Família Grey
50 Controlador.
Notas iniciais
**Ana**
– Prende logo mãe. – disse Phoebe impaciente.
Estou penteando o cabelo dela, pois ela cortou a mão brincando no parque com o chocolate e neve. O que fez Christian ter um ataque de nervos.
– Calma senhorita apressada. – falei rindo.
_ Está folgado mãe.
Suspirei e prendi de novo o rabo de cavalo.
– Assim está bom?
_ Está.
Saímos do quarto dela, ela vai à frente e eu vou andando devagarzinho por conta da minha barriga. Que está o dobro. Estou no quinto mês de gestação e vou ser mamãe de gêmeos é um casal foi uma emoção é tanto para mim. Christian quase enlouqueceu. Imaginando se os bebês fossem como Teddy ou a Phoebe.
Também está mais protetor do que de costume. Nem estou indo para o trabalho, tenho que trabalhar em casa. O que para mim está sendo um alivio. Quase não ando direito pareço mais uma pata.
– Teddy vai pegar a mamãe. – riu Phoebe. – Tá parecendo àquelas velhinhas faltou à bengala. – continuou ela.
_ Me deixa chegar ai, que eu te dou o seu. – falei parada no meio da escada. Precisava tomar folego para terminar de descer.
– Phoe deixa o papai escutar isso. – falo Teddy. Jogado no sofá mexendo no celular.
Conseguir descer a escada, e me joguei ao lado de Teddy, estou parecendo àquelas velhinhas mesmo.
_ Vamos Teddy. – chamou Phoebe da porta.
Ela correu quando me viu chegar. Não que ia batê-la, ela sabe que eu nunca faria isso. Mais tem horas que ela merece um tapa. Essa menina é levada demais. No dia que ela foi contar a Christian que deu o primeiro beijo. Pensei que Christian ia enfartar.
FLASH BACK ON
– Ooooi! – disse ela, ao chegar em casa fazendo a bagunça de sempre, deixando a mochila num canto.
– Oi, amor de mãe! Estava pensando em você pequenininha e deu uma saudade... vem cá me dar um beijo?
Ela veio, encheu-me de beijos e, sentada no colo de Christian, perguntou:
– Lembra que eu fui ao cinema no sábado?
– Lembro, claro. – respondi.
– Sabe o que rolou lá?
– O filme, ué.
– Não, mãe! Além do filme...
– Pipoca? Refrigerante? Jujuba? – tentou Christian.
– Que mane jujuba, pai? Pensa mais um pouco.
– Chiclete? – falei.
– Caraca, não acredito que você não deu uma dentro! Rolou um beijo, mãe. Beijo!
– O quê? Suas amigas já estão beijando? Não me diga, Phoebe Grey. Aposto que foi essa tal de Alice, sempre achei essa menina muito saidinha. – disse Christian.
– Fui eu, pai. Eu que beijei.
Christian arregalou os olhos e falou sem um pingo de emoção:
– Você? Olha só, filha... você beijou... que bom...
– Só isso? Não quer saber como foi? Com quem foi? Achei que vocês iam morrer de curiosidade.
– Nossa, estou louco, LOUCO para saber esses detalhes, minha filha, você não faz ideia – mentiu descaradamente. – Só espera um minuto que papai vai pegar um copo d’água. Quer também?
– Não, obrigada! – respondeu ela.
Christian saiu e Phoebe sentou no sofá com o maior sorrisão.
– Então, filha, agora sou toda ouvidos. Quem é ele? – perguntou Christian sentando no sofá. Ele me deu um copo de água que bebi em pequenos goles.
– É o Nando, primo da Alice.
– Não acredito que é parente dessa Alice... – falei.
– Mãe! – bronqueou ela.
– Desculpa, desculpa, não está mais aqui quem falou. – me desculpei.
– Ele mora em Bellevue, veio passar o final de semana aqui em Seattle.
– Interessante. E... foi... foi assim... – falou Christian baixando os olhos e a voz, como se fosse falar uma enorme indecência. – foi beijo de língua?
– Dââââ!
– Que é isso, Phoebe Grey, olha o respeito! Foi ou não foi de língua? – questionei, com a testa franzida.
– Claaaaaro que foi, mãe! Você acha que eu ia dar um selinho num menino de 15 anos?
– 15!? Menina, mas ele é um homem! Se bobear tem barba e tudo! – gritou Christian. – Phoebe Grey, você conhece os pais desse rapaz? Ele é de boa família? De boa índole? – continuou o agente do FBI.
– Ai, pai, que coisa mais antiga! Que "rapaz"? Quem é que fala "rapaz" hoje em dia? E por que é que eu tenho de conhecer os pais de um menino só porque dei um beijo nele? Que coisa mais sem nexo.
– O quê? Foi você que deu o beijo nele? – perguntou Christian.
– Ah, tipo assim... eu tomei a iniciativa, mas ele já estava me azarando desde a lanchonete.
– Você tomou a iniciativa? Isso é coisa de menina fácil, Phoebe! – falei exaltada.
– Mas meninos são lentos, às vezes precisam de um empurrão básico. Além do mais, eu não aguentava mais ser BV, né?
– BV? O que é BV, Phoebe Grey? – perguntou Christian confuso
– Boca Virgem, pai! Que desatualizado! – respondeu ela passado às mãos no cabelo.
– Mas que bobagem! Sabia que no meu tempo a gente só beijava...
– Alou! Não estamos no seu tempo! Vai começar esse papo chato de "no seu tempo" de novo?
– Está bom, desculpa.
– Não vai perguntar se foi bom?
Ela estava realmente decidida a ir fundo no tema. E Christian sem a menor vontade de saber como foi.
– Sim, querida, claro. É... como foi? – perguntei.
– Foi molhado. Mas aí, mãe, muito, muuuuito molhado...
– Molhado? Veja você, não me diga...
– Digo. Foi bem gostoso, mas também foi, assim, meio nojentinho, sabe? Muito estranho ter a língua de outra pessoa no meio da boca.
– Menos detalhes, Phoebe Grey! Não precisa contar cada segundo desse beijo, ande logo, encurte essa história! – falou Christian impaciente.
– O primeiro foi uma baba só – continuou, para o total desespero de Christian. Não queria ouvir aquilo. Era horrível visualizar uma língua cheia de cuspe dentro da boca da sua filhinha.
– Teve mais de um? – perguntou Christian.
– Óbvio. Mais um, mais dois, mais três... e a cada beijo ia ficando mais gostoso e menos nojentinho. Tão bom, pai! Tão bom! Não vi nada do filme.
– Foi, filha? Nossa, que interessante... Mas vocês não ficaram de saliência no escurinho do cinema, não, né? – perguntei.
– Fala sério, mãe! Não acredito que você disse essa palavra! Saliência? Nem a vovó diria isso. Mas, para a sua informação, não, não fiquei de "saliência" no cinema. Eu me comportei muito direitinho.
– Está bem, desculpa. Fico feliz em saber que foi bom, filha. E agora? Vocês... vocês estão namorando?
– Dâââ! Claro que não! Ele mora longe. E eu não estou nem um pouco a fim de namorar!
Apoiei veementemente sua decisão.
– Isso mesmo, fihota! Vai aproveitar o restinho da sua infância, brincar, pular amarelinha, correr, jogar, é isso que você tem que fazer. – falou Christian.
– Pai, o que eu ia dizer é que eu quero ficar com os meninos, não namorar com eles. no máximo um namorix .
– Namorix? Que diabo é isso? – perguntou Christian alarmado.
– É um namorado que não é namorado sério, é só um namorix. É mais sério que ficar e menos sério do que namorar sério.
– Sério? – perguntei.
– Sério. Sacou?
– Saquei... – respondi, meio zonza com tanta informação nova.
– Além do mais, se eu posso ter vários por que vou me prender a um só? Quando isso acontecer, eu vou estar apaixonada, pensando e querendo estar com o menino vinte e quatro horas por dia. Antes disso, quero beijar muitas bocas e ser feliz pra caramba!
Ela me deu bitoca estalada na bochecha de ambos antes de voar para o chuveiro. Nem percebeu que estávamos ainda estava de queixo caído.
– Isso é culpa sua. – disse Christian.
_ Ãn? – perguntei ainda zonza.
– Cadê o Theodore?
_ No colégio.
– Não, não está. A Phoebe já chegou era para ele ter chegado também. – disse levantando do sofá.
_ Christian você está ficando biruta. Teddy tem treino do futebol. – falei.
– É mesmo. Essa conversa com Phoebe me deixou confuso.
FLASH BACK OFF
_ Aonde vocês dois vão? – perguntou Christian saindo do escritório.
– Arrecadar alimentos com a turma. – informou Phoebe.
Christian franziu a testa.
_ Vocês vão pedir comida em porta em porta?
– Claro né pai. – respondeu Teddy.
_ Nada disso. – disse Christian balançando a cabeça para confirmar o que disse.
– Pai é trabalho da escola. – indagou Phoebe.
_ Eu pago os alimentos. – disse ele.
– Qual é velho, qual parte o senhor não entendeu?—perguntou Teddy tirando os olhos do celular. Christian o encarou serio. E ele completou. — É. Trabalho. Da. Escola. — ele falou pausadamente.
Christian o encarou.
_ Não quero saber, meus filhos pedindo comida por ai.
– Mãe? – chamou Phoebe.
_ Vão vocês vão se atrasar. – falei por fim.
Phoebe sorriu e Teddy levantou correndo do sofá e saíram porta á fora.
– Srª Grey. – Ralhou Christian.
_ Sim?
– Você merece um castigo.
_ Mereço? – perguntei mordendo o lábio.
– Não morda os lábios Srª Grey. – disse ele avançando sobre mim.
Continua...
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