Family's Love.
8 Cap. 8 - Stuck in the past.
Notas iniciais
— Ok, essa foi a pior ideia de todas as ideias ruins que você já teve! –
— Vamos, não foi tão ruim. –
— Você fingiu convulsionar! –
— Você ‘desacatou’ o policial! –
Você provavelmente deve estar perdido, então voltaremos algumas horas atrás. Uma Cheerio, Sandy, ia dar uma festa enquanto sua mãe estava fora, e obviamente iria ter álcool e outras drogas – e talvez até ilícitas –, ou seja, vários adolescentes bêbados ou até piores do que isso. É claro que Quinn não a deixaria ir, mas também era claro que ela iria. Beth esperou que todos dormissem, e então foi para a maldita festa sem consentimento algum de sua mãe. Uma das piores decisões de sua vida.
Quatro da manhã foi quando todos que não dormiram onde caíram decidiram ir embora. Beth estava com Norah, Jenny e Effy, as quatro tão bêbadas que não conseguiam parar de pé. Mas não existe nada tão ruim que não possa piorar. Por conta do destino, ou não, Beth acabou trombando com Joseph Nichols, o garoto com quem brigara por causa de Marley. Quando fora notar, o pequeno policial gorducho já estava tentando tirá-la de cima do rapaz desacordado. Talvez fosse o álcool falando, mas ela não gostou nem um pouco de ter sido interrompida. Assim que Norah viu que aquilo não acabaria bem, fingiu entrar em uma crise convulsiva, mas não adiantou muito.
Agora as quatro estavam na delegacia de Lima, após muito protesto e ameaças por conta do policial e de Beth.
— É isso, minha mãe vai me matar. – A garota baixa diz, cruzando os braços e recostando-se contra a parede, já sem esperança alguma. Quinn iria, definitivamente, acabar com ela. –
— Veja pelo lado bom – Norah sorri nervosamente, tentando ser otimista, mas na situação em que se encontravam, não tinha para onde correr. — ... Não tem lado bom, não é? –
— Duvido muito. – A voz de Beth sai num sussurro, mais preocupada em como enfrentaria Quinn do que responder a amiga. –
— Existe um lado bom – É Jenny quem diz. Ela e a namorada, Effy, estão colocadas na cela ao lado da qual Beth e Norah se encontravam. – Você ganhou do Nichols outra vez. –
Beth sorri minimamente; Aquele idiota agora tem total certeza de que jamais se mete com um Berry-Fabray.
Uma policial loira, que mais parecia ter saído de uma fantasia sexual explicita, se aproximou da cela onde as duas garotas resmungavam. Beth olhava disfarçadamente, mas Norah fazia jus ao sobrenome, encarando o busto da mulher como se sua vida dependesse disto.
Beth não sabia se queria morrer ou matar a Puckerman!
— Berry-Fabray, Puckerman – Ela chamou, e as duas garotas se entreolharam, provavelmente já pensando em quais seriam suas ultimas palavras. – Seus pais vieram te buscar. –
A loira destrancou a cela e praticamente arrastou-as para fora; Vendo pelo lado de que ali seus pais não podiam matá-las, não parecia tão ruim assim passar o resto da vida na cadeia. A oficial extremamente sexy as levou até uma sala de espera, onde Puck, Quinn e Rachel conversavam calmamente.
Novamente as adolescentes se entreolharam; Estavam tão ferradas ...
— Até, vocês três. Vamos Norah. – Puck diz ao se levantar, e então é seguido de perto por uma Norah de cabeça baixa. Ela troca um ultimo olhar desesperado com Beth antes de deixar a delegacia. –
A garota baixa engole em seco e dá um sorrisinho nervoso; Ela podia sentir o terrível gosto da morte! Quinn se levantou, ela tinha olheiras abaixo dos olhos e o rosto estava contorcido numa careta irritada, seus longos fios dourados presos em um rabo de cavalo desleixado.
— Você ... Eu não acredito, Bethany! – A loira está se segurando para não gritar, isso é óbvio. Ela passa ambas as mãos no rosto e respira fundo, tentando buscar uma paz há muito perdida. – Nós conversamos em casa. –
Foi a única coisa que conseguiu dizer, logo caminhando em direção à porta da frente. Rachel e Beth trocaram um olhar demorado. A mais nova queria perguntar o que ela estava fazendo ali, mas aquele não era o momento nem para ser cretina.
Afinal, estava indo para o seu encontro com a morte.
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O caminho até o condomínio fora silencioso. Elas foram seguidas por Rachel em seu próprio carro durante todo o trajeto. Beth mal conseguiu pisar no primeiro degrau da escada, quando Quinn limpou forçadamente a garganta, e a garota não precisou de outro sinal para sentar-se no sofá branco e espaçoso, suas duas mães de pé na sua frente. Rachel parecia meio insegura, enquanto Quinn só faltava arrancar os cabelos, as mãos posicionadas na cintura e o cenho franzido.
— Você sabe o que é – Quinn começa, ainda lutando para não gritar. – Ser acordada cinco e meia da manhã por um policial dizendo que a sua filha foi detida por brigar bêbada e desacatar outro policial? –
Aquilo era uma pergunta retórica ... Não era? Beth se encolheu contra o sofá; Ela preferiria participar dos Jogos Mortais, se isso significasse que não teria que lidar com uma Quinn furiosa.
— Você foi para uma festa sem a minha permissão, bebeu e ainda foi presa? – Outra pergunta retórica? – Você sabe a gravidade disso, Bethany?! E se algum idiota tivesse se aproveitado de você? Quem sabe se você não estava muito mais do que bêbada? –
— Mãe, foi só uma festa, nada de mais! Ninguém se aproveitou de mim, e eu só bebi um pouco! – A garota diz, cruzando os braços. -
— Você pode garantir isso? Não posso confiar em você! Eu pensei que você estivesse dormindo quando na verdade estava bebendo! Você não tem nem idade para fazer uma coisa dessas! –
— A bebida acaba com a gente, Bethany. – Rachel, que está de braços cruzados ao lado de Quinn, diz num murmuro. –
— Ah, não se meta nisso, você não é nada minha! – Foi sem pensar, ela admite. Só foi notar o que dissera quando o semblante magoado de Rachel apareceu. –
— Bethany! – Quinn finalmente gritou. Se não fosse a mesinha de vidro que as separava, Beth jurava que teria levado um tapa no rosto. – Não fale assim com a sua mãe! -
— Você está defendendo ela?! – A garota grita de volta, com um olhar descrente. Era a primeira vez que se referia a Quinn como “você”. – Pelo que eu me lembre, vocês se separaram por causa de uma possível traição, não foi? –
As duas mulheres se entreolham, como Beth sabia disso?
— Eu me lembro ... – Ela diz num sussurro, encarando o chão com um semblante triste. – Eu tinha oito anos, e Marley me acordou de noite...-
A primeira coisa que Beth viu ao acordar foram os olhos azuis de Marley iluminados pela luz forte do quarto, vermelhos e inchados, denunciando um choro recente. Ela se sentou na cama, esfregando seus próprios olhos, e logo em seguida, dando tapinhas ao seu lado do colchão, pedindo para que a irmã mais nova se sentasse ali.
— O que foi? – A garota pergunta com uma voz sonolenta. –
— Mãe e mamãe estão brigando... – Responde uma Marley de sete anos, encolhendo-se contra a irmã mais velha, que ainda era mais alta que ela naquela época. –
— Brigando? – A mais nova permanece em silêncio, provavelmente não querendo falar mais sobre isso, então Beth apenas dá de ombros e logo se põe de pé, segurando os ombros magros de Marley. – Eu vou ver, ok? –
A de olhos azulados assente timidamente, e Beth beija sua testa, antes de se retirar do quarto. Caminhou lentamente pelo corredor, até escutar o barulho de algo se quebrando, juntamente das vozes de suas mães;
— Você jogou um vaso em mim sua louca, poderia ter me machucado, qual seu problema? – É claramente a voz de Rachel. A garota para no meio das escadas, em completo silêncio. Mas não é como se as mulheres fossem notá-la, afinal, estavam bem “distraídas”. –
— Não se preocupe, na próxima vez eu te machuco! – Quinn grita de volta. – Ou melhor ; Machuco a sua namoradinha! Quem é ela? –
— Pelo amor de Deus Quinn, eu já disse que não estou com ninguém além de você, eu te amo! – Não é preciso ser um gênio para ver que Rachel está quase perdendo a calma; Quinn estava paranoica esses dias, afinal. As mentiras de traição vinham desde o primeiro filme de Rachel. –
— Qualquer um na internet pode ver qualquer foto sua com essa ... Argh! Vou perguntar de novo, Rachel, quem é essa mulher? – Quinn insiste, nem lembrando que tinham vizinhos, ou pior ainda, duas crianças e um bebê. –
— Eu vou encenar com ela, Quinn! Meu Deus, que ciúme é esse? Você não confia mais em mim? – O tom de voz de Rachel está ligeiramente mais baixo, e Quinn parece que vai chorar. E ela o faz, as lágrimas descem por suas bochechas com gosto. –
— Você não para mais em casa, não fica mais com as meninas nem comigo, e você ainda quer que eu vá acreditar que tudo isso é “trabalho”? Como você quer que eu confie em você se parece impossível? – A loira cobre o rosto com as mãos, seus soluços podem ser escutados do outro lado da rua. Rachel se sente mal com isso, mas não dava mais. Não desse jeito. –
— Não dá mais Quinn – A morena sussurra. – Você reclama que não fico mais com vocês, mas sempre que eu estou aqui é só cara feia, ciúmes e briga! Como você quer ter um relacionamento assim? Sem confiança, só brigas idiotas todo dia. Quando foi a ultima vez que você disse que me amava? Quando Harmony nasceu? Isso foi há oito meses atrás. Agora eu vou ter que viajar para a Austrália por causa do filme, e você vai fazer o que quando eu voltar? Jogar outro vaso em mim e dizer que eu te traí sem nem ter certeza? Você está se tornando possessiva, e não dá pra continuar um relacionamento assim. –
— É isso então? – A loira diz, entre soluços angustiados. – Você está me deixando? –
— É a nossa terceira briga em dois dias, provavelmente a centésima só no mês. Não dá mais pra continuar assim. – A morena caminha até um porta-chaves pregado na parede. Ao mesmo tempo, seus olhos marejam, é como se uma estaca estivesse cravando em seu peito. Mas Quinn estava ficando louca. –
— Onde você vai? – A Fabray sussurra, mordendo o lábio inferior para não chorar novamente. Mas é em vão. –
— Sinceramente? Eu também não sei.- Rachel diz, e em completo silêncio, deixa a casa. Para nunca mais voltar. –
— Você escutou isso ... – A morena murmura, e Quinn lhe olha com pena. –
— Foi a porra de um vaso sendo jogado na parede, quem não ia escutar um negócio desse? – A garota responde. – Só me diga uma única coisa Rachel. Você traiu a minha mãe? –
O tom de Beth não era bravo, irritado, irado. Era magoado. Algo que a atormentou por oito anos, afinal, ninguém gostaria de presenciar uma briga daquelas.
— Não. Nunca. Eu amo sua mãe de mais, eu jamais iria trocá-la por qualquer mulher nesse mundo. Quinn foi meu primeiro amor, e também a primeira pessoa que me amou, que não me achou uma aberração. Até hoje eu tenho orgulho de ter sido capaz de leva-la ao altar, e não me arrependo nem um pouco de ter me casado com ela. E também, tenho mais orgulho ainda de você e suas irmãs, que são fruto do meu amor com a mulher mais perfeita do mundo. Nosso casamento pode não ter resistido, mas vocês três me lembram que um dia Quinn já me amou tanto como eu a amei, pois ela me deu vocês, o meu bem mais preciso. –
Quinn congelou. Aquelas foram as palavras mais belas que já escutara na vida, melhor do que qualquer romance clichê que já lera. Rachel a amava. Mesmo após brigas, ciúmes e quase decapita-la com um vaso, ainda a amava. E ela também amava Rachel. Tanto que chagava a doer. Mas não parecia certo. Não deveria prender Rachel a si, não depois de tudo o que aconteceu. Tecnicamente, o fim de seu relacionamento fora por sua culpa. E se ficasse paranoica com o ciúme de novo? Não daria certo.
— Isso responde a sua pergunta? – A morena pergunta num sussurro, sorrindo de lado. Uma pequena lágrima percorre seu rosto, caindo no tapete preto e felpudo. –
— ... Mãe? – Beth sussurra, encarando fundo os olhos de Rachel tão negros como os seus. Ela mesma já estava chorando, a maquiagem preta agora borrada provava isso. –
— Sim? – Rachel responde, sorridente. As lágrimas ainda caiam de seus olhos. –
— Eu vou te abraçar agora, tá bom? – A garota caminhou lentamente, e então prendeu Rachel em seus braços. Em seguida deitou sua testa no ombro da mais velha, finalmente derrubando aquelas barreiras em volta de seus sentimentos. Sua mãe estava de volta. –
Da escada, Marley e Harmony, ainda de pijamas, observavam tudo felizes da vida. Agora poderiam colocar o plano “juntar as mães” em ação.
— Eu ... Odeio cortar clima – Quinn murmura, parecendo um tanto embaraçada. – Mas nada disso muda o fato de que você foi presa, Bethany. –
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