Fantasy Beach
2 Capitulo 2: O começo dos problemas: Irmãos
- Vamos, Soo-Jin, já estão nos esperando. Deixa eu te ajudar a carregar a mala — disse Dong-Hyun.
Soo-Jin e Dong-Hyun saíram dali e foram para o prédio ao lado. Quando chegaram, Dong-Hyun pediu desculpas pela cena que a havia deixado constrangida.
- Por que você fez isso? — perguntou Soo-Jin.
- Porque esse DJ gosta de paquerar as moças daqui. Ele só sabe beber e fumar maconha, já se envolveu em vários escândalos.
- Entendi, eu agradeço por isso, eu estava sem jeito com ele — disse Soo-Jin, sorrindo.
Uma garota alta com cabelos ruivos se dirigiu até o atendimento e pediu para que as garotas formassem uma fila e os garotos outra. Todos estavam com suas malas, e ela começou a apresentar o local para as garotas, passando primeiro pelo alojamento feminino.
Ao adentrarem, as meninas se sentiram em uma república. Havia várias camas com baús em frente a cada uma delas, uma escrivaninha com uma tomada ao lado de cada cama, uma sala com um sofá e vários pufes, e uma cozinha estilo americana. Cada uma foi liberada para escolher uma cama. Soo-Jin se jogou em cima de uma, e logo uma garota fez o mesmo em outra cama ao seu lado.
- Prazer, sou Ji-Woo — disse a garota, deitada.
- Prazer, Soo-Jin. Você é de qual faculdade?
- Faculdade pública, curso educação fisica. Aqui é uma boa maneira de ganhar dinheiro para ajudar nos estudos. Você estuda onde?
- K.S.U, educação fisica.
Do lado esquerdo da cama de Soo-Jin, uma outra garota se sentou, prestando atenção na conversa das duas, mas ficou quieta, tímida demais para falar algo sem conhecer alguém.
No saguão, Hyunara estava atendendo alguns hóspedes do hotel quando um homem alto, que deveria ter seus 30 e poucos anos, entrou. Ele trajava um paletó preto e usava grandes óculos escuros que escondiam seu olhar. Ele se dirigiu até Hyunara, que o cumprimentou.
- Bem-vindo ao hotel do parque Fantasy Beach, o que o senhor deseja?
O homem olhou para o local e disse:
- Como isso está caindo aos pedaços... Não me admira nada o Aqua Horizons estar roubando os clientes daqui.
- Desculpa, o Fantasy Beach é um ótimo hotel, ele apenas está precisando de uma boa pintura. Se não gostou daqui, procure o Aqua Horizons. Tenha uma boa tarde — disse Hyunara, fuzilando-o com os olhos.
- Você não sabe com quem está falando, garota? — O homem manteve sua pose séria.
- Não sei e pouco me importa. Se não gostou daqui, simplesmente saia — respondeu Hyunara, gesticulando para que ele saísse.
O homem tirou os óculos e revelou sua identidade.
- Sou Kang Jong Seob, filho de Joo Jong Seob, o dono deste lugar.
Hyunara arregalou os olhos e pediu desculpas. Ele sorriu.
- Primeiro me fala mal e agora pede desculpas por medo de eu te despedir. Isso é típico. Onde está o meu irmão?
- O senhor GD está na suíte presidencial. Quer que o avise que está aqui? — disse Hyunara, ainda trêmula, pegando no telefone.
- Suíte presidencial? Por que ele está lá se essa suíte é para os hóspedes que têm dinheiro para pagar por ela, e não para um moleque como ele? Não precisa avisar. Só me dê a chave do quarto que eu vou pegá-lo de surpresa. Enquanto o meu pai estiver fora, eu vou administrar aqui a partir de agora — disse Kang, tirando os óculos e observando Hyunara com mais clareza.
Hyunara entregou a chave, e ele se dirigiu ao elevador. Quando ele entrou, Hyunara se sentou, rezando para que ele não a despedisse.
De volta ao dormitório feminino, Soo-Jin estava desfazendo sua mala, enquanto a mulher ruiva voltou ao quarto e chamou a atenção de todas novamente.
- Boa tarde, me chamo Lee So Ra e sou atendente/inspetora de novatas. Vocês estão aqui por estágio obrigatório da faculdade ou para trabalhar na área de biologia. Aqui temos regras, e se desobedecerem, serão expulsas daqui.
REGRAS
1° Usar sempre o uniforme da área em que vão trabalhar.
2° Vocês trabalharão de segunda a sexta; sábados e domingos poderão usufruir das dependências do hotel.
3° Respeitarão os limites de horário. Começarão a trabalhar às 08:00 da manhã até as 12:00. Almoço, 13:00. Voltam ao trabalho até as 20:00.
4° Vocês terão uma prova final sobre tudo o que aprenderem.
- Entendidas? Agora desçam e peguem o uniforme — disse Lee So Ra, apontando para o lado de fora. Logo uma fila foi formada do lado de fora.
Dentro do hotel, as coisas não estavam boas. Kang Jong Seob subiu até o andar com os seguranças. A suíte presidencial do Fantasy Beach era de tirar o fôlego, ocupando todo o último andar do hotel. Ao adentrarem, o grupo ficou maravilhado com o espaço. Oito quartos amplos, cada um decorado com cores neutras e luxuosas, estavam dispostos ao longo do corredor. No centro, uma sala de estar sofisticada, com móveis de couro e uma grande mesa de centro de vidro. Uma sala de jantar integrada, com uma mesa para doze pessoas, completava o espaço principal. Do lado de fora, uma enorme varanda contornava toda a cobertura, oferecendo uma vista panorâmica do parque e da praia, com espreguiçadeiras e até uma pequena piscina particular.
Ao adentrar, Kang escutou alguns barulhos. Nada mais eram do que gemidos femininos. Kang Jong Seob abriu a porta e entrou no quarto, se deparando com GD na cama com duas garotas loiras coladas ao seu corpo, em um sexo a três.
- Mas o que está acontecendo aqui? — gritou Kang Jong Seob.
- Irmão? O que faz aqui? — disse GD, espantado, logo empurrando a garota que estava em cima dele, jogando-a no chão.
- Eu vim assumir esse hotel. Você não deveria estar trabalhando neste exato momento?
- Não! Sou DJ deste lugar, só trabalho à noite e quando tem festas aqui no parque.
GD colocou sua cueca, e as garotas saíram do quarto, nuas e espantadas.
- A partir de agora, você é um funcionário daqui. Pode se mudar para o alojamento dos empregados. Eu vim para tentar tirar o nome do nosso pai da lama, e você está o sujando ainda mais.
- Eu sujo? E você fez o que nesse meio tempo? Ah, esqueci... Estava noivando em Londres com sua namorada afro — GD deu risada, debochando do irmão.
Kang voou em cima do irmão, e ambos começaram uma luta corporal.
- Como você ousa falar assim da Estela, seu covarde — disse Kang, socando o rosto do irmão.
- Para você estar só aqui, ela deve ter te largado para ficar com alguém da raça dela — disse GD, imobilizando o irmão. Os seguranças chegaram, e Kang pediu para que retirassem GD do quarto e o levassem até o alojamento.
As meninas estavam na fila do uniforme quando os garotos chegaram para pegar os seus também.
- Oi, Soo-Jin! — disse Dong-Hyun, com um grande e carismático sorriso.
- Oi — respondeu Soo-Jin, seca, tentando não ficar envergonhada na frente de todos.
Ji-Woo olhou para Dong-Hyun e disse para um grupo de garotas atrás:
- Esse cara é um gato. Se ele for salva-vidas, eu irei desaprender a nadar rápido — ela deu risada, e Soo-Jin, por segundos, a olhou com fuzilamento.
Lee So Ra chegou e, com a fila feminina e masculina formada, começou a entregar os uniformes: uma camiseta branca com um short vermelho.
No saguão...
Hyunara anotava alguns compromissos em sua agenda quando do elevador saiu GD, sendo carregado pelos seguranças.
- Quem vocês pensam que são para fazerem isso comigo? Me coloquem no chão — gritava GD.
Logo após, saiu Kang Jong Seob, sorrindo, e Hyunara o encarou com espanto. Ele se aproximou dela e falou, sorrindo:
- Você está curiosa para saber o que aconteceu, não é?
Hyunara respondeu com um movimento de cabeça afirmativo. — Não tenho que dar satisfação da minha família a empregados. — Sua expressão mudou para séria, e ela continuou: — Mande as camareiras limparem o quarto onde ele estava.
Kang Jong Seob deu as costas, andou alguns passos à frente, e então se virou para Hyunara, dizendo: — Estarei monitorando os funcionários agora. Você está na minha lista, cuidado para não perder o emprego.
Kang saiu sem olhar para trás, e Hyunara mostrou-lhe o dedo do meio antes de se virar para a mesa do balcão. Olhando para a foto de seu amado Seung-Hyun, disse: — Está vendo como ele trata sua futura noiva? Tenho certeza de que você me defenderia se estivesse aqui.
Todos pegaram suas roupas e voltaram para os respectivos dormitórios. Dong-Hyun estava arrumando sua cama, assim como os outros, quando GD chegou aos gritos, carregado pelos seguranças. Chung-Ho ficou confuso, e GD, chorando de raiva, explicou:
- Ele voltou para cá! O bastardo do meu irmão me expulsou do meu quarto e mandou me jogarem aqui. Me ajuda, Chung-Ho!
- Você conhece as regras, GD. Se foi mandado para cá, terá que seguir as minhas regras. Independentemente de quem seja seu pai, não posso te ajudar. Será tratado como todos aqui. Escolha uma cama e coloque uma roupa — gritou Chung-Ho.
Todos olharam para GD, e Dong-Hyun riu disfarçadamente. GD se aproximou das camas vazias, e os garotos o olharam como se ele fosse um E.T. GD sentou-se na primeira cama e reclamou: — Essa cama é dura demais.
Ele se moveu para outra cama perto de onde estava e sentou-se nela: — Essa cama é confortável demais. GD partiu para a cama ao lado de Dong-Hyun e sentou-se. Antes que pudesse dizer algo, Chung-Ho gritou impaciente: — Escolha uma cama logo! E essa cama, GD, está boa?
- Está ótima, Chung-Ho! — disse GD, abaixando a cabeça de vergonha. Todos terminaram de arrumar suas camas as gargalhadas, e Chung-Ho pediu para que se arrumassem para a festa que aconteceria ao anoitecer, na piscina.
No dormitório feminino, Soo-Jin aguardava ansiosa a festa para poder rever Dong-Hyun. Ji-Woo olhou para Soo-Jin e disse alegre: — Está apaixonada pelo fortão, é?
- Eu? Não! De quem você está falando? — respondeu Soo-Jin, tentando não demonstrar nenhum sentimento.
- Min-Seo, vem aqui — chamou Ji-Woo.
- O que foi? A cara dela não é de apaixonada? — perguntou Ji-Woo.
- Não sei, por quê? — Min-Seo olhou sem entender.
- Porque essa garota aqui, chamada Soo-Jin, está com o mesmo olhar que você tinha no ano passado, quando namorava o idiota do Nikhwan — disse Ji-Woo com desprezo.
- Eu o conheci hoje, não tem como sentir algo por ele. Só achei ele bonito. Vocês não acharam os garotos bonitos? — questionou Soo-Jin.
- Claro que sim. Garotos são garotos — disseram em coro.
As três riram e foram se arrumar. O anoitecer chegou, e todos se dirigiram à piscina. A música já estava tocando, e GD estava em seu posto de DJ, bebendo muito e arrasando nas escolhas das músicas. Soo-Jin, Ji-Woo e Min-Seo chegaram e ficaram em uma mesinha em pé. Dong-Hyun estava sozinho e se encaminhou até a mesa delas.
- Boa noite, garotas! — Ele sorriu, e todas responderam em coro.
- Min-Seo, vamos comigo buscar algo para bebermos. Já voltamos — disse Ji-Woo, saindo da mesa. Min-Seo fez o mesmo, e ambas foram em direção ao bar.
- Como está a noite, Soo-Jin?
- Está boa, um pouco chata porque não sei dançar nenhuma música — ela sorriu, olhando ao redor, envergonhada.
- Não sabe? Vou te ensinar alguns passos — Dong-Hyun sorriu.
Min-Seo sentou-se no bar e estava tomando um suco de maracujá quando Nikhwan apareceu ao seu lado e pediu uma cerveja. Ele a encarou e disse, envergonhado: — Oi, Min-Seo, tudo bem?
- Estava, até você chegar! — Min-Seo terminou seu suco e se levantou. Nikhwan puxou seu braço e olhou em seus olhos: — Min-Seo, espera. Vamos conversar. Você é a única pessoa próxima que eu tenho aqui.
- Ex não tem proximidade. Quanto mais longe, melhor. Se tivéssemos proximidade, você não teria me deixado — disse Min-Seo com raiva.
Hyunara aproveitou que a noite dos calouros lhe daria uma folga e se arrumou, colocando um batom vermelho e um vestido preto básico. Passou na recepção e olhou para a recepcionista da noite: — Não esqueça de atender bem os clientes e sempre com um sorriso. Não irei ficar na piscina com os novatos; vou ter um encontro — disse Hyunara, suspirando.
Hyunara abriu a porta de entrada do hotel, e Kang Jong Seob entrou, ambos se olhando com surpresa. Hyunara esperou que ele entrasse para depois sair.
Kang Jong Seob olhou para Hyunara saindo e murmurou baixinho: — Ela é muito bonita, porém atrevida.
Hyunara saiu do Fantasy Beach e ficou em frente ao parque rival, pensativa sobre o que faria quando chegasse lá. Hyunara falou em seus pensamentos: "Força, Hyunara. Quando chegar, apenas ande. Se você esbarrar com ele, comece a conversar como colegas de faculdade". Com um sorriso, Hyunara adentrou o parque e foi para a parte onde havia um parque de diversões. Ao chegar lá, foi a uma barraca de jogos tentar se divertir jogando a bola na boca do palhaço. Ela jogou duas bolas e não conseguiu acertar. Então, escutou uma voz atrás dizendo: — Ela não consegue acertar algo imóvel e grande assim. Deveria usar óculos.
Antes de responder, Hyunara olhou para trás e viu que uma garota loira a encarava com um certo ar superior. Ao lado dela, estava ninguém menos que: — Seung-Hyun? — Hyunara ficou pasma ao olhar.
- Olá... você é a amiga da Soo-Jin, não é? Se não me engano, é Hyunara! Veio se divertir aqui hoje? — disse Seung com um sorriso.
- Sim, sou eu mesma.
A loira a reconheceu: — Te reconheci. Você é a Hyunara, cursamos juntas administração. Acho que não me reconhece. Eu sou a Ha-Eun — disse Ha-Eun com um sorriso claramente falso.
- É verdade! Eu não a reconheci. Vocês estão trabalhando aqui então, no Aqua Horizons? É um parque bonito — disse Hyunara, tentando engolir a seco essa situação.
- Não, querida! Eu sou a filha do dono, eu não trabalho. O Seung-Hyun começou a trabalhar aqui hoje como salva-vidas e já conseguiu salvar a minha vida hoje — disse Ha-Eun, sorrindo, olhando para Seung-Hyun.
- Sério? Já ter um feito desses no primeiro dia é algo promissor — respondeu Hyunara, com dificuldade em engolir.
- Essa é a recompensa dele. Eu estou mostrando o que há de melhor aqui no parque. Fique à vontade, Hyunara. Vamos? — Ha-Eun o olhou com um sorriso conquistador de dar inveja em Hyunara.
- Vamos! Boa noite, Hyunara. Apareça aqui mais vezes para podermos conversar — disse Seung-Hyun, com um sorriso envergonhado.
Ambos saíram, e Hyunara, com sua última bolinha, arremessou com tanta força que conseguiu acertar o meio certo e saiu dali.
Uma música começou a tocar, e Dong-Hyun pegou na mão de Soo-Jin e a conduziu para o meio da pista. — Eu não sei dançar — disse ela, parada.
- Eu te ensinei na mesa agora, só sinta. — Dong-Hyun se aproximou de Soo-Jin, e com seu sorriso, foi difícil não deixá-la corada.
Min-Seo continuava encarando Nikhwan, que, saindo de sua pose, soltou seu braço: — Desculpa, Min-Seo, eu só queria ter a chance de te explicar.
Min-Seo olhou pensativa e, com ar sério, disse: — Está bem! Você tem cinco minutos para falar.
- Eu só preciso de um. Eu não continuei aqui porque cuido da minha mãe que está em coma no hospital por causa de um AVC. Por isso, não consegui voltar para trabalhar aqui. Sinto muito por não ter conseguido te avisar. — Os olhos de Nikhwan começaram a lacrimejar, e Min-Seo não conseguiu se conter e começou a chorar também.
Ji-Woo observava tudo de longe, entediada. Ela se afastou da agitação da festa e sentou-se perto da piscina, em um canto mais tranquilo. Logo percebeu a aproximação silenciosa de um garoto de cabelos pretos.
- Festa chata, não é? — brincou Ji-Woo, tentando puxar conversa.
- Nem me fale. — Ele suspirou, olhando ao redor. — A maioria das garotas já tem companhia para o verão, e eu aqui, bancando o idiota.
- Prazer, Ji-Woo. — Ela estendeu a mão, sorrindo.
- Prazer, Hyun-Woo. — Ele retribuiu o sorriso e se sentou ao lado dela.
Ji-Woo franziu o cenho, pensativa, tentando lembrar de onde conhecia aquele nome. — Eu já ouvi esse nome em algum lugar! Você, por acaso, estuda música?
- Sim! — respondeu Hyun-Woo, observando o movimento ao redor, um pouco desconfortável.
De repente, Ji-Woo começou a rir alto, mal conseguindo se controlar. — Agora eu lembro! — disse ela, entre risadas. — Você é o Hyun-Woo que subiu no palco para cantar naquele programa de calouros, e no meio da música, além de desafinar, entrou em pânico, tentou sair correndo e acabou escorregando e desmaiando!
Hyun-Woo ficou sério, claramente desconfortável. — É, sou eu... — respondeu ele, com um semblante fechado.
Ji-Woo ainda rindo, tentou segurar o riso. — Cara, você é um comediante! Eu estava lá naquele dia e até gravei no meu celular!
Hyun-Woo levantou-se abruptamente. — Vou buscar uma bebida. — disse ele, antes de sair rapidamente, deixando Ji-Woo sozinha e um pouco arrependida.
Enquanto isso, Min-Seo, que consolava Nikhwan após a conversa que tiveram, decidiu que era melhor subirem para seus respectivos dormitórios. Ji-Woo, agora sentindo-se mal pelo que disse a Hyun-Woo, tentou encontrá-lo, mas sem sucesso. Ela também decidiu ir para o dormitório, sua mente ainda presa ao remorso.
Enquanto isso, Soo-Jin e Dong-Hyun caminhavam lado a lado, voltando para o prédio dos alojamentos, envolvidos em uma conversa leve.
- A noite está linda, mas acho melhor irmos para os alojamentos. — disse Soo-Jin, preocupada com o horário.
- Está bem. — Dong-Hyun concordou, sorrindo. — Eu gostei da noite. Você disse que não sabia dançar, mas conseguiu dar um show.
Soo-Jin riu, e os dois pararam, ficando de frente um para o outro. Lentamente, seus rostos começaram a se aproximar, mas, em vez de um beijo, Soo-Jin optou por um abraço caloroso. Dong-Hyun ficou parado, surpreso, sem saber exatamente como reagir. Depois do abraço, Soo-Jin subiu para o alojamento e encontrou as garotas em um clima sombrio. Hyunara estava no sofá, devorando um pote de sorvete.
- Gente, o que aconteceu? Por que vocês estão tão arrasadas? — perguntou Soo-Jin, desanimada com o ambiente pesado.
Ji-Woo foi a primeira a responder, ainda chateada. — Eu estava conversando com um garoto bonito chamado Hyun-Woo, mas quando percebi quem ele era, não consegui segurar a risada e acabei zombando dele. Ele saiu envergonhado, e agora eu me sinto péssima.
Min-Seo, com os olhos ainda vermelhos de tanto chorar, acrescentou: — Eu descobri que o Nikhwan não me trocou. A mãe dele esta em coma por conta de um AVC, e ele teve que sair daqui às pressas, por isso nunca voltou. — Min-Seo terminou sua fala, ainda com a voz embargada.
Todas olharam para Hyunara, que continuava a comer o sorvete em silêncio, ignorando a conversa. Soo-Jin se aproximou dela e sentou-se ao seu lado.
- Está tudo bem, Hyun? — perguntou Soo-Jin, preocupada.
Hyunara suspirou profundamente. — Mais ou menos. — disse ela, baixando os olhos. — Eu vi o Seung-Hyun hoje. Fui até o Aqua Horizons para procurá-lo, tentei tomar a iniciativa como ele pediu, mas foi em vão. Ele estava com a Ha-Eun, a filha do dono do parque e minha colega de classe. — Em segundos, Hyunara deixou o pote de sorvete no chão e desabou em lágrimas, chorando no ombro de Soo-Jin.
No dormitório masculino, Nikhwan estava sentado em sua cama, segurando uma foto de sua mãe e pedindo desculpas em voz baixa. Dong-Hyun, ao vê-lo nesse estado, se aproximou, preocupado.
- Está bem, amigo? — perguntou Dong-Hyun.
- Não... — respondeu Nikhwan, balançando a cabeça. — Parece que um erro que cometi não vai trazer a garota que eu gostava de volta.
- Como você se chama? — perguntou Dong-Hyun, tentando mudar de assunto.
- Nikhwan. E você?
- Dong-Hyun. — disse ele, oferecendo um sorriso solidário.
- Parece que muita coisa vai acontecer nesse parque. — disse Nikhwan, com um olhar triste.
Hyun-Woo entrou no quarto, ainda se sentindo humilhado, e começou a se trocar. Cumprimentou os garotos rapidamente e, ao ver Dong-Hyun, percebeu que ele o observava.
- Ei, eu te conheço! — exclamou Dong-Hyun, reconhecendo-o de imediato. — Você não é o Hyun-Woo?
- Sou, sim. — respondeu Hyun-Woo, visivelmente irritado. — O cara que foi no programa, ficou com vergonha, tentou sair e acabou escorregando, pagando o maior mico da televisão.
Dong-Hyun fez uma expressão constrangida. — Eu te conheço de antes. Nós estudamos juntos no ginásio, você era meu parceiro de química.
Hyun-Woo suspirou, tentando se acalmar. — Desculpa eu extravasar assim... — começou ele. — Uma garota de quem eu estava gostando trouxe à tona esse desastre, e eu fiquei envergonhado. Por causa desse maldito erro, eu mudei de cidade, mas parece que as pessoas não esquecem.
Hyun-Woo se deitou em sua cama, fechando os olhos, enquanto Dong-Hyun o observava em silêncio, sem saber como consolar o amigo.
Hyun-Woo se acomodou na cama, as palavras de Ji-Woo ainda ecoando em sua mente. Sentia-se cansado, não apenas fisicamente, mas também emocionalmente. Tentava ignorar os olhares furtivos dos outros garotos no quarto, mas a vergonha ainda queimava em seu peito.
Dong-Hyun, percebendo o desconforto do amigo, decidiu quebrar o silêncio.
- Sabe, todos cometemos erros. — disse ele, sentando-se na cama ao lado de Hyun-Woo. — E mesmo que esse erro tenha sido público, não define quem você é.
Hyun-Woo abriu os olhos, encontrando o olhar sincero de Dong-Hyun. Ele queria acreditar naquelas palavras, mas a lembrança daquele dia ainda era muito viva.
- Eu sei que é difícil esquecer, mas não deixe que isso te prenda. — continuou Dong-Hyun, oferecendo um pequeno sorriso. — Você é mais do que aquele momento.
Hyun-Woo respirou fundo, sentindo uma leve onda de alívio. Talvez Dong-Hyun estivesse certo. Talvez fosse hora de deixar o passado para trás.
Enquanto isso, no dormitório feminino, o clima ainda era pesado, mas aos poucos as garotas começaram a se abrir. Ji-Woo, ainda sentada no chão, olhava fixamente para as mãos, sentindo o peso da culpa.
- Eu fui tão idiota... — murmurou ela, quase para si mesma.
Soo-Jin, que ainda consolava Hyunara, olhou para Ji-Woo com empatia.
- Todos cometemos erros, Ji-Woo. — disse Soo-Jin suavemente. — O importante é o que você faz depois disso. Se você realmente se sente mal, deve procurar o Hyun-Woo e pedir desculpas.
Ji-Woo assentiu lentamente, percebendo que Soo-Jin tinha razão. Ela se levantou decidida, planejando procurar Hyun-Woo na manhã seguinte.
Enquanto isso, Hyunara enxugava as lágrimas, tentando se recompor. — Eu só queria... — começou ela, com a voz ainda embargada. — Eu só queria que ele me notasse, mas parece que nunca vai acontecer.
- Se ele não consegue ver o quanto você é incrível, então ele não te merece. — disse Min-Seo, com uma determinação que surpreendeu a todas. — Você merece alguém que te valorize.
Hyunara sorriu fraco, mas havia um brilho de esperança em seus olhos. Talvez fosse hora de parar de correr atrás de alguém que não a valorizava.
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