Family's Love.
5 Cap. 5 - I'll have them back.
Notas iniciais
O shopping de Lima estava quase deserto, e a praça de alimentação em si estava praticamente escassa de pessoas. Rachel degustava uma salada de frutas básica, Harmony que já havia terminado seu lanche, comia as batatas fritas e contava detalhadamente para Rachel sobre o momento em que seu dente caíra na semana passada, enquanto Beth e Marley comiam seus hambúrgueres como se fossem dois leões abatendo uma gazela.
Um dos costumes que Quinn não conseguiu abandonar depois do divórcio fora a grande preferência por saladas e vegetais por conta do veganismo de Rachel, deixando a maioria das carnes por fora – menos o bacon – e bem, Marley e Beth não seguiam a mesma ‘filosofia’ das mães.
— Beth disse que não ia doer e fechou a porta, aí o meu dente saiu! – A garotinha diz, abrindo a boca para mostrar para a mãe o buraco onde deveria estar seu canino. Beth ri entre as mordidas no hambúrguer duplo em suas mãos. –
— E a fada do dente deixou uma moeda debaixo do seu travesseiro? – Rachel pergunta animadamente, e Harmony lhe olha como se tivesse sido ofendida. –
— Foi a mamãe que colocou uma moeda debaixo do meu travesseiro, não a fada do dente. Eu já sou grande, não acredito nisso, é coisa de criancinha. – A garota murmura e cruza os braços, fazendo um bico idêntico ao de Rachel quando faz manha. A mulher ri e cutuca a bochecha da pequena sentada ao seu lado, que acaba por rir junto da mãe. –
— Você não tem nem tamanho pra falar essas coisas. – Beth diz, sugando o refrigerante pelo canudo de plástico. Ao escutar isso, automaticamente Marley explode em risadas, atraindo olhares questionadores das outras três. –
— E você acha que você pode falar sobre tamanho, irmãzinha? — Marley volta a rir, sendo acompanhada apenas por Harmony, enquanto Beth e Rachel não viram graça alguma. Se tinham uma coisa em comum, seria essa o ódio mortal por piadas referentes à altura, ou a falta dela, uma vez que Beth era apenas uns dois centímetros mais alta. –
— Cala a boca, cachorro morto. – A adolescente mais velha murmura, tomando um gole do seu refrigerante. Marley para de rir no mesmo segundo e lhe encara com os olhos semicerrados. –
— Meu nome não é relacionado ao filme do cachorro, para com isso. – A de olhos azulados diz, cruzando os braços infantilmente. –
— Na verdade – Rachel diz. – Quinn estava grávida de você quando leu ‘Marley e Eu’, e aí ... –
Dessa vez fora Beth que não conseguira segurar as risadas histéricas, enquanto a filha do meio murmurava algo como ‘isso é injusto’, ainda de braços cruzados e fazendo o mesmo bico de Harmony e Rachel.
— Mãe – A mais nova chama, após recuperar o fôlego que gastara rindo da irmã mais velha. – Como você e a mamãe se conheceram? Sempre que eu pergunto ela diz que foi na escola, mas eu queria saber mais. –
Beth para de brincar com o canudo do copo para encarar Harmony com uma sobrancelha arqueada, Marley esquece que estava emburrada há poucos segundos e encara a garotinha com descrença, não acreditando que ela perguntara aquilo. Já Rachel parece perdida, como se não soubesse a resposta daquela pergunta, mesmo que ainda fantasiasse com aquele dia desde o acontecido, há vinte e oito anos atrás.
— Ehn ... Nós nos conhecemos na escola, como sua mãe te disse. – Diz Rachel, sorrindo nervosamente para a filha mais nova. –
— Mas eu quero saber como! – Insiste Harmony. –
— Harmony, o que a mamãe já te disse sobre ser exigente? – Beth chama a atenção da menina, que abaixa a cabeça vergonhosamente. –
— Desculpe ... – Ela murmura, mas volta a sorrir quando Rachel alisa gentilmente seus cabelos escuros, lhe dando um sorriso amigável. –
— Tudo bem, eu posso te dizer se quiser. – A mais velha então leva a mão ao queixo, um tanto incerta sobre quando começar. – Vejamos ... Nós tínhamos a idade das suas irmãs, e estudávamos na mesma escola que elas. Eu era um alvo de piadas ambulante, por vários motivos, mas acho que o principal eram as minhas roupas. – Harmony riu com o comentário. -E já a Quinn era a Head Cheerio, como a Kitty, sabe? –
— Ah, sei sim, é a irmã da Sugar! A Marley gosta dela! – A garotinha diz com a maior inocência, fazendo com que a irmã mais velha engasgasse com o refrigerante enquanto Beth tinha um leve ataque de risos. –
— N-não gosto não! – Marley rebate, tão vermelha quanto um tomate. –
— Claro ... – Beth comenta, o sarcasmo mais evidente o impossível. –
— Cala a boca! Não gosto da Kitty! – Ela insiste, e Beth dá de ombros, voltando a brincar com o canudo de seu copo. Ela sabia que Marley gostava de Kitty, e ponto final. –
— Ok ... – Murmura Rachel. – Bem, voltando ... A Quinn era terrível. Ela, Santana e Brittany eram a Trindade Profana, Quinn era a rainha e Santana e Britt suas servas leais, digamos assim. –
— Ok, sou só eu ou não dá pra imaginar a versão ‘Regina George’ da mamãe? Ela não faz mal nem pro gato estranho do vizinho que sempre come as plantas dela de madrugada. – Beth comenta, quase não acreditando que Quinn era, bem, uma cretina. –
— É, a mamãe é um amor de pessoa. – Marley diz, concordando com a irmã. –
— Bem, não foi assim quando erámos adolescentes. Ela sempre me insultava, e foi ela que começou com esse negócio de slushie. –
— A invenção da minha própria mãe me assombra todos os dias, que incrível. – Marley diz com uma ironia obvia, apoiando o queixo na mão. –
— Um pouco depois que ela terminou com o Finn- Sim, sua mãe já namorou o Finn – Rachel jura que escutou Beth sussurrando um ‘visão do inferno’, mas apenas deixou passar. – Ela veio e jogou o slushie de uva na minha cara, como sempre. Eu apenas suspirei, fui pro banheiro e comecei a me limpar. Quando eu ia sair, Quinn entrou e trancou a porta. Eu achei que ela ia jogar aquela coisa na minha cara de novo, mas ela colocou o copo em cima de uma pia, se aproximou e me beijou. Foi incrível. –
— Droga, Berry! — Uma Quinn vestida em seu uniforme de Cheerio e o cabelo loiro preso sem deixar qualquer fio fora do lugar sussurra, segurando o queixo de Rachel e se abaixando minimamente para conseguir juntar seus lábios com perfeição. –
Aquilo era uma sensação divina. Rachel nunca mais queria se soltar daqueles lábios.
Mas soltou. Soltou quando não lutara pelo seu casamento, e ao invés de ficar ao lado de Quinn quando as mentiras saiam nos tabloides, decidira se afundar no trabalho, resultando em estresse, e então em várias brigas, e finalmente, o final do casamento, o ódio das filhas e o alcoolismo.
— Mamãe – Harmony chamou-a, tirando-a de seus devaneios. – Vocês vão voltar algum dia? –
Rachel quase engasgou. Ela olhou rapidamente para as duas filhas mais velhas, que lhe encaravam com as sobrancelhas arqueadas perfeitamente. Malditos genes Fabray!
— Acredito que não, Monie. – Ela diz simplesmente, um sorriso escondia seu nervosismo. –
— Que pena ... Eu nunca vi vocês juntas ... – O olhar triste não! Aquilo estava matando Rachel por dentro. –
— Acho que já deveríamos ir, não é? – Beth pergunta, deixando claro que não seria bom terminar aquela conversa. –
Rachel assente um tanto tristonha, e logo as três se retiram de lá.
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Atualmente, Quinn morava com as filhas num condomínio grande e aconchegante um pouco distante da cidade, mas nada que atrapalhasse suas vidas. Ao estacionar na frente do sobrado branco e grande até de mais para uma pequena família como eram, Quinn saiu e se escorou no batente da porta. Ela está linda, uma parte da mente de Rachel pensou. Logo não pôde evitar as memórias do casamento; Desde as vezes que Quinn aparecia na porta de sua casa apenas com um robe de seda ou segurando uma Beth recém-nascida nos braços, dizendo para ela o quão Rachel era incrível e o quanto amava sua esposa.
A morena suspirou, aquilo era só uma lembrança que fazia parte de um passado que jamais voltaria.
— Tchau, mamãe! – Harmony dá um beijo estalado na bochecha de Rachel e logo saiu do carro, correndo em animadamente em direção à Quinn e abraçando a mulher loira que se ajoelhou para ficar da altura da filha. –
— Até, Rachel. – Marley diz e então sorri, fazendo o mesmo caminho traçado por Harmony. –
Beth é a ultima a sair, ela e Rachel trocam um olhar cheio de significado antes da garota deixar o carro. Rachel está tão inerte presa em seus pensamentos, que nem percebe a figura loira na janela, e acaba se assustando quando depara-se com os olhos únicos de sua ex-mulher.
— Não era minha intenção te assustar, mas olá de qualquer jeito. – Quinn diz com um tom brincalhão assim que Rachel abaixa o vidro, e logo em seguida ri sem graça. –
— N-não, eu só ... Estava pensando. Mas olá pra você também. – Outro riso sem graça. Por que diabos ela parecia uma colegial falando com a garota na qual gostava mesmo? Talvez a situação não fosse tão diferente. –
— Obrigada. – A loira murmura, limpando as mãos na calça jeans branca, mesmo que não precisasse. Era só para não olhar nos olhos de Rachel. Tanto tempo longe, e apenas um olhar lhe arrepiava inteira. –
— Obrigada por ...? – Pergunta Rachel, franzindo o cenho. –
— Estar fazendo parte da vida delas agora. Marley já parece te considerar. Eu sei que Beth pode estar sendo mais inacessível, mas é o jeito dela. Mas Harmony te adora. Sério mesmo, acho que ela já assistiu seus filmes umas vinte vezes, e todas elas pareciam a primeira. – Quinn diz, sorridente. Droga, ela era incrível! –
— Agora eu que te digo obrigada. –
— Por Harmony ter assistido todos os seus filmes? – Quinn pergunta, arqueando uma sobrancelha, o sorriso nunca saia de seu rosto. –
— Por cria-las tão bem na minha ausência. Eu me sinto tão idiota ... Estava bebendo enquanto você cuidava de febre, fraldas e essas coisas. Eu não tenho só que agradecer como também me desculpar. –
— Rachel – Quinn murmura, automaticamente tocando-a no ombro. – Isso faz parte do passado, você não pode consertar, já aconteceu. Mas você está aqui agora para elas, e é isso que importa. –
As duas encaram-se por alguns segundos, e rapidamente Quinn solta sua mão do ombro de Rachel e se afasta lentamente.
— Bem, então nós nos vemos por aí. Você pode vir busca-las quando quiser, só ligue antes ... – Quinn morde o lábio inferior, e então olha para Rachel. – Quando você volta pra New York? –
— Vou ficar uns três meses aqui, meu agente me deu um tipo de férias. Aliás, acho que logo vai sair em algum site fotos minhas com as meninas. –
As duas se lembraram como fotos e mentiras em sites e revistas haviam acabado com tudo que construíram juntas, e talvez por essas lembranças que Quinn acabou se despedindo de Rachel. A morena continuou olhando para a porta da casa segundos depois de Quinn ter entrado, e apenas suspirou, queria as filhas de volta, mas também queria Quinn. Queria ser uma família com todas elas de novo, e bem, ela acabara de decidir que lutaria para tê-las de volta. Tanto suas filhas, quanto Quinn.
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