Família Grey
49 Mantenha distancia.
Notas iniciais
**José**
– Amor você irá trabalhar hoje? – perguntou Bete ao entrar no meu estúdio.
_ Não só tenho umas fotos para entregar. – respondi.
– Vamos mamãe. – disse Samantha entrando no estúdio.
_ Aonde você vai? – perguntei.
– Na casa da tia Ana. – respondeu ela.
_ É festa é? – perguntei.
Quase todo dia Samantha vai para casa da Ana.
– Não papai. O senhor não que me dar uma irmãzinha. Ai tem que brincar com a Phoe, Mel e Ava. – disse ela.
Olhei para Bete, e ela confirmou com a cabeça.
Peguei o envelope que sempre guardo em minha mesa do estúdio. Ah três meses tenho ele aqui. E dei para ela.
_ O que é isso? – perguntou com a testa franzida.
– Abra. – respondi.
Ela abriu e primeiro pegou o teste de farmácia, examinou e colocou em cima da mesa. Pegou o teste que a Bete fez no médico só para confirmar a suspeita dela.
_ Sério? – perguntou ela com os olhos marejados.
– Sim meu amor. Daqui a seis meses teremos um novo bebê nesta casa. – respondeu Bete alisando sua barriga um pouco volumosa.
—Te amo mamãe. – disse Samantha abraçando a mãe.
— E eu? — perguntei.
—O senhor também papai. — respondeu ela.
—Também te amo minha princesa. — falei a ela.
—Sim agora vamos. — disse ela.
—Vamos menina. — disse Bete.
—Me esperem também vou lá. — falei.
Saímos de casa de no meu carro. Demoramos uns quarenta minutos por que o trânsito estava ótimo para não falar ao contrario.
Assim que chegamos à garagem de Ana Samantha pulou fora. Abri a porta para Bete e entramos na sala de mãos dadas.
—Ei José. – disse Ana vindo me abraçar.
Soltei a mão de Bete para que pudesse abraça-la.
– Ei Ana. – digo abraçando-a.
Christian me olha feio atrás de Ana. Nem ligo anos atrás fui apaixonado por Ana. Mais então conheci a Bete. E percebi que ela era a mulher da minha vida.
– Tio José a Samy pode dormir aqui? – perguntou Phoebe.
_ Claro. Mas amanhã veio buscar ela cedo. – respondi.
Amanhã iremos visitar meu pai. Ele disse que está morrendo de saudades da Sami.
– Tudo bem. – disse ela.
_ Vamos tomar o chá. Bete e me conta desse bebê. – pediu Ana.
– Claro também quero saber do seu. – disse Bete.
_ Tia Bete está grávida? – perguntou Phoebe eufórica.
– Sim Phoe não é o máximo? – perguntou Sami.
E as duas foram lá para cima correndo.
Logo depois Teddy desceu com seu uniforme de futebol.
_ E ai tio. – cumprimentou Teddy com o punho.
– E ai. – falei.
_ Vamos pai. – chamou Theodore.
Christian passou por mim e acenou com a cabeça. Fiquei no meio da sala deslocado. E decidir ir para cozinha onde as duas mulheres foram...
*%*%
**Elisabete**
Samantha pensa que eu não noto, mas está chegando naquela fase insuportável em que o ideal para ela seria que eu não existisse. Ou fosse invisível. Ideal mesmo seria que, além de invisível (e muda, claro), eu a alimentasse, lavasse suas roupas, desse sua mesada e me recolhesse num quarto escuro o restante do tempo.
Como sei isso? Fomos ao shopping outro dia. Foi ridículo.
—Vamos logo, tenho um cineminha marcado daqui a pouco e não quero perder a hora—Avisei.
O projeto de gente saiu do carro, botou o walkman nos ouvidos e voou para dentro do shopping.
Andou a léguas de distancia de mim. Por mais que eu gritasse (e como eu gritei!)
“Samantha! Samantha Rodriguez! Vem ver essa vitrine!”, a aprendiz de arrogante não se virava.
Peguei-a pelo braço:
– Posso saber por que você está nove metros à minha frente?
– Gente, essa mulher é louca! Louca! Nunca vi na vida – reagiu, sonsa.
– Se você quer platéia você vai ter. E ela não vai gostar de você...
Ela fez cara de tédio. Nem se abalou com a ameaça.
Sabe me deixar com raiva!
– Posso saber por que você me ignorou quando eu te chamei?
– Você me chamou? Daquele seu jeito discreto, berrando o meu nome? Não acredito! Alguém ouviu?
– Todo mundo menos você.
– Ai, mãe, que mico!
– Pensa que eu não percebi que você queria que eu fosse invisível?
– Que bom que você percebeu! Se a gente parar de conversar agora ninguém vai notar que somos mãe e filha, vai parecer que você veio me pedir alguma informação.
Que audácia! Que petulância! Deu vontade de dar umas palmadas nela ali mesmo.
– Samantha Rodriguez! Nós viemos ao shopping juntas! E se você for ficar de frescura eu vou...
– Mãe, shopping com mãe é mico, entendeu? Maneiro é vir com a galera. Mãe deixa e busca. Só.
Você não entende porque no seu tempo aposto que nem tinha shopping.
– Você quer ficar sem vir ao shopping por um ano?
– Claro que não, mãe! Fala sério.
Botou o walkman e saiu andando. Nove metros à minha frente.
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