Family's Love.

3 Cap. 3 - She hates me.


Notas iniciais
Heeeeeey, olá :3 Como vão?

— Mamãe mandou te chamar. – Marley diz ao abrir a porta do quarto de Beth, escorando-se no batente. –

A mais velha está sentada em sua cama, tocando alguma música que Marley não conhecia na guitarra elétrica ligada à caixa de som, que junto com os fones de ouvido, fora o suficiente para que a garota fosse completamente ignorada pela irmã, que mesmo tendo visto-a parada ali, apenas decidiu ficar quieta até que fosse embora. A mais nova suspira e revira os olhos, levando o dedo até o interruptor e apagando a luz. Segundos depois, a música fica sem ritmo e acordes são errados, até que um estalo é escutado, provavelmente alguma corda estourando.

— Mas que inferno, Marley! – Beth grita logo após a luz se reacender, e a mais nova apenas dá de ombros; -

— Nós vamos jantar fora, lembra? Desce logo. – Marley diz com um sorrisinho no rosto, e corre quando o livro Carmilla, A Vampira de Karnstein voa em sua direção, mas acaba chocando-se com a parede. Freddie, o pequeno filho de buldogue francês, aproxima-se do livro caído no chão e após cheira-lo, pega-o na boca e sai andando normalmente. –

Beth bufa e coloca a guitarra na cama, e após desligar a caixa de som, vai atrás de Freddie, antes que o filhote acabe com um de seus livros favoritos.

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Vivace Cuisine é um dos melhores restaurantes de Lima, aconchegante e luxuoso, sendo frequentado apenas por membros da classe alta, tudo ali gritava ganância e poder. As quatro comiam em silêncio, sendo escutado apenas o barulho dos talheres e as conversar aleatórias de outras famílias mais humoradas.

— Mãe – Beth chamou, atraindo a atenção de Quinn. – Por que a Rachel estava aqui hoje? –

Marley quase engasgou, e precisou de um gole de seu suco para que pudesse engolir a comida.

— Rachel estava aqui? – Ela pergunta como se não acreditasse, lançando um olhar incrédulo para a mãe. –

— Mamãe estava aqui, ela foi bem legal comigo. Mas parecia triste ... – Harmony diz sorridente, mas logo faz uma careta pensativa, porém solta uma risada quando Quinn limpa um pouco de molho ao redor de sua boca com o guardanapo. –

— Triste, sei ... – Beth diz baixinho, logo em seguida dando uma mordida num pedaço de filé mignon. –

— Mamãe! – Harmony exclama, sorridente, mas é ignorada por Beth, até que a garota sente algo tocando seu cotovelo, e virando-se para Marley, que estava sentada ao seu lado, acabou entendendo o que se passava ali. –

Rachel, de novo, sorrindo timidamente e parecendo meio receosa. Beth aperta os olhos e franze uma sobrancelha, como se não acreditasse que ela viera até mesmo ali. A boca de Marley abre em um perfeito “o”, e mais um pouco e ela estaria babando, parecia incrédula. Ela não sabia o que fazer na presença de Rachel e acabava ficando tímida de mais. E Quinn ... Quinn comprimia um sorriso, talvez um tanto orgulhosa por Rachel ter realmente ido atrás das filhas. Bem capaz que tenha encarado Rachel por mais tempo que o necessário, já que a mulher lhe olhava agora como se pedisse ajuda.

— Hm – Ela dá uma tossida obviamente forçada, e Rachel deixa escapar um sorrisinho bobo. – Rachel ... Acho que ... Digo, gostaria de nos acompanhar? – Quinn parece perdida, ganhando um olhar incrédulo de Beth. Sua mãe estava convidando-a para sentar-se com elas? –

— Sim, obrigada. – A morena sorri gentilmente e senta-se na cadeira na ponta ao lado de Beth, uma vez que Harmony ocupava a do lado de Quinn. –

Marley está próxima a um ataque de pânico, Harmony parece feliz, e já Beth encara Rachel incredulamente, ainda não acreditando que ela estava ali, ao seu lado.

— O que você está fazendo aqui, exatamente? – Ela pergunta sem rodeios, ganhando em troca um chute fraco vindo de Quinn. –

— Eu gostaria de passar mais tempo com vocês. Faz tempo que não nos vemos. – Rachel responde encarando as mãos entrelaçadas em cima da mesa, e quando Quinn percebe que Beth vai dizer algo desagradável, chuta-a novamente, e a garota faz uma careta e solta um ‘tanto faz’. Ela podia levar em consideração que ao menos Rachel estava tentando. –

Tirando o momento em que Rachel faz seu pedido que se resume apenas em zero por cento de carne, a mesa fica num silêncio extremamente desconfortável, e Quinn percebe isso. Rachel estava tentando, mas Beth e Marley não pareciam cooperar muito, e bem, todos merecem uma chance, era o que ela achava. Notando que Rachel não planejava dizer nada e apenas se culpar em silêncio, a loira suspira e então sorri para Marley, e a garota devolve um olhar de pânico que claramente questionava o motivo dela ter sido escolhida se ainda tinha Beth e Harmony ali.

— Marley, como vai o coral? – Ela pergunta sorridente, e a mais nova lhe devolve um sorriso amarelo e desesperador. –

— V-vai bem. – A garota responde meio sem jeito, e Rachel lhe olha com um pequeno sorriso estampado no rosto. Marley fazia parte do clube do coral como ela na adolescência, e de certa forma ela se orgulhou por isso. –

— Você faz parte do coral? Isso é incrível, Marley. Eu e sua mãe também fazíamos na sua idade. – Ela diz, e a mais nova deixa escapar um sorriso tímido. –

— É-é ... O professor Hudson disse que você sempre cantou muito bem, mas sempre soube disso e por isso brigava por todos os solos. – Marley solta uma pequena risada ao terminar de falar, e Rachel sorri animada. Beth continua séria, mal acreditando que Marley estava realmente falando com Rachel. –

— Eu quero te ver cantar algum dia. – A morena diz e Marley sorri. Lá no fundo ela sabia que se inspirava em Rachel e agora ela queria vê-la cantar. –

— Marley canta muito bem, e sabe tocar piano também. – Harmony disse, e Rachel assentiu, sabendo disso pois ela mesma havia ensinado. -

De repente a garota se sentiu com seis anos novamente, quando Rachel lhe ensinava a tocar piano nas noites de quarta-feira e depois as duas comiam doces – sem Quinn saber — enquanto assistiam filmes de ficção-científica.

Beth vê tudo isso e bufa, mal acreditando no que acontecia ali. Todo mundo estava interagindo com Rachel como se estivesse tudo bem? Qual o problema delas? Por um acaso alguém ali tinha Alzheimer?

— Sério que vocês estão ...? Meu Deus, ela nos abandonou! Harmony só foi conhecê-la quando já tinha quase cinco anos! Cinco anos que ela passou bebendo e saindo com mulheres e esquecendo que qualquer uma de nós quatro já existiu! E agora ela simplesmente volta e todo mundo ignora o fato que faz a porra de oito anos que ela não mexe um dedo pra mostrar que realmente se importa?! – Beth praticamente grita, e agora o restaurante todo está em silêncio, observando a garota e murmurando coisas entre si. – O que é?! Perderam alguma coisa aqui?! –

Ela diz e logo as pessoas voltam ao que faziam, como se aquele pequeno ataque de fúria nunca tivesse acontecido. Um garçom um pouco amedrontado se aproxima da mesa como se Beth fosse uma besta de três cabeças e pede gentilmente para que se retirem, e logo elas o fazem, antes que algo pior aconteça.

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Rachel entra na casa parecendo derrotada, sua cabeça parece querer explodir e tudo que ela almeja é deitar-se embaixo de seus cobertores e passar o resto da vida ali. Mas isso seria impossível. A luz da cozinha está acesa e assim que ela se aproxima, vê sua mãe colocando uma ultima gota de adoçante em sua bebida, e logo em seguida assoprando-a e então bebericando o líquido negro que provavelmente seria café.

— Oh, Rach, como foi? Aliás, quer café? – Shelby pergunta para a mulher um tanto mais baixa sentada ao outro lado do balcão, estendendo-lhe a xícara que é aceita de bom grado. – O que foi, querida? – Ela pergunta quando percebe o semblante tristonho de Rachel, e se aproxima, gentilmente tocando a bochecha da mais nova. –

— Beth me odeia, mãe. Harmony gosta de mim, apesar de tudo, e Marley parecia meio receosa, mas acabou conversando normalmente. Elas são incríveis, e eu simplesmente as troquei por um vício idiota ... E Beth sabe disso, e por isso me odeia tanto. – Mais um pouco e Rachel podia chorar livremente. Shelby segurou seu queixo, forçando-a a lhe encarar. –

— Rachel, você sabe que não era um simples vício idiota, você estava doente. As garotas estão sentidas por terem sido deixadas de lado, mas vocês nunca pararam para conversar sobre isso, e Marley e Beth já podem entender muito bem o que houve exatamente, elas não são mais crianças. De início elas vão estranhar te ter de volta, mas tente provar para elas que você as merece, são sua família. E além disso, você ainda gosta da Quinn, não é? –

Rachel engole em seco, novamente voltando a ser aquela adolescente que estava envergonhada para dizer para a mãe que estava gostando de alguém.

— ... Eu nunca deixei de amar a Quinn, mãe. Mas foi tanta pressão, eu não aguentei ... Se eu ao menos tivesse pensado no nosso casamento, nas nossas filhas ... Eu ainda as teria hoje. Eu fraquejei e levei toda a minha família comigo. – Ela murmura, tomando outro gole de café. Shelby assente e beija a testa de Rachel, como fazia desde a infância da diva. –

— Tome um banho e tente dormir um pouco Rach, amanhã você vai buscar as garotas na escola, eu vou avisar a Quinn. – A mais nova franze o cenho, parecendo um tanto confusa. –

— Você tem o número da Quinn? – Ela pergunta, e Shelby sorri. –

— Vocês são separadas, mas suas filhas ainda são minhas netas, eu as vejo de vez em quando. Agora vá tomar banho. – A mais velha diz severamente e Rachel assente, rindo com o fato de que sua mãe sempre lhe trataria como um bebê, mesmo que ela tenha seus quarenta e três anos de idade. -

Notas finais
Bethany Gwendoline Berry-Fabray, a revoltada diferentona :v