Famiglia Vargas
5 Capítulo Cinco: O Ceifeiro Espanhol
Notas iniciais
Isso porque amanhã é prova de química e eu ia me ferrar estudando ou não xD
Anyways, espero que gostem do capítulo. Ele tá cheio de flashbacks, e eu espero que isso responda a maior parte das respostas de vocês.
Boa leitura e até as notas finais =*
O clima no quarto era, em uma palavra, tenso. Possíveis formas de identificar o fato eram que até mesmo Gilbert parecia perceber que havia algo de errado.
Lovino estava deitado sobre a cama de casal, já com a perna apropriadamente engessada. Ao lado dele, numa cadeira, estava Antônio, que apesar de parecer interessado no que aconteceria, não parava de lançar ao gêmeo mais velho um olhar preocupado.
–... E então?
A pergunta foi feita por Roderich. Feliciano, agora o centro das atenções, encolheu-se levemente ao ouvi-la. Os irmãos alemães estavam sentados num sofá de um lado do quarto, e do outro lado, Roderich estava numa poltrona desbotada próxima a lareira apagada. O gêmeo mais novo estava sentado na beira da cama, a cabeça baixa e as sobrancelhas arqueadas numa linha incômoda.
– Eu... – um suspiro cansado – Sinto muito, irmão Roderich. Não deveria ter escondido isso de você, mas...
–... Como isso aconteceu? Esses dois aqui, quero dizer.
– Oh! Essa meu incrível eu sabe responder, Rod! Eu briguei com um dos ‘carinhas’ deles, e ganhei é claro, e eles vieram atrás de mim em busca de vingança! Ksesesese! Aí eu e o Lud fomos arrastados até aqui. Agora nós somos convidados de honra, certo?!
–... Você quer dizer “prisioneiros”, Gilbert. – Ludwig interveio. Ao ouvir a voz dele, Feliciano encolheu-se ainda mais. – O que eu ainda não entendi é como você parece conhecer todas as pessoas que eu conheço.
A pessoa a quem a pergunta foi direcionada virou o rosto na direção de Roderich, parecendo ainda mais hesitante em responder. O austríaco soltou um suspiro e lançou um olhar decidido para o italiano menor.
Feliciano virou-se, encarando os olhos azuis de Ludwig, e sorriu. Aquele era o tipo de sorriso que irritava profundamente aqueles que sabiam como ele era falso.
– Vocês se importariam em ouvir uma história?
–...
– Bem, bem! Comece logo ou meu incrível eu vai perder o interesse!
– Senhor Gilbert, cale a boca e permita que Feliciano fale.
Os olhos castanhos ainda rondaram o quarto por mais um momento, hesitantes, antes de Feliciano abrir os lábios e começar a falar.
– Sabe... Desde que eu nasci nesta família, eu sempre soube que todos esperavam algo de mim. E depois que os anos foram se passando eu percebi que este “algo” havia sido parcialmente encontrado em Lovino. – Ele virou-se e deu um sorriso carinhoso ao irmão. – Meu fratello era... Não, ele é, a imagem de um líder descente. E acima de tudo, ele era o mais velho, o que fazia dele o melhor candidato para a liderança.
“Quando eu tinha sete, nossos pais me chamaram para conversar. As palavras que eles disseram podem parecer um pouco cruéis para vocês agora, mas para alguém na minha posição, parecia-me aceitável. As palavras exatas não são essas, mas o que eles disseram foi algo como
– Se você quer continuar vivo, aprenda a ser tudo o que seu irmão não consegue ser. No mundo onde você nasceu, não importa para onde você olhe, uma arma vai estar apontada para sua cabeça, só esperando que você cometa um erro.”
Feliciano soltou uma risada amarga.
“Não é como se eles estivessem errados. E então, no mês seguinte, meu pai morreu em um ‘acidente’ em alto mar. Acho que ele ter morrido foi demais para nossa mãe também. Depois disso, as coisas ficaram complicadas.
Vovô Vargas ainda parecia estar no controle, e Lovino crescia, cada vez melhor. As pessoas pareciam admirar a capacidade dele. E foi naquela época em que eu decidi ouvir o conselho dos meus pais.
Acho que era senso comum de que apesar de Lovino ser o favorito de todos no quesito liderança, por algum motivo as pessoas pareciam gostar da minha presença. Eu passei a observar tudo e todos sempre que podia, lutei para aprender cada mínimo comportamento humano da melhor forma possível, e no fim eu consegui algo que eu sabia que Lovino não conseguiria.
Eu me tornei um ‘ator’.
Sei que não parece lá essas coisas, mas foi quando as pessoas pareceram virar-se para me olhar, e começaram a considerar o fato de que talvez eu fosse necessário para a famiglia.”
O italiano apertou os lábios, como se estivesse lembrando-se de coisas desagradáveis.
“Eu sorriria quando fosse necessário, e saberia exatamente o que dizer para quem, de forma que para mim seria fácil colocar qualquer um na palma das mãos. Eu realmente achei que as coisas estariam bem daquele jeito. Mas Lovino ficou preocupado comigo, sabe?”
Ele soltou uma risada e atrás deles, Lovino corou violentamente, mas não tentou negar a afirmação.
“Ele percebeu que agir daquela forma não fazia bem a mim, e foi quando nós prometemos um pro outro que faríamos aquilo, liderar a família, juntos. Pareceu a mais inteligente solução. ‘A dupla de ouro’. Foi como nos nomeamos. E ironicamente, as pessoas parecem respeitar esse título hoje em dia... Na época, não passávamos de dois pirralhos de nove anos.
As coisas cresceram melhores do que antes. O mundo poderia ser nosso, se assim quiséssemos. O tempo passou rápido, e eu gosto de acreditar que nós ficávamos cada dia melhores, mesmo que só um pouco.
Na semana anterior ao nosso aniversário de onze anos, aconteceu a cerimônia de entrada...”
– Cerimônia?
Todos viraram-se para encarar Gilbert, como se só agora tivessem se lembrado da existência dele ali. Roderich fulminou-o com o olhar, mas Feliciano sorriu e explicou pacientemente como acontecia a cerimônia de entrada para a família. Quando citou o juramento de fogo, tanto Lovino quanto Antônio ergueram os braços esquerdos, mostrando a forma com que a cicatriz do fogo marcava suas peles.
Feliciano apertou a mão direita de encontro ao corpo, os olhos parecendo perder-se novamente em memórias enquanto ele retomava a narrativa.
– Bem... Tudo correu como o planejado. Meu avô não poderia estar mais orgulhoso de nós dois, e o fato de termos feito o juramento juntos acalmou a maior parte do clã, principalmente quanto a quem seria o herdeiro.
E então, a festa de aniversário. Eu não me lembro muito bem do evento em si. Suponho que tenha sido divertido. Pessoas importantes apareceram e nos deram os parabéns, e foi quando eu conheci Roderich e o senhor Edelstein também. Ele era um homem... Peculiar. Mas era um bom amigo do nonno, e um... ‘Contato importante’.
No fim da festa, Lovino saiu mais cedo por algum motivo, e eu fui obrigado a me despedir de todos os convidados ao lado do líder da casa. Assim que o salão esvaziou, eu me lembro de tê-lo abraçado e desejado “buonasera”. E então, eu consegui escutar os vidros se quebrando, e o corpo dele pesou sobre mim e eu não conseguia me mexer, e...
Feliciano fez mais uma pausa, os olhos fixando-se num ponto aleatório do carpete. Os olhos estavam marejados e ele tremia.
– O grande Signore Vargas morreu. – A voz de Lovino interrompeu-o. Feliciano piscou, sentindo a tensão em seu corpo desaparecer. As lágrimas não caíram como ele pensou que fariam, muito menos. Ele tomou fôlego, abriu um sorriso de desculpas e esfregou os olhos, ciente de estar sendo observado.
–... Exato.
Feliciano sentiu-se puxado novamente para o turbilhão de memórias.
“Havia sangue por todo o lado...
Ele tentou arrastar-se para longe do peso que o impedia de respirar, mas um segundo tiro destruiu o que restou da janela de vidro, e atingiu uma cadeira ao lado dele, fazendo-o gritar. Passos foram ouvidos de todos os lados, e gritos cortaram o salão de festas e o hall até ele. Feliciano congelou, a mente pulsando na mesma velocidade das batidas de seu coração.
Seu avô estava morto. E uma parte de sua mente parecia saber muito bem de quem era a culpa.
Ele sentiu o peso desaparecendo, e braços erguendo-o do chão, mas não conseguiu reagir. Alguém lhe deu um tapa no rosto, talvez tentado arrancá-lo do estado de choque, mas não conseguiu qualquer reação da parte dele.
“Morto, morto, morto, morto... Ele estava morto...”
Um movimento ao canto de seu campo de visão chamou sua atenção. Ele pode ver o vermelho gritante que manchara o chão, e um pano branco flutuando lentamente até cobrir o corpo que agora estava deitado no tablado. E então ele percebeu a entrada de seu irmão no salão.
O grito que estivera engasgado em sua garganta irrompeu com violência por seus lábios. Ele ergueu os braços e tampou os ouvidos, tentando bloquear os próprios sentimentos do lado de fora, coisa que lhe parecia impossível.
“Morto, morto... Minha culpa... Morto.”
Lovino correra até ele, tentando abraçar o irmão, mas sendo violentamente rechaçado pelo mais novo.
– Feliciano! Sou eu! Fratello, tudo bem! Se acalme! Por favor...
Finalmente o irmão mais velho conseguiu segurar o outro pelos ombros, ignorando sua resistência. Os gêmeos encararam-se, e Lovino sabia muito bem que Feliciano não estava enxergando a ele ali. Seus olhos estavam apavorantemente vazios.
–... Morto. – Feliciano sussurrou. Lovino afrouxou o aperto, parecendo surpreso. Antes que ele ou qualquer outro dos presentes pudesse impedi-lo, o gêmeo mais novo virou-se e correu. Ele saltou pela janela destruída e cortou o ombro do processo, mas não hesitou em continuar correndo.
Ele não escutou realmente as vozes que chamaram seu nome, e se não fosse pela rua extremamente vazia, ele provavelmente já teria sido atropelado pela forma com que irrompeu pela rua principal, correndo aleatoriamente pela cidade.
Sua mente não estava pensando em qual caminho ele tomara, seus pés guiavam-no sem rumo, seus olhos não viam o caminho. Na verdade, seu campo de visão se resumia ao escarlate que manchava suas roupas, seu rosto e até mesmo seus cabelos.
O fedor da morte impregnava em seu corpo.
Feliciano correu por entre as ruelas da comune, ciente de que provavelmente já tinham homens na rua buscando por ele. Perguntou-se o que pensariam dele. Talvez o culpassem pela morte de seu líder. Não deixava de ser uma verdade. Mas ele também sabia ser uma verdade o fato de que eles nunca o encontrariam se ele assim não desejasse.
Aquela era a cidade dele.
Freou em frente a uma pequena e discreta porta de madeira pintada de verde, logo atrás de uma mercearia. Ele entrou sorrateiramente e escondeu-se entre as caixas de tomates e outros produtos menos atrativos.
Como um Vargas, o menino obrigou-se a pensar corretamente. Primeiro ele precisava de roupas novas. Depois, de um plano de verdade. Aquele não era o momento para entrar em luto.
– Respire fundo. – Sussurrou para si mesmo.
–... Estou respirando.
O menino saltou de surpresa, batendo a cabeça na bancada onde estava escondido. Seus olhos marejados ergueram-se, hesitantes, para observar o escuro preocupante do armazém. Havia um rapaz ali, um que talvez não ultrapassasse os quinze anos. Definitivamente estrangeiro, o italiano dele ainda carregava certo sotaque, apesar de Feliciano não conseguir identificar de onde com aquelas poucas palavras.
Ele demorou um momento para identificar o rapaz como alguém conhecido. Ele ainda usava roupas de festa, e o cabelo ainda estava arrumado para trás com gel. Os olhos verdes estavam escurecidos pela falta de luz.
–... Você... O spagnolo... Antônio?
– Bem, sim. – Ele soltou uma risada. – É como fui apresentado a vocês, pelo menos. As pessoas no geral me conhecem por um nome pouco mais apavorante.
– Oh. O ceifador Espanhol, certo?
– Exato. E então, o que o jovem mestre Vargas está fazendo numa situação tão suspeita?
–... Messere Vargas está morto.
O sorriso no rosto do espanhol desapareceu.
– Oh. Nossa... Eu sinto muito. O velho era gente boa. O que foi que acontece... Caramba! Isso aí é sangue?!
O pequeno Feliciano encarou as próprias roupas com os olhos tristes.
–... Eles atiraram de bem longe.
– Um sniper?
– Provavelmente.
– Oh... Como Lovino está? Ele já sabe?
Feliciano observou-o com curiosidade. Aquela era uma reação deveras interessante.
Aquele rapaz havia sido apresentado aos gêmeos há quase um ano agora. Ele não parecia perigoso, muito menos com o assassino profissional que na realidade era. Ele fora gentil com os gêmeos, e até mesmo passara o verão na casa da família.
A parte interessante era que Antônio nunca se interessara pelas habilidades de Feliciano com discursos, ou com a facilidade dele de se expressar. Seus olhos pareciam seguir Lovino onde quer que o menino fosse, e apesar de ele ser tratado extremamente mal, não parecia se importar muito com a timidez ou a dificuldade do gêmeo mais velho de se relacionar com outras pessoas.
Feliciano encarou o espanhol a sua frente, sua mente trabalhando num plano pouco confiável, mas possível.
–... Antônio, o quanto você gosta dele?
– Ahn?
– Do Lovino. O quanto você gosta dele?
O espanhol soltou uma risada nervosa, bagunçando os cabelos.
–... Muito? – Ele respondeu, parecendo hesitante. O olhar de Feliciano pareceu tornar-se um pouco mais gelado e sério.
–... Spagnolo, eu preciso de uma resposta apropriada. O quanto você gosta de Lovino?
– Ahn, Feliciano, eu não acho que a resposta seja apropriada para...
Um sorriso satisfeito surgiu nos lábios do menor, apesar de não ter chegado aos olhos.
– Isso é o bastante. Eu tenho dois favores a te pedir.
–... Fale.
– O primeiro, preciso que me ajude a chegar a salvo no hotel de um homem chamado Edelstein. Ele vai sair da cidade assim que o... O funeral do meu avô acabar. Pelo menos, é o que eu suponho. – O menino precisou controlar o tom de voz e as palavras usadas, tentando manter a calma. – E eu tenho que ir com ele.
– Esse cara é austríaco.
– Sim, eu sei. É longe o bastante.
– É longe demais! E quanto a seu irmão?
– Isso é para o bem dele. E me lembra do segundo pedido. Você vai ter que jurar, Antônio! Esteja pronto.
O espanhol pareceu que ia protestar, mas concordou com a cabeça.
– Quero que fique ao lado do meu irmão. – Antônio abriu a boca para contestar o pedido, mas Feliciano apressou-se em continuar – Torne-se a sombra de Lovino, não desgrude dele nem por um segundo sequer. Faça o necessário para mantê-lo vivo e no poder. Você vai ter de jurar para mim que vai dedicar sua vida não à organização, mas a seu líder. Se você ama meu irmão como parece amar, faça-o.
–... – O moreno ficou sem voz.
– Jure.
– Eu... Eu não...
– Antônio... – A voz do menino falhou levemente.
Seus olhos estavam urgentes e ansiosos. O espanhol percebeu como aquele menino sentia necessidade de garantir a segurança do irmão mais velho e sentiu-se honrado por ter sido considerado confiável.
– Eu juro. Não vou abandonar Lovino nunca. Pode contar comigo, Feli.
O corpo delicado do menor relaxou consideravelmente e ele até mesmo abriu um sorriso agradecido ao espanhol.
– E quanto ao austríaco?
– Pode deixar comigo... Acho que sei como vamos fazer pra chegar até ele, mais tarde, quando estiver mais movimentado. Eu...
O gêmeo mais novo hesitou por um momento – o sorriso no rosto do rapaz pareceu-lhe preocupantemente sádico – mas concordou com a cabeça. Ele olhou em volta e encontrou um lugar seguro o bastante, entre um amontoado de caixas onde ele poderia encolher-se de um jeito mais ou menos confortável.
– Você vai procurar por ele agora?
–... Eu... Sinto muito, Feliciano. Por vocês dois.
– Tudo bem. Só vá encontrar Lovino, dê uma desculpa para ele e leve-o para casa em segurança. Não conte nada sobre ter me encontrado.
O espanhol hesitou e aproximou-se do menino, abraçando-o levemente.
– Nós vamos fazer acontecer, Feli. Seu irmão e eu vamos trazer você de volta um dia.
– Sim, eu sei.
–... Até mais. – Ele sussurrou, e sua voz soou como se eles nunca mais fossem se ver, antes de virar-se e caminhar para fora.
O coração do italiano apertou-se por um momento, e ele sentiu uma vontade enorme de correr atrás de Antônio e dizer que estava com medo, e que não queria ficar sozinho.
Ainda assim, Feliciano observou silenciosamente enquanto a figura do ceifeiro espanhol desaparecia pela porta, saindo para a rua agora coberta pelo nascer-do-sol avermelhado.”
– Então você fugiu?
Feliciano calou-se. Os olhos de Ludwig não eram acusadores, mas a pena presente neles ainda machucava bastante.
–... É. Basicamente.
– Ok, você foge e os Edelstein acolhem você. E então? Como você conseguiu sair do país sem ser descoberto?
O rosto do gêmeo mais novo tornou-se consideravelmente vermelho com esta pergunta. Roderich reprimiu uma risada, mas Antônio não se forçou a tanto, soltando uma gargalhada maliciosa.
– Oh, essa é a parte divertida da história.
– Spagnolo, eu ainda não vi a graça no seu planinho ridículo. Na verdade, fico surpreso que Feliciano tenha conseguido sair do país desse jeito. – Lovino resmungou, parecendo aborrecido.
– Na verdade, o fato de ser simples foi exatamente o genial! – Roderich contestou. – E com a ajuda de Elizabeta, as coisas foram ainda mais fáceis!
– Oh! – Gilbert exclamou, de repente. – Falando no demônio, o que foi que aconteceu com a Liz?
–... Ela não era um demônio. Liz foi muito boa comigo. – Feliciano interveio, defendendo a amiga.
Roderich corou, e ninguém respondeu a pergunta do albino. O grupo pareceu ignorar totalmente o loiro que, em seu canto do sofá, parecia estar em outro lugar. Sua mente finalmente foi capaz de somar dois mais dois.
– Não é possível... – Ludwig sussurrou, os olhos azuis arregalando-se. A voz dele foi ignorada completamente pelos outros, e o austríaco tentou mudar de assunto.
– Só explique para eles o resto da história, Feliciano.
Agora Feliciano estava claramente evitando encarar os irmãos germânicos. Ele apertou os lábios por um momento antes de praticamente cuspir o resto da história neles.
–... Antônio conseguiu me traficar para dentro do hotel em uma de suas roupas velhas. Nós praticamente invadimos o quarto dos Edelstein, e ainda assim fomos recebidos com gentileza. O pai de Roderich me levou para o banheiro enquanto Antônio puxou a Signorina Elizabeta para um canto e começou a discutir algo com ela. Em minha inocência, eu nunca teria imaginado que o maravilhoso plano dele se resumia a.. Bem...
– Disfarçar Feliciano em vestidos. – O espanhol concluiu a frase por ele. Os olhos verdes tinham um brilho particularmente sádico agora, e os cantos dos lábios tremiam levemente enquanto ele lutava para não cair na risada outra vez.
– Ahn... Isso. Eu usei um dos vestidos de Liz, e viajei com os Edelstein sob o pretexto de ser a filha de uma prima de segundo grau do pai de Roderich que tinha morrido e me deixado sozinha/o... Sim, eu sei, meio confuso. De qualquer forma, eu fui... Instruído a agir e atuar como uma garota, sob o nome de...
– Feliciana Daisy Edelstein.
Todos os outros, com exceção de Feliciano, viraram-se para observar Ludwig. Os olhos azuis estavam frios e cortantes, e ele encarava as costas do menor com uma fúria gelada.
– E qual o motivo para ter mentido para mim?
–... Isso...
– O motivo.
Feliciano virou-se e encarou-o com uma expressão quase tão feroz quanto a dele, o rosto ainda vermelho.
– Foi necessário.
–... Por quê?
– Ludwig eu... – Um suspiro. – Sinto muito. Eu teria te contado, mas...
– Quanto exatamente?! Você teria esperado mais três anos?! Ou simplesmente me deixado descobrir sozinho?! – Todos no quarto encararam o alemão, abismados ao ouvi-lo levantar a voz. Gilbert estava boquiaberto, ainda sem entender o que acontecia.
– Eu ia te contar! Mas você me fez o favor de ir embora antes disso!
– Oh! Sinto muito não ter esperado só mais três anos!
–... Esse foi o tempo que você demorou para voltar? – A voz de Feliciano saiu estranhamente baixa. As sobrancelhas estavam franzidas e a expressão em seu rosto era confusa.
O loiro abriu e fechou a boca algumas vezes antes de desviar o olhar e responder, um pouco mais calmo.
– Eu voltei no mês seguinte. Você já tinha ido embora.
– Lovino veio me buscar no final de semana, logo depois de você ter ido... Eu pensei em deixar uma carta explicando tudo, mas...
– Ele estava chorando tanto que não conseguiu. – Antônio completou mais uma vez, aparentemente insensível aos sentimentos do gêmeo menor. – Ele não parava de gritar sobre uma promessa que tinha feito com alguém, mas nunca me disse com quem era. Então era sobre você?
Uma aura assassina fez com que o espanhol calasse a boca. Lovino deixou de encará-lo e bufou esticando os braços e chamando o irmão para mais perto. Feliciano arrastou-se cama acima e sentou-se ao lado do irmão, permitindo que ele passasse um braço por seus ombros.
–... Espera um segundo! – Gilbert berrou, parecendo ter se lembrado de como formular frases. Ludwig lançou à ele um olhar de aviso, que ele não pareceu ver. – Então você é aquela menininha fofa que pintou quase todas as paredes da casa? Aquela que tentou ensinar o Lud aqui a desenhar?! Ksesesese... Que paia. Sabe, você foi a primeira pessoa de quem o Lud...
Uma chave de braço impediu-o de terminar a frase.
– Cale a boca, Gilbert. – Ludwig rosnou num tom furioso. – Pra começar, nada disso estaria acontecendo agora se não fosse por sua atitude estúpida!
– Você tá... Brin...cando? – O albino tentou se soltar, sem muito êxito. Roderich ergueu-se e intercedeu a favor do rapaz. Gilbert tossiu no chão antes de terminar a frase. – Se não fosse pelo meu incrível eu, vocês nunca mais teriam se encontrado, certo?
Silêncio. Feliciano lançou ao loiro um olhar hesitante, e encontrou os orbes azuis encarando-o igualmente. Havia uma mágoa contida ali, que fez o italiano retrair-se.
–... Que parte disso foi bom?
Lovino pareceu estar a um passo de saltar sobre o alemão, ignorando completamente a dor na perna. Feliciano abaixou o rosto e não respondeu ao comentário. O austríaco lançou um olhar triste aos dois, e chegou a conclusão de que aquilo era o bastante para uma tarde.
– Agora escute aqui seu batatão de merda você...
–... Eu vou levar os dois de volta ao quarto, sim? – Roderich avisou, interrompendo o italiano com um tom gentil. – Parece que vai ser melhor que eu fique por aqui por mais algum tempo também. Signore Antônio se importa de nos acompanhar?
O espanhol ergueu-se da cadeira e atravessou o quarto. Ele abriu a porta e deu aos três germânicos um sorriso que claramente significava “apressem-se e saiam”.
– Eu vou voltar mais tarde, Lovi. Durma um pouco, sim?
–... Só vá logo, Antônio. E encontre um lugar para esse Edelstein ficar também.
– É claro... Boa noite, cariño.
–... Até logo. – O gêmeo mais velho sussurrou.
Antônio concordou com a cabeça e saiu para o corredor, sendo seguido pelos outros três. Eles fizeram seu caminho em silêncio, e quando chegaram ao quarto dos irmãos alemães, ele e Roderich observaram enquanto os dois entravam obedientemente no cômodo.
–... Ei, batata maior. – Ludwig virou-se para ele com um olhar gelado. Seu humor e sua paciência lhe foram arrancados durante aquela tarde, e ele não estava exatamente com vontade para brincadeiras. – Pense um pouco, sim? No que Feliciano disse.
Ludwig pensou em interrompê-lo, mas Antônio foi mais rápido.
– Aquilo que ele disse... Que ele me pediu na noite da festa... Que ele tentou esconder durante esses treze anos. Feliciano esteve esperando por alguém que jurasse estar ao lado dele. Ainda assim, quando o avô deles morreu, foi ao lado do irmão dele que ele pediu que eu ficasse. Talvez você deva levar isso em consideração.
O loiro encarou o espanhol sem palavras. Então ele virou o rosto e caminhou para o banheiro, fechando a porta atrás dele. O silencio no quarto tornou-se estranho. O austríaco mantinha o olhar baixo, aguardando ansiosamente por Antônio. Ele queria ir embora, antes que o albino decidisse... Reviver os velhos tempos.
Gilbert observou Roderich por detrás do espanhol.
–... Você também fez esse juramento?
– Perdão? – O austríaco virou-se, parecendo surpreso.
– Aquela cerimônia sobre a qual Feliciano falou. De queimar a mão. Você também...
– O juramento pelo qual eu passei foi um pouco diferente, Gilbert. Mas meus laços para com a família Vargas são quase tão fortes quanto.
–... Oh.
Antônio abriu um sorriso divertido.
– O quarto ao lado está vazio. Señor Roderich, você pode ficar com ele. E me parece que você e seu amigo têm bastante sobre o que conversar... Estou errado?
Os outros dois ficaram extremamente vermelhos, mas não contestaram o comentário muito menos.
Notas finais
Semana que vem eu tô LIVRE! HAHAHA!
E já tenho o próximo capítulo escrito aqui *grin* e ele é.. *Caham*... Pretty good -q
De qualquer forma, estarei esperando por elogios e críticas - both are benvenuto - e eu tô esquisita hoje xD
E não se esqueçam que eu estou aceitando professores de português corrigindo os erros nos comentários x3
Gin-chan
...
(P.S.: Eu vou corrigir isso bonitinho depois, prometo)
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