Quando Guto terminou a música e desceu do palco em direção a Ashley, a garota que estava com um copo de refrigerante em mãos o despejou todo em cima da cabeça do garoto.

– Porque você fez isso? – ele perguntou, abismado.

– Pra ver se refresca esse seu cérebro de ameba. – ela falou e saiu andando.

– É galera, acho que o show acabou, quem quiser pode ir jantar. – falou a monitora mais nova.

Todos foram saindo, Megan e Sarah não paravam de tagarelar, mas Megan estava fora de orbita, não parava de pensar em seu namorado e de se culpar pelo o que acontecera com Gael mais cedo, ela não conseguia acreditar que tinha caído naquilo, por mais que estivesse bêbada. Mas ela tinha noção de que Peter também não seria completamente fiel até o final daquelas férias e provavelmente faria coisa pior.

Sarah tentava convencer a amiga a pregar uma peça em Laura, mas Megan não concordava com aquilo, apesar de não gostar muito de Laura, não tinha nada contra a garota para fazer algo do tipo.

– Eu sou a ruiva sempre, ela é que tá sobrando. – Sarah reclamou e Megan riu.

– E isso é motivo para jogá-la no lago durante a noite? – Megan perguntou.

– Qualquer coisa é motivo para jogar alguém no lago. – afirmou a ruiva.

As duas continuaram andando até o refeitório, Sarah entrou no refeitório, mas Megan não quis ir comer.

– Você não vem? – a ruiva perguntou.

– Estou sem fome. – respondeu a morena.

– Está bem, até mais tarde. – despediu-se e saiu andando até a mesa com sua família.

Megan continuou andando em direção aos chalés, ela pensava em sua vida, só o que conseguia pensar era que precisava conversar com Peter, mas não havia como, era estranho como agora ela se importava, nunca havia se importado antes.

– Ei, Megan! – uma voz a chamou, e a garota olhou para trás e deu de cara com James.

– Sem querer ser grossa, mas eu não quero falar com você.

– Sem querer ser grossa mas já sendo, não é? – ele zombou e a garota continuou andando. – Megan, espera.

– O que é que você quer comigo?

– Queria conversar sobre aquele beijo.

– Exatamente sobre o que eu não quero falar agora, e nem nunca. – esbravejou – Porque é que você não beija outra garota e conversa com ela sobre isso, aposto que se beijasse a Sarah ou até a Dulce elas iriam querer muito conversar com você sobre isso.

– Só o que quero é te pedir desculpa, não devia ter te beijado daquele jeito, te peguei de surpresa e agora sei que não devia ter feito aquilo.

– Mas agora já fez, só esquece esse assunto e tá tudo certo. – a garota resmungou e ele assentiu.

– Vou esquecer, nem tem porque lembrar já que você e o Gael... bom... você sabe.

– Não, eu não sei não. – esbravejou a morena.

– Vocês dois no meio do mato e tudo mais.

– Isso também é pra ser esquecido, eu tava bêbada e não sabia o que estava fazendo.

– Sua ressaca é curada bem rápido em. – falou Ashley, passando pelos dois.

– Sua mãe não te ensinou que é muito feio ouvir a conversa dos outros pirralha? – Megan gritou.

– E o seu pai não te ensinou que é feio ser uma vadia? – retrucou a loira.

James olhou para Megan e sabia o que ela estava pensando em fazer, se aproximou mais da morena para poder segurá-la.

– Ashley, some daqui. – James gritou para a irmã mais nova.

A loira cruzou os braços e ficou parada.

– Está esperando o que? Se eu soltar ela, você morre. – James irritou-se com a irmã.

– Esperando eu sentir medo, porque não tenho nem um pingo de medo dessa patricinha, vadia. – Ashley soltou e Megan se debatia nos braços de James. – Solta ela!

– Vai para o seu chalé Ashley, antes que eu conte pra mamãe que você foi até o show hoje. – Jem argumentou e a loira o encarou brava, e foi andando a passos firmes para seu chalé.

Megan continuava querendo arrebentar a cara de Ash, mas Jem ainda a segurava, ela respirou fundo e percebeu que de nada adiantaria bater naquela criança, mas não deixaria barato.

E Sarah ficaria feliz em saber disso.

– Me solta, James. – esbravejou a garota. – Quero ir dormir.

James a soltou, mas ficou encarando-a.

– Não se esquece que ela é só uma criança.

– De criança ela não tem mais nada, só é mimada como uma.

Megan foi até o chalé sozinha e ficou esperando Sarah voltar, mas nenhuma das duas ruivas apareceu, já passara mais de uma hora desde que Megan havia voltado ao chalé e nada, nem Sarah e muito menos Laura haviam aparecido. A morena ficava andando de um lado para o outro, arquitetando todo o plano diabólico em sua cabeça, ninguém xingava ela daquele jeito e saia impune, e com Ashley não seria diferente.

Megan ouviu a porta bater e parou, estática, olhou pelo canto do olho e sorriu.

– Finalmente, ache que não fosse mais aparecer. – comentou a garota.

– Eu? Eu é que tava achando que você tinha morrido, sei que disse que não ia jantar, é só que te vi conversando com o James e achei que ia acabar tendo morte ali, ainda mais depois daquele beijo sem explicação. – Sarah falou e começou a rir em seguida.

Era estranho o jeito como Megan odiava e adorava Sarah ao mesmo tempo, as duas tinham uma conexão muito forte, mas as vezes Meg não entendia como Sarah conseguia ser ainda mais fútil e mimada do que ela.

– Sei que disse que não queria me vingar de ninguém, mas...

– Mas? Finalmente decidiu se vingar daquela ruiva falsificada comigo?

– Não, eu não tenho porque me vingar dela, a garota nunca me fez nada. E não acho que o ruivo dela seja falso. – Meg falou e deu uma risadinha maldosa, pensava que o ruivo de Laura era com certeza mais verdadeiro que o de Sarah. – Estou falando de outra integrante da gangue Santiago, a mais nova, o capeta mirim.

– E o que ela te fez?

– Ficou me xingando, me provocando, até me chamou de vadia e foi do nada, sem explicação e motivo algum, eu nem tava falando com ela. Ela quis me enfrentar, agora ela vai ver onde se meteu.

– Uau, agora eu gostei de ver! – zombou a ruiva. –Se vingar de uma criança, que maduro.

– Ela não é criança, e prefiro me vingar de uma pirralha que me fez alguma coisa, do que de uma garota que não me fez absolutamente nada. – retrucou a morena. – Vai me ajudar ou não?

– É claro que vou né.

A vingança já estava arquitetada.

Vingança de um lado e insegurança e burrice do outro. Estranho de verdade era o “relacionamento” de Gabe e Dakota, nenhum dos dois admitiria que tinham algo, se é que eles sabiam disso. Gabe estava tão entretido com Medlee e Dakota com Gael que nem reparavam no que realmente estava rolando ali.

– Como seu irmão pode gostar da minha irmã? Ela é tão fútil e mimada, não sabe o que quer da vida e é louca.

– Dakota, vou falar só mais uma vez, meu irmão não gosta da sua irmã, ele não gosta de ninguém, nunca. – Gabe respondeu e os dois caíram na risada. – É estranho como Medlee aparece e some do nada, eu nunca sei onde ela está.

– Já pensou em olhar a lista dos chalés e procurar por ela? As vezes nem acho que essa garota seja real, você fala dela como se ela fosse um anjo, perfeita demais para ser verdade.

– É engraçado, eu sei, mas ela sempre some. Ela me disse que é irmã da Zury, nem sei de onde ela vem ou do que ela gosta, é estranho se apaixonar por alguém assim?

– É, bem estranho. – respondeu a morena e o ruivo começou a rir. – Não posso dizer muita coisa, porque não quero atrapalhar seu romance com ela, mas acho que você deveria conhecê-la melhor antes de sair agarrando-a, seria a coisa mais sensata a se fazer. Não acha?

– Acho, mas eu tenho que achá-la primeiro. – o garoto se levantou.

– Gabe...

– Sim. – virou-se para trás para encarar a morena.

– Vá com calma, e mande um beijo para o seu irmão.

– Dakota, esquece, não vou mandar beijo para o Gael. – o garoto respirou fundo. – Kota... – olhou para as feições da garota e voltou a se sentar. – Você está gostando do Gael?

– Eu? É claro que não Gabe, ele é muito mais velho que eu, isso é nojento. – ela deu uma risada falsa e rolou os olhos. – Só gosto do jeito dele, é engraçado e é como se fosse outro irmão pra mim, Ed me ama, mas tem coisas que eu não posso conversar com ele, e acho que o Gael poderia me ensinar algumas coisas sobre como os garotos pensam.

– Mas e eu? Não posso te ensinar?

– É claro que poderia Gabe, mas você tem que se focar na Medlee, e não em mim.

O ruivo encarou a garota e deu um sorriso fraco, não sabia o que dizer, mas sabia que Dakota não estava dizendo a verdade.

– Gabe, eu juro que não está rolando nada, pare de me olhar assim. – Dakota se levantou e deu as costas ao ruivo que ainda a encarava sem acreditar no que ela dizia.

A garota foi andando até seu chalé, precisava conversar com uma amiga, e sabia quem poderia a ajudar. Abriu a porta do chalé e seu queixo foi ao chão, não podia acreditar no que estava vendo ali.