Family's Love.
4 Cap. 4 - Once your mother told me.
Notas iniciais
Lá estava Marley na aula de física. Ou era a de química? Ela não sabia, afinal gastara a maioria de sou concentração observando Kitty, e tomara que Santana não fique sabendo disto. Kitty Lopez-Pierce, a Head Cheerio, a garota mais temida daquela escola, a segunda filha de Santana e Brittany, e também a garota na qual Marley tinha uma queda desde que se lembrava por gente. Um cutucão tirou-a de seus devaneios, fazendo-a virar-se da face belíssima da garota loira para encontrar-se com olhos castanhos e um sorriso de lado irritante.
— Valerie te mata se ver você babando a Kitty, aquela garota é tão ciumenta quanto a própria Santana. –
— Cala a boca. E não é minha culpa que a Kitty é gostosa. – A garota murmura, mas mesmo assim Ryder acaba rindo, talvez alto até de mais, já que o senhor Napier acaba se virando para os dois, com sua típica cara de apatia. –
— Senhorita Fabray, senhor Lynn, o que é tão engraçado que vocês precisam parar para rir no meio da minha aula? Gostariam de compartilhar com a classe? – Ele pergunta com seu olhar tão indiferente que chega a congelar almas. No momento em que Marley vai dar alguma desculpa, Kitty se vira para ver o que se passava, fazendo com que a morena travasse. Ao mesmo tempo, Ryder percebe o que acontecera com a amiga e trata de dizer algo; -
— Marley não copiou o quadro que o senhor apagou, e eu estou passando pra ela. Não é, Marls? – O rapaz pergunta, e a morena assente, sem mesmo ter certeza do que fora dito. –
O professor arqueia uma sobrancelha como se estivesse óbvio que era uma mentira descarada, mas deixa passar, ao menos dessa vez.
— Preste mais atenção, Fabray. Logo você que é uma das melhores dessa sala... – O professor alto e com uma cara assustadoramente indiferente e ao mesmo tempo psicótica diz, e então vira-se, voltando a passar o conteúdo no quadro. –
Com apenas um olhar Marley agradece Ryder, os dois tinham intimidade o suficiente para conversarem em gestos. Eles eram melhores amigos desde os doze anos, afinal. Jogavam vídeo-game nos fins de semana, debatiam sobre filmes de super-heróis e livros de ficção ... Eram basicamente irmãos.
O sinal que indicava o final das aulas toca, e logo os alunos se levantam, e pegando apressadamente suas coisas, deixam a sala de aula.
...
— Tente dar uma chance, talvez não seja tão ruim assim. Rachel é sua mãe, apesar de tudo. – A garota murmura, tragando demoradamente seu cigarro, e logo em seguida soltando a fumaça pelos lábios entreabertos. -
— Eu não confio nela. – Beth diz, e com uma feição emburrada, cruza os braços infantilmente. Norah suspira e troca um olhar com Jenny e Effy, mas as duas dão de ombros. –
— Você quem sabe ... Hey, olha quem está aí. – A garota loira diz, meneando a cabeça para uma ruiva de olhos profundamente azuis ao lado de uma morena, que poderiam estar paradas ali fazia tempo, provavelmente nem sendo notadas. – Irmã da Beth, Lopez, como vão? –
Elas estão nas arquibancadas, matando aula como na maioria do tempo. Norah Puckerman é basicamente uma versão feminina do pai, Noah, tanto por personalidade quanto fisicamente, e é amiga de infância de Beth. Já Jenny e Effy foram expulsas de sua outra escola por motivos desconhecidos – uns dizem que transaram na mesa do diretor, outros dizem que mataram uma cabra na sala de aula, mesmo que a segunda opção seja meio improvável -, e acabaram no McKinley.
— Está na hora de irmos. – Marley diz para a irmã mais velha, escondendo as mãos nos bolsos da jaqueta letterman com símbolos do Batman. – Aliás, você não tinha parado de fumar? –
A garota alterna o olhar entre a irmã e o cigarro, e revirando os olhos, joga-o no chão, logo em seguida pisando em cima.
— Feliz? – Ela pergunta, o sarcasmo pingando em sua voz. Marley dá de ombros e logo se retira junto de Valerie. Beth encara o local que a irmã estava por alguns segundos, antes de murmurar um ‘tchau’ e sair andando. –
Assim que ela alcança as duas garotas que conversavam animadamente entre si, logo decide ignorar aquele assunto que parecia tão interessante. Elas andaram pela escola inteira que estava praticamente escassa de alunos por conta do horário, e logo saíram pela porta da frente, onde vários outros adolescentes conversavam aleatoriamente sobre suas vidas monótonas e superficiais.
— Aquela ... Aquela é a Rachel? – A garota ruiva pergunta, forçando a vista para ter certeza de que não havia se enganado. É, definitivamente Rachel, julgando pelos olhares incrédulos de alguns alunos, seja para a mulher, o carro, ou os dois. –
Rachel está encostada em sua BMW 320i branca, suas roupas estão mais despojadas que o normal mas ainda assim continua belíssima, o cabelo escuro preso em um rabo de cavalo desajeitado e o óculos aviador encaixado em seu rosto. Assombrosamente parecida com Beth.
— Sério mesmo? Uma placa dizendo ‘Hey, sou Rachel Berry, a favoritinha da Broadway e a nova Barbra Streisand’ chamaria menos atenção. – Beth diz, mas Marley parece mais interessada em saber o que Rachel estava fazendo ali, uma vez que ela já não estava mais ao seu lado. –
— Vai lá. – Valerie encoraja, sorrindo minimamente. Um sorriso adorável, na opinião de Beth, mesmo que ela nunca fosse admitir isso em voz alta. –
— Por que eu iria? – Ela murmura, cruzando os braços em oposição, logo em seguida se sentindo estranhamente envergonhada quando Valerie apenas sorri ainda mais largo. –
— Por que você não iria? – Tem motivos para ela não ir falar com Rachel, — vários motivos mesmo — mas Valerie que estava pedindo ... –
— Que seja. – A garota ruiva sorri vitoriosa quando vê que a mais baixa está realmente indo em direção à Rachel. Valerie pode ser mais amiga de Marley, mas sempre se preocupou com Beth, mesmo que nunca tenham conversado tanto, apesar de se conhecerem desde a infância. Elas tinham uma relação um tanto estranha. –
A cada passo que Beth dava, era como se estivesse indo para uma guilhotina. Não planejava falar com Rachel nem nos próximos cem anos de sua vida, – se chegasse a tal ponto – e agora estava indo em direção à sua mãe. Tudo isso por causa de Valerie. Parecia ser idiotice, mas aquela garota era diferente ... Deus, tomara que Santana realmente não fique sabendo sobre esses pensamentos aleatórios.
— Primeiro o restaurante e agora aqui? – A garota diz, sem maneirar no sarcasmo. Tão cretina quanto a própria Quinn na época de Cheerio. –
— Bem, eu queria saber se vocês podem ir almoçar comigo. – Rachel responde, realmente torcendo para que dê certo. Marley e Beth se entreolham, e a garota de olhos azulados dá de ombros. –
— Vamos almoçar em casa. – Diz Beth, cruzando os braços como se estivesse dando um ponto final na conversa. –
— Não vamos não. A mamãe vai fazer aquela coisa estranha com rúcula, lembra? – Marley contradiz a irmã, e por conta disto acaba levando uma cotovelada, e Rachel luta para reprimir um riso da interação estranha das duas. – Aw ... É, vamos comer em casa! – Logo a mais nova sorri, tentando convencer a mulher à sua frente. –
— O que acham de almoçar no shopping? Eu salvo vocês da ‘receita estranha com rúcula’. Eu também tenho que buscar a Harmony, então podemos ir nós quatro. – Rachel propõe, e as duas adolescentes trocam um olhar duvidoso, e por fim Marley dá de ombros novamente, e Beth lhe encara com os olhos semicerrados . –
— Tá, vamos. Só que eu tenho mais coisas pra fazer hoje, então não podemos demorar. – Beth dá de ombros, fingindo indiferença. Já Rachel sorri de lado, Beth lhe dera uma chance. As três entram no carro e logo se retiram dali. –
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Tirando alguma música aleatória que tocava na rádio, o carro estava mergulhado em profundo e sereno silêncio. Para Rachel era algo ruim. Ela apertou o volante entre os dedos e respirou fundo; Sabia que um dia acabaria tendo essa conversa com as filhas, só não tinha ideia de como inicia-la.
— Como foi a aula? – Ela pergunta, olhando o reflexo das garotas pelo retrovisor. –
— Foi boa. – Marley responde quando vê que Beth não vai dizer nada tão cedo. A irmã mais velha apenas revira os olhos e bufa; -
— Normal. – Beth responde, quando na verdade nem havia pisado na sala de aula, mas ninguém precisa saber. –
— Vocês me odeiam, não é? – A pergunta fora tão surpreendente que até mesmo Beth ficou sem resposta por alguns segundos. As duas irmãs se entreolharam, sem saber o que dizer. Estranho, pois tinham ensaiado isso mentalmente pelos últimos oito anos. –
— Você já sabe a resposta, não precisa nos perguntar. – Beth diz, visivelmente insegura. Marley permanece em silêncio. –
— Olha ... Rachel ... Você meio que ... Você sabe ... Nos deixou de lado, um pouco. – Marley diz, parecendo escolher as palavras, talvez realmente se preocupando com os sentimentos de Rachel. –
A morena suspira, e logo assente, parecendo um tanto derrotada.
— Eu sei, fui uma idiota com vocês, não é mesmo? Imagino que um simples pedido de desculpas não vai mudar a opinião de vocês. Vocês merecem mais do que isso. Mas sabem, a minha vida tinha se tornado uma bagunça depois do divorcio, e sinceramente, eu estava pronta para morrer. Foi um caos. – Várias lembranças vieram à tona. A maioria delas envolvendo lágrimas e álcool. -
— Mas, uma vez, sua mãe me disse que não podemos mudar o passado, mas podemos esquecer e começar um futuro. Acho que foi isso que me deu forças para continuar, ou eu realmente não teria conseguido. – Outra vaga lembrança, dessa vez envolvendo um frasco de tranquilizantes e uma fotografia de uma Quinn grávida, e Rachel segurando Beth e Marley nos braços, as três sorriam animadamente, como se tudo aquilo nunca fosse acabar. -
— Não estou pedindo para que esqueçam o quão ausente eu fui, isso é impossível, mas deixem que eu prove que eu quero estar aqui para vocês a partir de agora. Faz tanto tempo que eu não digo isso, mas eu amo vocês três, vocês são minhas filhas, três das poucas coisas que eu me orgulho de ter feito na vida. – E ter conseguido Quinn é uma delas, sua mente lhe corrige, mas então se lembra que havia conseguido estragar tudo com a mulher mais perfeita que já conhecera na vida, e de como se odiava por isso. -
Rachel respirou fundo, soltando uma pequena lágrima no processo. Rapidamente, ela limpa os olhos marejados com as costas das mãos e coloca o óculos aviador, logo saindo do carro, e é aí que as duas adolescentes percebem que já estavam na frente da escola de Harmony.
A garotinha que conversava com algumas crianças, logo se despede e corre animadamente em direção à Rachel, abraçando suas pernas. A mais velha se ajoelha e a abraça, dizendo em seguida alguma coisa para a pequena que assente furiosamente, tão animada quanto o dia em que Quinn deixou-a ficar acordada até tarde, mas só chegou até dez e meia.
De dentro do carro, Beth e Marley que observavam a interação das duas, logo se entreolham com feições indescritíveis, uma mistura de magoa, felicidade, raiva, dor, curiosidade e várias outras coisas. Algo em tudo aquilo que Rachel falou trouxe de volta duas garotinhas tristes, que choraram a noite inteira depois que sua mamãe as abraçou pela ultima vez antes de ir embora de casa, e elas não sabiam se isso era bom ou ruim.
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