Fate/Legends - Ashe

6 Ashe - O Supervisor


Notas iniciais
O primeiro contato de Ashe e John não é muito caloroso. Retornando a Sala de Vidro onde tudo começou, eles descobrirão mais sobre a Guerra do Santo Graal e as modificações que a magia de Runeterra gerou nela.

Silêncio percorria a sala, quebrado por Ashe:

– Você sabe o que está acontecendo, não é mesmo? – Um olhar frio e suspeito foi estendido para John.

– Sim. A Guerra do Santo Graal. Fui informado. — Respondeu John.

– Conte-me o que sabe. – Disse a mulher.

John estava espantado com a rudeza. Nem tinham se apresentado. Ele também queria fazer essa pergunta à ela, mas decidiu falar primeiro. Contou como foi abduzido para a sala de vidro, sobre o homem de túnica, o Graal, a tentativa de assassinato na noite anterior e a invocação. Decidiu não falar sobre os sonhos.

– Então você TAMBÉM está nessa situação contra sua vontade. – Disse a arqueira, surpresa.

– “Você também?” – Repetiu John.

– Sim. Você disse que estava indo pra casa quando foi teleportado por esse Graal. A mesma coisa aconteceu aqui. – Respondeu Ashe, que desviou o olhar e estava pensativa, como se tivesse lembrado de algo.

– O que foi? – Perguntou John.

– Nada. – Respondeu Ashe. – Não sei ainda no que acreditar. O que me interessa é acabar logo com isso e voltar para Freljord. Não tenho tempo pra esse jogo, real ou não.

John não podia culpá-la pela reação. Ele mesmo só acreditou depois de quase ser morto.

– O Graal me “disse” que deveríamos falar com o supervisor da Guerra assim que eu fosse invocada. Então iremos fazer isso agora mesmo. Quero saber quem é o responsável por isso.

John estava incomodado pela postura de Ashe, mas também curioso e ansioso por respostas. — E como faremos isso?

– Na sua mão existe um Selo de Comando, certo? Imagine o lugar onde foi levado. – Respondeu Ashe.

John olhou sua mão esquerda, com a tatuagem vermelha da espada com adornos nas bordas. Teria que voltar para aquela sala de vidro?

– O Gume do Infinito! — Disse Ashe, olhando a tatuagem.

– Gume do Infinito?

– É uma arma dos Campos da Justiça. Se aqui é outro mundo, como você poderia ter algo assim, mesmo sendo uma tatuagem?

As mesmas dúvidas percorriam a mente de John. Ele se concentrou na sala de vidro, desejando estar ali. A tatuagem começou a brilhar e uma luz os envolveu.

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John e Ashe estavam no quarto de vidro, o mesmo onde estivera dois dias atrás. Os outros quartos estavam vazios e as tochas coloridas iluminavam a enorme sala, cercada de paredes de vidro.

– Bem vindo, invocador. Você demorou. – John reconheceu a voz. Era do homem de túnica.

A porta de madeira na parte de trás do quarto abriu-se e o homem de túnica entrou. Ele removeu o capuz e Ashe ficou estupefata.

– Alto Conselheiro Aram Sonodril! – Exclamou Ashe.

– Estou honrado que me conheça, rainha Ashe. Nunca conversamos informalmente, mas já nos encontramos em reuniões políticas. – Respondeu o homem.

– Você desapareceu há três semanas. O Instituto estava em estado de caos. Demacia e Noxus acusam um ao outro. Ainda agora o Conselho, invocadores e campeões tentam descobrir o que houve. – Disse Ashe.

– É, foi isso mesmo. Bem, permita-me explicar. Estávamos realizando um experimento extradimensional. Foi quando detectamos o Santo Graal e decidimos averiguar o que era. Mas as coisas não saíram como planejado e o cálice acabou me prendendo aqui. – Disse Aram.

– Haviam mais pessoas? – Perguntou Ashe.

– Sim. Surgiram complicações quando abrimos um portal para investigar e apenas eu completei a travessia. – Disse Aram.

– Essa Guerra do Santo Graal…por favor, conte-me sobre ela. – Disse Ashe.

– É exatamente isso que o cálice disse a vocês dois quando ele demonstrou seu poder. Ele pode realizar qualquer desejo, mas apenas os escolhidos são dignos de obtê-lo. De eras em eras, sete magos, ou invocadores, são selecionados com um Selo de Comando, esse na mão de seu invocador.

John e Ashe olharam para a tatuagem do Gume do Infinito.

– Os sete invocam um Campeão e lutam, até que reste somente um vivo no final. O invocador e o campeão podem realizar um desejo cada. – Disse Aram.

– Outros seis campeões da League estão aqui? – Perguntou Ashe.

– Exato. – Respondeu Aram.

– E quem são eles?

– Não posso responder isso, Ashe, mesmo que eu quisesse. Como supervisor, sou proibido de dar informações dos outros participantes. O cálice tem algum tipo de magia sobre mim para que isso não aconteça. – Respondeu Aram. – Além disso, você também não consegue lembrar de ninguém, não é mesmo?

John olhou para Ashe, que concordou.

– Sim. Antes de ser trazida aqui, eu estava em uma comemoração com pessoas próximas, mas não consigo lembrar quem eram. Isso estava me intrigando desde que cheguei.

– Foi feito pelo Graal. Os Heróis originais invocados também desconheciam seus adversários até que eles se revelassem ou usassem suas armas especiais, os “Nobre Fantasmas”, que os marcaram na História. Na League, certos campeões tem vantagens e desvantagens sobre outros, correto? Para balancear isso, ele bloqueou a memória dos campeões participantes. – Disse Aram.

– E como faço para me lembrar do que já sabia? – Perguntou Ashe asperamente.

– Da mesma maneira. Eles se revelam a você ou terá que testemunhar o poder total do campeão. E você se lembrará de tudo que sabe sobre ele. Claro, isso pode ser uma sentença de morte dependendo de quem for seu inimigo. – Respondeu Aram.

Ashe engoliu em seco e John imaginou que ela estava pensando nas implicações daquilo.

– Falando nisso, Alto Conselheiro, o que acontece se morrermos? Essa Guerra é uma batalha igual dos Campos da Justiça? – Perguntou Ashe.

– Não. Se morrer aqui, morrerá de verdade. Não haverá segunda chance. – Respondeu Aram, e John percebeu que talvez ele estivesse contente em dizer aquilo à Ashe.

– Mas…e se os envolvidos forem aliados, amigos ou… — Disse Ashe.

– Infelizmente não sei o que lhe dizer caso isso aconteça. – Disse Aram disfarçando um sorriso. – Mas é assim que essa Guerra sempre aconteceu.

Ashe estava consternada e John compreendia. Imaginou o que faria se tivesse que matar alguém conhecido. Ou querido.

– Como voltamos para Runeterra? – Perguntou Ashe.

– Depois do desejo ser realizado, ele retornará o Campeão vencedor de volta. E agora ouça com atenção, Ashe: É preciso o invocador e o campeão para obterem o Graal. Um não pode obtê-lo sem o outro.

– O que acontece se meu invocador morrer? – Perguntou Ashe e um calafrio percorreu o corpo de John.

– Você terá um dia de vida nesse mundo e então morrerá também. – Respondeu Aram. – Então proteja-o. Mas você também poderá fazer um contrato com outro dos seis invocadores envolvidos e continuará viva. E o seu caso é especial, Ashe. Você está dentro da classe Archer, o que lhe dá 3 dias de prazo. Se o campeão morrer, o invocador ainda assim precisará ser morto. Em 3 dias, outra gema aparecerá no lugar escolhido como base e ele poderá invocar outro campeão, mas não o mesmo que morreu. Se várias classes já estiverem eliminadas, o Graal escolherá aleatoriamente um campeão de uma dessas classes. Por exemplo, não podemos ter dois campeões da classe Archer ao mesmo tempo.

– Classe Archer?

– Sim, existem 7 classes de Servos na Guerra do Graal. Saber, especialista em espadas e combate corpo a corpo. Lancer, especialista em lanças, rápido e resistente. Rider, pode ou não ter montaria, possui grande mobilidade e destreza. Caster, especialista em mágicas e feitiços. Assassin, especialista em infiltrações e ataques surpresa. Berserker, adaptável e imprevisível. E por fim, Archer, que é você, especialista em combates à distância. Alguns ajustes e soluções devem ter sido feitos pelo Graal para encaixar todos os campeões da League nessas 7 classes.

– E antes que pensem alguma coisa, é impossível o campeão atacar seu próprio invocador. Você não conseguirá, eu garanto. Um dos campeões já tentou com todas as suas forças – Riu Aram.

– Fui atacado por alguém que claramente se encaixa na classe de Assassin. Mas como ela me encontrou? E como encontro os outros? – Perguntou John.

– Não posso responder coisas sobre os outros participantes e nem falar sobre as habilidades das outras classes. – Lembrou Aram. – Os campeões podem sentir outros bem próximos, mas não os invocadores. Você terá que vasculhar a cidade e prestar atenção no que acontece ao seu redor para encontrá-los. E quanto a como você foi encontrado por ela, acredito que saiba a resposta. – Aram sorriu.

John não fazia a menor idéia do que Aram estava falando. O que ele poderia ter feito para atrair Assassin direto para seu escritório? Ele nem tinha invocado Ashe ainda.

– E como diabos vou encontrar os outros seis? Eu não tenho como viajar pelo mundo. – John disse. Na verdade ele não queria de maneira alguma encontrar os outros seis e muito menos matá-los ou ser morto, mas achou melhor disfarçar.

Aram riu, claramente se divertindo: — Eu esqueci de falar isso quando reuni vocês sete. Todos se encontram aqui mesmo nessa cidade, Springfield.

John estava chocado. Aquela era a pior notícia que ele podia esperar.

– Saiba que não tenho a menor intenção de matar ninguém e muito menos ser morto. Não existe alguma solução? – Perguntou John, revelando suas intenções.

Aram Sonodril ficou boquiaberto, não acreditando no que ouviu. Até Ashe estava surpresa.

– Mas…você viu e comprovou o poder do Graal. Por que não iria querer obtê-lo? – Perguntou Aram.

– Sem dúvidas o poder dele é real, ainda mais agora que vi Ashe e você. Mas isso também quer dizer que ele poderia ser usado para fins…digamos, não bons. Imagine o invocador da Assassin. Essa pessoa não teve o menor remorso em mandar ela me matar. O que mais alguém assim poderia desejar?

Aram estava chocado. Ninguém o havia questionado assim. Ashe olhava atentamente para ele.

– Além de alguém como o invocador da Assassin, como posso saber que não há outros, que assim como eu, apenas foram forçados a participar disso, contra a vontade? Como poderíamos nos matar?

John deixou a questão pairar no ar por uns momentos. Havia acuado Aram Sonodril. Ele olhou para o lado e viu os olhos azul-turquesa fixados nele. Ela estava inexpressível, mas John de alguma forma sabia que ela aprovava o que ele disse.

– Bem, invocador, não sei sobre os outros e suas motivações, mas apenas saiba que você foi o último a invocar seu Campeão. E apenas no terceiro dia da Guerra. TODOS quebraram suas gemas logo após saírem desse salão de vidro e retornaram aqui. Isso deve lhe dizer alguma coisa. – Disse Aram.

John não tinha como argumentar contra aquilo. Apenas imaginava o porque dos outros seis estarem tão ávidos assim pelo cálice. Embora a declaração do mago não desse nenhuma motivação real de cada um deles. Mas quem quer que tinha invocado Assassin, estava atrás de sangue e sabia que ele era um dos sete. E outros desses campeões tentou matar o próprio invocador.

– Uma última coisa: Os feitiços de invocador. Eles são quatro: Cura, Barreira, Flash e Teleporte. A Cura vai recuperar instantaneamente você de ferimentos, mesmo graves, mas não totalmente. Barreira vai evitar danos. Flash vai teleportá-lo imediatamente uma curta distância, mesmo através de paredes. Teleporte, como o nome diz, vai enviá-lo para qualquer lugar, a qualquer distância, mas só dentro dessa cidade, e do lado de fora de prédios, nunca no interior. Cada um desses quatro feitiços só podem ser usados uma única vez por dia.

– Mais alguma limitação? – Perguntou Ashe.

– Sim. O invocador pode usar Cura, Barreira e Flash em si mesmo ou no campeão. Mas não em ambos ao mesmo tempo. Teleporte pode enviar um de vocês ou ambos ao mesmo tempo. E o Recall automaticamente vale para ambos.

– Recall? – Perguntou John.

– Quando você quebrou a gema, o lugar escolhido virou sua base. O Recall é um comando de retorno pra esse lugar. É um teleporte longo, de cerca de seis segundos, mas pode ser usado quantas vezes por dia você quiser. Ambos os teleportes precisam que vocês dois estejam próximos caso queiram se teleportar juntos. Individualmente, a distância do outro não importa.

– Isso vai ser interessante agora que estou sem carro. – Disse John.

– Vocês só podem se teleportar para a Sala de Vidro quando estiverem em sua base. Lembre-se disso também. – Aram se virou e apontou para a tocha azul no quarto onde estavam — Essas tochas coloridas representam os campeões inimigos. Se elas se apagarem, significa que estão mortos. Quanto a estragos que as batalhas causarem, eu elimino alguns vestígios. Como dar sumiço em flechas e facas.

– Essa Guerra tem um prazo limite? – Perguntou John.

– Não. Se necessário, irá durar décadas. – Respondeu Aram.

– Tempo que eu não tenho. Preciso voltar para Freljord o mais rápido possível. – Disse Ashe.

– Ah, quanto a isso, tenho boas notícias. Algo bem vindo no meio de tantas que parecem tão ruins, não é mesmo? – Disse Aram. – Ashe, você disse que eu sumi há três semanas atrás, mas estou nesse mundo há três anos. O tempo flui diferente aqui.

Um sorriso enorme apareceu no rosto de Ashe: — Então, um ano aqui basicamente equivale a uma semana em Runeterra? Alguns dias então não devem passar de horas, talvez minutos!

– Não sei dizer exatamente, mas é por aí. – Disse Aram. – Essa informação é confiável. Afinal, você é a terceira a me confirmar o tempo que fiquei desaparecido.

John queria falar mais, mas Ashe disse: — Vamos. Por hoje basta.

Ele então concentrou-se em seu apartamento, e vários círculos azuis surgiram no chão até uma luz azul os encobrir.

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Aram Sonodril estava imerso em pensamentos. O contador não havia dito, mas ele sabia que seu nome era John Donovan.

Como supervisor da Guerra, ele sabia quem eram os sete invocadores, seus campeões e onde estavam. Como Alto Conselheiro do Instituto de Guerra, era sua função saber tudo que era possível sobre todos os Campeões.

Mais um pacifista. Se ele e a médica se encontrarem, posso ter problemas caso ambos se recusem a lutar. A Campeã dela também não tem a menor motivação pela Guerra do Graal. Por outro lado, sei que Ashe e ela jamais se encontraram fora dos Campos da Justiça, portanto não existe nada que poderia levar uma a confiar na outra. Além disso, é óbvio que ela pediria algo relacionado a Freljord, então existe uma motivação para lutar.

Acho que o contador e a médica simpatizariam com o outro. Mas acho que esse não é o problema que devo me concentrar. Entre os outros seis campeões, existem dois que vão querer a cabeça da Campeã da médica numa bandeja de prata. Outro deseja matar todos, não importa quem sejam. Tentou matar até o próprio invocador. E tanto o contador quanto a médica teriam que se defender caso fossem atacados, afinal ninguém simplesmente deita no chão e aceita morrer. Quando derramarem sangue uma única vez, perderão qualquer base moral que possuem.

Embora pudesse ver tudo que estava acontecendo, Aram não podia falar nem fazer nada em relação a isso. Pra ele, era revoltante. Ele tinha sua própria agenda em relação ao Santo Graal, mas nem tudo saíra como previsto. Pra começar, ele sequer sabia quem eram os invocadores até os teleportar para o salão de vidro. E depois não teve qualquer influência sobre quais campeões seriam invocados.

Aram voltou a pensar sobre a situação:

O real problema é a Assassin, que não é ninguém menos que Katarina Du Couteau, a Lâmina Sinistra. Eu menti pra todos eles sobre a verdade dessa Guerra do Graal, e nenhum descobriu. Mas Katarina e seu invocador astucioso já suspeitam de algo e ela investigará. Ela pode se tornar um problema.

Por outro lado, também jogará pra ganhar, quer descubra a verdade ou não. Com isso alguns irão morrer e o jogo vai avançar. Talvez ela mesma morra no caminho.

Mas também foi inoportuno que Ashe foi invocada. Seu invocador tem uma potencial aliada na médica, e Ashe ainda pode se encontrar com “ELE”, e se eles lembrarem quem são, jamais cogitarão matar o outro. Um trio aliado poderia potencialmente ser formado pra tentar resolver a Guerra de outra maneira, o que seria um desastre.

Pra minha sorte, Katarina fez o primeiro ataque da Guerra, em John Donovan. Ela sabe que ele é um dos invocadores e vai persegui-lo. Então cedo ou tarde, Ashe e Katarina lutarão. Talvez essa seja a primeira batalha da Guerra e também a mais decisiva. Se Katarina matar Ashe, a potencial aliança nunca acontecerá. Se Ashe matar Katarina, me livro de um problema que por hora é pequeno, mas será gigantesco no futuro se ela descobrir algo.

Ainda assim, mesmo na pior situação possível, tudo está a meu favor. Mesmo que Ashe se encontre com "ele", eu não menti quando apenas um sobreviveria e voltaria pra casa…. Na verdade, eu adoraria que eles lutassem, e quando um matasse o outro, ver a reação e o sentimento que carregariam pro resto da vida por terem feito isso com as próprias mãos.

Aram imaginou a macabra situação. E logo gargalhadas ecoavam pelos quartos vazios do Salão de Vidro.

Notas finais
Mais um campeão se torna um pouco aparente. E Ashe explorará um pouco a Terra, comparando-a com Freljord.