Famiglia Vargas

4 Capítulo Quatro: Se questi fasci di rot...


Notas iniciais
Urgh... Eu fui postar o capítulo e a internet deu problema...
#preguiça

Bem, aos que continuam lendo, obrigada de todo o meu coração.
Esse capítulo é menor que os outros, mas eu cheguei a conclusão de que ele compensa em conteúdo. Algumas mudanças foram e ainda serão feitas neste e outros capítulos porque a história tá uma bagunça na minha cabeça...

Boa leitura, e até as notas finais.

Aquela era uma noite impressionantemente calma para uma comune agitada como Genova. Um rato caminhou hesitantemente de um esconderijo ao outro, e de cima de um muro um gato observou-o, a cauda contorcendo-se lentamente enquanto sua mente teoricamente inferior calculava a rota mais segura até sua presa.

Um grupo de quatro homens virou a esquina onde o felino pretendia fazer sua emboscada, fazendo com que o pequeno rato escorregasse para um bueiro qualquer. O animal bufou e ergueu-se saltando para longe do grupo que se aproximava.

Eles caminhavam numa fila indiana pouco organizada, sendo que os três últimos eram apenas crianças. O “líder” do grupo era um homem calvo e mal encarado, de olhos cor de mel, usando um terno marrom escuro. Os rapazes todos usavam calças sociais e blusas negras, além de segurarem a parte de cima do terno em um dos braços.

Ao fim da rua o casarão dos Vargas esperava por eles, com as luzes da porta de entrada acesas, sendo para eles a única fonte de iluminação decente considerando o funcionamento defeituoso dos postes na rua.

Quando pararam os quatro à porta, o calvo virou-se para os menores com um sorriso maldoso, os olhos cor de mel brilhando de expectativa enquanto observava cada um dos presentes.

– Rapazes, essa é sua última chance de fugir.

O convite não foi nem mesmo considerado. Nenhum dos três ousou mover nem mesmo um único músculo, aguardando pela próxima ação do secretário da família. Em resposta, ele sorriu e curvou-se educadamente, abrindo a porta da frente com um rangido que ecoou pela noite.

–... Assim sendo, desejo-lhes buona fortuna.

O mais velho dos meninos pareceu demorar um pouco para entender o significado daquele gesto.

– Nós... Vamos ter de encontrar o caminho sozinhos?

– É claro.

– No escuro?

– É o que me parece.

– Mas que merda, só entre logo, Giuliano! Nós vamos nos atrasar!

– Oh, sim... Claro. Sinto muito!

Lovino, o mais velho dos dois gêmeos, bufou e observou enquanto o italiano começava seu caminho, agora na liderança do pequeno grupo. Assim que Feliciano caminhou cautelosamente pelo piso de madeira, fechando a fila, a porta atrás deles bateu levemente e o som do trinco girando pode facilmente ser ouvido. O gêmeo mais velho revirou os olhos ante a atitude dramática do secretário, enquanto Giuliano parecia estar surtando.

Depois de mais uma discussão o trio voltou a mover-se, atravessando o hall vazio na única direção plausível. Havia três corredores e uma escada. Dois deles seguiam pelas laterais da casa, sendo que o da direita acabaria num salão de festas e o da esquerda em uma sala de música e uma biblioteca.

A escada os levaria para a área residencial do casarão, além de uma sala especial que o líder da famíglia costumava chamar de “pretorio” que traduzido seria algo como “o salão do julgamento”.

Sua última alternativa, e a mais plausível delas, era o corredor que seguia reto, cada vez mais fundo na mansão. Feliciano sentiu um arrepio na espinha ao perceber a forma com que aquele corredor parecia ser um borrão negro na parede.

O cenário tornou-se ainda mais apavorante quando Lovino – tentando mostrar o quão corajoso era – entrou no corredor. Quando ele se virou para chamar o irmão mais novo e o outro menino, o caminho atrás dele iluminou-se com uma corrente de ar, como se ele já os estivesse aguardando.

Quando falou, Lovino não estava fazendo muito mais que se fingindo de corajoso.

– A-andem logo, stupidos... Com certeza devem estar todos nos esperado enquanto vocês choram de medo!

Na verdade, os olhos dele estavam igualmente marejados. A questão era que mesmo para os gêmeos Vargas, que viveram toda a infância no casarão, a entrada naquela parte da casa era proibida. Aquela seria a primeira vez deles percorrendo aquela passagem, e até mesmo entrando no jardim central que eles tanto viam pelas sacadas e corredores do segundo andar.

Naquela noite, cada um dos três se tornaria parte atuante da Famíglia Vargas, e igualmente, um membro de La cosa nostra. Aquele era o momento pelo qual eles esperaram durante cada segundo de suas vidas.

Tudo o que precisavam era ultrapassar um corredor mal assombrado, numa casa lotada de maníacos, pelo que parecia.

– Vamos?

Feliciano foi até o irmão, apertando a mão entre as suas e tentando disfarçar o fato de que tremia. Giuliano soltou um suspiro, tentando se acalmar, e avançou também, tomando a frente do grupo e guiando-os através do corredor silencioso.

Havia quadros na parede. Mesmo que fosse obrigado a admitir a habilidade dos artistas, Feliciano sentiu uma vontade enorme de destruí-los. Muitas vezes ele foi capaz de enxergar nos quadros de natureza muito mais do que as árvores e flores, ou as montanhas.

As luzes apagaram-se. Eles encolheram-se uns contra os outros numa tentativa de buscar proteção no escuro. Uma luz fraca fez com que Feliciano erguesse os olhos para buscar sua fonte.

–... Nós estamos quase lá, Lovino.

Lá na frente, o corredor abria-se para a noite escura. Ou assim seria, se não pela incandescente presença da fonte de mármore. Originalmente ela deveria estar funcionando como qualquer outra fonte faria, mas...

Naquela noite, seu lema estava em chamas.

– Por favor, aproximem-se.

A voz soou pelos poucos metros até eles, vinda de algum lugar lá fora. O trio ainda hesitou por um momento, mas Giuliano ousou dar o primeiro passo, e os próximos dois metros antes de ser seguido pelos gêmeos.

Quando eles entraram no jardim, fizeram-no de queixos erguidos.

Lovino dava cada passo cautelosamente, observando cada rosto mal iluminado inexpressivamente. Feliciano caminhava atrás do irmão, os olhos percorrendo os arredores aparentemente inocentes.

Aquele era um evento único em suas vidas. Lá na frente, a fonte de mármore brilhava envolta em chamas escarlate, e com ela, cada palavra do lema deles parecia gritada na escuridão.

Os três avançaram pelo corredor cercado pelos dois lados pelos veteranos, e seus futuros irmãos. Ao fim do caminho, com a silhueta definida pelas chamas atrás dele, mas a face coberta pelas sombras estava à figura imponente do líder daquela organização, e avô dos gêmeos.

Messere Vargas observava-os com uma mescla de orgulho e tristeza, apesar de eles não poderem ver aquela expressão. O trio alinhou-se e todos fizeram silêncio enquanto esperavam pelas palavras de seu líder.

– Giuliano, dê um passo à frente. – O rapaz avançou trêmulo pela excitação.

– Você está ciente do que a cerimônia de hoje significa em sua vida?

Capisco e accetto. (Eu compreendo e aceito.)

– Você conhece nosso código, e jura fazer dele sua lei?

Mia fedeltà è per lui, ora e per sempre. (Minha fidelidade é dele, agora e para sempre.)

Messere Vargas concordou com a cabeça e avançou, entregando ao rapaz a figura de um santo, que Giuliano aceitou com orgulho.

– Você compreende qual o destino daquela que nos traem, e aceita os riscos desta vida? Faça seu juramento, e sele-o com um pacto de sangue.

O menino pegou a estátua entre os dedos da mão esquerda e subiu o único degrau da fonte, sentindo o valor do fogo lambendo o ar e pressentindo a sua presença. Com a mão trêmula, mas o coração decidido, ele ergueu o braço e colocou a mão esquerda entre as chamas, sentindo cada fibra de seu corpo ordenando que ele se retirasse. Ainda assim ele abriu os lábios não para gritar de dor, mas para proferir as palavras que ele declarara e repetira para si mesmo tantas vezes antes.

Giuro, davanti ai miei nuovi fratelli e per conto della famiglia di cui faccio parte ora. Lo giuro con la mano sul cuore carboni e fedele, che la mia vita è ora dedicata a questa organizzazione. E se il mio cuore che un giorno il coraggio di deviare da questa strada, o il coraggio mie braccia ferito un fratello, io brucio con la statua che ora tengo. Onorerò la famiglia che ora è mio. (Eu juro, perante meus novos irmãos e em nome da família a qual agora eu pertenço. Juro com a mão em brasas e coração fiel, que minha vida agora é dedicada a esta organização. E que se meu coração um dia ousar desviar-se desse caminho, ou meus braços ousarem ferir a um irmão, que eu queime com a estátua que agora eu seguro. Eu honrarei a família que agora é minha.)

A voz dele tornou-se compreensivelmente aguda nas últimas palavras, e quando ele recuou foi automaticamente socorrido por dois homens que o esperavam com ataduras e água gelada. Enquanto o resto dos presentes anunciava com orgulho.

Benvenuto, Giuliano Vargas.

O clima no jardim pareceu ficar ainda mais tenso, enquanto lentamente os olhos de cada um dos presentes viravam-se para os gêmeos.

Lovino deu um passo à frente antes mesmo de ser chamado, o olhar cruzando com o do avô. Os gêmeos deram as mãos e deram o próximo passo juntos. O mais novo esticou a mão direita no lugar da esquerda, e alguns dos presentes começaram a perguntar uns para os outros, o que estava acontecendo ali. O avô deles entregou as duas figuras restantes e cada um deles recolheu a direcionada a si.

Como deveria ser, Lovino subiu o degrau primeiro, sendo seguido por Feliciano logo atrás. Todos observaram mortificados enquanto os gêmeos colocavam as mãos no fogo ardente. Lovino precisou de um segundo para reprimir um grito de dor e controlar-se, então o primeiro a se pronunciar foi Feliciano, antes mesmo que seu avô pudesse se pronunciar, e apesar do irmão mais velho poder senti-lo tremendo de dor.

Comprendere e accettare il nostro codice. Comprendere e accettare i nostri doveri come parte di questa famiglia... (Nós compreendemos e aceitamos nosso código. Compreendemos e aceitamos nossos deveres como parte desta família...) – Antes que ele pudesse continuar a fala, o gêmeo mais velho prosseguiu por ele, dando-lhe tempo de se recuperar.

... Noi giuriamo di rispettare i nostri veterani, oltre che per le generazioni future. Come successori, ci siamo impegnati a prendersi cura di questa casa tenere con onore e prosperità. Come... (... Juramos o respeito a nossos veteranos, assim como às próximas gerações. Como sucessores, nos comprometemos a cuidar para que esta casa mantenha-se com honra e prosperidade. Assim como...)

... Ci impegniamo a vivere e morire con la famiglia, e... (... Nós nos comprometemos a viver e morrer pela família, e...)

... Se questi fasci di rot... (... Se estas vigas apodrecerem...)

... O è il cuore del presente, o anticipata da generazioni noi, diventare impuri a causa di nostri errori... (... Ou se o coração dos aqui presentes, ou das gerações por nós aguardadas, tornarem-se impuros graças a nossos erros...)

... Se questa casa fosse di bruciare fino all'ultimo grigio... (... Se esta casa vier a queimar, até a última cinza...)

A última frase foi dita em uníssono.

... Quella bruciamo con esso. (... Que nós queimemos com ela.)

O silêncio que seguiu-se foi quase que macabro. Os gêmeos Vargas retiraram as mãos feridas do fogo e seguiram de queixo erguido até o grupo de primeiros-socorros. Os dois homens que seguravam a caixinha com os medicamentos ainda encararam a ambos por um longo minuto antes de perceberem a situação em que a mão deles se encontrava.

Uma palma solitária foi ouvida do meio da multidão, e então todos os duzentos homens ali presentes aplaudiram os gêmeos que, de costas para a multidão, sorriam um para o outro.

Aquilo já fora decidido há muito tempo com um juramento infantil, apesar de levado a sério, mas o combinado era... Eles reinariam juntos.

Notas finais
Sim, eu sei que todas vocês pessoas estão esperando ansiosamente pelo momento em que eu vou responder todas as suas dúvidas e finalmente colocar algum mel nessa fic.
Mas esse capítulo não ficou LINDO?! Tipo, deveria ter ficado, pelo menos =P
Por favor, deem suas opiniões, sobre frases que poderiam ter sido mais bem escritas ou partes melhor trabalhadas no texto. Se alguma parte ficou confusa, perguntem! Essa é a única forma de eu melhorar minha escrita.
E peço perdão pelo italiano de google tradutor, eu tentei fazer as frases ficarem o mais poéticas o possível... Não funcionou muito bem xD
Deixando claro, semana que vem o bicho pega. Então eu não sei se vou conseguir postar... Mas se não conseguir, eu prometo que na semana seguinte eu posto dois capítulos pra compensar =3

Isso é tudo, suponho.
Gin-chan