Fantasy Beach
1 Capítulo 1 - Estágio Forçado
O despertador tocou estridentemente às 7h da manhã. Soo-Jin, ainda sem abrir os olhos, tateou até encontrar o travesseiro e o lançou com força contra a escrivaninha, na tentativa de silenciar o som incômodo. Mas antes que pudesse retornar ao seu sono, seu celular começou a tocar, reproduzindo uma valsa. Ela abriu os olhos rapidamente, a mente despertando com a urgência do toque, e atendeu apressadamente.
– Alô? Senhor Jae-Suk, estou a caminho. Tive um problema com o ônibus, ele quebrou bem em frente à nossa casa — disse Soo-Jin, tentando ao máximo disfarçar a voz ainda grogue e cansada.
– Essa já é a quarta vez este mês, senhorita Soo-Jin. Se não estiver aqui em dez minutos, ficará sem estágio neste verão, o que significa que terá que repetir o semestre inteiro de sociologia no próximo ano. Tenha um bom dia. — Jae-Suk desligou abruptamente.
Soo-Jin saltou da cama e correu para o banheiro, onde, em um esforço desesperado, tentou arrumar o cabelo, escovar os dentes e vestir-se, tudo em menos de um minuto. Pegou sua mochila e, em um movimento rápido, desceu as escadas quase tropeçando nos degraus. Ao alcançar a sala, saiu pela porta da frente e correu até a bicicleta estacionada na entrada de casa. Enquanto começava a pedalar, discou o número de sua amiga Hyunara, que estudava na mesma faculdade.
– Soo-Jin, você já está atrasada em pelo menos quinze minutos — disse Hyunara assim que atendeu.
– Eu sei, Hyun. Preciso que me ajude dessa vez, por favor. Hoje é o dia de escolher os estágios, e você sabe que não posso acabar com a última opção — implorou Soo-Jin, enquanto pedalava o mais rápido possível.
– Está insinuando que fez pouco de mim? Eu cheguei atrasada e agora sou recepcionista no hotel do parque Fantasy Beach — respondeu Hyunara, rindo da situação.
– Por favor, me ajude desta vez. Se você me ajudar, prometo que arranjo uma conversa com o Seung-Hyun, o garoto mais popular da faculdade.
– Sério? Se você prometer, então vai ter que cumprir, Soo-Jin! Vou ver o que posso fazer. Fale com meu pai quando chegar, e depois a gente conversa sobre o Seung-Hyun — Hyunara gritou empolgada com a proposta e desligou o celular.
Enquanto isso, Hyunara atravessava os corredores da faculdade até encontrar a sala de seu pai. Com toda a coragem que conseguiu reunir, bateu na porta. Jae-Suk, que estava em meio a uma aula, se surpreendeu ao vê-la.
– Hyun, o que você está fazendo aqui? — perguntou ele, claramente irritado.
– Preciso falar com você sobre algo muito sério, pai — insistiu Hyunara.
– Estou no meio de uma aula. Podemos conversar em casa — respondeu Jae-Suk, tentando fechar a porta. Hyunara, no entanto, impediu-o, colocando o pé na abertura.
— Pai, eu... eu estou namorando – disse Hyunara de repente.
Jae-Suk arregalou os olhos, o rosto ficando vermelho de raiva. Ele rapidamente empurrou a filha para fora da sala e a seguiu, fechando a porta atrás de si. Os alunos, curiosos, começaram a se aproximar da porta para tentar ouvir o que estava acontecendo.
– QUEM É ESSE CRETINO? Diga, Hyunara! – gritou Jae-Suk, completamente fora de si. Hyunara, de cabeça baixa, esperava ansiosamente que Soo-Jin chegasse.
– É... o... – Hyunara hesitou, procurando desesperadamente uma saída. Então, com um sorriso forçado, completou: – O cartaz que está exposto do lado de fora da faculdade, falando sobre as bactérias, é muito interessante. Eu queria saber se você poderia me arranjar um para colocar no meu quarto.
Soo-Jin, finalmente, estacionou sua bicicleta e correu para dentro da faculdade. Ao chegar no elevador, a recepcionista a informou:
– Está quebrado.
Sem outra escolha, Soo-Jin subiu os doze lances de escada a pé, enquanto Hyunara continuava a distrair seu pai.
– Você me fez sair da aula por causa de um cartaz? – Jae-Suk começou a se acalmar, mas ainda estava visivelmente irritado.
– Não é qualquer cartaz, pai. É sobre bactérias infecciosas – Hyunara fez um gesto imitando uma bactéria e riu para disfarçar o nervosismo.
Nesse momento, Soo-Jin entrou furtivamente na sala, aproveitando que Jae-Suk estava distraído com a conversa sobre o cartaz. Ela se sentou ao lado de Seung-Hyun, que sorriu discretamente.
– Você mandou sua amiga distrair o professor só para ganhar tempo de chegar? – perguntou ele, ainda olhando para frente.
– Sim, mandei. E você me deve dez mil wons por ter chegado atrasada sem levar bronca – respondeu Soo-Jin, estendendo a mão.
Seung-Hyun riu e, de bom grado, tirou uma nota de dez mil wons do bolso, entregando-os a Soo-Jin. No momento seguinte, Jae-Suk entrou na sala.
– Como eu estava dizendo, cada um de vocês terá que fazer os estágios obrigatórios que escolheram. Senhorita Soo-Jin, o seu está aqui na minha mesa. Seria burrice sua achar que eu não perceberia a terrível encenação da minha filha. – Todos os olhares se voltaram para Soo-Jin, que, irritada, devolveu os dez mil wons a Seung-Hyun e desceu até a mesa para pegar a pasta com as informações sobre seu estágio.
– Como todos já pegaram os papéis e tudo está explicado, estão liberados para resolver a documentação. Tenham um bom verão – finalizou Jae-Suk, saindo da sala.
Seung-Hyun levantou-se e Soo-Jin perguntou:
– Seung, onde você vai estagiar?
– No parque aquático Aqua Horizons, como salva-vidas. Acho que quase toda a turma vai para lá. E você, já viu onde vai ser? – respondeu ele.
– Ainda não – disse Soo-Jin, abrindo o envelope que continha os detalhes de seu estágio. – Fantasy Beach, como salva-vidas também, deve ser normal não é? Cursamos Educação Física.
– No parque falido? Será que você vai conseguir terminar o estágio obrigatório antes que eles fechem de vez?
– Espero que sim. Mas por que estão falindo? – perguntou Soo-Jin, surpresa.
– Devido ao Aqua Horizons. Ambos os parques são famosos, mas o Aqua Horizons é moderno e luxuoso, com o que há de melhor. A maioria das pessoas prefere ir lá do que ao Fantasy Beach – explicou Seung-Hyun, piscando para ela antes de descer até a lousa.
– Ah, Seung, minha amiga está apaixonada por você. Ela queria saber se você gostaria de sair com ela – disse Soo-Jin, correndo até ele.
Seung-Hyun riu de forma incontrolável e respondeu:
– Peça para ela vir falar comigo. Odeio garotas que não têm coragem de se expressar. Se ela vier até mim, eu saio com ela.
Soo-Jin saiu da sala e encontrou Hyunara esperando do lado de fora da faculdade. Quando Hyunara a viu, seus olhos brilharam de expectativa.
– E aí, falou com ele?
– Falei. Ele riu e disse que só sairá com você se tiver coragem de falar com ele pessoalmente – respondeu Soo-Jin, tentando suavizar as palavras para não magoar a amiga, mas Hyunara ficou visivelmente triste e desabafou:
– Você sabe como é difícil, Soo-Jin, falar com o garoto que você sempre foi apaixonada e dizer que gosta dele. Ainda mais quando ele é um dos mais bonitos da faculdade.
Soo-Jin odiava ver sua amiga sofrendo, então tentou consolar:
– Tenta falar com ele, já que ele vai trabalhar perto de nós. Ele vai estar no Aqua Horizons.
– Espera aí? Trabalhar perto de nós? Não me diga que você vai estagiar no... – Hyunara sorriu novamente ao perceber a coincidência. – Eu não acredito que vamos trabalhar no mesmo lugar que minha irmã e ainda passar o verão todo juntas! Não poderia ficar melhor.
Seung-Hyun passou pelas duas e sorriu para Hyunara antes de seguir seu caminho. – Agora sim ficou melhor – comentou ela, mais animada.
Soo-Jin pegou sua bicicleta e pedalou de volta para casa. Ao chegar, foi direto para a cozinha, onde sua mãe preparava o almoço.
– Mãe, estou morrendo de fome. O cheiro da sua comida me trouxe até aqui – disse Soo-Jin, sentando-se à mesa.
– Já arrumou suas malas, Soo-Jin? Estou preparando este almoço para você levar. Sei que vai sentir falta da minha comida – respondeu Hea-Jung, enquanto mexia nas panelas.
Hea-Jung, mãe de Soo-Jin, era uma mulher de 42 anos, dona de um pequeno restaurante no bairro onde moravam, uma área mais humilde da cidade. Soo-Jin pegou um pote de biscoitos caseiros e começou a mordiscar um enquanto respondia:
– Ainda não, mas vou arrumar. Tenho que estar lá às 14h com meus documentos, para conhecer o local e o alojamento.
– Os alojamentos são separados, não são? – perguntou Hea-Jung, com um toque de preocupação na voz.
– Sim, mãe. Serão só garotas no meu alojamento. E a Hyunara também vai estagiar lá, então não precisa se preocupar – tranquilizou Soo-Jin.
– Nesse caso, fico mais tranquila – suspirou Hea-Jung, voltando a sorrir. – Mas você não vai se sentir sozinha lá? E eu, vou ficar aqui sozinha?
– Bobagem, mãe. Você vai ter a companhia do meu irmão em breve, ele chega do exército em duas semanas – lembrou Soo-Jin, tentando acalmar a mãe.
Hea-Jung sorriu, claramente aliviada, e sugeriu:
– Então vá arrumar sua mala enquanto termino o almoço.
Soo-Jin subiu para seu quarto e começou a organizar seus pertences com cuidado, colocando suas roupas e objetos mais preciosos. Quando terminou, desceu com dificuldade a mala pesada pelas escadas e sentou-se para o último almoço com sua mãe antes de partir. Ambas se abraçaram forte, trocando palavras de carinho.
– Chamei um táxi para você. Aqui estão cinquenta mil wons, use em caso de emergência, como agora para pagar o táxi. E, por favor, venha me ver nos fins de semana, se puder – disse Hea-Jung, entregando o dinheiro à filha.
– Eu virei sim, mamãe – prometeu Soo-Jin.
O táxi buzinou e Soo-Jin colocou as malas no carro. Durante a viagem de uma hora até o parque, o silêncio tomou conta. O frio na barriga e a ansiedade sobre o que estava por vir a consumiam. Quando finalmente se aproximaram do destino, Soo-Jin avistou os dois parques gigantes, um de frente para o outro. O Aqua Horizons estava lotado, enquanto o Fantasy Beach parecia quase deserto.
Soo-Jin pagou o táxi e, com suas malas, entrou no hotel do Fantasy Beach. A recepção estava cheia de jovens, alguns pareciam ricos e cheios de si, enquanto outros, como Soo-Jin, eram mais simples. Distraída, Soo-Jin esbarrou em um garoto alto.
– Me desculpe! – exclamou ela, ao se dar conta do que havia feito.
– Imagina, foi minha culpa. Eu estava parado aqui no meio dessa confusão. Prazer, sou Dong-Hyun – disse o garoto, sorrindo e estendendo a mão para Soo-Jin.
– Prazer, sou Soo-Jin – respondeu ela, apertando a mão dele, enquanto ambos se olhavam, surpresos pela repentina conexão.
Antes que a conversa pudesse continuar, Hyunara, já em seu posto de trabalho, pegou o megafone e interrompeu a cena:
– Dá para vocês pararem de falar alto? Boa tarde a todos! Aos novos funcionários, dirijam-se ao prédio ao lado, onde ficam a administração e os alojamentos. – Ao avistar Soo-Jin, ela gritou: – Amiga, vem aqui! Deixa eu te mostrar o lugar!
Embarrassada, Soo-Jin fez um gesto para Hyunara esperar e se voltou para Dong-Hyun.
– Ela é sua amiga? – perguntou Dong-Hyun.
– Sim. Vou lá falar com ela, e desculpe mais uma vez pelo esbarrão – disse Soo-Jin, despedindo-se.
Sentindo uma leve pontada no coração, Soo-Jin seguiu em direção a Hyunara.
– Quem era aquele gato? – perguntou Hyunara, curiosa.
– Dong-Hyun – respondeu Soo-Jin, sorrindo de leve.
– Você gostou dele, eu percebi! Vá até a administração com ele. Nos vemos à noite no alojamento – sugeriu Hyunara, piscando para a amiga.
Soo-Jin, ainda com as malas, dirigiu-se ao prédio da administração. Ao sair da recepção, foi abordada por um rapaz com óculos escuros e cabelo tingido de amarelo.
– Você é muito bonita. Está hospedada aqui também? – perguntou ele, com um sorriso malicioso.
– Não, vou trabalhar aqui – respondeu Soo-Jin, desconfortável.
– Eu também trabalho aqui, sou DJ. DJ GD, muito prazer – disse o rapaz, tirando os óculos e, descaradamente, olhando para os seios dela.
Soo-Jin estava prestes a responder, mas antes que pudesse, sentiu uma mão firme em seu ombro e ouviu uma voz familiar.
– Eu sou Dong-Hyun, o namorado dela. Prazer em conhecê-lo, DJ – disse Dong-Hyun, com um sorriso irônico.
Soo-Jin olhou para o lado e viu Dong-Hyun a seulado, surpreso com a atitude dele, mas grata pela intervenção.
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