P.O.V. Annie Murthogth.

Mal passei pela porta da frente e meu pai veio com aquela cara de indignação e disse:

–Precisamos conversar, querida.

Eu sabia que iria tomar uma bronca daquelas, mas meu pai era facilmente manipulável quando se trata de mim. Eu só preciso fazer uma carinha de choro que ele sede rapidinho.

–O que aconteceu?

– Olha minha filha, sei que você está de namorico com o Baker.

–E o que é que tem?

–Ele não é adequado pra você, Superestrela.

–Porque não? E não me chame assim!

–Porque todos os Bakers são fracassados, perdedores, pobres e sem a mínima classe.

–Eles não são fracassados, nem perdedores. E qual o problema deles serem pobres? Você é um fracassado e perdedor por chama-los assim.

–Desculpe, acho que não ouvi direito? Acabou de me chamar de perdedor e de fracassado?

–Você ouviu muito bem! E á propósito o senhor Baker é mil vezes melhor do que você! Eles podem não ter muito dinheiro, mas eles tem algo que sempre faltou nesta mansão.

–E o que é ? Diga! E eu vou comprar!

–Não se pode comprar o amor de alguém, seu idiota!

Sai correndo para o meu quarto, tranquei a porta e chorei enquanto ouvia meu pai chamar por mim e Sarina brigar com ele.

–Jimmy Murthougt! Ela é sua filha e não sua propriedade!

–Não se meta, Sarina!

–Me meto sim! A menina tem o direito de namorar quem ela quiser !

–Eu sou o pai dela!

–E dai? Ela é livre para escolher. Tente conhecer o garoto, de uma chance.

–Mas ele é um Baker?!

–E dai? É apenas um nome! Não define a índole do garoto!

–Está bem, Sarina. Você venceu.

–Convide-o para almoçar conosco amanhã.

–Certo.

Ao ouvir aquilo desci correndo as escadas e abracei meu pai dizendo:

–Obrigado! Eu te amo, papai!

–Eu também amo você Superestrela.

–Obrigado,Sarina! Você é a melhor madrasta do mundo!

–De nada, querida. Fiz apenas o que achei que era correto.

P.O.V. Charlie Baker.

Infelizmente, ouvimos o Senhor Murtogth brigando com Anne e por tanto, meu pai acabou brigando comigo também.

–Eu ouvi direito, Charles? Você está saindo com aquela Murtogth?

–Sim, estou. E o nome dela é Anne.

–Anne? Você está terminantemente proibido de ver aquela garota!

–Não estou! Não me importam suas proibições, nada vai me impedir de ficar com a Annie!

–Charles Christofer Baker! Você não vai mais sair desta casa sem a gente!

–Vou sim! E não pode me impedir de ser feliz ao lado dela!

–Parem, vocês dois! Querido, Charlie tem o direito de ser feliz.

–Você está do lado dele?

–Sim! Você está completamente descontrolado, Tom.

–Não estou descontrolado!

–Tomas Antony Baker! Está fazendo uma tempestade em um copo d' água!

–Deus do céu! A garota é uma diaba! Uma bruxa! Aha! descobri, ela enfeitiçou o nosso filho !

–Você está louco, Tom. Ela é uma garota normal, e Charlie simplesmente apaixonou-se por ela!

–Não vê? É isso o que ela quer que a gente pense. Ela vai nos voltar um contra o outro, vai tentar saber dos nossos podres através do nosso filho.

–Vai usa-lo como fonte de informações á respeito de nós. Ela vai usar este feitiço de amor que lançou em Charlie á seu favor, talvez ela o induza a nos matar!

–Pai, não viaja. A Anne é tudo de bom, ela é delicada, bonita, educada, bem humorada, bem comportada, estudiosa, amorosa, dedicada, cuidadosa, bem vestida, limpinha, cheirosa, calma, paciente, independente, ajuizada...

–Pare, Charles! Agora eu tenho certeza de que a bruxa te enfeitiçou, seus olhos estavam vidrados enquanto falava dela, nunca ouvi você arrumar tantos adjetivos para descrever alguém. É sempre:

–Ela é legal ou ela é bonitinha, ou ela é na boa. Mas não se preocupe filho, vou dar um jeito de acabar com esse feitiço que essa bruxa lançou em você. Custe o que custar.

–Você está totalmente louco! Annie não é uma bruxa e para arrumar adjetivos para se descrever alguém basta ler o dicionário!

Subi correndo para o meu quarto e tranquei a porta. Meu pai estava ficando doido.

Onde já se viu, dizer que uma garota tão bonita, gentil e carinhosa era uma bruxa?

Minha Annie era um anjo, não uma bruxa. Ela era com certeza a mais bela criação de Deus.

P.O.V Tom Baker.

Não vou permitir que aquela bruxa maldita destrua minha família, ela vai pagar caro pelo que fez com Charlie! Vou ensinar a ela que não se brinca com a família de Tom Baker! Minha mulher pode não acreditar em mim, mas eu vou provar á ela que aquela garota é uma bruxa da pior espécie.

Assim que o sol nasceu tratei de ligar o lap-top e pesquisar sobre bruxaria e feitiços do amor, e lá estava. O site dizia que os feitiços do amor são os mais poderosos feitiços existentes. Dizia que apenas a bruxa que lançou o feitiço é capaz de desfaze-lo, isso seria um problema, mas meu filho vale todos os riscos. Investiguei a vida desta garota. Mas não havia nenhum podre á seu respeito, a desgraçada era esperta e tudo o que se sabe sobre ela são suas vitórias em competições esportivas, suas notas perfeitas, sua aspiração á advocacia e seu talento para as artes em geral.

Mas, mesmo assim ninguém é perfeito. Apenas um deslise e ela vai me pagar.

Passei a vigiar cada passo que ela dava e para meu total desespero Charlie passava o dia todo ao lado dela. Estavam sempre conversando, sempre se beijando e se abraçando.

Montei um quartinho de vigilância lá no porão, ontem á noite enquanto todos dormiam, invadi a casa da bruxa e plantei câmeras escondidas em seu quarto, em seu banheiro, em seu armário, na sala de estar da casa, na cozinha,na lavanderia, na sala de jantar, no quintal, no quarto de seus pais, nos banheiros, no quarto de hóspedes, nos quartos de seus irmãos, resumindo grampeei a casa toda. Os celulares, os carros e todos os demais aparelhos eletrônicos que eles tinham. Eu tinha acesso total e irrestrito á vida da família dela.

Nunca contei para Kate porque fiz um juramento de que guardaria este segredo até a morte, mas eu fui um agente secreto do FBI, eu era o melhor na minha época.

Fiz coisas que até Deus duvida, aprendi á ser discreto, á não deixar rastros. Aprendi lutar todos os tipos de artes marciais, á raquear computadores super avançados e super protegidos, á desativar todos os tipos de alarmes e bombas. Aprendi a grampear aparelhos eletrônicos de uma forma que é impossível de ser detectada até pelos melhores e mais treinados profissionais.

Agora, passo cada segundo do meu tempo livre aqui em baixo observando a movimentação da casa, dos carros, as ligações feitas por cada integrante da família do chalé vizinho, as transações bancárias deles, os sites onde navegam, aonde vão, quando vão, onde estão, o que estão fazendo etc.

Claro que eu só vejo as gravações depois que minha família vai dormir ou quando estão fora, o que geralmente acontece todos os dias.

–Pai, o que é isso tudo?

–Está espionando alguém?

Eu estava ferrado.

Notas finais
Quem será que descobriu o Tom? Descubram no próximo capítulo.