Family's Love.
17 Cap. 17 - Tattoo? Faberry? Baby? Grandpa?
Notas iniciais
Kitty não dormia, e mesmo se o tentasse, sabia que não conseguiria. Uma parte de si estava assustada, perdida e confusa. Mamá Santana havia gritado como nunca naquela noite, mas ela entendia, afinal, ninguém em sã consciência gostaria de ver a filha grávida antes de ao menos começar a faculdade. Mamãe Britt fora doce como sempre, e garantiu que sempre estariam ali para ela. Após se acalmar, Santana concordou. Mas mesmo com todo o apoio do mundo, ela não mudaria de ideia. Tanto ela quanto Marley não tinham maturidade para criar uma criança, e sem dizer que a namorada fazia seus planos para estudar em Yale, e ela seria egoísta por privar Marley de seus sonhos. Conhecendo a morena, sabia que ela optaria por ficar em Lima ao invés de se distanciar de seu filho.
Por outro lado, não podia deixar de imaginar como seria conviver com aquela criança. Com qual das duas ela se pareceria mais? O que gostaria de fazer? Teria a personalidade adorável de Marley ou o temperamento terrível de Kitty? O que seria quando crescer? E aliás, por que ela se importava com isso? Não veria a criança crescer, então, não deveria pensar em tais coisas, mesmo que parecesse impossível.
Estava tão presa em seus pensamentos, que quando Marley apareceu em sua janela no meio da madrugada nem notara a morena, que se deitou por trás dela, embalando-a na famosa posição de conchinha.
— Você está bem? — Não! Sua mente gritou. Não mesmo! –
— Na medida do possível. – Uma única lágrima deslizou por sua bochecha, mas ela não tinha mais forças para chorar, então apenas suspirou e aconchegou-se contra a namorada, fingindo que, por apenas aquela noite, estava tudo bem. –
— Eu sei que ... Você está grávida. – Marley murmura, entrelaçando sua mão com a de Kitty. Não adiantaria espernear, chorar ou gritar, nada mudaria. Então, decidiu fazer a única coisa que realmente funcionaria; Dar apoio à Kitty. Ela precisava, afinal. Era ela que estava carregando um filho, e não Marley. –
Após segundos sem uma resposta, a morena continuou;
— Mas eu estou aqui, Kitty. Vou ficar ao seu lado, e do nosso filho também. –
— Marley, eu ... – Ela parecia escolher as palavras. Isso não seria tão fácil quanto fora em sua cabeça. – Eu não vou criar esse bebê. Eu já conversei com as minhas mães, e elas concordaram comigo. Vamos dá-lo para a adoção assim que nascer. –
— ... Você ... Você acha que é certo fazer isso? – Não era preciso olhar para Marley, apenas por seu tom de voz levemente alterado, Kitty notara que a morena não havia nem cogitado tal opção. Marley também estava perdida, mas fora como um soco no estômago saber que seu filho chamaria outra pessoa de mãe. –
— Acho. Nós cometemos um erro. Não podemos criar um bebê, Marley. – A morena assentiu mecanicamente, sentindo suas próprias náuseas ao pensar mais profundamente no assunto. Não, aquilo não parecia certo. Elas podiam dar um jeito! Ambas as famílias tinham condições financeiras mais do que boas, e mesmo sendo jovens, não estavam sozinhas. Claro que não poderiam depender 100% do tempo de suas mães, mas pegariam o jeito. –
Só que Kitty não pensava assim.
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— Eu realmente não posso fazer isso! –
— A mulher não vai te matar, nós já nos casamos uma vez, lembra? Dizer pra sua mãe que nós voltamos vai ser a mesma coisa de dizer que estávamos namorando quando tínhamos dezesseis. –
— Mas daquela vez minha mãe não te odiava! –
Quinn andava de um lado para o outro na sala, sendo seguida pelos olhares curiosos de Rachel, Beth e Harmony. A loira limpava seu vestido já limpo, arrumava os talheres já perfeitamente alinhados e desarrumava e arrumava de volta o cabelo escuro de Harmony, ganhando um revirar de olhos da pequena Rachel de olhos azuis. O nervosismo era tanto que até Judy e Frannie chegarem, Quinn já teria bebido toda a garrafa de vinho sozinha, uma vez que Rachel se afastava de qualquer tipo de álcool.
— E agora é uma noticia pior do que a outra! Eu vou matar a minha mãe do coração! Imagine; ‘Oi mãe, Rachel e eu voltamos. Oh, é mesmo! Marley engravidou a namorada!- E então fora calada por um selinho desajeitado. -
Rachel segurou-a pelos ombros e juntou seus lábios, apenas para fazê-la ficar quieta! Céus, e depois ela que tagarelava! Esses boatos se espalharam pois quem disse isso –leia-se; Santana- não ficou perto de uma Quinn nervosa!
— Eu ainda nem comi, mas acho que já vou vomitar. – Beth murmurou, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha. Harmony riu da irmã mais velha, ganhando um olhar brincalhão da mesma. –
— Você é nojenta. – Disse a mais nova, mostrando a língua para a adolescente esparramada no sofá. –
— Você que é. – E então jogou uma almofada no rosto de Harmony, ambas riram enquanto as mães observavam a interação comum no relacionamento das irmãs, que estranhamente, diziam o quanto se amavam com xingamentos e implicâncias. –
A campainha tocou, e quase que imediatamente, o coração de Quinn disparou. Ela não era mais a escritora renomada, ganhadora de inúmeros prêmios e considerada uma das pessoas mais influentes do mundo. Não. Agora, voltara a ser aquela adolescente mimada e ao mesmo tempo esquecida pelos pais, que estava nervosa pois iria apresentar sua namorada para a família, e tinha medo de suas reações. Tirando quase trinta anos de diferença, fama e três filhas, era a mesma situação.
— Acho que o meu coração parou. – Parecia que a convivência com Rachel já estava lhe afetando, pois levou a mão ao peito como uma perfeita drama queen. A morena apenas riu baixinho e segurou as mãos da loira. –
— Eu abro a porta. Ou a mamãe vai ter um treco. – Disse Beth, e levantando-se sem pressa alguma, e ao passar pela irmã mais nova, bagunçou seus cabelos e logo riu quando a pequena lhe deu a língua, fazendo uma careta que deveria ser irritada, mas na verdade, fora um poço de fofura. –
Judy abraçou-a e beijou-lhe as bochechas, arrancando uma careta da garota, e logo em seguida, sem ao menos ter se recuperado do aperto da avó, seus ossos foram esmagados uma segunda vez naquela noite quando Frannie lhe apertou em um abraço demorado.
— Acho que você cresceu um pouco, já está quase na altura do meu nariz! – Disse ela, ainda sem soltar a sobrinha, que fizera um biquinho irritado e extremamente infantil; -
— Não é legal brincar com a altura das pessoas! Aliás, eu tenho quase um e sessenta! – Retrucou a garota, num muxoxo. –
Frannie apenas riu e então soltou-a. No meio do abraço, a manga da jaqueta de lã que Beth trajava subira, revelando duas letras, ‘V’ e ‘H’, coloridas de vermelho com rabiscos em preto e branco. Quando ela arrumou apressadamente a jaqueta, já fora tarde de mais;
— Quando você fez essa tatuagem? – Frannie perguntou animadamente, parecendo uma criança ao entrar numa loja de brinquedos, brilho diferente não existiria em seus olhos azuis; Ela era muito fã de Van Halen. –
— Tatuagem? – Judy parou no meio do caminho para beijar a bochecha de Harmony. Ela franziu o cenho e fez uma cara que Quinn reconheceu muito bem. A sobrancelha arqueada, os olhos semicerrados ao melhor estilo Fabray ... Isso só significava uma coisa; Alguém estava muito ferrado. Ou no caso, ferrada. –
— Eh ... Marley engravidou a namorada! – Ela praticamente gritou a primeira coisa que veio em mente, e logo em seguida tapou a boca, como se tivesse dito um segredo de importância mundial. O que, de certa forma, era. A própria Marley, que descia as escadas na mesma hora, praticamente travou no penúltimo degrau. –
— O quê? – A mais velha parecia confusa. Ela virou o olhar para a neta parada nas escadas, que em desespero, apenas soltou sem querer; -
— Mãe e mamãe voltaram! –
Todas se entreolhavam, o clima da casa, em um piscar de olhos, estava pesado e tenso. A campainha tocara uma segunda vez, e após alguns segundos sem resposta, ele decidiu entrar. Um homem alto, de cabelos loiros e alguns poucos fios já grisalhos, olhos verdes e roupas sociais estava parado na porta.
Russel Fabray, em carne, osso e arrogância.
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