Famiglia Vargas
12 Capítulo Doze: Memories
Notas iniciais
Bem, nem tenho tanta coisa a dizer, além de que eu me senti muito feliz com os reviews do último capítulo, e me sinto honrada com os elogios, de verdade. Só faltou eu chorar de emoção... Esse tipo de coisa me incentiva a escrever. Obrigada a todas vocês, pessoas lindas. E especialmente a minha amada stalker-chan que chegou meio atrasada, mas chegou chegando -qq
Até as notas finais o//
– Eu li em algum lugar que as fadas nascem da primeira risada de uma criança.
– Isso soa fantasioso. — Seu marido replicou, sem realmente estar prestando atenção no que ela dizia.
– E é por isso que eles vão me chamar pra contar a história na hora de dormir. Desagradável.
–... Como quiser.
A moça bufou, apesar de estar sorrindo tanto quanto o moreno ao seu lado. Em seus braços, o filho mais velho. Ele lhe parecia um anjinho, os olhos fechados suavemente enquanto apertava seu dedo. Tanto ele quanto a irmã nasceram com seus olhos verdes, mas por injustiça genética eram ambos loiros.
Ainda assim, a húngara não ousaria reclamar. Depois da noite difícil que tivera, e da quantidade de nomes feios que desferira aleatoriamente pelas pessoas que vinham lhe dizer o quão bem ela estava indo, principalmente as enfermeiras sorridentes – essas a matavam de ódio – Liz sentia-se realizada. Os gêmeos estavam a salvo e bem e, apesar de terem se apressado um mês, eram saudáveis.
Lily, que agora estava no colo de Roderich, encarava o moreno com uma expressão de extrema curiosidade. Assim como o irmão ela apertava o indicador do homem entre os dedos pequeninos, permitindo-se ser observada por um hipnotizado austríaco, que parecia simplesmente apaixonado pela menininha em seus braços.
Com um resmungo, Vash remexeu-se em seu colo e abriu seus próprios olhos redondos, observando a mãe com sonolência. A verdade era que Elizabeta nunca se imaginara com um casal, mas não seria ela a reclamar. Ergueu os olhos para ver o marido, e melhor amigo, observando a menina com a mesma expressão paternal que costumava direcionar a Liz.
Ela sempre soubera que Roderich daria um ótimo pai. E provavelmente Gilbert também, se ela conseguisse controlá-lo. Riu ao perceber o quão estranha seria aquela família, e sentiu-se verdadeiramente feliz em saber que a tinha. Uma família só dela.
– Liz? – O rapaz chamou-a a meia voz, e ela ergueu mais uma vez os olhos, questionando-o. –... Obrigado. Por isso e por todo o resto.
Observou enquanto Roderich secava o canto dos olhos num raro momento de emoção. Sorriu para ele.
– Só me prometa que vai me ajudar com as fraudas.
Eles riram, e a enfermeira que entrava no quarto acompanhou-os, dando a ela os parabéns enquanto dizia que precisava levar o casal de bebês para o berçário para que ela pudesse descansar um pouco. Liz nem tentou discutir, o peso do sono e de um parto normal que durara doze horas caindo sobre ela. Fechou os olhos por um momento, e sua visão embaçou. Sentiu quando Roderich depositou em sua testa um beijo carinhoso, provavelmente querendo acompanhar as crianças.
– Parabéns, mamãe. – Ele sussurrou. – Boa noite.
Sorriu, sabendo que apesar de tudo, agora ela conquistara seu felizes para sempre.
Quando acordou, a primeira coisa que Natália percebeu foi que falavam dela. Então percebeu que eram Ivan e o asiático irritante de antes. Sua cabeça rodava, mas ela lutou para buscar a origem das vozes. Observou a enfermaria onde estava, as paredes eram brancas e havia um cortinado em volta da sua cama. Ela franziu o cenho, tentando captar o significado das palavras que eram ditas.
–... O médico disse que o veneno não mataria eles de qualquer jeito.
– Oh, é mesmo? Eu achei que o menino estivesse atacando pra matar.
– Ele não é esse tipo de pessoa e, bem, o objetivo dele era chegar até você, Ivan.
– Me capturar vivo, em resumo. Um método inteligente... Pena que eu tenha a Nat comigo... De qualquer forma, vamos voltar. Eu ainda preciso lidar com o Vargas.
– Você não vai entrar pra ver sua irmã?
– Pra que? Ela vai ficar bem. — Por algum motivo, Natália sentiu como se o irmão não estivesse exatamente animado com sua capacidade de recuperação. Apertou os lábios e fechou os olhos, esperando pela conclusão daquela conversa
– Ainda assim...
– Yao, nós vamos pra casa agora. Eu tenho mais o que fazer.
O chinês calou-se. Natália soltou um suspiro resignado e voltou a se apoiar nos travesseiros de onde ela não percebeu que tinha se erguido. Era vergonhoso, porque nada daquilo realmente importava pra ela. Apesar de ter achado que se sentiria incomodada, ela não se importou nem um pouco com a frieza de Ivan.
O que realmente a frustrava era a forma com que o chinês agia, como se ela fosse digna de pena ou algo assim. Aquilo a deixava fora de si, mas pó hora ela decidiu que deveria simplesmente deixar ele de lado. Mais importante do que aquilo, bem, ela estava bem. Tentou mover os dedos, desviando sua atenção para o alívio que sentia por estar viva. Seria tão estúpido morrer daquela forma.
Voltou a forçar as costas para cima e para frente, mas foi mais difícil do que da primeira vez. Deixou que as pernas escorregassem para fora da maca e lutou para conseguir puxar consigo o – que carregava o soro que estava grudado no seu braço. Tentou se por de pé algumas fezes, sem sucesso. Soltou um rosnado de frustração, reunindo forças para tentar novamente quando uma voz atrás dela a parou.
– Você não está exatamente recuperada, Nat... — A voz de Soo estava rouca. Natália tentou encontrá-lo, sem muito sucesso. A cortina a sua direita se arrastou, revelando o coreano extremamente pálido, mas com exceção do braço direito enfaixado, ele lhe parecia bem. – Deite e descanse, eu to menos ferrado que você e não consigo nem me sentar sem sentir dor, sabe...
– O que tem de errado? Eu estou bem. Quero ir embora. – Apesar de ter dito aquilo, Natália voltou a deitar-se, deixando de lado suas tentativas infrutíferas de fuga.
– Essa é fácil. Veneno. Sei que você também notou que tinha veneno na lâmina. Parece que o objetivo era nos drogar o suficiente pra nos fazer dormir, ou algo assim.
– Uhn.
Ela deixou de olhá-lo, rodando a cabeça no travesseiro até poder observar a porta fechada de onde viera a voz de Ivan mais cedo, sabendo que era observada atentamente pelo asiático.
– Você está magoada?
– Porque estaria? – Ela murmurou, sem voltar-se para olhá-lo nos olhos.
– Com o que seu irmão falou, quero dizer... Ele não foi muito gentil agora pouco.
Natália soltou um suspiro.
– Não. E não me importo mais também. Eu só quero ir pra casa.
Soo ficou em silencio por um tempo. Ele parecia lutar contra si mesmo, tentando decidir se faria ou não a próxima pergunta e tentando evitar o sorriso satisfeito. No fim, não perguntou, nem sorriu.
– Não é justo. – Murmurou, sentindo-se uma criança fazendo birra. – Eu não gosto de como ele te trata.
– Eu escolhi estar aqui... E também, não vai ser por muito mais tempo.
O rapaz virou-se para encará-la, sem entender o que ela quis dizer, mas ela estava imóvel, como que adormecida.
–... Nat?
– Eu vou embora, quanto antes melhor. – Apesar de ter saído num sussurro, Soo abriu um sorriso discreto.
– Eu vou com você.
–... Que bom que não vou precisar te sequestrar.
– Hey.
Natália virou-se para olhá-lo, as bochechas levemente vermelhas, ao que ela mentalmente atribuiu ao soro, apesar de não ter usado a desculpa. Ele soltou uma risada e esticou o braço bom, o punho em riste, e Natália revirou os olhos e remexeu-se, erguendo o braço contrário e batendo o punho no dele.
– Bem vinda ao grupo.
–... Grupo? – A pergunta foi acompanhada de um bocejo sonolento.
Eles dois voltaram ao silêncio, até o coreano reunir coragem para perguntar o que queria.
– Não acha frustrante como o destino foi cruel com todos nós? – Ele falava baixo, já voltando a se sentir sonolento, mas lutando para compartilhar com ela seus pensamentos antes de voltar a dormir.
– O que quer dizer?
Soo hesitou, tentando formular as palavras em frases compreensíveis.
–... Quando eu tinha onze, minha mãe decidiu voltar para o Japão e cuidar do filho mais velho dela, meu meio-irmão... Nós acabamos brigando e eu passei de um internato para o outro, fingindo ser um bom aluno. Quando eu fiz dezenove Kiku, é o nome do meu irmão, me disse que me ajudaria a ir para a faculdade, em troca de notícias minhas sempre que possível.
O rapaz fez uma pausa, os olhos quase se fechando enquanto ele lutava contra o medicamento que começava a fazer efeito.
– Eu usei o dinheiro pra pagar um cursinho, e passei numa escola do exército. Fiquei dois anos ali, e continuei a manter meu irmão informado, mas ele nunca parecia feliz com as notícias, por melhores que fossem minhas notas ou qualquer outra coisa, ele sempre parecia esperar mais... Era meio frustrante. – Ele soltou uma risada e remexeu-se na cama, voltando o rosto para encarar Natália que o observava, atenta a história. – Quando eu admiti que não gostava do curso e que ia abandonar a escola, Kiku disse que eu poderia escolher um curso que gostasse, e ele ficou feliz por isso... Mas bem, dois meses depois, nossa mãe descobriu um câncer, e meu irmão precisava bancar o tratamento... Eu acabei envolvido com a máfia, e acho que o Kiku não ficou exatamente feliz com isso... Ele disse que teria ajudado, que teria conseguido mais dinheiro sabe-se lá aonde... É estranho, na verdade.
– E o que tem o destino a ver com isso?
–... Eu ainda nem comecei. – Soltou um suspiro – Com onze anos, você perdeu tudo. Família, estabilidade, casa. E Ivan te trouxe até aqui, certo? Por outro lado, ele nunca se preocupou em saber se era o que você queria ou o que era melhor pra ele... De uma forma ou de outra, aqui estamos nós.
– Eu escolhi essa vida-
– Da mesma forma que eu escolhi estar com Wang. Ele me disse que me ajudaria, e também ajudaria a pagar o tratamento da minha mãe. Tudo em troca do meu serviço... No fim, dá no mesmo.
–... Tá, pode ser. E daí?
–... Você sabe que Feliciano Vargas tem um passado tão bosta quanto o nosso. – Ele soltou uma risada irônica – E quanto mais eu procuro, mais histórias ruins eu encontro... Os irmãos germânicos foram abandonados, e o mais velho deles participava de lutas ilegais por dinheiro, enquanto Ludwig se atolava na merda da ilegalidade como todos nós... O ministro austríaco tinha um pai estúpido o suficiente pra se envolver com dois grupos inimigos, e acabou herdando todos os contatos e problemas do velho. O espanhol, Antônio, nunca conheceu os pais, e aprendeu que matar podia muito bem te garantir o pão de cada dia, até que acabou sendo salvo por ninguém mais que o líder da família Vargas, que eu e você sabemos muito bem que foi morto por ordens de Ivan... O que me leva a pensar: destino, como você é filho da puta por colocar tanta gente ferrada junta num problema só.
Natália soltou uma gargalhada, a primeira na frente do rapaz que acompanhou-a naquela insanidade com uma risadinha. Eles riram juntos por um tempo curto, sem motivo algum para tal. A moça ainda sustentava no rosto o sorriso amargo quando fechou os olhos, murmurando mais para Soo – que nunca realmente deixou de olhá-la – do que para si mesma, antes de dormir.
– O mundo está mudando...
Ele suspirou e puxou a cortina, escondendo-se dela. O sorriso apagou-se e ele fechou o olho também, pensando no irmão que sempre lhe parecera estúpido por confiar tanto a um rapaz que ele nunca nem vira frente a frente.
–... Eu espero que seja pra melhor, Nat. Mesmo.
A rua esvaziava-se lentamente à medida que a noite chegava e o frio causado pela ausência do sol aumentava. O grupo de seis homens que encontrava-se num café na esquina da rua estava estranhamente silencioso, o clima pesado sendo cortado apenas pelo eventual som que a xícara de chá em frente a um dos loiros fazia ao pousar sobre o pires.
O albino fechou os olhos e sussurrou uma prece silenciosa, e quatro pares de olhos de azuis variados, e um par de olhos verdes, virou-se em sua direção. Francis abriu um sorriso hesitante e arrastou para trás sua cadeira.
– Mes amis, – a voz cantada do francês chamou as atenções para si – não se esqueçam de nosso objetivo. Por favor tentem não ferrar com tudo, se possível.
– Tente dizer algo menos óbvio, git. – O homem que estivera bebendo chá até o momento resmungou, erguendo uma das sobrancelhas espessas.
O francês abriu a boca para revidar, e assim sendo iniciar uma longa discussão com o outro rapaz, mas um pigarro interrompeu-os. Viraram-se mais uma vez para encarar um quinto elemento de olhos extremamente azuis parado ao lado da mesa. Nenhum deles – nem mesmo Gilbert – ergueu-se para cumprimentá-lo, mas ainda assim o loiro se aproximou e deixou sobre a mesa um papel completamente preenchido com desenhos do que poderia ou não ser a planta de um lugar.
– A loja fecha em duas horas. Ivan já está no prédio.
Ele não sorriu nem acrescentou mais nada, afastando-se sem qualquer pressa, atravessando a rua na direção dos portões agora abertos, mas fortemente guardados, da mansão da família Braginski.
–... Seu irmão me assusta.
– Oh! Matt! Achei que você tinha ficado pra trás!
Todos se viraram para encarar o americano, que parecia totalmente incapaz de perceber o clima tenso da mesa, e estivera comendo animadamente um hambúrguer e fritas – claro acompanhados de coca-zero para não engordar – durante todo o tempo.
Francis puxou um pouco mais para longe dele o papel com a planta da mansão, preocupado com a possibilidade de seu plano ser estragado por culpa de uma latinha de refrigerante.
Ivan percorreu o labirinto que levava ao seu escritório, o sorriso no rosto um pouco mais sádico e assustador do que o normal. Antes de abrir as portas de madeira, ele respirou fundo.
O carpete estava manchado com o sangue de Feliciano, e o rapaz encontrava-se semi-consciente e amarrado a um canto, mas quando o russo entrou no recinto ele lutou para escorregar para um pouco mais perto da parede.
– Boa tarde.
Ninguém respondeu-o, muito menos Feliciano ousou dizer o que pensava sobre aquela tarde. O russo passou pelo rapaz no chão, consciente de que ele não conseguiria se levantar. Ele mesmo fizera questão de destruir o osso da perna do rapaz assim que esse deu sinais de que acordaria. Deu as costas ao olhar inexpressivo do gêmeo mais novo e voltou para sentar-se no tampo da mesa de mogno.
– Você parece ter aceitado perfeitamente bem sua morte iminente, Feliciano.
Seu tom era provocador e gentil, a ameaça sendo deixada implícita. Mesmo assim, o menor não respondeu ou deu sinais de ter escutado o comentário. Seus olhos agora fixavam-se no pé da mesa e seu corpo parecia relaxado, a respiração vindo suavemente.
Aquilo irritou Ivan.
– É falta de educação ignorar os outros. – Ele tentou novamente, sem resposta.
Sua próxima tentativa foi um chute bem dado com o bico da bota de cavalaria, lançando o corpo delicado do italiano para trás e deixando-o esparramado no chão. O nariz sangrava, mas não parecia quebrado. Feliciano soltou um gemido baixo e puxou as cordas numa tentativa vã de soltar as amarras que feriam seus pulsos.
– Oh, que horror... O carpete é tão bonito, como você pôde manchar ele com seu sangue nojento?
A voz do líder era agora baixa e composta, o que causou em Feliciano um arrepio de pavor. Virou os olhos para encarar o rapaz que se aproximava dele. Natália nunca lhe pareceu tanto com uma menina inocente do primário quanto agora.
E Ivan nunca lhe pareceu tanto com um demônio.
Ele foi erguido pela gola da blusa e forçado a encarar o brilho enlouquecido dos olhos violeta. Sentiu sua respiração suspender-se e o coração falhar uma batida quando finalmente compreendeu a origem dos boatos por trás da organização russa.
Não existia uma única alma viva naquele lugar.
– Sinto muito por isso – Ele quase cantarolou, sem parecer sentir absolutamente nada – sua cara estava me irritando tanto que eu não consegui me controlar... Que tal nós falarmos de negócios agora, da?
– Meus negócios com você terminaram quando fui capturado – Feliciano respondeu simplesmente, mantendo um tom neutro apesar de tudo. Seus olhos pareciam resignados.
Se ele ia morrer, ótimo. Não seria ele a implorar pela própria vida. Seu orgulho parecia acreditar que ele tinha algumas chances sobre o russo, mas ele sabia que não. Sua melhor opção seria resistir a toda e qualquer tortura que sofresse e morrer com o que restava de sua honra.
– Oh não, não! Eu não pretendo te matar ainda, fique calmo. – Ivan soltou-o novamente, talvez até tentando colocá-lo de pé antes de observá-lo sucumbir sobre a perna quebrada, incapaz de sustentar-se. –... Sabe, os boatos sobre vocês não diziam que eram tão simplórios.
– Eu não poderia dizer o mesmo. – Feliciano resmungou, tentando ficar de joelhos novamente. A bota de Ivan forçou seu rosto no chão.
– Ainda assim – ele continuou como se não tivesse sido interrompido pelo outro – eu sou obrigado a admitir que você fez bastante estrago, passando pela minha segurança com tanta facilidade.
– Obrigado pelo elogio, mas recomendo que selecione melhor seus próprios homens. – Feliciano escolheu responder no lugar do gemido de dor que pretendia soltar inicialmente.
– Quanta consideração... Realmente, não sei o que seria de mim sem a Natália por perto.
– Oh, que lindo. – Feliciano resmungou ironicamente, tentando ignorar a dor. – Eu bateria palmas para seu amor fraternal, mas estou amarrado, como pode ver.
A pressão sobre ele desapareceu e Feliciano encolheu-se, esperando o pior. Ivan ergueu-o mais uma vez, colocando-o agachado e forçando-o a encarar seu agressor. Os olhos alaranjados do italiano fitaram-no com repulsa, ao que Ivan respondeu com um de seus sorrisos.
– Não-me-teste. – Ele disse pausadamente.
– Ivan.
O loiro ergueu os olhos e soltou o rapaz, deixando-o curvado sobre si mesmo. Se o russo era apavorante de longe, de perto o italiano quase pode sentir sua alma saindo do corpo. Yao estava parado ao lado da porta aberta, observando enquanto o russo se aproximava dele.
– Aconteceu alguma coisa? – O tom dele, para pura repulsa do Vargas, pareceu modificar-se completamente com a entrada do chinês no recinto.
– Eu consegui as informações.
– E?
– Lovino Vargas está hospitalizado, em coma.
Silêncio. Feliciano ergueu levemente a cabeça, sem entender ao ver – pelo canto dos olhos – a expressão perplexa de Ivan. Natália voltara. E Soo, e Ludwig. Como poderia Ivan não saber de nada?
– Como assim hospitalizado?
– Não me olhe com essa cara. Soo também escondeu isso de mim, aru.
– Isso o que?!
– Na noite da festa, Lovino Vargas levou um tiro... E provavelmente, nós somos suspeitos do atentado.
E para o temor do italiano, Ivan começou a rir. Gargalhar. E depois, ele precisou de pelo menos dois minutos só para parar de rir e recuperar o fôlego. Os olhos de Ivan pareciam brilhar como nunca quando ele avançou para perto do moreno encolhido no chão, quase cantarolando ao falar.
– Dá pra crer? O líder dos Vargas levou um tiro e está em coma num hospital, enquanto seu querido irmãozinho...
Curvando-se, Ivan apertou o rosto do moreno entre os dedos, forçando Feliciano a virar o rosto de um lado para o outro, apreciando a visão dos arranhões que maculavam seu rosto, do corte em seus lábios e do roxo que formava-se abaixo do olho esquerdo. Ele finalizou a frase com uma satisfação doentia.
–... Está bem na palma das minhas mãos. O que você acha que seus amiguinhos farão agora, vermezinho de macarrão?
– Eu acho que você já passou dos limites, Ivan. – O russo parou e soltou o rosto de Feliciano, permitindo-o cair no chão novamente, arfante e trêmulo. Wang ainda estava recostado na porta, encarando o loiro. – Solte o garoto. Já chega.
– Ele é um Vargas, Wang. Eu não posso simplesmente deixar ele ir depois de destruir meu sistema de segurança e me humilhar desse jeito.
– Sua irmã foi ferida e você está preocupado com a sua reputação?
– Nat já se vingou.
–... Eu não quero sua piedade – Feliciano sussurrou de seu lugar no chão. – Se vocês me matarem, eu vou ser vingado. E se não, eu mesmo vou me vingar. De um jeito ou de outro sangue vai correr. Você vai causar uma chacina.
– O único que começou isso foi você, Vargas. – O tom de Ivan era gelado.
Feliciano ergueu o rosto e encarou friamente o russo.
– Não foi você mesmo quem disse? Meu irmão está em coma. E o sniper que atingiu ele provavelmente foi o mesmo que matou meu... O último líder da família. E se ele for um dos seus, Ivan? Na verdade, sempre que nós nos metemos com vocês algo de ruim acontece. É mais fácil eu acreditar na sua culpa do que na sua inocência.
– E de que adiantaria você descobrir isso se não sair daqui? Você não vai poder vingar ninguém.
Para a surpresa de ambos, Feliciano sorriu.
– Eu não vingaria ninguém. Mas eu tenho certeza de que aquele americano sim.
Ivan franziu o cenho e Wang hesitou antes de perguntar, um arrepio percorrendo sua coluna.
–... Americano? Que ame-
Naquele momento todo o prédio encheu-se com o sim de tiros e gritos, até que uma voz sobrepôs todas as outras e ecoou pelo labirinto de corredores até a sala semi-exilada de Ivan. O russo virou-se e encarou Feliciano cujos olhos alaranjados pareciam clamar por algo.
Justiça.
– Hello you guys! Não comecem a festa sem mim! The hero is HERE!
O loiro chutou Feliciano e lançou-o pelo chão com um xingamento frustrado, deixando-o deitado sobre o carpete manchado com seu sangue.
– Yao, temos que ir!
– Eles não nos encontrariam aqui... Isso seria absurdo!
– Acha mesmo que entraram sozinhos?! Aquele alemão maldito tem alguma coisa a ver com isso!
– Ludwig? Mas ele...
– Vamos! – Ivan interrompeu o moreno, puxando-o na direção da mesma no exato momento em que a porta de carvalho se abria para revelar a figura altiva e poderosa de Ludwig.
Havia em seus olhos uma emoção tão turbulenta que fez Ivan recuar um passo. Ele estava propriamente agasalhado agora, usando uma roupa semelhante aos uniformes russos de treinamento em campo, num tom variado de cinzas. E também carregava seu fuzil, apontando descuidadamente para o peito do líder dos russos, que agora encarava-o com fúria.
– Saia da minha frente.
Ludwig sorriu.
– Não.
– Ludwig, isso foi uma ordem. Saia da minha frente.
–... Não.
– O que pensa que está fazendo?!
– Na verdade, eu passei a manhã toda empacotando minhas coisas. Minha carta de demissão está em cima da mesa da empresa... E eu estava para sair, mas...
O loiro lançou um olhar confidente na direção de Feliciano, cujos olhos pareciam questionar-lhe exatamente o mesmo.
– Eu precisei voltar para recuperar algo que tinha esquecido. Espero não estar incomodando.
Notas finais
Deixando os feelings de lado: THE HERO IS HERE HAHAHAHAHA! Espero que todos vocês estejam felizes pela aparição dos meus amados falantes da língua inglesa, porque eu tô batendo palminhas.
E os filhos da Liz nasceram. Sim, eu sei que segundo o capítulo 9 era um só, mas eu mudei os trens porque acho que seria a coisa mais fofa do mundo um Vash de cinco anos com ciúmes do próprio pai por causa da irmã mais nova. Ou seja: dane-se o mundo, na minha história suíços nascem de húngaras. x3
Como sempre, eu estarei aguardando seus comentários e críticas, apesar de saber que o capítulo de hoje tá um lixo xD Bem, pros que não vão comentar, até quinta que vem o/
Gin-chan
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