Family's Love.
7 Cap. 7 - A sick day.
Notas iniciais
Rachel parecia uma adolescente nervosa, entrelaçando os dedos e respirando pesadamente, seu coração parecia querer saltar para fora do peito, bombeando sangue para suas veias tão desesperadamente que poderia acabar explodindo. Ok, isso soou um tanto exagerado, mas de qualquer forma, Rachel sentia que estava beirando uma parada cardíaca.
Ela encarou suas botas pretas de cano curto, reuniu o máximo de coragem o possível e então pressionou a campainha. Sentiu que poderia vomitar quando a porta se abriu, e por realmente muito pouco não o fez. Cabelos loiros apareceram, mas sua felicidade morreu ao encontrar um par de olhos azuis, assim como os de Marley e Harmony. Não era Quinn, mas sim sua mãe, Judy Fabray.
Seu sangue congelou.
— J-Judy? – A morena engasgou, não era exatamente quem ela queria encontrar ali. –
— Rachel? – Sua ex-sogra lhe fita de cima a baixo com um olhar nada bom. Judy envelhecera com o tempo, obviamente, mas estava bem conservada. – O que faz aqui? –
Tá bem, ao que parece, Quinn não avisou a mãe sobre o jantar, e talvez nem sobre o fato de que Rachel estava de volta, tentando reconquistar as filhas, ótimo!
Antes que Rachel pudesse sequer pensar em uma resposta plausível, Quinn finalmente apareceu. O cabelo loiro preso em um coque mal feito, o pijama de inverno num tom rosa bem claro e o suéter de lã aberto lhe deixavam extremamente adorável.
— Lucy, você não podia levantar da cama, lembra? – Judy ralha com o famoso tom de mãe preocupada, tratando a mulher como se fosse uma criança mais nova do que Harmony. –
— Droga, desculpe, Rachel – Diz Quinn, ignorando totalmente a advertência de sua mãe. – Mas Harmony ficou doente ontem e acabou passando para todas nós. –
Sua voz está meio anasalada e a ponta de seu nariz adquiriu um tom rosado, assim como as maçãs de seu rosto.
— Elas estão bem? Você está bem? – A morena pergunta, não se importando nem um pouco em demonstrar sua preocupação. –
— Rachel, é só uma gripe. – Quinn responde com um pequeno sorriso no rosto, que some quando ela tapa a boca com a mão, tossindo algumas vezes. – Agora que o jantar foi cancelado, imagino que você vá embora, não é? –
— Eu ... Poderia pedir uma pizza, se não for muito incômodo. O que acha? – Rachel pede, um tanto receosa. Quinn solta o melhor sorriso que consegue, e assente. –
— Ok, uma pizza, então. –
Judy alterna o olhar entre sua filha e a ex-nora, em seu rosto estava esculpido uma careta nem um pouco agradável. Ela se lembra bem do quanto Quinn e as filhas sofreram depois que Rachel foi embora, e não deixaria que elas passassem por aquilo de novo. Rachel não era confiável, na sua opinião. Quando havia parado de beber? Quem garantia que ela não iria embora outra vez quando cansasse de brincar de casinha?
Quinn convidou Rachel para entrar, e a morena aceitou de bom grado. A casa tinha como padrão as cores preto e branco, tudo bem arrumado e confortável. Conhecendo Quinn e seu perfeccionismo inquestionável, sabia muito bem que a loira escolhera tudo a dedo.
Em um dos três sofás branquíssimos ao redor de uma pequena mesinha de vidro com várias caixas de lenços de papel, Rachel conseguiu ver um bolo de cobertas e travesseiros, e pelo jogo de guerra sangrento na televisão de setenta e cinco polegadas logo acima da lareira, concluiu que o que quer que estivesse ali, anteriormente deveria ser Marley.
— Mais um pouco e esse sofá te engole. – Rachel diz com um tom brincalhão, os braços cruzados abaixo dos seios enquanto observava atentamente aquele jogo sangrento e que Marley provavelmente não deveria estar jogando, de acordo com a faixa etária na capa. –
— Rachel? – Marley pausa o jogo e se ajeita no sofá, dando espaço para que a morena se sentasse ao seu lado. –
— Como está se sentindo? – A mais velha pergunta, em seu rosto uma expressão preocupada que fez com que a adolescente se sentisse levemente melhor; Rachel estava se importando com ela. –
— Hm ... Não tão ruim, eu acho. Todo sábado eu fico jogando embaixo das cobertas, então a única diferença é que agora meu nariz está trancado. – A garota diz em tom de brincadeira, arrancando um risinho de Rachel. –
— Entendi, você é uma daqueles nerds antissociais. – A mais velha responde no mesmo tom com um pequeno sorriso brincando em seus lábios, e Marley ri. –
— Hey, eu sou bem sociável quanto tô jogando Halo. –
— Halo não é uma música? –
— É, mãe, mas também é uma série de jogos. – Ela responde como se fosse óbvio. Mas Rachel parou de prestar atenção na explicação. Marley a chamara de mãe espontaneamente, como se aqueles últimos oito anos nunca tivessem acontecido. Seus olhos marejaram, mas ela não ia deixar isso preocupar Marley. Não. Ao invés disso, resolveu sorrir e concordar com cada coisa que a garota falava. –
Da escada, Quinn observava a interação das duas em silêncio, o sorriso nunca deixava seu rosto. As coisas estavam se acertando, finalmente.
...
Ultima porta à esquerda no final do corredor. Fora isso que Quinn dissera, não? Rachel deveria ir até lá. Então, por que raios suas pernas não se moviam mesmo?
Cada passo que dava, era como se o chão estivesse em brasas. Seu nervosismo era tanto que até alcançar a porta já estaria sem unhas. Era como se estivesse indo para o corredor da morte. Mas era apenas o quarto de Beth. Não havia muita diferença. Talvez ser decapitada numa guilhotina não fosse uma opção tão ruim agora, vendo bem.
Ela parou em frente à porta branca de madeira, respirou fundo, e então deu três toques. A voz, obviamente de Beth, gritou um ‘Entra’. Talvez tenha demorado alguns segundos, mas Rachel conseguiu girar a maçaneta e abrir a porta.
O quarto de Beth com mais absoluta certeza refletia sua personalidade. As paredes pretas estavam cobertas por pôsteres de bandas e mulheres pin-up’s, e em cima da cama, uma prateleira branca suportava alguns livros e jogos. Num canto, residia uma bateria azulada coberta por algumas roupas deixadas lá desordenadamente, deixando bem óbvio de que a garota não era nem de longe uma pessoa organizada.
No meio do enorme e desarrumado colchão de casal, uma garota morena brincava com o filhote de buldogue francês deitado em sua barriga, mas não era Beth, e sim Harmony.
— Rachel? – A morena olha para o lado, onde Beth estava. Ela mexia num notebook em cima de uma mesa embutida na parede, sua guitarra Gibson SG vermelha sempre em mãos. –
Algo dentro de Rachel pareceu quebrar ao ver o rosto machucado de Beth. Droga, se ela pudesse colocar as mãos no idiota que fez isso, ele iria se arrepender de um dia ter sequer olhado para suas filhas!
Talvez tenha sido o instinto materno ou até algum reflexo, mas quando Rachel foi notar, já segurava o rosto de Beth entre as mãos, a garota lhe encarava com os olhos tão castanhos quanto os seus, seu semblante era uma mistura de surpresa e apreensão.
— Você está bem? – A morena pergunta, a preocupação é evidente. Beth parece querer responder, aproveitar o carinho e o amor de Rachel, mas algo, como um alarme, a afasta imediatamente das mãos da mulher, como se tivesse a queimado. –
— Eu estou bem. Você não precisa se preocupar comigo, não é seu dever. – Ela sussurra de cabeça baixa. Rachel engole em seco e assente, a magoa transbordava de seu olhar. Claro que era seu dever se preocupar, ela era sua mãe! Mas de que adiantava se Beth já tivesse parado de reconhece-la como tal há muito tempo? –
— Sim, eu ... Entendo. Fico feliz que esteja bem. – A morena tenta passar indiferença, mas sua voz vai abaixando a cada palavra. –
— Mamãe – A voz de Harmony vem de algum lugar debaixo de Freddie e o amontoado de cobertores. – O que você está fazendo aqui? –
Rachel sorri minimamente e se aproxima da garota deitada na cama da irmã, sentando-se ao seu lado. Beth estala os dedos e o buldogue francês se espreguiça, logo saindo se cima de Harmony e indo se entreter com algo como mastigar o sofá ou lamber a cara de Marley enquanto ela dorme.
— Vim ver se vocês estavam bem. – Ela responde sorridente, afagando a franja da garota. Ela está um pouco mais quente que o normal, mas Rachel não se preocupa, afinal não era nada alarmante, e se fosse, Quinn já teria tomado suas providências. –
Batidas na porta chamam a atenção das três, e logo Judy se enfia dentro do quarto.
— A pizza chegou ... E aliás, Bethany, você não arruma o quarto não? – A mulher loira ralha com seu típico jeito de avó preocupada que é ignorada por adolescentes, e Beth apenas dá de ombros. –
— Minha mãe arruma pra mim. –
— Bethany Gwendoline Berry-Fabray, você já tem dezesseis anos, não pode ficar dependendo da sua mãe pra sempre! — Beth continua com sua cara de paisagem, e Judy apenas bufa, provavelmente pensando que a nova geração estava perdida. – Ok, só desçam logo, antes que esfrie. –
Dito isto, a mulher mais velha faz seu caminho de volta para a cozinha. Harmony insiste em levantar, mas depois que Rachel promete não sair do seu lado, a garota acaba aceitando que não deveria sair da cama tão cedo. Beth, por outro lado, logo deixa as duas. Rachel não era uma boa pessoa, não importava a quantos discursos tocantes ela decorasse, nada, jamais, mudaria sua opinião.
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