenas faria suas defesas colapsarem, então em um momento que nomeou como angustia romântica, escreveu para ele, queria colocar naquela folha de papel o quanto o amava, mas o que conseguiu foi divagar sobre si mesmo, sobre como estava com medo, o quanto estava sendo egoísta.

Seu celular tocou, houve um momento de hesitação antes de atende-lo.

– Anjinho...

– Oi Félix... estou atrapalhando?

– Hã, não... estou surpreso...

– Podemos nos encontrar? Preciso falar com você.

– Anjinho... eu não sei...

– É importante... eu preciso ver você.

Félix olhou o relógio, ainda faltavam quase duas horas para o seu encontro com a Dra. Silvia.

– Tudo bem... lembrar daquele café onde nós encontrávamos? Me encontre lá dentro de 30 minutos.

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Anjinho já o esperava quando chegou, com alguns minutos de atraso.

– Achei que você não viria — ele disse com um sorriso incerto, enquanto Félix puxava uma cadeira e sentava-se.

– Você parecia aflito... apesar de tudo, eu tenho um carinho muito grande por você.

– Eu sei...- Anjinho segurou sua mão — Não tirar! — ele sussurrou quando Félix fez menção de afasta-la.

– Anjinho?

– Acho que estão nos vigiando.

Félix sentiu sua coluna se tensa, abriu o maior sorriso que conseguiu, e passou o nós dos dedos pelo queixo do Anjinho.

– Quer me explicar o que está acontecendo? — perguntou ainda mantendo o sorriso.

– Você pode ir a minha casa? Aqui não é o melhor lugar para conversamos... e é o que ela quer.

– Ela?

– Sua mulher... e a outra.

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– Oi Edith.

Ela quase recuou quando Félix começou a se aproximar, seu olhar passeando de Félix para a porta, como se calculasse o que precisaria fazer para alcança-la, caso precisasse.

– Félix... que surpresa, não esperava ver você... imagino que não tenha vindo comprar um vestido.

– Seu senso de humor nunca foi sua melhor qualidade... eu vim por isso — enquanto Félix falava retirou um documento da pasta que carregava — os documentos do nosso divórcio.

– Eu não vou...

– Você vai! — Félix a interrompeu — vamos Edith, não há mais nada aqui para nos dois. Acabou.

– Por que agora? Me diz, por que agora?

Félix suspirou, e a olhou com simpatia.

– Eu precisava de você... precisava desesperadamente.

– E não precisa mais? — a voz dela tremeu, enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.

– Não... assim como você também não precisa mais de mim, uma parte de mim é grata a você, por ter ficado comigo, mesmo... mesmo quando o que eu tinha a oferecer era tão pouco.

– Félix, passamos tantos anos juntos, construímos uma família, tivemos os nossos momentos felizes, não tivemos? Então, podemos tê-los novamente, podemos entrar em um acordo...

– Acordo? Que tipo de acordo? Eu não quero acordos Edith... tudo que eu quero é que você assine isso, antes...

Félix respirou fundo, deixando sua impaciência e irritação se aquietarem.

– Por que ele e não eu? E não me refiro ao obvio, já tiveram outros, alguns mais duradouros, como o Anjinho, mas eu sempre soube que você nunca me largaria, eu nunca duvidei disso, nem por um segundo... então por que ele?

– Sentimento não tem explicação, apenas existir...

– Eu preciso saber!

– Gosto de você Edith, mas até do que você possa acreditar, não quero te magoar.

– Por favor, Félix. — ela implorou desesperada.

Félix experimentou uma súbita pressão no peito, fechando os olhos, respirou pausadamente, como se tentasse organizar seus pensamentos, quando ele encontrou os olhos dela, tristeza e uma luz estranha brilhou nos olhos dele.

– Você perguntou por que ele e não você? Eu não tive escolha, não em ama-lo.... era como se tudo dentro de mim estivesse em espera, sempre esperando... então ele chegou, preenchendo tudo que estava vazio dentro de mim, fazendo com que não me sentisse mais sozinho.

– Mesmo que você pudesse escolher, você ainda o escolheria?

Félix apenas a olhou, havia apenas uma resposta para essa pergunta, e Edith conseguia enxerga-la em seus olhos, no leve inclinar dos seus lábios, na postura do seu corpo.

Ela lhe deus as costas, Félix esperou que ela reunisse suas emoções e as guardasse, quando Edith virou-se, tinha um sorriso irônico nos lábios.

– Um dia você precisa me dizer como você sempre consegue o que quer — ela disse puxando os documentos das mãos dele e os apoiando sobre o balcão da loja.

– Se você for uma boa menina, talvez eu lhe der isso como presente de natal.

Ela gargalhou enquanto assinava os papeis a sua frente, quando ela se voltou novamente para Félix, lágrimas escorriam por seu rosto.

– Já que você foi sincero comigo... precisa saber que eu...

– Eu sei — ele a interrompeu, Edith o olhou confusa e ansiosa — Sei que você se juntou a piranha da Aline, para me separar do Niko.

A confusão se espalhou pelo rosto dela, ao ver que Félix permanecia estranhamente calmo.

– Você já sabia, mas como? Eu não entendo? — ela respirou fundo — Não está com ódio de mim?

Ele fixou seus olhos nela, o que a fez estremecer, um lampejo do antigo Félix.

– Digamos que o meu novo eu intercedeu por você, para que meu antigo eu não te trucidasse... quanto a Aline, ela não terá a mesma sorte.

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Félix apertou com força a direção, tentando fazer suas mãos pararem de tremer. Havia se obrigado a não pensar, o que Niko estava sentindo? O que ele estava pensando? Mas agora estava na frente da casa dele, há horas, a manhã tinha se tornado tarde, suas pernas dormentes de ficarem na mesma posição.

Sentia tanto a falta dele que não conseguia colocar em palavras, apertou seu peito com força como se pudesse impedir que a dor que nascia ali, se espalhar por todo seu corpo. Fechou os olhos e se obrigou a relaxar, um músculo de cada vez.

Antes que perdesse a coragem novamente saiu do carro, seus pés vacilantes. Quando chegou a porta hesitou, enquanto esse encontro não acontecesse, podia fantasiar que tudo não passara de um pesadelo, que não estava morrendo.

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A sala era igual a tantas outras do San Magno, uma sensação de traição se apossou da sua consciência, o que trouxe um sorriso ao seu rosto, sentia-se traindo um hospital, era demais até para o novo homem que ele se tornara.

Renan estava do seu lado, batendo o pé incessantemente, seus dedos batendo em sua coxa no mesmo ritmo, o que começava a irritar Félix, estava pronto a chuta-lo para parar com isso, quando a porta foi aberta.

– Desculpem a demora... estava em cirurgia... é bom ver você Renan.

– Também é bom revê-lo André, deixe-me apresentar, Félix Khoury.... Félix esse é André um dos melhores neurocirurgiões do país.

– Vamos ver o quão bom você é. O que me aconselhar Dr. André? — sua voz saiu firme um sorriso forçado no rosto — Radioterapia?

– É uma opção...

– Uma opção que me dará mais quanto tempo?

– Alguns meses.

– Operação?

André cruzou seus dedos, os cotovelos apoiados a mesa, e se inclinou.

– Félix... posso chama-lo de Félix? Serei sincero com você, como sou com todos os meus pacientes, o tumor está alojado em uma área em volta de veias e nervos.

– Disso eu já sei...

– O que o tornar inoperável.

Félix ouviu Renan sugando o ar, como alguém se afogando. O rosto de André estava impassível, os olhos dele não desviando dos seus.

– Inoperável? Ou você não é capaz de fazê-lo?

– Está me instigando a abrir seu cérebro? — André perguntou com um sorriso curioso.

– Não, estou o instigando a demonstrar que é um médico tão bom quanto Renan clamou.

– Se eu o operar, as chances de que sobreviva a mesa de cirurgia são mínimas, e mesmo que um milagre aconteça, você não será o mesmo.

– O que quer dizer André? — Renan perguntou.

– Perda das funções motoras, perda da visão, audição... se você sobreviver Félix, passara o resto da sua vida em uma cama vegetando.

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O som da campainha reverberou em seu corpo, desejou que não houvesse ninguém em casa, que não precisasse dizer as palavras que eram precisavam serem ditas. Como em câmera lentar a maçaneta girou e a porta foi aberta.

Pelo que pareceu um momento infinito, nenhum dos dois se mexeram, apenas se olharam.

Félix não conseguiu conter o sorriso, ele estava tão bonito como sempre... e inteiro.

– Oi.

– Você... — a voz dele quebrou, ele pigarreou e tentou novamente — o que está fazendo aqui?

Félix implorou para que sua voz não demonstrasse a dor e o desespero que sentia, que suas mãos não se erguessem para toca-lo.

– Queria falar com você... podemos conversar?

Niko voltou a abaixa o olhar até seus pés, com um suspiro cansado voltou a olha-lo.

– Entra.

Félix olhou em voltar, a casa era exatamente como imaginava, conseguia identificar o toque de Niko em cada detalhe, quando seus olhos encontraram os dele, podia ver quanto esforço ele colocava para demonstrar que estava bem.

– Você deve me odiar e ter um monte de perguntas...

– Não, não odeio você e tenho apenas uma pergunta — ele disse, sua voz vazia e controlada.

– Qual?

– Por que?

Félix respirou fundo, e olhou suas mãos, invocando a imagem que lhe deu forças e não o fez enlouquecer durante esses dias, Niko em um futuro próximo feliz. Era agora, precisava manter sua voz e seus olhos firmes, então tudo estaria terminado, e Niko poderia seguir em frente, sem culpa ou o fantasma de um amor que não pode ser.

– Primeiro eu quero me desculpar — começou o texto que vinha repassando em sua cabeça incansavelmente, Niko o olhou como se não acreditasse no que estava ouvindo.

– Você quer se desculpar?

– Carn... Niko, eu... — vamos Félix você pode — Eu não te amo, eu achei que amava, eu queria te amar... mas não amo.

Félix afastou a agonia de saber que o estava machucando, os olhos dele se encheram de lágrimas, sua expressão era nua, podia ver que uma parte dele esperava que tudo não passasse de uma mentira.

– Você... — algo ameaçou subir por sua garganta, mas Félix o fez voltar de onde tinha vindo — eu vi você com Eron, e você era tão diferente da Edith, do Anjinho... — Niko desviou o olhar quando disse o nome de Anjinho, rodeando seus braços em voltar de si mesmo, como se estivesse com frio. Félix queria pode abraça-lo, consola-lo, mas não podia.

– Confundir fascínio com amor... e depois você, você ficou comigo, me apoio mesmo sabendo tudo o que eu fiz, eu achei que podia fazer dá certo com você... mas você merece mais, merece alguém que te ame de verdade, que te faça feliz... e eu não sou essa pessoa... percebi isso quando me encontrei com Anjinho...

Um silencio horrível caiu na sala.

– Por que está mentindo? — ele perguntou suavemente, sua voz cheia de tristeza — Por que está desistindo de nós?

Félix recuou, seu coração batendo depressa e impaciente, rogando para que dissesse a ele. Cada parte do seu corpo doeu, quando gargalhou, mas Niko não se alterou.

– Às vezes eu esqueço o quanto você pode ser ingênuo... por que eu mentiria? Por qual motivo?

– Me diga você!

– Estou indo embora... de São Paulo, do Brasil.... Barcelona, Anjinho vai comigo, pela primeira vez na minha vida estou livre, e quero curtir esse momento.

Niko o olhou, mas não havia nada em seu olhar. Por favor, não permita que eu fraqueje, por favor, Félix repetia em sua mente, de novo e de novo. Por favor, por favor...

– Adeus Niko.

Seu estômago revirou, antes que vomitasse, virou-se, mas ainda podia sentir o olhar dele em suas costas, cerrou seus dentes com força, obrigando suas pernas a se moverem, um passo de cada vez, até que estava dentro do seu carro, dirigindo para longe de Niko, dirigindo para longe da sua felicidade.

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Como chegou até ali, sem causa um acidente, Félix nunca saberia, sentia-se envolto por uma névoa escura que o impedia de enxergar o que estava a sua frente, que o sufocava.

O portão estava aberto, por isso entrou sem toca a campainha, suas pernas cederiam a qualquer momento, por isso assim que entrou na sala, sentou-se, ouvindo passos no andar de cima

Félix sentiu seu queixo tremendo, tentou segurar as lágrimas, então se perguntou por que deveria segura-las, então chorou, chorou por esse amor, esse amor maravilhoso e salvador, deixou-se derramar todas as lágrimas que vinha segurando com tanta força.

– Menininho... menininho, o que foi?

Marcia o segurou, como uma mãe segura seu bebê, o apertando contra seu peito, enquanto os soluços subiam por sua garganta, derramando lágrimas de lamento do que poderia ter sido.

Marcia ainda o segurava apertado em seus braços, mesmo quando sua respiração voltará a um ritmo normal, e as lágrimas já não inundavam seu rosto, ela o aconchegou em seu colo, passando as mãos em seu cabelo, afastando a franja de seu rosto.

Marcia o olhou ansiosa.

– Quer me dizer o que aconteceu?

– Eu precisei fazer algo que me partiu ao meio — Félix começou sua voz soando frágil e cansada — mas foi para o bem dele.... agora vou ser apenas uma lembrança distante... ele vai fazer de tudo para me esquecer... e vai seguir em frente... eu fiz o certo não foi? Uma decepção amorosa é sempre mais fácil de superar do que...

Marcia segurou em sua mão apertando, seu olhar cheio de compreensão.

– Oh menininho... É demais não é?

– Sim, é demais, estou tentando não pensar, não sentir... por que seu fizer, vai doer demais, e não sei se vou suportar...

– Então me deixa te ajudar... não será demais, se você me deixar carregar metade desse peso para você...

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– Hey não vale trapacear!

Félix gritou da cozinha, enchendo um copo com agua, retirou o pequeno frasco que estava no seu bolso e engoliu uma das pílulas, guardando rapidamente o frasco no bolso.

– Anda pai! Eu quero dar uma surra em vocês dois!

– Mas olhar só, como eu tenho um irmão convencido... eu quero ver quando terminarmos quem terá levado uma surra.

Félix suspirou tristemente, olhando os filhos, que travavam uma pequena lutar em meio a sorrisos.

– Ok, vamos parar com isso, antes que um dos dois se machuque! — Félix disse, sentando-se ao lado dos filhos.

Como sentiria faltar disso, será que se morresse, podia voltar para vê-los sempre que quisesse? Nunca tinha pensado o que encontraria após a morte, se havia céu ou inferno, se houvesse tal coisa, quais as suas chances de ir para cada um deles?

– Pai!

Félix piscou e olhou Jaime.

– Oi! O que?

– Jaime perguntou, por que você tem que ir nessa viagem?

Tentou manter a tristeza longe da sua voz, quando respondeu.

– Eu não queria, mas preciso ir — disse e puxou Jaime, beijando sua cabeça — enquanto estiver fora, vocês têm que cuidar um do outro, prometem?

– Prometo! — Jaime disse entusiasmando.

Félix olhou Jonathan que revirou os olhos.

– Prometo!

Félix sorriu, tudo daria certo, os dois se cuidariam e se apoiariam sempre, Jonathan o olhou, podia ver uma pergunta se formando em sua cabeça, mas antes que ele a fizesse o puxou para os seus braços. Apertou os filhos com todas as suas forças.

– Pai, está nos machucando!

– Desculpa, é que já estou com saudades.

– Mas você vai voltar logo, né? — Jaime recuou um pouco para olha-lo, aguardando uma resposta.

– Ele tá fazendo drama Jaime, nem vai dar tempo de sentirmos saudades, quando você perceber ele já vai estar aqui... pra darmos uma surra nele novamente.

Jonathan sorriu, um dos seus sorrisos confiantes, como sentiria faltar desses sorrisos.

– Eu vou lutar com todas as minhas forças... para voltar... pra vocês.

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Assim que Félix parou o carro saiu quase correndo, seu coração batendo mais forte a cada passo que o deixava mais perto da casa.

– O que aconteceu? — perguntou a um grupo de curiosos que esticavam seus pescoços em direção a casa.

– Parece que alguém morreu...

Félix empurrou as pessoas, e passou pelo cordão de isolamento, mas não conseguiu dar mais que alguns passos quando um policial se colocou na sua frente.

– Você não pode passar!

– Eu conheço a mulher que morar nessa casa.

– Você é parente?

– Não... ela estava me esperando... nós íamos... — se calou ao ver o corpo, sendo retirado da casa, levou suas mãos a cabeça, essa era uma virada para qual não estava preparado.

– Para onde vão leva-la?

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No meio da tarde o cansaço começava a pedir espaço, nunca passou por sua cabeça colocar os pés em uma delegacia, ou ir ao IML, não pelos motivos que o levaram agora. Sua cabeça doía o deixando enjoado. Félix olhou seu relógio, impaciente, estava prestes a reclamar quando um policial apareceu e o guiou até uma sala.

Um homem levantou-se quando o viu.

– Dr. Khoury?

– Sim, Félix Khoury — disse apertando a mão estendida, o homem a sua frente tinha o cabelo ralo e a barriga proeminente, e provavelmente era bem mais jovem do que aparentava, demonstravam o quão estressante era a profissão que havia escolhido.

– Me informaram que você tinha um encontro com a vítima — ele disse indicando a cadeira para que Félix senta-se.

– Sim...

– Quando foi a última vez que você a viu?

– Segunda, mas falei com Mariah ontem à tarde, combinamos que eu passaria na casa dela para pega-la... O que aconteceu?

O homem coçou o queixo, olhando Félix com atenção.

– Suspeitamos de roubo seguido de morte... dinheiro e alguns bens de valor sumiram da casa.... houve uma brigar, quem a assassinou levou a arma do crime... uma tesoura.... continuaremos investigando... agora me diga Dr. Félix, onde você e a vítima pretendiam ir?

Félix abriu a boca para responder, quando a ideia surgiu em sua cabeça, como um soco no estômago que roubou todo seu ar, segurou na borda da mesa, enquanto sua respiração voltava ao normal.

– Foi ela!

O delegado se inclinou para frente, um sorriso torto no rosto.

– Ela?

Félix respirou fundo e contou, contou que contratou um detetive para encontrar Mariah, por que desconfiava da sobrinha dela, Aline, contou que a encontrou a uns dias atrás, que tentou convence-la a confessar qual era o plano delas, que quando a viu na segunda, conseguiu convence-la a ir até seu pai e contar toda a verdade, que ela e Aline tinham um plano de vingança contra ele, por algo que o pai não havia feito, um acidente que custou a carreira de Mariah a vida da mãe de Aline.

O que Félix não contou, que descobriu tudo isso devido aos sonhos, não contou que seu último sonho, sonhos, na casa de praia, lhe mostrando que quem havia causado o acidente foi sua mami e não seu pai, lhe mostrando como haviam descoberto que fora ele quem jogará Paulinha no lixo. Apenas a lembrança o fazia querer se encolhe em uma bola e chora.

Quando terminou de contar tudo, já era noite lá fora. Félix entregou copias da investigação sobre Aline, sua cabeça pesava uma tonelada e sentia-se exausto. Queria ir até Niko, queria se enroscar nele, que ele o abraçasse até que pegasse no sono sentindo o cheiro dele.

Mas antes que o dia terminasse, precisava fazer uma última coisa, e não seria nada fácil.

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Félix passou os olhos pela mansão Khoury, estava voltando com uma frequência que não o agradava, aos lugares que acreditava que nunca mais voltaria. Seu telefone tocou, quando ouviu as palavras que viam do outro lado da linha, sentiu-se mais cansado do que poderia imaginar.

Quando entrou em casa, se deteve sabia que seu pai não estava, ele estava com Aline. E Paloma estava com Bruno.

– Félix!

Sua mãe descia as escadas um sorriso enorme.

– Mami poderosa — correu até ela e abraçou a levantando do chão.

– Garoto, me põe no chão, você vai me derrubar.

Félix a colocou no chão e plantou um beijo estalado em sua bochecha.

– Você deveria ter avisado que vinha... jante conosco, você está magro...

– Eu vim me despedir... lembrar que eu disse que ia viajar?

– Você disse que ainda não tinha uma data marcada.

– Eu viajo amanhã — Félix segurou as mãos de Pilar e a levou até o sofá — além de me despedir... tem outro motivo para ter vindo.

Pilar apertou suas mãos, seus olhos ansiosos.

– tem a ver com a briga que você e Paloma tiveram? Ela não entrou em detalhes, mas sei que vocês brigaram.

– Não mami, não é sobre mim e Paloma.

– Você está tão sério que está me assustando.

Félix suspirou, olhou suas mãos unidas as da sua mãe, passos o fizeram levantar o olhar, sua avó entrava na sala, seus olhos se encontraram, e ela balançou a cabeça em entendimento.

– Mamãe, Félix veio se despedir, ele já viajar amanhã.

– Você não pode adiar essa viagem? — sua avó perguntou sentando-se ao lado da filha.

– Eu queria, mas não posso.

– Você não disse quanto tempo vai ficar fora...

– Eu ainda não tenho certeza...

Félix se mexeu desconfortável, como iniciaria essa conversa.

– Você está bem Félix, você parece cansado.

Félix voltou a troca um olhar com sua avó. É agora vovó!

– Mami, você sabe que eu te amo, não é?

– Claro que sim querido! — Pilar olhou do filho para sua mãe, não tinha lhe escapado a troca de olhares entre eles — Eu vim da delegacia.

Félix olhou as duas mulheres que tanto adorava, suas expressões surpresas.

– O que estava fazendo em uma delegacia Félix?

Félix viu a surpresa se transformar em choque e horror, quando contou sobre a morte de Mariah, sem nunca larga as mãos de sua mãe, contou sobre a vingança que ela e sobrinha tinham arquitetado, sua avó sabia da ligação entre as duas, e das desconfianças de que Aline era perigosa e queria destruir sua família.

Pilar se curvou cobrindo seu rosto, quando disse que sabia que quem tinha provocado o acidente fora ela, Félix a abraçou, enquanto ela soluçava e pedia perdão.

Mas a pior parte foi quando contou que Cesar estava tendo um caso com Aline, e que ele estava tão apaixonado que talvez acreditasse em tudo que ela dissesse.

Sua mãe não acreditou, mas o detetive que tinha contratado para descobrir o caso do pai, e que até aquele momento não havia conseguido provas, ligará avisando que por fim conseguira fotos, que foi prontamente enviado para o celular de Félix.

Félix tirou o celular do bolso e entregou a mãe.

– As provas que eles estão tendo um caso.

Pilar recebeu o celular com as mãos tremendo, ela se colocou de pé, e jogou o aparelho no sofá como se fosse um bicho peçonhento.

– Essa mulher é perigosa, você disse... ela seduziu seu pai — Pilar tentou justificar.

– Papi, não é uma criança, mesmo que ele não saiba que tipo de pessoa é a Aline... ele devia respeito a você...

– Você não gosta do seu pai!

– Pilar! — Dona Bernarda olhou a filha com decepção — Félix está do seu lado, mas se você prefere, como sempre, enfiar a cabeça em um buraco, a não enxergar o que está diante dos seus olhos, não culpe seu filho por isso.

– O que vocês esperam que eu faça? — Pilar perguntou desesperada.

– Espero que você seja feliz, realmente feliz, e com o papi você nunca vai conseguir — Félix disse e se aproximou da mãe, mas não a tocou — que tal se dar a oportunidade de encontrar alguém que te ame de verdade.

Pilar encurtou a distância entre eles e o abraçou, molhando a camisa dele com suas lágrimas.

– Mami, não se esqueça, que você é minha mami poderosa, você pode tudo.

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Félix andou pelos corredores do hospital, como um turista deslumbrado, pela primeira vez olhando o San Magno, não como um meio de ganhar dinheiro, ou um brinquedo que não queria dividir com sua irmã, mas como um pedaço da sua história, da história da sua família.

Hesitou ao chegar em frente a sala de Paloma, a secretaria não estava, bateu na porta e no mesmo instante a voz dela pediu que entrasse.

Ela olhava uns exames sobre sua mesa, mas ergueu os olhos assim que entrou, encontrando os seus, durou um segundo, mas quase pode ver em meio a magoa, raiva e dor, um lampejo de saudade dos irmãos que tinham se tornado.

– O que você quer? — ela perguntou com a voz dura.

– Vim pedir sua ajudar... estou saindo de viagem hoje... vou ficar fora por um tempo, você vai precisar se forte para lida com tudo... mas eu sei que você pode, Bruno vai te ajudar.

Paloma continuava o olhando com uma expressão perplexa.

– Você veio até aqui para pedir minha ajudar? Eu entendi direito?

– Sim, eu vim pedir sua ajudar, para salvar nosso pai — Paloma franziu a testa, um pouco da hostilidade sumindo dos seus olhos, Félix continuou — Lembra o que eu disse sobre a Aline? Consegui provas contra ela...

Félix se inclinou e retirou da sua bolsa uma pasta.

– Essas são as provas? — perguntou estendendo a mão para recebe-las, mas Félix não as entregou.

– Ontem eu passei o dia na delegacia — Paloma continuou o olhando sem demonstrar nenhuma reação — Eu encontrei a cúmplice da Aline, ela estava disposta a contar ao papi e a você o plano delas... mas ela foi assassinada.

– Assassinada?

– Eu acho que foi a Aline.

Paloma ficou muito pálida.

– Você tem provas?

– Não, queria ter tempo para encontra-las... agora é torce para que a polícia as encontre, tenho certeza que foi ela... o que mostra o quanto essa mulher é perigosa, se ela foi capaz de matar a própria tia...

– Tia? — Paloma se levantou, seu cérebro tentando processar tudo que o irmão dizia — Por que? Não faz sentido Félix.

Félix segurou o sorriso que quis surgir em seu rosto, Paloma disse seu nome sem nenhum pingo de ressentimento.

– Vingança!

– Vingança?! Isso faz menos sentido ainda.

– Ela acha que tem um motivo para se vingar do nosso pai... Paloma, ela é.... — Félix foi interrompido, os dois olharam para a porta, que foi aberta e Bruno entrou.

– Bruno? O que está fazendo aqui?

– Eu pedir para que ele viesse, Bruno me ajudou na investigação.

– Já contou a ela? — Bruno perguntou, e Paloma lhe lançou um olhar magoado.

– Me contou o que? O que mais você esconde de mim? — ela o olhou como se estivesse prestes a soca-lo — O que você está confabulando com ele? — perguntou se virando para Bruno.

– Paloma — Bruno tentou segura-la, mas ela desviou dos seus braços — escute o Félix, é importante.

Ela olhou os dois, o medo brilhando em seus olhos.

– Aline e a tia dela, Mariah, queriam se vingar do nosso pai, por que a Mariah foi amante do grande Dr. Cesar... eles tiveram uma filha juntos.

Paloma deu um passo para trás, e Bruno a segurou, quando ela entendeu, não havia nada que Félix pudesse fazer para suavizar o que diria a seguir.

– Sinto muito Paloma, Mariah é sua mãe.

Paloma fechou os olhos, enquanto as lágrimas deslizavam seu rosto. Bruno a guiou até o sofá, passando as mãos por seu cabelo.

Félix mais uma vez repetiu a história, e a cada palavra sua Paloma se encolhia mais contra Bruno, seu rosto molhado pelas lágrimas.

Félix se aproximou cautelosamente, sentando-se ao lado da irmã, e como se segura um animalzinho indefeso e assustado, pegou a mão dela a apertou entre as suas. Lágrimas chegaram com força aos seus olhos, quando ela correspondeu ao aperto.

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Félix arrumou sua postura quando ouviu os passos se aproximando, não se sentia pronto para enfrenta-lo agora, como não se sentiu antes, talvez nunca se sentiria pronto para enfrentar seu pai.

Dr. Cesar estudou seu rosto, com uma frieza total, ele fechou a porta da sala de reuniões atrás de si, e sentou-se.

– Sei que ontem esteve na minha casa... o que disse a sua mãe? Ela dormiu no quarto da sua avó, e não desceu para o café da manhã.

Félix olhou toda a extensão da mesa, até encontrar os olhos do seu pai.

– A umas semanas você esteve em minha sala, me disse o que era que eu devia fazer, e se eu não fizesse você me destruiria... tiraria tudo de mim....

– Essa oferta não é mais valida Félix... dentro de uns dias haverá a reunião da diretoria, e você não será mais presidente desse hospital, se depender de mim, você não trabalhará aqui nem limpando o chão... sei que o pequeno pacto entre você e Paloma se quebrou, ainda não sei o motivo, mas pela expressão dela ao ouvir seu nome, finalmente ela viu quem você realmente é, como eu previa.... aquele rapaz, soube que vocês não estão mais juntos...

Félix esperou que ele dissesse tudo o que queria, quando ele não parecia ter mais nada a acrescentar, pegou uma das pastas que estava a sua frente e empurrou para o pai.

– Minha carta de demissão — sua voz saiu engasgada pelas lágrimas que estava segurando, pigarreou e continuou — já deixei uma cópia no RH, junto a minha demissão a uma carta de indicação para o novo presidente do San Magno, enviei essa carta para todos os membros da diretoria.

Cesar o olhava com um ar interrogativo, ele não abriu ou lançou um olhar sequer a pasta sobre a mesa.

Félix pegou a segunda pasta e jogou sobre a primeira.

– Nessa pasta, tem uma investigação sobre a Aline, quem ela é e qual o motivo dela ter se aproximado da nossa família.

Seu pai pela primeira vez desviou o olhar para mesa, suas mãos se fechando em punhos.

– Seu moleque, como você...

Félix o interrompeu jogando a terceira pasta com força sobre as outras.

– Esse documento é um acordo de divórcio... mami tem uma cópia, espero que ela tenha coragem suficiente para se livrar desse casamento... tem a listagem de todos os seus bens, dos quais é claro, metade ficara com a mami.... isso incluir cinquenta por cento das suas ações do hospital San Magno.

Cesar se ergueu, seus olhos eram raiva pura, seu peito subia e descia, enquanto a respiração dele se agitava.

Félix deslizou mais uma pasta.

– Documento de doação de bens... referente ao restante das ações, onde você...

– Não me diga? Deixo tudo para você? — Cesar perguntou em zombaria, um sorriso se formando em seu rosto.

– Onde você dividira entre Paloma e Jonathan... — Félix continuou como se não tivesse sido interrompido — esse documento tem uma cláusula, caso você venha a ter outros filhos, o montante será dividido igualmente entre todos os filhos.

Félix pôs as mãos sobre a última pasta.

– Não vai me dizer o que tem nessa última?

– É um documento de incapacidade administrativa... depois de ler a investigação sobre a Aline, e você insistir em continuar com ela, e não assinar os documentos, entraremos em juízo, alegando sua incapacidade para lida com todos os seus bens...

Cesar bateu na mesa com tanta força que fez as pastas saltarem, seus olhos faiscando de ódio.

– Você... eu vou... se você pensar que vai ficar com um centavo do meu dinheiro

– Não quero o seu dinheiro... se você conseguir afastar por um segundo todo esse ódio que sente por mim... pode ver que nada que há nesses documentos é injusto, tudo o que eu quero é impedir que a piranha da Aline destrua a nossa família... como não estarei aqui para cuidar que ela fique bem longe de nós... precisei me prevenir.

– Se prevenir? — Cesar gargalhou sua risada cheia de escárnio — Você agora é um herói? Que nos proteger de todo o mal. — Cesar passou a mão pela mesa jogando todas as pastas no chão.

– Isso é lixo... mentiras sujas que você criou para danar a Aline... se Pilar e Paloma foram tolas o suficiente para acredita em você...

– Onde estar a Aline? Sei que ela não está no hospital, você sabe onde ela está?

– Ela tinha um problema para resolver... eu não tenho que dar satisfação a você.

– Não, não tem... se preferir acreditar na Aline, assine os documentos, você ainda será um homem muito rico, e o hospital estará nas mãos da família, como deve ser.

Félix levantou-se, pegou sua pasta na cadeira ao lado, e começou a andar, um sentimento horrível de que essas eram as últimas palavras que diria ao seu pai, e as últimas que ouviria dele, o fizeram para.

– Saber pai — disse parando ao lado da porta, olhando as costas do seu pai — Acho que posso entender por que você nunca conseguiu me amar... depois da morte do Cristiano.

Cesar virou a cabeça tão de pressa que Félix pensou por um segundo que ele tinha dado um jeito no pescoço. Félix encontrou os olhos dele, concentrando-se para não chorar.

– Sei que se você pudesse escolher... qual dos dois viveria, escolheria ele. E o fato de eu ser gay, não me deu mais pontos com você... e mesmo você tendo tentado me separar do Niko... mesmo depois de todos os nossos embates... eu te amo pai, nunca deixei de amar... eu te amo...

Félix passou as mãos em seu rosto secando as lágrimas que mesmo com todo seu esforço se derramaram. Cesar ainda o olhava com uma expressão que não conseguia decifrar, raiva, desdém, agonia, culpa?

– Adeus pai!

Félix saiu, a porta se fechando as suas costas com um leve click, andou pelo corredor, as portas do elevador estavam abertas, como se o esperassem, passou pela recepção, uma brisa morna o recebeu quando chegou a rua, mas continuou andando, sem em nenhum momento olhar para trás.

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A vida vai continuar, Félix pensou olhando os carros e as pessoas através da janela do carro de Renan, sua cabeça encostada no vidro, não estava com medo ou triste, mas estranhamente melancólico.

Renan começou a respirar pesadamente, quando estacionou em frente ao imponente prédio.

– Isso é loucura... não devia ter deixado você me convencer.

Félix suspirou e tirou o cinto de segurança, virando-se para pode olhar Renan.

– Sou muito grato a você Renan, por tudo, você tem sido um bom amigo, meu único amigo.

Renan deixou sua cabeça pender até encostar na direção.

– Me deixar chamar sua família — ele disse olhando Félix, ainda com a cabeça apoiada na direção.

– E do que adianta? Seria mais um sofrimento que eu traria a eles... não.

Renan se ergueu, sua voz cheia de irritação quando falou.

– É importante para você! Ninguém merece passar por isso sozinho!

– Talvez eu mereça... Você prometeu Renan!

Renan parecia prestes a chorar.

– Félix, eu.. eu...

– Você não vai dizer que me amar não é? Por que você até que é bonitinho, mas eu estou irremediavelmente apaixonado pelo Niko, mas esse é um fardo que tenho que lida, todos me querem.

Renan gargalhou, mas mesmo assim as lágrimas caíram.

– Vou sentir faltar do seu senso de humor — sua risada morreu quando percebeu o que tinha dito, tentou dizer algo, mas Félix foi mais rápido.

– Vamos que o Dr. André está nos esperando — disse saído do carro — Sabe que ele tem uma queda por mim... no nosso último encontro, ele estava olhando para partes do meu corpo que iam além do meu cérebro magnifico...

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Renan e André o encaravam, Renan em um misto de raiva injustificada com medo, já André com compreensão e por que não dizer, admiração.

– Tem certeza Dr. Félix?

– Por acaso, isso — Félix encostou o dedo indicador na cabeça — afetar meus julgamentos?

André sorriu e balançou a cabeça, em sinal de não.

– Essa é uma decisão muito importante Félix, você tem que discutir com sua família...

– Renan já conversamos sobre isso — Félix disse sério, apenas um leve tom do seu antigo eu soando em sua voz — minha família ficará fora disso.

– Com os comprimidos e a radioterapia podemos...

– Me dar mais alguns meses de vida? Quando sair do seu consultório, achei que seria suficiente, alguns meses é melhor do que nada, pensei, por um tempo ficaria tudo bem, mas e depois? Quando o que deveria me dar mais tempo, me deixar tão doente quanto o que eu tenho aqui – Félix voltou a cutucar com o dedo sua cabeça — Não, não é o que eu quero, isso só faria as pessoas que eu amo sofrerem!

– Isso é burrice! — Renan gritou furioso.

– Ok, eu não escuto isso ao meu respeito todo dia... André pode nos dar licença... e marque essa operação para o mais rápido possível.

– Eles têm o direito de saber! — Renan voltou a gritar assim que André saiu — Você acha que está protegendo eles? Não está! — Renan não gritava mais, mais sua voz continuava determinada — O que vai acontecer se você morrer? Mesmo que por um tempo eles acreditem nessa viagem idiota, que você os abandonou, como você achar que eles vão se sentir, quando descobrirem que você está morto? Que você não lhes deu a chance de se despedir?

– Eles vão ficar com raiva, e de qualquer forma vão continuar me odiando.

Renan se deixou cair na cadeira ao lado de Félix.

– Sei que você acredita que os sonhos, são uma espécie de milagre — disse com a voz cansada, Félix tentou falar, mas Renan levantou a mão o impedindo — Já sei o que você pensar, e você o que eu penso, mas me deixe repetir, todas essas pessoas estavam a sua voltar, você deve ter cruzado com elas, não me leve a mal, você era cego e estúpido demais para vê-los, seu cérebro criou um meio de alerta-lo e usou seu subconsciente... mas você se agarrou aos sonhos, por que era tudo que você sempre quis, você se transformou em um novo homem, e esse novo homem merecer ter todos as pessoas que ele amar ao seu lado.

– E o antigo Félix merece? Minha decisão já está tomada Renan...

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Era um dia bonito lá fora, Félix estava parado ao lado da janela, ouvindo os sons que vinha de fora, não pensava em nada em especial, a noite foi terrivelmente longa, ficou tentando a ligar para seus filhos, mas não teve a mesma determinação com Niko, ligou para ele do telefone do hospital, assim ele não reconheceria o número, não disse nada, apenas o escutou dizer alô algumas vezes antes que desligasse, mas foi o suficiente para acalma-lo.

Ouviu a porta se abrir, mas não se virou para ver quem era.

– Você não deveria estar em pé!

– Shiii vai acorda-la — sussurrou indicando a mulher dormindo em uma poltrona.

– Menininho?

Marcia se espreguiçou, afastando a coberta que a cobria.

– Renan essa é Marcia, também conhecida como Tete Para-choque e Paralama, que está precisando de uma funilaria — Marcia olhou feio para ele — Minha segunda mãe.

– Veja esse garoto, primeiro ofende depois deixa a gente com os olhos cheios de lágrimas.

– Prazer Marcia... Mas ele não deveria estar em pé.

– Menininho, volte já para cama!

Renan sorriu, quando Marcia o levou até a cama, ajeitando os lençóis sobre suas pernas.

– Marcia, por que você não vai beber um café, eu cuido para que o Félix não apronte!

– Será que eu salguei a santa ceia pra vocês me tratarem como uma criança — Félix riu — Fazia tempo que não usava essa... vai criatura eu não vou me dissolver enquanto você estiver fora.

– Eu volto logo — ela disse se inclinando e o beijando na testa.

– Ainda dá tempo Félix! — Renan disse assim que ela saiu.

Não tinha conseguido impedir Marcia de passar a noite com ele, mas durante a noite, quando ela pensou que estava dormindo, a ouviu chorar, um choro horrível de dor, não queria ver seus filhos ou Niko, chorando desse jeito.

– Estou bem... e você já conhece a minha resposta.

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Sua cirurgia estava marcada para as 11:00 horas, Marcia e Renan circulavam pelo quarto, as vezes falavam pelos cotovelos, em outras em um silencio pensativo. Quanto mais próximo chegava do momento, mas tenso eles ficavam. Marcia segurava um terço, o que o fez se lembrar de Niko, quando as enfermeiras entraram, ela começou a chorar, Félix segurou sua mão apertado.

Quando o levaram, sorriu confiante para Renan, que tinha os braços em volta de Marcia, a segurando.

Félix olhou as luzes cegantes sobre sua cabeça ignorando os vultos a sua voltar, sentia-se sozinho, estava novamente sozinho.

Um dos vultos se aproximou, apenas seus olhos visíveis, devido a máscara e a touca que usava.

– Como se sente?

– Como se meu crânio estivesse prestes a ser aberto.

André riu.

– Queria que todos os meus pacientes tivessem o seu senso de humor... essa e a Dra. Lucia.

– Oi, sou a anestesista... vamos começar a aplicar a anestesia... preciso que conte de forma decrescente, comece com 10... pronto?

Félix balançou a cabeça.

– 10...

Dedos acariciaram seu cabelo.

– 9...

A escuridão começava a envolve-lo...

– 8...

Já estava submerso em um mar escuro quando ouviu a voz dele, sussurrando em seu ouvido.

Volta para mim.

Notas finais
Tem uma “dica” para os escritores aqui no Nyah, que é “Não digam, que o capitulo está horrível...”, eu não sei se esse capitulo ficou horrível, ou mediano, ou bom, jogo a bola para vocês!! Sejam sinceros!! Não sou feita de cristal, não quebro!!! O poema é do Robert Frost... achei que não ia conseguir colocar uma musica da minha diva mor, Maria Bethânia, mas eis que lembrei dessa musica, que é deslumbrantemente linda!!! O que também me deixa triste que outras musicas que queria muito usar, ficaram de fora... Ok, estou divagando. Então, bjos e até breve, espero!!!