Fate/Legends - Ashe
4 Ashe - O Invocador da Arqueira
Notas iniciais
John Donovan dirigia pela ponte de Springfield¹. Eram 20h30 e não havia ninguém na pista. Natural para uma cidade de 300.000 habitantes.
Um rio dividia Springfield em uma parte oeste e leste. A primeira vista era uma típica cidade interiorana, mas por ser vizinha de uma metrópole, havia mais movimentação e entretenimento. Tinham um teatro municipal, um shopping, um estádio e até um zoológico.
John olhou no retrovisor. Tinha 28 anos, cabelo castanho escuro e olhos azuis. Sua aparência estava péssima. Trabalhava numa empresa de contabilidade e nas horas vagas fazia serviços comunitários pela Liga Solidária de Springfield. Alcançara grande sucesso e certa fama na cidade nesses serviços, com pedidos de obras, manutenções, entre outras coisas.
Isso era a causa do cansaço. Ele saíra as 17h00 do trabalho e foi à reunião comunitária. Ninguém esperava que o prefeito Wintergate aparecesse. As eleições eram dentro de alguns meses e Wintergate pedira a John que desse seu apoio, posasse para fotos e coisas do tipo.
Houve uma grande confusão entre os membros da Liga e da comissão do prefeito, com três horas de brigas até todos se cansarem e irem embora. O prefeito Wintergate estava furioso e prometeu retaliações.
Mas nada disso importava agora. John só queria chegar em casa e tomar uma bela ducha…
Então uma intensa luz cegou John. Pensou ser um caminhão vindo na contramão e tentou desviar, jogando o carro para a esquerda, mas a luz encobriu tudo, e numa estranha sensação, ele se sentiu sendo puxado.
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John não sabia quanto tempo se passou até sua visão voltar. Ele estava preso em um quarto. A porta de madeira era maciça e estava trancada. As paredes eram de vidros extremamente resistentes. Estava tudo escuro e apenas havia luz na área à frente de seu quarto de vidro, que tinha uma mesa de mogno.
De repente as luzes se acenderam e viu que estava em uma enorme sala de formato circular. Haviam mais paredes de vidro ao redor, com outras pessoas dentro. Contando com ele, haviam sete. Cada quarto era separado por paredes de vidro. Só era possível ver os vultos das pessoas.
Alguns estavam parados, mas haviam dois visivelmente nervosos. Um dava socos na parede de vidro de maneira moderada, mas obviamente raivosa. A outra pessoa, porém, esmurrava freneticamente a parede de vidro. Pelas silhuetas, John percebeu que eram duas mulheres.
Um raio iluminou a sala e um homem, envolto em uma túnica roxa e com o rosto coberto por um capuz, apareceu no centro da sala.
– Boa noite a todos. Não me prolongarei muito, pois o que falarei será difícil de acreditar. Apenas saibam que logo as regras que governam não só esse mundo, como diversos outros, estarão prestes a mudar para um estado mais…controlável.
Não haviam dúvidas na mente de John que tinham sido sequestrados por um louco de alguma seita.
– Vocês foram escolhidos e trazidos a esse sala pelo poder do Santo Graal. Alguns já podem ter ouvido sobre ele. Conforme a lenda, ele contém o sangue do filho de Deus, e pode realizar um desejo, qualquer desejo, a quem o obter. Porém, o Graal é um objeto com vontade própria. Não é qualquer um que pode obtê-lo. Apenas os escolhidos, e de tempos em tempos. Esse momento chegou. Olhem para suas mãos esquerdas e vejam a marca que comprova que vocês foram escolhidos.
John viu uma estranha tatuagem vermelha nas costas de sua mão esquerda. Era uma espada, com diversos e detalhados adornos nas bordas da lâmina. Pensou quando teriam feito aquilo em sua mão e se tinha ficado desacordado.
– Essa marca surgiu quando foram teleportados aqui. Vocês deviam estar fazendo alguma coisa, em algum lugar e de repente apareceram aqui. Mas como eu disse, dificilmente vocês acreditarão no que eu disser. O próprio Graal mostrará seu poder.
John e os outros foram envoltos por uma grande luz. Ele flutuou e viu a imagem de uma taça de ouro. Sentiu algo tocando no fundo de sua mente, mostrando milhares de imagens e acontecimentos através das eras. Heróis da mitologia, as batalhas, as marcas nas mãos, e até os desejos serem realizados. Passaram-se horas nessa viagem, até que a luz o trouxe de volta ao quarto de vidro.
Olhando o relógio, ainda eram 20h35. John agora acreditava na história do homem de túnica. Ele olhou para o lado e viu a mulher frenética de antes. Ela tentou em vão quebrar a parede de vidro com pontapés. Ela queria sair dali de qualquer maneira. A outra mulher que tinha esmurrado o vidro algumas vezes estava parada.
– Acho que todos acreditam agora. Mas o Graal dará mais uma prova. – O homem de túnica apertou um botão na mesa de mogno e um microfone apareceu nas paredes de vidro. – Quem chegar primeiro pode pedir alguma coisa pra tirar a prova. Mas não exagerem. Peçam algum objeto apenas.
Três pessoas dispararam em direção ao microfone. A mulher frenética de antes e dois homens. Os outros, incluindo John, estavam muito aturdidos para se moverem.
Um dos homens apertou o botão primeiro de seu microfone.
– Um Big Mac e uma porção de batatinhas, por favor! – Exclamou alegremente a voz.
Diante de todos, o hambúrguer e as batatas surgiram. John não podia acreditar que alguém estivesse pensando em comida naquelas circunstâncias. Alguns comeram e outros, como John, não tocaram em nada. O homem que disputou o microfone estava visivelmente furioso. Ele chutou o hambúrguer e as batatinhas pra longe. A mulher frenética estava ajoelhada, como se não acreditasse no que estava acontecendo.
O sequestrador pegou uma batatinha e continuou:
– Como podem ver, o poder do Graal é real. Mas somente um de vocês poderá obtê-lo. Vocês viram através do cálice que os escolhidos invocavam campeões da História para lutarem por eles contra os concorrentes. E é isso que acontecerá. Devido a…. certas circunstâncias, os campeões que vocês invocarão não serão daqui da Terra, mas de meu mundo natal, Runeterra. É isso mesmo que vocês estão pensando. Apenas um de vocês, junto com o seu Campeão, permanecerá vivo no fim. Esse é o preço que se paga para participar da Guerra do Santo Graal.
Um pedestal apareceu em cada quarto. John viu uma gema de cor azul claro em cima.
– Essas gemas invocarão seus Campeões. Eles lutarão e protegerão vocês. Quebrem-nas e a invocação ocorrerá. Escolham bem o local onde vocês irão fazer isso, pois será a “base” de vocês. O Graal usará seu poder em torno da área, onde vocês poderão se recuperar de ferimentos, até os mais graves, para lutarem novamente. Quanto todos pegarem suas gemas, vocês voltarão aonde estavam antes de serem teleportados aqui. E a Guerra do Santo Graal começará!
John viu horrorizado que o homem que chutara o hambúrguer antes pegou sua gema imediatamente. Ele realmente estava tão ansioso para matar todos ali e conquistar o poder do Graal?
Uma tocha na parte superior da parede de vidro daquele homem acendeu e se tornou negra.
Pouco depois, a mulher frenética de antes pegou sua gema. A cor verde iluminou a tocha em frente ao seu quarto de vidro.
Os outros enfim pegaram suas gemas e novas cores iluminavam suas tochas. Amarelo, rosa, vermelho e roxo. Só faltava sua gema azul. Por fim, John decidiu pegar a jóia, sendo a única maneira de sair dali. A tocha azul acendeu.
– Quando retornarem aqui, será com o Campeão de vocês, e lhes direi mais sobre a Guerra. – O homem de túnica disse excitado. — Lembrem-se: Eliminem TODOS aqui presentes e descubram a verdade! TUDO que vocês desejam será realizado pelo Graal!
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– Então o senhor não se lembra de nada, é isso que está dizendo?
Eram 21h00, e a deserta ponte de Springfield agora estava abarrotada de carros e luzes.
Quando foi teleportado seu veículo continuou andando normalmente, quebrando a proteção, caindo da ponte e afundando no rio, mais de 100 metros abaixo.
Pelo menos tenho seguro.
John estava sendo examinado por um enfermeiro e questionado pela polícia, enquanto repórteres do Spring’s News com certeza teriam a manchete da semana na pequena Springfield.
Podia ter sido pior. Eu poderia ter sido teleportado de volta pro veículo e estaria no fundo do rio agora.
Mas o fato de estar na ponte naquele momento era prova que tudo que viu na sala de vidro não foi ilusão ou sonho. Ainda sentia a misteriosa gema azul no bolso.
– Eu me distraí por um segundo e quando olhei para a pista pensei ter visto um vulto e me assustei. Tentei desviar e perdi o controle do carro. Pulei pra me salvar.
Foi a melhor desculpa que ele conseguiu pensar. Os policiais fizeram testes e concordaram que John não estava embriagado nem drogado. Mas ainda havia uma inconsistência.
– E por que demorou mais de meia hora pra chamar ajuda ou a polícia? Isso deveria ter sido resolvido imediatamente! Disseran que a pista estava vazia e que o motorista tinha ido pro fundo do rio com o carro.
Como explicar isso ?
– Acho que fiquei em choque. Pareceu que foi a trinta segundos atrás, não trinta minutos. Não sei porque não me viram. Eu realmente não lembro.
O policial suspirou. A intuição de anos de serviço dizia que algo estava errado, mas não conseguiu pensar em mais nada pra dizer e aceitou o que foi dito. Alguns repórteres queriam um depoimento, mas John recusou. Já teria problemas suficientes sem ajuda da mídia.
– Parece que não há nada de errado com o senhor. Se não quiser fazer exames no Hospital Geral, posso lhe dar uma carona para casa. Você é o Donovan dos serviços comunitários, né? Já vi você no jornal. Não precisaremos ir à delegacia. Qualquer coisa, sabemos onde te encontrar. Entre.
John entrou na viatura. O trabalho comunitário lhe dera certa fama na cidade, tanta que ele se mudou e pediu pra manterem o endereço em sigilo. Todos sabiam que ele trabalhava na Contabilidade Connor e na Liga Solidária de Springfield. Então não era difícil encontrá-lo. Pediu pra ser deixado a uma certa distância de seu prédio, pra evitar que o endereço vazasse.
John tomou uma longa ducha e depois deitou na cama, pensando no que faria em relação ao Graal. Ninguém ali parecia um assassino. Provavelmente todos “aceitaram” participar para saírem daqueles quartos de vidro. Exceto o homem que foi o primeiro a aceitar.
Haviam três questões não resolvidas:
Primeiro, eles foram teleportados. Então poderiam estar em qualquer lugar do mundo. Ou seja, mesmo que quisesse participar, John não teria recursos pra viajar o mundo em busca de seis pessoas no meio de cinco bilhões.
Segundo, nada foi dito sobre como se encontrariam, colaborando com o problema número um.
E terceiro, nada foi mencionado em relação a um tempo limite para a Guerra. Poderia então nunca ser concluída.
Guardou a gema azul na gaveta. Não invocaria ninguém, ainda mais um ser de outro planeta. Levaria a vida discretamente para não ser encontrado. Também estava com medo. O Santo Graal era o cálice que continha o sangue do filho de Deus, conforme a lenda. Isso lhe deu calafrios. Não era religioso, mas era melhor não brincar ou mexer com esse tipo de coisa.
Relaxou e dormiu. Ou tentou.
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Eram nove da manhã quando despertou. Haviam dezenas de mensagens de texto e ligações não atendidas em seu celular. O Spring’s News não perdeu tempo em noticiar seu “acidente”.
Responderia as mensagens e ligações quando chegasse ao serviço. Escreveu na agenda do celular de ligar para a seguradora.
Saiu do prédio sem problema algum. As pessoas daquele condomínio trabalhavam na metrópole e só voltavam para dormir. Mas quando chegou na empresa logo foi cercado e teve que explicar a história quatro vezes. Não eram apenas colegas, mas curiosos e até um repórter se encontrava na entrada do escritório.
Depois de assegurar a conhecidos e amigos que tudo estava bem e ligar para a seguradora, John retomou o expediente, tendo que lidar com ocasionais curiosos.
Foi pegar um café. Jornais estavam sobre uma mesa. Era o Spring’s News, que estampava o acidente de John cair de maneira sensacionalista.
Carro do líder comunitário John Donovan cai da ponte.
Às 20h45, a polícia de Springfield recebeu um telefonema de um cidadão que viu a proteção lateral da ponte quebrada. Ao averiguar, viu um veículo caído no rio. Às 21h00, patrulhas chegaram no local e descobriram que o motorista era John Donovan, o famoso líder comunitário da cidade. Por razões inexplicáveis, Donovan não se lembrava do que aconteceu e nem ligara para a polícia ou emergência. Nada oficial foi sido declarado, mas há grandes suspeitas de embriaguez, uso de drogas ou ambos.
John jogou o jornal na mesa. Ele fez os testes e nada foi detectado. Isso na frente de um repórter, que fez questão de noticiar o contrário.
O Spring’s News era o único jornal da cidade. Mesmo na era digital, ele sobrevivia, devido a matérias sensacionalistas, fofocas e até invenção de notícias pra chamar atenção.
John voltou ao seu escritório, não sem deixar de ouvir uma piada:
– Nada de bar na sexta, John! – Gargalhou alguém.
Não seria a primeira vez. Seria pior ainda quando ele saísse pela cidade com o grupo voluntário.
O dia passou rápido e o escritório foi aos poucos ficando vazio. Com o atraso e toda a comoção ao seu redor, decidiu ficar até mais tarde pra colocar o serviço em dia.
Ficou três horas a mais, até as oito da noite. Ele era a única pessoa no escritório. Era comum os funcionários terem que fazer horas extras em certos serviços. O que não era comum eram os pagamentos dessas horas extras.
Estava saindo e tentou acender a luz do corredor, sem sucesso. Um “crac” ecoou quando percebeu que pisou em um caco de vidro.
E agora a lâmpada estourou…que maravilha…
Alguém se aproximou. Pelo jeito mais alguém tinha feito muita hora extra.
– Acho que a lâmpada estourou. – Disse John para o vulto que se aproximava.
Não houve resposta. Então a pessoa fez um movimento como se fosse sacar uma arma. John instintivamente se jogou para o lado e sentiu um forte vento passar pelo seu rosto, deixando um pequeno corte.
Tinham jogado uma faca nele!
John se levantou e correu o mais rápido que conseguiu em direção ao corredor. Derrubou papéis, grampeadores e até monitores de computador pra atrasar seu atacante.
Olhou para trás e o vulto de repente se projetou na sua frente, como se tivesse se teleportado.
– Impossível…aaahhh!
Por pouco ele desviou de um golpe que o acertaria no pescoço, mas levou um chute no estômago que o arremessou vários metros à frente. Se levantou, dobrou o corredor e viu um extintor na parede. Viu que o vulto preparava outra faca. Ele arremessou o extintor.
– Inútil! – Exclamou a assassina, sua voz denunciando seu gênero.
A faca estourou o extintor e o impacto o fez ficar rodopiando pelo chão, soltando espuma e gás refrigerante. Por algum motivo isso assustou a assassina, que recuou dois passos e pegou duas espadas curtas. John não estava nem aí do porque dela ter se intimidado com um extintor e voltou a correr. A assassina não o seguiu.
Pouco depois a mulher retomou a perseguição. John viu um enorme armário com livros e revistas para as pessoas lerem no tempo vago. Era antigo e pesado. John começou a incliná-lo. Serviria perfeitamente pra bloquear a passagem.
Depois de tremendo esforço, o armário caiu, como uma barricada de guerra. John começou a correr novamente.
Então ouviu um tilintar e viu horrorizado que uma faca estava ricocheteando pelas paredes, vindo em sua direção. O choque foi tanto que ele só teve tempo de levantar os braços pra se defender.
A dor foi enorme e John gritou. A faca cravou profundamente em seu antebraço, perto do pulso. Ouviu mais tilintares e se jogou no chão. Mais três facas ricochetearam pelas paredes até se cravarem em definitivo no concreto. John se levantou e correu. Só precisava dobrar mais um corredor e sairia no saguão do elevador. O armário bloquearia a assassina.
Ou foi o que ele pensou. Ele deu uma última olhada para trás e viu um borrão preto simplesmente passar através do armário e em seguida atirar uma faca.
Ele correu o mais rápido que pôde e alcançou o elevador. Agora era rezar para que estivesse parado no quinto andar. Ele apertou o botão.
– Vai merda, merda!
John entrou e apertou o térreo. As portas se fecharam e ele teve um último vislumbre da assassina de preto atirando uma faca. Ela atravessou a porta do elevador e o espelho na parte de trás, se cravando no concreto.
O elevador desceu e John recuperou a calma. Ele deu sorte ao conseguir entrar no elevador. Se tivesse ido pelas escadas certamente seria morto pelas facas ricocheteando em um espaço tão apertado.
Ele arrancou a faca de seu antebraço e gemeu de dor. Em seguida pegou sua gravata e a amarrou o mais apertado que pôde no buraco que estava jorrando sangue. Então viu a tatuagem da espada nas costas de sua mão esquerda.
– Meu Deus…
Agora tudo ficou claro: o ricochete de facas e como a assassina atravessou o armário derrubado. Ela era uma dos Campeões da Guerra do Santo Graal. Nenhum humano normal poderia fazer aquilo.
O elevador chegou no térreo e John correu para a saída. As portas eram trancadas por fora, mas podiam ser abertas por dentro a qualquer hora. Fizeram isso por causa das inúmeras horas extras das empresas do prédio.
De repente um estrondo absurdo ecoou pelo prédio inteiro. John viu que o elevador não estava mais parado no térreo.
Ela cortou os cabos!
O prédio tinha dois níveis de subsolo, que eram os estacionamentos. Era um prédio comercial, de sete andares, cada um com sua própria empresa. O elevador tinha ido parar no segundo subsolo.
John saiu e correu pela rua. Um táxi calmamente passava por ali. Ele fez um sinal desesperado e o táxi parou. O motorista se assustou quando viu as manchas de sangue na camisa e a gravata no braço.
– Acidente de trabalho! Vamos, vamos!
Ele entrou no carro e o motorista deu a partida. Então ouviu o som de uma janela quebrando. Olhou pra trás e viu algo mais inacreditável do que a perseguição que acabara de sofrer.
A assassina estava descendo o prédio. Ela cravou as espadas no concreto e as usava para controlar a descida. Faíscas eram geradas pelo contato da lâmina com a pedra enquanto as espadas cortavam a lateral do prédio como se fossem manteiga.
Ela chegou rapidamente ao solo e John achou que ela iria correr atrás do táxi atirando facas, mas permaneceu imóvel. Reparou na assassina. Toda de preto, com uma curta jaqueta e um longo cabelo ruivo que se agitava levemente pela brisa.
Ela encarou o táxi que se distanciava. Por fim desapareceu num borrão preto.
– Quer ir ao Hospital Geral ? – Perguntou o motorista.
– Sim…
John pensava como tinha sido encontrado tão rapidamente e com tanta precisão. Mal se passava um dia desde o encontro na sala de vidro. Uma coisa era certa: Pelo menos um dos outros seis também morava em Springfield. E queria sangue.
Estavam se aproximando do Hospital Geral de Springfield. O letreiro vermelho brilhava na luz da noite.
– Espere. Me leve para a Rua 35. – Disse John.
– Mas…
– Tudo bem. É só um corte leve, é melhor eu ir pra casa. – Respondeu John.
O motorista virou outra rua e seguiu para o endereço dito. John não podia explicar, mas ao se aproximarem do hospital sentiu um temor imenso. Por algum motivo, ele sentia que não devia entrar no Hospital Geral de jeito nenhum. Era como se seu instinto lhe dissesse que estava em grave perigo.
Chegaram no endereço combinado. Eram dois quarteirões de distância de seu prédio. O motorista não pareceu reconhecê-lo, mesmo com sua foto no jornal da cidade.
Ele pagou e saiu do táxi. Enquanto estava sentado não sentira nada, mas bastaram alguns passos e John viu o quão grave estava sua situação. Tontura, dor de cabeça, pernas bambas e uma dor dilacerante no braço.
Gotas de sangue pingavam na calçada e logo também manchavam o chão de mármore de seu prédio. Ele conseguiu chegar ao seu apartamento, no sétimo andar.
Abriu a gaveta onde estava a gema azul. Ele precisava criar a “base”. Jogou a gema azul no chão, que partiu-se e uma luz preencheu o quarto, junto com pequenos raios.
Um flash e um barulho de energia ecoaram e John deitou-se no chão e protegeu o rosto. No meio da fumaça ele vislumbrou um vulto, com a cabeça coberta por um capuz e uma capa que balançava pela reação da onda de energia que emanava da gema partida.
John desmaiou.
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