Famiglia Vargas

11 Capítulo Onze: Les Mizerables


Notas iniciais
Eu odeio quando tô pra postar o capítulo e a internet para de funfar e.e
Bem, reclamações a parte, sejam bem vindos ao novo capítulo de Famiglia Vargas *u*
Minhas meninas lindas, o dia hoje tá lindo e a vida é linda também! Tudo tá lindo - como podem ver a autora se drogou xD - menos o capítulo (como sempre)
Ele não é exatamente uma adição super importante pra história, e na verdade é basicamente oito páginas de luta e duas de acontecimentos importantes entre aspas xD Ou seja, te perdoo se quiser me bater.
Ainda assim, eu agradeceria mil anos se você lessem, porque é importante pra mim - mas isso fica pras notas finais.
As duas músicas de hoje são 'Mizerable' do Gackt, e a música do capítulo é 'Sooner or Later' do Breaking Benjamin, de novo x3
No mais, boa leitura, e até as notas finais o/

O japonês levou um susto ao sentir o celular vibrando no bolso da calça. A música tema do primeiro filme de Gundam começou a tocar escandalosamente e ele viu-se corando até as raízes, sentindo os olhares gelados das enfermeiras do irmão de Feliciano sobre si. Ele esgueirou-se para o corredor e esqueceu-se de conferir o identificador, atendendo apressadamente o aparelho.

Moshi, moshi?

“O que?! Cara atende o celular direito!”

–... Perdão? – Mudou para o inglês, hesitante. Ele não tinha entendido uma palavra do que fora dito, mas conseguiu deduzir que a língua falada era o alemão, que lhe desconhecia. A pessoa do outro lado da linha pareceu perceber o próprio erro, mudando também.

“Oh, desculpe. Aqui é o Gilbert. Esse é o telefone do amigo indiano do Feli, né?”

–... Eu sou japonês, e até onde eu sei, Feliciano não tem amigos indianos.

“Que seja. Olha, não precisa se preocupar nem nada, mas é que a gente tinha combinado de ir todo mundo junto, e o Francis conseguiu falar com uns amigos dele, e nós acordamos cedo e tudo o resto pra ir buscar eles no aeroporto, mas aí eu fui chamar o Feliciano e ele meio que desapareceu... O que não é exatamente uma coisa boa.”

Em resumo, Kiku não entendeu uma palavra do que lhe fora dito. Quer dizer, as palavras ele conseguira entender, mas o albino falava tão rápido do outro lado da linha que parecia impossível compreender tudo. Hesitou, tentando pescar algumas informações. Eles haviam chegado sem problemas em São Petersburgo, ok. Aparentemente o francês tinha amigos que estavam indo ajudar a formar a linha de apoio, ok. Feliciano tinha sumido... Espera. Para onde diabos Feliciano poderia ter ido sozinho?! Tratou de verbalizar a questão.

“Ah, eu sei lá, ele... O que?!” Uma voz interrompeu Gilbert, e o japonês reconheceu o tom levemente harmonioso de Francis do outro lado. Ele dizia algo muito rápido em uma língua desconhecida – provavelmente francês – e parecia preocupado. Gilbert soltou algumas palavras na própria língua natal, que Kiku deduziu serem palavrões, antes de voltar ao telefone. “Aquele louco foi atrás de Ivan. Ele vai acabar morto! A gente tem que ir, parece que os amigos do Francis estão aí. Falou!”

– Espere!-

A ligação foi interrompida. Kiku sentiu as mãos tremendo nervosamente. Feliciano estava em perigo. Se ele bem se lembrava, Soo fora um dos melhores atiradores da turma. E pelo que sabia, os outros ali eram piores que ele. Um arrepio nervoso percorreu sua coluna, ele sentiu como se fosse vomitar.

– Por favor... Por favor, cheguem a tempo. – Sussurrou, como se sua voz pudesse percorrer todos aqueles quilômetros e alcançar o outro lado do continente.

Cada indivíduo residente da mansão russa foi acordado exatamente às sete horas naquela manhã gelada. E apesar de desejarem poder dizer que o fizeram tranquilamente, não foi exatamente esse o caso, considerando o susto que levaram ao ouvir o som que as bombas faziam ao trabalhar.

A primeira explosão foi o bastante para tirar do lugar o supostamente de “melhor qualidade” portão de aço e balançar todo o gigantesco muro de pedra que protegia – não muito bem, aparentemente – a propriedade. Aqueles que não estavam de guarda acordaram, incapazes de acreditar na possibilidade de um ataque, enquanto os que participaram da segurança noturna viram-se completamente em pânico, mal treinados para aquele tipo de situação improvável.

Quem ousaria atacar uma matilha de lobos ferozes, em seu próprio território?

A segunda bomba foi lançada pela porta de entrada, aberta pelos seguranças numa atitude pouco inteligente, e não foi nem um pouco menos violenta, tremendo o chão e forçando as pilastras para fora de seu lugar, matando e destruindo tudo em seu caminho. Todos estavam acordados, e os que não estavam, não respiravam.

Um silencio macabro sucedeu a segunda explosão, no qual cada um dos membros da família armavam-se até os dentes, numa velocidade impressionante, para enfrentar o exército que fosse.

I want a normal life, just like a new born child. I am a lover hater, I am an instigater. You are an oversight, don't try to compromise, I'll learn to love to hate it, I am not integrated.

Ludwig foi o primeiro a alcançar o corredor do segundo andar, a M-16 firme entre as mãos. Ele buscou por um grupo na fumaça que se dissipava lentamente agora, mas o pouco que via eram corpos imóveis de seus colegas.

Hesitou, erguendo o cano da arma no exato momento que uma voz ecoava pela sala, um pouco abafada, mas reconhecível. Ela ecoou nas paredes como fizera a bomba, e seu poder podia ser comparado de mesma forma.

O mais assustador, porém, era a ligeira impressão que Ludwig tinha, de que aquela voz estava sozinha.

– Saia da minha frente, Ludwig. Você não vai conseguir me impedir. Eu vim atrás de Ivan, você não tem nada a ver com isso.

Os olhos azuis arregalaram-se e ele viu-se hesitando como fora ensinado a nunca fazer. Sentiu a mão se segurava a arma afrouxar-se.

– Feliciano...? — Sussurrou, sem conseguir acreditar na própria falta de sorte.

“Just call my name, you'll be okay. Your scream is buring through my veins.”

A fumaça se dissipou, trazendo a ele a visão dos olhos alaranjados de Feliciano, expressando um brilho furioso e assassino. E ele estava parado ali, no meio do salão, completamente sozinho em meio aos cinco corpos frios, parecendo tão pequeno e ao mesmo tempo, parecendo carregar nas costas a força de todo um exército, assim como seus fardos.

Foi a primeira vez que Ludwig conseguiu associar aquela figura magra ao poderoso e temido líder da Família Vargas.

Ele segurava uma Glock na mão direta, queimada, mas aparentemente não inutilizada. A esquerda estava pousada no cinto, que parecia alojar dez tipos diferentes de facas, todas de atirar. O alemão foi obrigado a enxergar ali não o rapaz sorridente e gentil de antes, mas a verdadeira face que Ludwig sabia que ele escondia.

Uma ameaça em potencial. Um inimigo, como qualquer outro.

Para sua surpresa, o italiano realmente fez o primeiro movimento, correndo pelo gigantesco hall na direção da escada, e assim sendo, na direção do loiro. E o que mais enfureceu Ludwig foi o fato de não ter conseguido apontar a arma contra ele, não conseguiu nem mesmo gritar para que parasse, ele não fez nada.

“You're like an infantile I knew it all the while. You sit and try to play me, just like you see on tv. I am an oversight, just like a parasite. Why am I so pathetic? I know you won't forget it!

Ludwig viu-se congelado no segundo andar, incapaz de avançar ou recuar, incapaz de qualquer coisa. A realidade é que talvez, só talvez, ele ainda visse aquela menina delicada que lhe dera a honra de seu primeiro beijo, tantos anos antes, logo ali, o sangue manchando a blusa negra.

Natália, por outro lado, não viu motivos para não atacar.

Ela surgiu no corredor, uma arma em cada mão e passando por Ludwig, tão veloz quanto Feliciano. Sem hesitar nem ao tomar impulso e saltar para o andar de baixo, ela rolou ao alcançar o chão e girou o corpo para mirar em Feliciano com o objetivo claro de matar.

O primeiro tiro errou seu alvo por centímetros, diferente da faca lançada pelo italiano, que rasgou o tecido de sua blusa grossa que ela usava na altura do abdômen e abriu um corte considerável na lateral do corpo da moça, antes de bater contra a parede do outro lado da sala e cair no chão com um ruído metálico.

Feliciano não parou por aí, a mente em um estado de frenesi do qual ele via-se incapaz de sair. Ele ouviu o som dos três tiros seguidos de sua arma contra a garota, apesar de nenhum deles ter acertado o alvo em movimento. Nada daquilo fora pensado ou planejado como costumavam ser as coisas que ele fazia. O italiano encontrava-se totalmente movido pelos instintos.

E graças aos instintos ele foi capaz de desviar-se do contra-ataque de Natália com relativa facilidade, rolando para o lado e encontrando-se cada vez mais perto das escadas, apesar de não estar exatamente pensando nelas no momento. Com a mão esquerda ele sacou mais uma das facas e lançou-a com uma mira perfeita entre os olhos da loira, que conseguiu desviar-se a tempo de receber um corte mínimo na bochecha direita.

Aquilo a enfureceu consideravelmente.

Natália não estava acostumada em ser atingida. Na maior parte do tempo ela não era desafiada, e mesmo se fosse, nunca se viu em desvantagem em qualquer luta. Ela treinara constantemente quando mais nova tudo em nome da segurança de Ivan e Katy, mas aquele menino parecia equiparar-se facilmente a ela.

É assustador o que a dor pode fazer com as pessoas.

Arregalou os olhos ao percebê-lo cada vez mais perto de si. Ela perdera a concentração por um milésimo de segundo e ali estava ele, uma faca firme na mão direita, saltando sobre ela num bote que seria mortal para qualquer outro que não Natália. Ainda assim, depois de rolar para longe, ela viu-se cambaleando, só então percebendo que o corte em sua lateral não era tão superficial quanto pensara.

“Just call my name, you'll be okay. Your scream is buring through my veins.”

E então o rapaz estava bem na sua frente, lançando-a para trás com um chute bem aplicado e fazendo-a escorregar pelo chão liso até a grande porta de entrada.

– Natália!

O italiano ergueu os olhos para perceber que tinha companhia. Ludwig o encarava, chocado com a luta que acabara de presenciar, mas mais importante que ele, Soo apontava diretamente para sua cabeça uma Glock semelhante à sua, o rosto contorcido em uma irritação irracional.

– Isso não tem nada a ver com você, Im Yong Soo. – E o coreano congelou, estremecendo levemente com a maneira com que o italiano pronunciara seu nome.

Por um momento ele até considerou recuar, sentindo a forma com que aquele olhar afetava Ludwig – uma pessoa que ele passara a considerar imperturbável – e como ele parecia paralisado com a arma repousada e inútil, incapaz de uma reação. E então ele se lembrou da conversa de Roderich, que lhe parecia ridiculamente distante depois te tantas outras coisas que aconteceram.

E Soo sentiu-se idiota por se temer alguém como Feliciano. Mirou impecavelmente sua Glock, lembrando de todas as aulas que tivera com Wang desde que deixara o exército coreano, menos de dois anos depois de ter entrado. Pensou no irmão desconhecido, que tentara a todo custo salvá-lo das garras do chinês, tudo em menos de um segundo.

E atirou.

O grito ecoou pelo salão e o rapaz sentiu-se caindo de costas no chão, o metal penetrando em sua pele e rasgando os tecidos. A arma caiu ao seu lado, o braço direito inútil e dormente – o que conseguia ser pior que a dor. Ele arfou ao sentir o sangue empurrando-se para fora, fazendo parecer que ele estava em chamas.

Sua mente virou um borrão, o coração martelando contra os ouvidos. Ele ouviu quando Ludwig soltou a arma e agachou-se ao seu lado, dizendo para que ele se acalmasse, enquanto segurava o ombro onde a faca de Feliciano acertara, tentando puxá-la para fora. Tentou concentrar-se nos olhos azuis que pareciam preocupados, mas ao mesmo tempo aliviados em ter algo que exigisse sua concentração por um momento. Soo entendeu a mensagem.

A luta lá em baixo continuava.

Ele sabia que Natália poderia se virar sozinha, geralmente ela estaria perfeitamente bem, mas havia algo de errado. Eles estavam errados em muitos sentidos, e aquilo era estranho. Nenhum dos dois estava acostumado a cometer erros daquela forma, Soo sempre fora um soldado excepcional, e nunca fora dado a flashbacks em campos de batalha, muito menos como guarda-costas de Wang.

Um segundo grito cortou seus lábios quando o alemão conseguiu retirar a adaga de seu corpo. Abaixou-se para olhar a lâmina, que parecia assustadoramente afiada. O loiro empurrou-a para um canto, sentando Soo e tentando fazer um curativo decente em seu ombro com a blusa negra que carregava na cintura. Ele agora vestia uma regata bastante fina, o que fez o coreano questionar sua sanidade.

–... Eu vou pará-lo, espere aqui.

– Soo?! – Eles dois ergueram o rosto para ver a aproximação dos dois líderes, Wang e Ivan. O asiático correu para perto de seu pupilo, perguntando-lhe o que acontecera. Ivan, por outro lado, aproximou-se da mureta e observou por alguns segundos a luta que corria lá embaixo.

– Aquele menino é o gêmeo mais novo dos Vargas?

Sua pergunta foi direcionada a Ludwig, que ergueu o rosto para concordar, e para perceber o brilho divertido que tomava os olhos de seu chefe. Teve um péssimo pressentimento sobre aquilo.

– Sim, senhor. Eu vou me juntar a Natália agora mesmo.

– Não precisa. Ela pode fazer isso sozinha.

– Senhor, Feliciano...

– Ludwig, isso não foi uma sugestão. Se Natália não pode vencer ele, então não é digna de estar aqui.

– Feliciano é diferente.

Os olhos violáceos fitaram-no com deboche.

– Todos nós somos. Só porque você gosta dele, e esteja torcendo para que ele não se machuque, não significa que ele vá vencer. Eu trouxe Natália para essa casa para ela se tornar a melhor.

– Só esqueceu de dar a ela uma razão pela qual lutar. – A resposta do loiro foi bem insolente. Ivan ergueu uma sobrancelha, voltando a observar a irmã mais nova.

– Ela luta por mim.

–... É mesmo? – A voz de Soo uniu-se a eles, interrompendo a conversa. Ele encarava Ivan com um misto de irritação e dor, sendo que o primeiro sentimento era totalmente direcionado ao maior. – Você é mesmo um bastardo narcisista se pensa assim. Nat não luta mais por você, ela aprendeu.

– E o que ela poderia ter aprendido, meu caro soldadinho insolente?

– Realidade. Assim como eu. Ela entendeu que poderia perder a vida por você, mas nunca te teria só pra ela. Sendo curto e grosso, ela deixou de ser trouxa.

Ivan pareceu ficar sem palavras por um momento, mas recuperou-se rápido.

– Veremos então.

Natália saltou para o lado, frustrada ao perceber com o canto dos olhos que não só era observada, como não parecia ter qualquer chance de receber reforços. Não que precisasse deles, mas ela esperava um pouco mais do homem que agora mantinha um olhar de águia sobre ela, julgando seu desempenho.

Feliciano avançou mais uma vez, conseguindo chegar perto o bastante para abrir mais um corte, agora no ombro direito. Vendo pelo lado bom, aquela era a última maldita faca dele. Àquela altura ela já deduzira que havia algum tipo de substância nas lâminas, que pareciam retardá-la cada vez mais.

Sinceramente falando, Natália não fazia ideia de como ainda estava de pé.

Saltou por cima do corpo de um segurança do qual o nome ela não conseguia se lembrar. Inicialmente para seu alívio, Feliciano não foi atrás dela, limitando-se a atirar uma vez com a arma e recuar para a parede oposta.

Mentalmente, a loira xingou-se por ser tão estúpida. Ele recolheu duas das facas do chão, observando-a com os olhos ferinos. Ela ainda tentou fazê-lo se desequilibrar, atirando nele com as últimas balas de sua última arma. Lançou-a para o lado, sem realmente se importar com a improbabilidade de ter acertado – o que não aconteceu. Ela já vinha pensando naquilo desde o início da luta de qualquer jeito.

Se fosse abatê-lo, teria que fazer isso de perto.

Feliciano pareceu sentir o perigo ao vê-la se aproximando ao invés de correr. Ele também lançou para o lado a arma inútil, segurando com a mão direita a outra faca. Com mais um de seus sorrisos, ele sussurrou a última parte da música que vinha pulsando em seus ouvidos, provocando Natália pela última vez.

– Sooner or later you’re gonna hate it. So go ahead and throw your life away! Driving me under, leaving me out there, so go ahead and throw your life away.

Ela avançou violenta e furiosamente. A forma com que ele parecia ainda ter forças para sorrir, e para recitar músicas aleatórias foi o limite. Era o suficiente que o veneno que corria em suas veias a impedisse de dilacerar a garganta dele, e que Ivan parecia sentir prazer em vê-la definhar. Ela estava cansada e sabia que seu sangue manchava sua roupa e pingava no chão.

Natália estava com medo de morrer.

Feliciano moveu-se como um raio, dobrando as pernas e tentando desequilibrar a oponente com uma rasteira, que ela conseguiu evitar com um salto. Ele atacou-a com as facas, das quais ela desviou-se com um pouco de dificuldade. Por outro lado, sua mente parecia ter se clareado, e ela notou que o italiano estava mais lento, não muito, mas o bastante para que ela conseguisse manter o ritmo por um tempo.

E de alguma forma, o quadro foi mudando. Feliciano não lhe parecera em boas condições desde o início da luta. Ele estava mais magro do que a uma semana, e agora ela até podia perceber que ele tivera dificuldades em manter o ritmo do início. E apesar de ser humilhante admitir que ela provavelmente teria perdido facilmente contra ele num estado normal, a única coisa que a intimidara fora o poder de Feliciano com as palavras, nada mais.

Aquilo era um alívio, mas ao mesmo tempo, tornava toda a luta um nada para os outros. Ela sabia que Ivan estaria relevando o fato de que ela se deixara ser atingida inúmeras vezes, ele provavelmente fingiria não perceber o sangue. Porque pra ele os meios não importavam, contanto que Natália ainda estivesse por cima no final.

Por um momento, ela pensou em Soo, e considerou deixar o italiano fugir, deixar que ele conseguisse o que quer que fosse. Abriu um sorriso discreto, que Feliciano pareceu perceber. Eles se encararam por um único segundo, separados por uma distância mínima, mas existente. Natália viu nos olhos dele que ele também percebera que perderia, assim como percebeu a forma com que ele apertou com mais força a adaga na mão direita.

Atacou, mostrando-se sem piedade como ele se mostrara. Ela conseguiu lançá-lo no chão, e ouviu quando a cabeça dele bateu contra uma parte quebrada do piso. Desacordado. Pensou em como ele tentou evitar que Ludwig lutasse, que Soo lutasse. Até mesmo ela, ele tentara tirá-la do caminho. Ainda assim, ali estava ele no chão, rendido e humilhado. Por quem?

– Ludwig? – O coreano lutava para se manter acordado no piso de cima. O loiro ainda demorou alguns segundos para voltar os olhos azuis para ele, o rosto lutando para controlar sua preocupação. A questão é, Soo não se importava. Ele precisava saber o que acontecia, e já não conseguia mais se levantar, o veneno atuando em seu organismo. – Ludwig, ela ainda está de pé? Natália conseguiu?

–... Sim. Feliciano perdeu. Pode ficar tranquilo, ela está bem-

– Hospital... – Soo arfou, interrompendo o loiro. Sentia seu corpo tremer. Estava ficando pior. Ele precisava avisar Ludwig ou ela... Natália... – Veneno... Na faca... Hospital... Nat-

O loiro continuou encarando-o, ainda sem compreender o significado de suas palavras. Veneno? Feliciano conseguira acertar tanto Soo quanto Natália com as adagas então... Oh meu...

– Nós precisamos de uma ambulância! Ivan, havia veneno nas lâminas! Agora!

O líder não pereceu escutar, ele estava curvado sobre o italiano, observando o rosto pálido. Natália estava de pé, trêmula, ao seu lado, esperando por uma ordem, qualquer que fosse. Mas ela já não conseguia mais escutar direito, a mente embaralhada e confusa, sem saber como ainda estava acordada.

– Como esperado. Natália, vá se cuidar. Eu vou cuidar do italiano.

Ela não reagiu a voz do irmão como costumava, e aquilo era estranho. Natália não sentiu vontade de sorrir ao ser parabenizada. Sua mente ainda lhe perguntava por que ela parara aquele rapaz. Tudo o que Feliciano queria eram respostas, que Ivan poderia ou não ter. Porque impedi-lo? Pra que?

Por quem diabos ela lutara?

– Nat?

A voz que chamou por seu nome não foi processada. A loira ergueu os olhos e encarou a irmã mais velha, sem entender porque ela estava em lágrimas, e por que ela parecia gritar algo com Ravis. Na verdade, ela podia ver todos gritando, Ludwig no piso de cima, e o chinês Wang correndo na direção de Ivan falando algo enquanto seu irmão perdia momentaneamente o sorriso que sempre tinha no rosto. Ele virou-se, e Natália enxergou nos olhos violeta um sentimento que doeu nela, mais do que qualquer outra coisa.

Natália sentiu suas pernas bambearem, e abaixou os olhos para perceber a calça que usava destruída, e aquela era sua favorita. Então, ela percebeu o que realmente acontecia. O sangue já havia manchado toda sua roupa a partir do corte. Ela caiu de joelhos.

– Urgh...

Uma dor excruciante explodiu na área do ferimento, e ela curvou-se por si mesma, contendo um grito. E lembrou-se do veneno na lâmina, e da forma com que seus sentidos pareciam piorar durante a batalha.

E então lembrou-se das aulas sobre venenos, e sobre como eles se espalhavam mais rápido quando se ficava em movimento. Soltou um suspiro, xingou mentalmente. Bem, ela tentara pelo menos, morreria salvando Ivan.

O pensamento não lhe trouxe nenhum consolo.

– Mein Gott! Francis! Vem cá agora!

Gilbert tinha se erguido do sofá espaçoso do hotel, os olhos vermelhos encarando a televisão sem conseguirem acreditar no que viam. O loiro chegou correndo da cozinha, parando logo ao seu lado, sem conseguir acreditar no azar deles.

A televisão mostrava uma imagem aérea de uma antiga mansão no centro de São Petersburgo, que poderia ser um museu ou um patrimônio histórico, mas não era. O portão estava destruído, e segundo a repórter, todo o salão principal igualmente. As autoridades chamaram de vandalismo, alguns especulavam uma tentativa de roubo, o dono da propriedade disse que nada foi levado. Cinco mortos, dois seriamente feridos, nenhum preso.

Com uma expressão particularmente falsa de tristeza, Ivan Braginski declarou que fariam de tudo para descobrir quem havia feito aquilo, e o motivo para tal atrocidade ter acontecido.

Gilbert passou a mão pelos cabelos brancos e se jogou no sofá, lançando um olhar hesitante para Francis, e para os outros três loiros que haviam se juntado ao grupo naquela manhã.

– E então? – Murmurou, sentindo-se completamente perdido. – Ele disse que não haviam suspeitos... Você acha que...

– Não se o líder deles está ali. Você tem certeza que é ele? – A pergunta foi direcionada ao rapaz loiro mais longe de si, que tinha os cabelos curtos e óculos de grau. Ele encarava a imagem de Ivan na tela com uma mistura de irritação e nojo, e assentiu rapidamente como resposta. Francis soltou um suspiro.

– Nós temos que agir. Eles não vão estar esperando um ataque tão cedo, e provavelmente não matariam o Vargas agora.

– Então vamos hoje. – Anunciou um terceiro loiro, a voz firme e imperativa. – Eles não tem ninguém vigiando a propriedade, e burlar as rondas da polícia vai ser tranquilo.

– Sim, mas...

– Eu topo. – Gilbert ergueu o braço, lançando ao último loiro um olhar questionador.

– Eu-eu vou com vocês.

– Heh! Bem, já que é assim, eu vou liderar!

Francis encarou cada um dos rapazes na sala, hesitando antes de erguer o próprio braço.

– Bem, já que é assim, todos pra cama. Nós teremos trabalho de noite.

O trio seguiu para os quartos, deixando Francis e Gilbert sozinhos na sala. O loiro voltou para a cozinha sob o pretexto de que precisava terminar de cozinhar o que quer que fosse, e o albino virou os olhos de volta para a televisão, observando o movimento de pessoas atrás da repórter e de Ivan.

Enquanto observava, um loiro passou pela câmera com um fuzil de combate em punhos, seguindo para dentro da propriedade sem nunca hesitar. Gilbert observou o irmão desaparecer mansão adentro. Ludwig era definitivamente uma figura imponente.

“West, que merda você tá fazendo?”

Notas finais
Eu estarei aguardando ansiosamente pela opinião de vocês sobre o capítulo, e o motivo é muito importante pra mim: acontece que eu não sou só escritora de fics ruins. Eu também tenho algumas histórias originais que eu escrevo, e a mais importante delas é uma ficção científica pós guerra, ou seja, lutas e mais lutas. E eu preciso saber se minhas habilidades estão superiores ou não, então vou usar vocês como juízas! -q
Bem, acho que por hoje é só...
Quem serão os três novos loiros gostosos? Será que alguém vai dar uma sova no Lud pra ver se ele aprende? Será que o Ivan e o Wang vão deixar de me irritar? Será que a Liz tá bem? (coitada da menina, foi esquecida xD)
Tudo isso e muito mais na PRÓXIMA QUINTA! UHSUAHSUAHSUAHUHS E só pra constar, Rin ainda ama o Haru, não importa o que ;3 - mais alguém morreu em SnK? Bem, não que eu veja. xD Estarei esperando vocês no capítulo que vem, lindas minhas ♥
Até lá, besos e abraços apertados
Gin-chan