Family's Love.
10 Cap. 10 - Let me love you.
Notas iniciais
— Eu tinha me esquecido como esse lugar era lindo. – Um pequeno sorriso brinca em seus lábios rosados, suas melhores lembranças na cidade que nunca dorme vem à tona, uma sensação de nostalgia lhe invade lentamente. Era uma sensação incrível, e até reconfortante. –
— Meu Deus Quinnie, acho que você é a única pessoa que se esquece de New York, principalmente depois de ter morado tantos anos aqui! – Frannie Fabray, a irmã mais nova de Quinn, exclama, perplexa. Ela movimentava seu cachorro-quente de um lado para o outro, tentando gesticular enquanto falava. –
A Times Square durante a noite era uma das visões mais belas e fascinantes que os olhos humanos poderiam ver. A luz e o brilho Nova-Iorquino eram únicas e inconfundíveis, e na verdade, Quinn se lembrava muito bem daquilo tudo. Ela e Rachel, jovens e recém-casadas, decidiram tentar a vida em New York. Inicialmente, um pequeno e confortável apartamento já estava de bom tamanho, ambas apenas fantasiavam com a ideia de terem sucesso. Quinn começou a criar seu primeiro livro, Rachel fora aceita na sua primeira peça, e logo a fama bateu na porta, assim como o primeiro filho do casal. Tudo estava perfeito. E deveria ter continuado assim.
— Mas e aí – Frannie começa, sua boca cheia de queijo cheddar e o que mais tivesse naquele cachorro-quente. – O que deu em você? Pelo que eu saiba, ‘cê não é a maior fã de fazer sessão de autógrafos. –
— Eu só ... Resolvi aceitar uma proposta. – Foi uma meia-verdade; Também, fora um jeito que achara para se afastar de uma certa morena. –
— Hah, conversa – Ela arqueia uma sobrancelha ao estilo Fabray, e Quinn automaticamente se sente desconfortável. Mesmo que ela mesma fizesse isso, não era nada legal receber o “olhar Fabray”. – Eu sei que Rachel está em Lima, mamãe me falou. Aliás, ela tá indignada pelo fato de você ter deixado as meninas com a Rachel, e que ela não é confiável, e blá, blá, blá. –
— Achei que seria bom elas passarem um tempo juntas, finalmente estão começando a se dar bem depois de tanto tempo ... Só isso. –
— Só isso – A mais nova repete, zombando com uma voz irritante. – Pelo amor de Deus, Quinn, você costumava ser uma mentirosa melhor. O que está te incomodando? Fala pra tia. – A loira pede, apontando para si mesma com a mão disponível. As duas irmãs atravessam a rua e Quinn suspira, encolhendo os ombros; -
— Não acho que seja saudável ter Rachel perto de mim ... Sabe, depois de tudo o que aconteceu entre nós. –
Frannie assente demoradamente então se vira para a irmã mais velha;
— Você ainda tem sentimentos por ela? –
Tá aí a pergunta que Quinn não queria responder. Ela tinha sentimentos por Rachel, isso era óbvio. Mas eram sentimentos que ela não desejava ter. Não queria prender Rachel num relacionamento desgastante outra vez, não parecia certo com ela.
— Talvez eu tenha ... Eu não sei Frann, é muito confuso. Parece que a minha cabeça vai explodir só de pensar nessas coisas. –
— Quinnie, Quinnie, Quinnie ... Aí que está, não pense. – A mais nova diz sorridente, como se fizesse completo sentido o que acabara de falar. – Não use isso – Ela apontou para a cabeça da irmã. – Use isso. — E então apontou para o peito. – O amor não precisa fazer sentido, só ... Acontece. Eu tô te dizendo isso porque eu sou team Faberry? Talvez, mas a verdade é que eu sempre gostei da Rachel. Agora vamos indo que eu tô com fome. –
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Em Lima, a noite estava estrelada, o clima, meio frio para aquela época do ano. Rachel e Beth estavam na pequena varanda da casa de Shelby, sentadas em cadeiras confortáveis enquanto dividiam um pote de jujubas que se encontrava em cima da mesinha de vidro.
— Mãe – Beth chamou após engolir uma jujuba rosada. – Eu posso te perguntar qualquer coisa, não é? –
— Sim, claro. – Rachel sorri para a filha. Ainda era estranho voltar a ser chamada de ‘mãe’ por Beth, mas ela poderia se reacostumar facilmente, afinal, foi algo que lutara por oito anos para conseguir de volta. –
— Bem ... Olha, você não precisa responder se quiser, imagino que o assunto seja delicado, mas ... Por que você começou a beber? –
Delicado? Esse era o assunto que Rachel guardava a sete chaves! O monstro debaixo de sua cama, a assombração no seu armário. Odiava mortalmente tocar no assunto, mas devia para Beth uma explicação. Não traíra Quinn como ela pensara, mas por que bebia? O divorcio junto da mentira as afastou, e a bebida fora apenas o combustível necessário para desencadear uma reação odiosa, finalmente destruindo o relacionamento de mãe e filha. Não tinha um lado certo nessa história, todas estavam erradas.
— Eu não consegui superar o divórcio ... Me afastar de vocês foi como morrer. Eu estava ficando doente. Não comia, passava dias deitada na cama me culpando por ser fraca e não ter resistido. Uma depressão terrível. Então comecei a beber, o álcool me fazia esquecer as lembranças de algo que eu não deveria ter feito, até que eu passei do limite, me tornei dependente de uma garrafa. Falando em voz alta isso soa bem mais idiota no que na minha cabeça. – Ela ri, tentando amenizar o clima, mas fora em vão. – Mas teve um dia que eu percebi o que estava acontecendo comigo. Quando eu acordei de ressaca, e me toquei que no dia anterior havia sido seu aniversário de onze anos, e eu nem ao menos te liguei. Me desculpe Beth. –
Rachel segura a mão da garota por cima da mesa, acariciando-a gentilmente. Algo doía nela, como se estivessem perfurando todos os seus órgãos lentamente. Então essa era a famosa ‘culpa’? Bem, não que Rachel não conhecesse a sensação.
— Hey, tá tudo bem – A mais nova sorri, algo bem incomum para Beth, que era praticamente uma versão 2.0 de Wednesday Addams. – Você não é a única culpada, nós duas fizemos coisas idiotas e que nos arrependemos, mas estamos nos dando uma segunda chance. – Ela se levanta, aproxima-se de Rachel e então lhe beija a testa. – Você finalmente está aqui mãe, e é isso que importa. –
Aquela sensação era incrível, era como voltar a ser mãe pela primeira vez. Suas filhas finalmente a consideravam da família de novo, e ela mesma faria por merecer. Mas algo parecia faltar. E Quinn era esse algo. Desde o momento em que se beijaram pela primeira vez, ela sabia que Quinn era a sua pessoa especial. Seu relacionamento pode até não ter sobrevivido, mas isso não significava que o amor tinha acabado. Não, muito pelo contrário. Era como se nesses oito anos longe, o sentimento que nutria por aquela mulher tivesse se intensificado muito mais.
— Então vamos fala de coisas melhores. Tipo o meu nascimento, ninguém nunca me contou sobre esse dia. – A garota se jogou na cadeira, pegando um punhado de jujubas coloridas na mão. –
— Heh, acho que eu nunca me desesperei tanto na vida. – Rachel diz com um sorriso, as lembranças vinham, e traziam junto delas um reconforto repentino. –
Rachel tinha vinte e sete anos, e Quinn vinte e oito. Ambas tinham iniciado suas respectivas carreiras recentemente, mas já tinham algum conhecimento importante. Após dois anos casadas, Quinn engravidou, e o casal não poderia estar mais feliz com a chegada da primeira filha.
Era uma noite fria de dezembro, a cidade de New York estava coberta pela neve branca e os enfeites de Natal, ganhando uma beleza única, uma mistura belíssima de cores e luzes. Rachel está em seu tão sonhado camarim, retirando a maquiagem. Minutos atrás, estava estrelando um especial de Natal. Andava para lá e para cá, cantarolando clássicos natalinos quando seu celular toca, na tela, o número de Santana brilhava.
— Alô? – A morena murmura, prensando o aparelho entre a orelha e o ombro. Ela nem imaginava que o único motivo que Santana teria para lhe ligar seria relacionado à sua esposa grávida de nove meses. –
— Rachel! — A latina ao outro lado da linha exclama, parecendo aliviada. – Olha, não entre em pânico, ok? –
— Se você ficar enrolando vai ser difícil ter um ataque de pânico. Dá pra falar logo? – Rachel pediu, obviamente impaciente. Em outra situação, normalmente Santana teria a mandado enfiar o celular num lugar onde o Sol não brilha, mas atualmente, tinham coisas mais importantes para resolver. Como por exemplo, o nascimento de Beth. –
— Sua filha tá nascendo, ingrata. Pronto, feliz? – Santana perguntou com o seu típico jeito sarcástico, mas Rachel nem ao menos se importou. Tudo pareceu perder a importância, na verdade. E o fato de que estava apenas de roupão e pantufas não pareceu lhe incomodar quando saiu em disparada do camarim. –
Sua filha estava nascendo, de que importava o que estava vestindo?
...
Após muita insistência, o enfermeiro – no qual Rachel já estava querendo surrar – deixou-a entrar. Jesse, seu amigo, insistiu para que ela não fosse apenas de roupão para o hospital, o que acabou resultando em praticamente uma hora de atraso por conta também do transito infernal daquela noite.
Quinn suava e gritava, apertando fortemente a mão de Judy durante todo o processo. Ver aquilo fez Rachel querer morrer, não suportava a ideia de ver sua esposa sentir dor. Mas ao mesmo tempo, sentia a felicidade e a ansiedade tomarem conta de si; Sua filha estava nascendo, finalmente iria ver o rostinho do fruto de seu amor com Quinn.
Doze horas que mais pareceram doze segundos se passaram, quando o médico disse para Quinn dar um ultimo empurrão. A loira respirou fundo, apertou a mão de Rachel, e com um ultimo olhar encorajador de sua esposa, Bethany Gwendoline Berry-Fabray nasceu. Ela chorava com toda a força que seus pequenos pulmões permitiam, alto e claro, como se quisesse provar sua existência.
— Oi. – Quinn murmurou, sorridente e ofegante, quando a enfermeira lhe entregou a recém-nascida enrolada em uma tolha rosa. Seus olhinhos eram escuros como os de Rachel, e os poucos fios de cabelo em sua cabeça eram donos de um castanho claro, alguns até um loiro escuro. Perfeita. –
— Ela é ... Linda. – Diz uma Rachel sorridente, seus olhos ardiam pelas lágrimas que haviam se formado ali. A morena se aproximou da filha e beijou demoradamente sua testa. Então, colou sua própria testa com a de Quinn e logo em seguida beijando-a. Era uma sensação única . – Eu amo vocês. –
— Ok, por favor se casem de novo! Sério, já sou team Faberry!– Beth diz em um tom brincalhão, sua boca estava cheia de jujubas, impedindo-a de falar corretamente. –
— Isso seria-
— Vocês duas, venham jantar. – Shelby abre a porta de vidro, apoiando-se no batente. –
As duas se entreolham e então assentem, antes de se levantar e então adentrarem a casa. Mas Beth volta, pega o pote de jujubas pela metade, e então segue sua mãe e avó até a mesa de jantar.
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