Family's Love.
6 Cap. 6 - Physical pain is nothing compared to emotional pain.
Notas iniciais
— Obrigado por vir, senhora Fabray. – Diz o homem alto e de cabelos grisalhos sentado atrás de uma mesa grande e espaçosa, sua feição imponente degradava a imagem do antigo diretor indiano, Figgins. –
Beth estava sentada do outro lado da mesa, de cabeça baixa e em completo silêncio, mal olhou para Quinn quando a mais velha entrou na sala. A Fabray se senta numa cadeira ao lado da filha, e apenas arqueia a sobrancelha em direção à garota ainda de cabeça baixa, os cabelos escuros lhe impediam de ver-lhe o rosto.
— Tudo bem, senhor ... – Quinn retira o olhar de Beth para analisar a plaqueta de madeira com os dizeres ‘Diretor Fitzgerald’ entalhados cuidadosamente. – Fitzgerald. O que aconteceu dessa vez? –
Beth tinha um temperamento terrível, uma paciência curtíssima e um humor duvidoso relacionado à piadas de mal gosto, então era bem comum que Quinn fosse chamada na escola ao menos uma vez por mês, por motivos diferentes e raramente repetitivos. Ela costumava dizer que Beth tinha uma criatividade incomum para arranjar problemas e se meter em encrencas.
— Acho que a Bethany gostaria de te responder, não é mesmo, senhorita Berry-Fabray? – Ele diz com seu ar irritantemente superior, automaticamente Beth sente que pode socá-lo no rosto, e por muito pouco não o faz. –
A garota levanta a cabeça lentamente, finalmente mostrando seu rosto tomado por uma expressão irritada. Logo abaixo do olho esquerdo tem um leve tom arroxeado, o lábio inferior apresenta um pequeno corte, e um pouco acima da sobrancelha direita, um band-aid esconde um machucado um tanto dolorido.
A primeira coisa que Quinn consegue sentir é raiva, afinal, alguém havia evidentemente surrado sua filha, mas decidiu que antes de qualquer coisa tiraria aquela história a limpo, pois conhecia muito bem aquela garota sentada ao seu lado, e poderia dizer com absoluta certeza que Beth também não era a pessoa mais santa, nem de longe.
— Aquele idiota que começou! – A garota exclama, segurando-se para não gritar, mas autocontrole – principalmente nessas situações — não era seu forte. – Ele acha que pode implicar com todo mundo só por ser o quarterback, eu só estava defendendo a minha irmã! –
— O que aconteceu aqui, exatamente? – Quinn pergunta para o diretor, tão perdida quanto cego em tiroteio. –
— O senhor Nichols estava implicando com sua filha mais nova quando Bethany apareceu – Responde o homem, alisando seu cabelo grisalho encharcado de gel, chegava até a lembrar Blaine. – Os dois se agrediram verbalmente, e todos afirmam que sua filha o socou no rosto primeiro. –
— Marley está ...? –
— Ela está na aula. Nosso problema aqui envolve apenas Bethany e o senhor Nichols, que está desacordado na enfermaria, aliás. –
— Bem feito ... – Beth sussurra, e acaba levando um olhar nada amigável do diretor que mais lembrava o Conde Drácula, frio e desprovido de qualquer resquício de humanidade. –
— O fato aqui – Fitzgerald começa, colocando o óculos redondo sobre seu nariz grande e fino. Ele passou de Conde Drácula para Albus Dumbledore. – É que por essa ação ‘bem feita’, você e o senhor Nichols acabam de ganhar três dias de suspensão, senhorita. –
Quinn suspira e apenas assente. Ela e o diretor mal encarado trocam um breve aperto de mãos, e logo as duas se retiram da sala, em completo silêncio por ambas as partes.
...
— Beth, você quer conversar sobre isso? – A loira pergunta quando param no primeiro sinaleiro. A garota, que estava virada para a janela desde que entrara no carro, vira o pescoço e fita Quinn demoradamente. –
No rosto de Beth, geralmente pode-se encontrar uma carranca mau humorada, indiferente e tediosa, pois de acordo com ela, não existem mais motivos para ter bom humor. Mas Quinn sabe que isso é fachada. Que na verdade a garota é um poço de sentimentos, e que guarda suas fraquezas atrás daquela máscara de indiferença. Ela sabe, pois ela mesma já fora assim.
Mas naquele momento, ela não via a Beth casca grossa, marrenta e irritante, e sim sua filhinha assustada, no qual o único refúgio seria os braços da mãe.
— Aquele idiota, ele estava xingando a Marley, tratando-a pior do que um cachorro de rua! Ele estava dizendo que eu, ela e Harmony somos fruto de um relacionamento falso e pecaminoso, disse que você e Rachel iam pro inferno, e que nós três não merecíamos existir! Quando eu fui notar, o Finn já havia nos separado ... Tinha tanto sangue no chão ... Se tivesse continuado, eu provavelmente teria acabado matando ele! –
Beth praticamente tremia de raiva, cerrando os dentes e apertando os punhos enfaixados com uma força que nem ela sabia de onde vinha. Mas tudo pareceu passar quando Quinn segurou sua mão, lhe dando segurança e conforto. Elas eram assim desde quando Beth era um bebê; Rachel podia fazer de tudo, mas bastava que Quinn pegasse-a no colo e segurasse sua mãozinha, que automaticamente ela parava de chorar.
— Querida, você não precisava ter desacordado o rapaz, mas ao menos sua intenção foi certa. Você protegeu as suas irmãs, a mim e a sua mãe, e eu estou orgulhosa disso, Bethany. Só que da próxima vez não espanque ninguém, além de suspensão, isso pode acabar com algo mais sério, ok? – Pede Quinn, sorrindo gentilmente para a garota cabisbaixa, que assente lentamente, não se preocupando em esconder um pequeno sorriso de lado. –
— Valeu mãe, eu te amo. – Ela murmura, e o sorriso de Quinn aumenta ainda mais, se é que isso seria possível . –
— Eu também te amo, Beth. –
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— Cheguei ... Mãe? Tá ocupada? – Pergunta Marley ao abrir a porta do escritório, mas sem realmente adentrar o cômodo. –
Quinn ajeita os óculos de descanso e toma um gole do café quente, antes de finalmente respirar fundo e desprender sua atenção de Whitechapel na Londres do século dezenove para voltar ao tempo atual.
— Não, tudo bem, pode falar. – A mais velha sorri gentilmente assim que Marley finalmente entra no escritório. –
As únicas coisas que existiam ali eram livros e mais livros, todos eles com mundos diferentes e uma variedade de histórias para contar, mas nunca saindo do romance policial, que era o que Quinn dominava como autora. Desde caso de Jack, o Estripador, até as obras mais famosas de Arthur Conan Doyle, aquela sala podia ser facilmente confundida com um ponto turístico para leitores amantes do gênero.
— Já começou o livro novo? – A adolescente pergunta, tentando tirar ao menos alguma informação sobre a continuação de um dos maiores best-sellers do ano. Marley era insistente, porém Quinn era mais, sempre guardando tudo a sete chaves. –
— Você só vai saber o que acontece quando já estiver pronto, até lá eu não te direi nada, como nos últimos três anos. – Ela dá a famosa arqueada de sobrancelha Fabray, e Marley apenas assente, fingindo derrota. Ainda descobriria sobre o livro primeiro do que os outros! – Marls, por que nunca me disse sobre esse problema com aquele rapaz na escola? –
A morena respira fundo, seu rosto tomado por uma feição tristonha. Beth havia sido praticamente surrada por sua culpa, ela não era criança, podia muito bem se defender por conta própria, mas como sempre, tudo acabou caindo nas costas de sua irmã mais velha. Muita gente ia rir se escutasse isso, mas Beth era uma das melhores pessoas que Marley conhecia, ela tinha um coração gigantesco e jamais deixaria que alguém ferisse sua família. Toda a família. Sim, ela poderia ter motivos justos para odiar Rachel, mas lá no fundo, era óbvio que Beth sentisse a falta de ter sua mãe por perto.
— Rachel voltou para nossas vidas, então ... Acho que ninguém precisava de mais problemas para se preocupar, principalmente com uma briguinha idiota de colégio. Eu só não esperava que fosse acabar assim ... – Murmura a adolescente, sem olhar nos olhos de Quinn. –
— Marley ... – A voz da loira sai num sussurro. Ela se levanta da cadeira giratória atrás da mesa de vidro e se aproxima da garota alta, tocando levemente sua bochecha. – Eu tenho que me preocupar com os seus problemas, eu sou sua mãe. -
Nos lábios finos da morena, um pequeno sorrisinho tímido se forma. O seu mesmo sorriso, Quinn reconhece. Beth se parece mais com Rachel, Harmony é uma mistura perfeita das duas, e Marley é a mais ‘Fabray’ das três, e se não fosse o cabelo castanho dos Berry, provavelmente seria uma versão mais nova de Judy Fabray.
O celular de Quinn vibra em cima da superfície de vidro, acabando totalmente com o clima. As duas trocam um ultimo sorriso antes de Marley dizer que ia fazer alguma coisa, deixando a mãe sozinha no escritório. A loira vai até o aparelho, onde um número desconhecido brilhava na tela, e pega-o sem pressa, pressionando o botão verde e atendendo a ligação.
— Alô. – Quinn murmura, recostando-se contra a mesa de vidro. –
— A Beth brigou na escola? Ela está bem? Marley me disse que ela foi suspensa. Ela foi suspensa? É muito ruim ser suspenso, pois ... –
Rachel praticamente bombardeou-a com perguntas aleatórias, sem ao menos esperar uma resposta ou sequer parar para respirar, fazendo com que Quinn acabasse sorrindo minimamente sem perceber.
— Oi pra você também, Rachel. – A loira diz num tom brincalhão. Do outro lado da linha, Rachel sente as bochechas esquentarem ao notar que havia divagado novamente. – É, ela foi suspensa, um garoto estava insultando Marley e Beth a defendeu. –
— Mas ela está bem? – Aquilo estava matando Rachel por dentro, só a ideia de que Beth esteja machucada já fazia-lhe se sentir mal. –
— Pode-se dizer que sim. Beth é uma garota forte, não é um garoto idiota que vai conseguir a abalar. – Quinn assegura, e jura que escuta Rachel soltar o ar com um certo alivio. Ela estava realmente preocupada. –
— Isso é ótimo. Eu prometo vê-la quando eu puder, mas não acho que ela vá querer falar comigo. – A morena comenta, talvez um tanto cabisbaixa. –
Quinn tinha a mais absoluta certeza de que iria se arrepender com o que iria fazer, mas mesmo assim os sentimentos antigos falaram mais alto.
— O que acha de jantar aqui amanhã? –
Rachel congelou. O ultimo ‘jantar em família’ que tiveram fora de longe uma das piores situações em que se enfiara, se bem que ultimamente as garotas estavam mais receptivas. Talvez não fosse uma má ideia, afinal. Quinn estava começando a achar que a ligação havia caído, mas uma respiração profunda lhe fez sorrir minimamente.
— Claro, eu ... Eu adoraria. – Rachel diz, seu coração mal cabia em seu peito. –
— Ok, então ... Até amanhã, Rachel. –
— Até, Quinn. –
Assim que a linha fica muda, Quinn recoloca o celular em cima da mesa de vidro e se senta na cadeira giratória, encarando fixamente o teto. Por que estava se sentindo feliz e ansiosa? Elas não davam certo juntas, já provara isso no passado. Mas aquela briga fora por conta de um mal entendido ... Não, com certeza não teria dado certo! E também, Rachel só estava indo lá por causa das filhas ... Não é?
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