Famiglia Vargas

10 Capítulo Dez: No voy dejarte


Notas iniciais
Hetalians lindas da Gin! Estamos de volta! Eu estou dançando em nuvens, não se incomodem comigo xD Eu amo todas vocês ♥
Infelizmente nosso capítulo de hoje vai ser feito em cortes, diferente do anterior. Eu tentei encontrar uma maneira mais convencional de fazê-lo, mas não rolou xD
Bem, eu espero que gostem, apesar de ser um capítulo de transição, chato como qualquer capítulo de transição...
E então, o que acharam da capa nova?! *u* e ainda tem mais uma, lá pra frente. Não é lindo?!
Oh sim! Close no título lindo em espanhol, nada menos! Fusososososo pra vocês, e boa leitura! ;3

“O ceifador espanhol ainda lançou um olhar hesitante para a porta verde antes de voltar a andar. A cidade já estava movimentada novamente, e ele ficou surpreso pela forma com que a noite se transformara numa manhã pálida tão rapidamente.

Antônio vagou pelas ruas de Gênova por muito tempo, ainda desacostumado com os becos sem saída e as ruelas, todas idênticas umas às outras, e a forma com que todos os lugares pareciam sempre cheios demais.

Quando ele finalmente conseguiu encontrar o gêmeo mais velho, já passava das nove da manhã. O rapaz estava num beco particularmente mal iluminado, parado de costas para a saída, os olhos e o rosto vermelhos por culpa das lágrimas e do tempo que ele passara correndo. Seu rosto estava contorcido numa faceta dele que o espanhol nunca vira antes. Desespero.

Antônio já vira aquele menino obstinado. Já o vira irritado, incomodado, assustado, envergonhado, e até mesmo sorridente. Mas aquela foi a primeira e mais dolorosa visão que ele teve de um Lovino que sofria. Sem pensar, sem avisar, e esquecendo-se até mesmo da promessa que fizera ao irmão dele, poucas horas antes, o espanhol abraçou-o. Ele girou o menino até que estivessem frente a frente e abraçou-o apertado, jurando para si mesmo que nunca, nunca o abandonaria.

Obviamente Lovino reagira. Ele empurrara Antônio e questionara sua sanidade, só para ter o rosto segurado entre as mãos do mais velho, que depositou em sua testa um beijo carinhoso, que poderia ter milhares de significados, ou nenhum. Recebeu um soco, e Lovino pareceu-lhe terrivelmente ofendido.

– Não é só porque eu estou chorando que você tem o direito de se aproveitar de mim, seu spagnolo maldito!

E para sua surpresa, ele encontrou-se prensado contra a parede imunda do beco, só os dois. O mundo prosseguia logo ali, a cinco ou seis metros deles. Ainda assim, quando Lovino ergueu os olhos para tentar confrontar Antônio, ele não conseguiu. A expressão séria no rosto do espanhol incomodou o menino profundamente. A mão que segurava seu braço machucava-o. Ele tentou se soltar, mas tudo o que conseguiu foi que Antônio segurasse também seu outro pulso.

– Você não precisa passar por isso sozinho, Lovino. – A voz dele não era mais que um ronronar baixo, e incoerentemente sedutor. Não fazia sentido. Como ele poderia sentir-se tão atraído por alguém como Antônio?

– Solte-me! Bastardo estúpido! Eu não preciso de você, spagnolo de merda!

Antônio prensou-o com mais força contra a parede do beco, ignorando seus protestos. Seu rosto estava bem ao lado do de Lovino, e ele podia sentir a respiração agitada do menino contra sua orelha. Lentamente, ele afrouxou o aperto, nunca o bastante para propiciar uma fuga.

– Eu não vou soltar. – Ele sussurrou. Lovino congelou e calou-se, os olhos arregalados e a respiração suspensa. Ele tinha medo de que aquilo fosse só uma coisa da sua cabeça, mas aquela simples frase pareceu ter tantos significados. Não só ali, não só para agora. – Não vou te deixar ir, não vou te abandonar. Este es mi pacto contigo, cariño.

O espanhol sorriu consigo mesmo, sentindo a respiração de Lovino se acalmar. Os braços do italiano hesitantemente cruzaram suas costas.

– Bastardo. – Ele sussurrou de volta, a voz falhando. Antônio riu, recuando e soltando Lovino, apesar de ainda segurar uma de suas mãos.

– Eu não me importo de ser o seu bastardo, já que eu te amo.

Lovino virou o rosto na direção dele, e Antônio ergueu uma sobrancelha ao perceber como ele estava vermelho. Ele havia dito algo de errado? Recapitulou a conversa. Oh. Sentiu seu coração falhar uma batida, e seu rosto ficar tão vermelho quanto o de Lovino. Virou-se para longe, tampando a parte de baixo da face com a mão disponível.

– A-Antônio...

Mierda. Desgraça, droga, porcaria... Porque ele não pensava antes de falar? Lançou um olhar hesitante ao menino, que o encarava insistentemente. Ah, dane-se. Ele murmurou silenciosa uma prece antes de erguer as duas mãos e segurar o rosto de Lovino entre elas.

Fascinado, ele observou a forma com que os olhos dele encolheram-se levemente com sua aproximação, até se fecharem. Antônio não foi capaz de fechar seus próprios olhos. Quando seus rostos estavam a milímetros um do outro, ele congelou.

– Não pretende me bater? – Murmurou, em um tom divertido. Os olhos castanhos abriram-se e ele pode ver um traço de irritação neles.

– Não ouse estragar o clima, spagnolo de m...

Antônio o beijou, impedindo-o de completar o xingamento. Não foi exatamente um beijo de cinema, e o espanhol não ousou aprofundar o contato. Sua mente travou um embate enquanto parte dela se criticava duramente por estar dando em cima de uma criança inocente e fofa como Lovino, enquanto o outro lado declarava que não era culpa dele se Lovino o aceitara.

O espanhol recuou, o rosto vermelho e sentindo-se extremamente idiota.

– Lovi eu...

Não era hora de dar em cima de uma criança. Ele tinha acabado de perder o avô, por Deus! No que Antônio estava pensando?! Na expressão fofa dele? Não!... Na verdade, ele não pensara.

– Se disser que sente muito, eu arranco seu fígado com uma colher.

Piscou, surpreso. Virou-se para ver a face corada de Lovino e sua expressão irritada numa mescla com algo mais. Vergonha? Não...

– Você vai ter que tomar responsabilidade por isso, Antônio. Eu não costumo desconsiderar pactos como esse.

– Ahn?

– Você acabou de fazer um juramento formal. E o selou com um beijo. Esteja preparado para ficar ao meu lado até na tumba.

Ele não estava bravo? Mesmo? E... Calma aí. Selou com um beijo? Ele não beijara Lovino por causa da droga do juramento.

– Lovi-

– Vamos embora. Eu ainda tenho que encontrar o stupido do meu irmão.

Antônio hesitou, mas viu-se obrigado a dar de ombros e aceitar a ordem, feliz demais para reclamar de tão pouco. Afinal, agora ele era ligado a Lovino para todo o sempre. Ele poderia muito bem esperar mais um pouco.

Eles seguiram para a rua principal, inconscientes de que suas mãos continuavam ligadas uma a outra. Na entrada do beco Lovino murmurou algo, e quando Antônio tentou parar – completamente vermelho pelo que tinha ouvido – o italiano apertou seus dedos com força, mantendo a caminhada.

– Aquele foi meu primeiro beijo, bastardo.”


Sua cabeça doía, suas costas doíam, seus olhos doíam... Seu coração doía um pouco mais que tudo junto. Sentiu sua mente puxando-o de volta a realidade, mas ele não queria voltar. Ele queria poder dormir sem sonhar como vinha fazendo. Queria poder ter a sensação de vazio que bloqueava temporariamente o medo da instabilidade de seu mundo.



Máfia era sinônimo de caos, constatou. E ele estava cansado do caos.


–kun... Feliciano-kun!

O moreno piscou e ergueu o rosto, surpreso por ter sido pego dormindo. Um par de olhos castanhos, pertencentes ao amigo japonês, observava-o com preocupação. Sentiu-se envergonhado por aqueles pensamentos. Ali estava alguém que não tinha nada a ver com o assunto, dando tudo de si para ajudar Feliciano, sem qualquer motivo para tal.

Kiku chegara no dia anterior e desde então estivera tentando manter as coisas sob controle no lugar de Feliciano e Antônio, já que ambos permaneceram juntos de Lovino desde que ele saíra da cirurgia. Agora ele estava em um coma induzido pelos médicos até que os ferimentos melhorassem pelo menos um pouco, ou era o que diziam.

– Você deveria ir para casa dormir. Ficar uma semana inteira ao lado de uma cama de hospital não fará bem para você ou para o Sr. Antônio.

Os dois olharam para o espanhol, que dormia numa posição deveras desconfortável, com os ombros curvados e o rosto apoiado entre as mãos, que apertavam a mão direita de Lovino como se sua vida dependesse disso. Feliciano soltou um suspiro preocupado.

–... E onde espera que eu fique Kiku? Em casa, incapaz de fazer qualquer coisa? Eu prefiro ser inútil aqui, obrigado. Você é o único que deveria dormir um pouco.

– Eu estou bem. E você não ouviu nem uma palavra do que eu disse, ouviu? — o japonês soltou um suspiro aborrecido diante o olhar confuso de Feliciano. – Nós temos problemas... Todos eles se foram.

Aquilo pareceu chamar a atenção do italiano.

– Todos quem?

– A russa, Natália, Soo... O Ministro austríaco... Um alemão chamado Ludwig também acompanhou o grupo.

Feliciano encolheu-se ao ouvir o último nome. Então todos eles foram embora... Roderich também, ele podia estar envolvido naquilo. Todos eram inimigos em potencial. E isso doeu um pouco. Caos, repetiu para si mesmo, o caos sempre acaba em algum momento.

–... E quanto ao irmão mais velho dele, Gilbert?

Kiku buscou entre os papéis qualquer informação do lutador, mas a resposta veio da porta aberta.

– Meu incrível eu não abandonaria você num momento desses... Mesmo que o Lud tenha sido um idiota indo embora assim.

Feliciano ergueu o rosto com uma expressão surpresa e encarou o albino. Para sua surpresa ele também viu Francis ali, assim como Giuliano e alguns dos outros rapazes da família, todos amontoados no corredor, observando o italiano com olhares ansiosos.

– Obrigado, Gil. — O moreno sussurrou, sentindo uma vontade enorme de abraçar aqueles homens. Sua atenção, então, voltou-se ao amigo japonês.

–... E o que eu vou fazer agora? – A pergunta foi direcionada ao japonês.

– O que vai fazer, é você quem decide. – Ele respondeu, e então abriu um sorriso confidente e puxou do bolso um amontoado de papéis que pareciam-se muito com os documentos e o passaporte de Feliciano. – Mas eu tenho uma cadeira num avião direto para Rússia, esperando para partir, com ou sem você.

O gêmeo mais novo lançou um olhar meio surpreso, meio hesitante para o irmão que dormia.

– Você vai manter as coisas aqui?

O japonês concordou com a cabeça.

– Você tem um bom grupo de apoio, mas eu vou ficar pra ter certeza.

Feliciano esboçou um sorriso de agradecimento e ergueu-se lentamente, sentindo seus membros reagindo ao tempo que ele ficara ali sentado. Sua cabeça também latejava, e ele cambaleou um pouco antes de ficar de pé corretamente.

Ao passar por Kiku, o gêmeo mais novo deu-lhe tapinhas carinhosos no ombro e recolheu seus documentos, assim como a passagem. Ele também lançou a Gilbert um olhar de agradecimento antes de seguir pelo corredor do hospital, sabendo que provavelmente ele tinha a aparência de um morto vivo, e depois de conferir sua passagem, decidiu passar em casa antes de pegar o vôo marcado para o início daquela noite.

A luz do sol de meio dia cegou temporariamente seus olhos acostumados com a iluminação artificial. Feliciano parou por um momento ao ouvir alguém gritando-o. Ao virar-se, encontrou Gilbert correndo na sua direção.

– Feli! Ah... Que bom que te alcancei. Eu estava conversando com aquele carinha de nome engraçado... Ahn... Kiku! Ele te disse que o Rod...

– Foi com os outros encontrar o russo? Sim, ele contou.

– Não! Isso não tem nada a ver! Rod não pegou nem o mesmo avião que eles. A Liz... Bem, ela quase sofreu um aborto... Ou uma tentativa de um, até ontem de noite ela ainda tava grávida pelo menos. – O coração de Feliciano apertou-se quando ele percebeu que nem se preocupara em perguntar sobre a amiga para Kiku. – Ela foi transferida pra um hospital na Áustria, e o Rod foi com ela.

– E porque você ficou, Gilbert?

O rapaz abriu um sorriso.

– Rod disse que você precisaria da minha incrível ajuda. Eu e o Francis vamos com você, certo Francis? – Ele virou-se para falar com o loiro, que não estava ali. Feliciano ergueu uma sobrancelha, já se perguntando no que o francês lhe poderia ser útil, quando o som de um carro freando chamou a atenção de ambos. – Oh, aí está ele. Vamos, Feli?

O albino seguiu tranquilamente para o carro nem um pouco barato que estava parado na frente do prédio. A pintura branca brilhava, e Francis desceu o vidro da porta dos passageiros para abrir um sorriso galanteador na direção de Feliciano, convidando-o a entrar, ao que o italiano obedeceu simplesmente porque eles estavam chamando muita atenção.

Agora, por exemplo, um grupo de turistas e locais amontoava-se, relativamente próximos do carro, observando com admiração enquanto o francês acelerava, já com os outros dois rapazes do lado de dentro, e descia a rua.


Ele dobrou as poucas roupas que deixara para trás e empilhou-as dentro da mala. Em cima da cadeira estava a roupa que ele usaria no dia seguinte, e a chave do carro estava ao lado de sua carteira, em cima da cômoda. Apesar de concentrado em sua tarefa, ele pode ouvir muito bem quando a porta do quarto abriu com um rangido baixo, e virou-se para receber quem quer que fosse com uma expressão intrigada, considerando o horário.



– Você está indo embora?


Natália encarava a mala dele com hesitação, diferente da segurança com a qual ela entrara no quarto um segundo atrás. Soo a olhava, um pouco embasbacado e meio lisonjeado pela visão privilegiada da loira, que usava um vestido curto azul petróleo, apesar da noite fria. A peça realçava principalmente suas pernas bem formadas, o busto, e os olhos, que pareciam brilhar violáceos.

Ele precisou de um momento para lembrar-se de como formular uma frase.

–... Natália, o que diabos você está fazendo no meu quarto?

Apesar de não ter tido a intenção de parecer rude, ele não pode evitar aquela pergunta. Ela franziu o cenho e abaixou os olhos, lançando um olhar hesitante ao vestido, ponderando se fora mesmo a melhor escolha.

– Qual problema?

Soo lançou nela o cobertor que estivera ao pé da cama até o momento, cobrindo-a por completo e bagunçando os cabelos longos soltos sobre os ombros expostos.

– Além de você estar usando um vestido super curto, e provavelmente desenvolvendo hipotermia? – Ele respondeu, com um tom irônico, mas excessivamente rápido e ansioso. Com uma risada nervosa, o rapaz acrescentou debochadamente. – Nenhum.

A loira remexeu-se, parecendo incomodada por um momento, e então resignada. Com um suspiro, ela virou-se para sair.

–... Deu certo com o Roderich.

Soo ergueu uma sobrancelha, sentindo um incômodo no canto da mente. Antes que pudesse parar a si mesmo, ele já havia se pronunciado.

– O ministro austríaco? Achei que ele tivesse um caso com o lutador albino.

A loira deu de ombros, voltando-se para ele. Ela não teria saído de qualquer jeito, não estava com vontade de ficar no próprio quarto.

– Depois que Gilbert foi embora, Roderich passou um tempo aqui com a gente.

– E?

Natália soltou um suspiro.

– Ivan arrumou uma namorada, Roderich tentou me impedir de matá-la. Nós bebemos até tarde da noite, acordamos juntos no dia seguinte. Não me lembro de nada mais, e duvido que ele lembre.

– E eu pensando que você era do tipo que guardaria sua inocência para o amor não correspondido.

– Eu sou possessiva, não idiota.

O coreano abriu um sorriso incomodado.

– Que seja. Volte pro seu quarto.

Natália cruzou os braços e sentou-se na cama espaçosa.

– Não mesmo. Eu consigo ouvir os dois de lá. É quase como se Ivan estivesse suplicando para eu matar seu amiguinho.

– Já disse que não tentaria te impedir.

– Você dever-

– Mas não vou. – Interrompeu-a, sentindo-se cada vez mais impaciente – Eu já disse, pra mim chega. Ele decidiu não me escolher, meu contrato com ele acabou.

Um silêncio desconfortável instaurou-se entre eles, e Natália hesitou por um bom tempo antes de fazer a pergunta que a incomodava.

– Então porque voltou?

Os olhos cor de mel brilharam.

– Eu conheci você.

Ela ergueu uma sobrancelha cética.

–... E que parte disso fez você querer voltar?

Soo revirou os olhos, bufando.

– Sabe, de todas as pessoas do mundo que eu esperava desenvolverem um complexo de inferioridade, a última delas seria você. Já se olhou no espelho?

–... Bem, já. Eu preciso, quando vou enfaixar machucados mais sérios... E quando saio do banho, também.

– Você está sendo irônica?

– Porque eu seria?

–... Tem algo de muito errado com você. Mesmo.

– Tanto faz. Não é como se eu não soubesse disso. — A moça deu de ombros. O coreano hesitou por mais um momento, e então soltou um suspiro frustrado consigo mesmo.

– Tudo bem, você dorme aqui. Mas não tente gracinhas no meio da noite, ok? Eu tenho a impressão de que seu irmão não ficaria muito feliz comigo.

Natália lançou a ele um olhar frustrado, antes de decidir que era melhor que nada. Ainda assim, seu orgulho sentiu a necessidade de soltar uma última frase – tão baixo que nem ela escutou de verdade –, assim que Soo terminou de fazer o que deveria e enfiou-se debaixo da própria montanha de cobertores, como ela fizera.

–... Não é como se ele fosse mesmo se importar.


O espanhol abriu os olhos, inicialmente tentando acostumar-se com a escuridão no cômodo frio. Era uma noite sem lua, escura e vazia. Um mundo totalmente diferente da Genova que acordava lentamente em seu sonho. Os aparelhos ligados a Lovino apitavam continuamente, e algumas luzes de cores diferentes piscavam de tempos em tempos.



Na cama, o moreno dormia pacificamente, como vinha fazendo até agora. Cinco dias o separavam da voz dele, de seus olhos castanhos, do sorriso que ele direcionava tão unicamente a Antônio e de suas reações diversas.


Pela milésima vez, ele pensou em levantar-se e caçar o desgraçado que fizera aquilo. Torturá-lo, feri-lo, matá-lo. Ele queria fazer o bastardo sofrer tudo o possível, por aquele ataque e pelo de treze anos atrás, sendo ele o responsável por ambos ou não.

Mas pensar era diferente de falar. E quando sua mente acalmou-se, ele também lembrou que para sair, para caçar quem quer que fosse, ele precisaria abrir a mão. Os olhos verdes fixaram-se nos dedos que estavam flacidamente entrelaçados nos seus. Sentiu o estômago revirar só de pensar naquela possibilidade, inconscientemente apertando-o com mais força.

– Não é justo, Lovi. – Ele sussurrou. Pensando no sonho que ele tivera, quando o futuro lhes parecia cheio de flores. Quando não era Lovino aquele que tinha os olhos fechados e a face pálida. – Você nunca me jurou que não me abandonaria... E agora eu... Eu não posso. – Sua voz falhou, e ele se sentiu tremer. – Não sou forte o bastante pra isso. É injusto. Como espera que eu solte a sua mão? Eu não vou conseguir. E ainda tem seu irmão, pense no Feli. Ele...

Antônio só então percebeu a ausência do italiano mais novo no quarto. Ele olhou em volta e encontrou uma nota simples em cima do travesseiro de Lovino. Hesitou antes de lê-la, sabendo muito bem o que encontraria ali. Quatro palavras escritas na letra impecável do menino preenchiam o pedaço de papel, provavelmente arrancado de alguma folha da recepção.

“Eu vou encontrar eles. F.V.”

O espanhol sentiu um peso saindo de suas costas. Ele poderia ficar ali. Feliciano fora por si mesmo, ele descobriria quem era o sniper, ele vingaria Lovino. Ele traria a Antônio o prazer da vingança.

E então seu coração se apertou terrivelmente quando ele percebeu no que pensara.

No que nós nos tornamos, Lovino? – Ele sussurrou, mais consigo mesmo do que com o amante. Aquilo era horrível. Como ele conseguira transformar o bondoso e puro Feliciano em um alguém sedento por vingança? O uma vez pequeno e delicado irmão mais novo de Lovino, o que sempre tinha um sorriso gentil no rosto, e uma frase para animá-los.

Antônio sentiu-se uma pessoa cruel por tê-lo abandonado.

– Não se preocupe. Ele não está sozinho, senhor.

Com um semi-pulo de susto, o espanhol virou-se para encontrar o sempre calmo amigo japonês de Feliciano apoiado no portal com uma bandeja de comida em mãos. Ele parecia extremamente cansado, provavelmente passara o dia tentando resolver os problemas da família, e ainda tendo que controlar os boatos da cidade, e os grupos que eram contra a liderança dos gêmeos. Tentou lembrar-se do nome dele.

– Kiku, para o caso de estar se perguntando. Tudo bem, eu não me ofendo facilmente. – Ele falou gentilmente, interrompendo o espanhol antes mesmo de ele conseguir pronunciar qualquer coisa. – Seus amigos foram com ele. Gilbert e Francis, se não me engano. Eles pareciam animados com o que chamaram de... Uma pequena aventura.

Depois de alguns segundos silenciosos, o latino soltou uma risada sem vida. Era engraçado como ele já se sentia amigo de Gilbert, não pelos poucos dias de convivência, mas pelas histórias que costumava ouvir de Francis desde sempre. Ele parecia uma pessoa confiável. Pensou consigo mesmo que talvez se Feliciano amasse Gilbert, e não Ludwig, ele não estivesse sofrendo tanto agora.

–... Todos os outros estão na Rússia, não é? O irmão de Gilbert também.

– Infelizmente, sim. Com exceção do Ministro austríaco e sua esposa, segundo Gilbert, todos eles foram convocados a voltar para a casa principal.

– O coreano que estava com eles, você o conhece?

–...

Kiku remexeu-se, parecendo incomodado com a pergunta. Ele corou levemente, mas não tardou a responder.

– Ele é meu irmão... Meio-irmão, na verdade. Infelizmente, nós nunca convivemos um com o outro pessoalmente, mas eu costumava ajudá-lo sempre que podia, até que ele foi... Convocado. Por Wang.

– Você não gosta desse cara. O chinês.

– Eu e ele não temos qualquer problema um com o outro. Eu só acredito que é rude da parte dele trazer para o meio sujo dele tantas pessoas inocentes.

– E isso te inclui?

– Meus contatos por debaixo dos panos se resumem a Feliciano, e apenas como um amigo.

– Então em que você é útil para nós afinal?

–... Senhor, eu não sei que tipo de imagem você tem de Feliciano, mas ele nem sempre faz amizades pensando nas vantagens que elas trarão a família.

Antônio abaixou a cabeça, num gesto de aceitação. Sentia-se ainda mais preocupado com o pequeno amigo. Pelo menos ele ainda tinha pessoas nas quais ele podia confiar de verdade. Soltou um suspiro.

– Sinto muito... No que eu posso ajudar?

– Pra começar, me ajudaria muito se você comesse algo. E tentasse tomar um banho, e trocasse as roupas também. E...

– Eu acho que entendi. – Interrompeu-o, com um sorriso fraco no rosto. – Eu posso fazer isso por aqui? Não queria ter que me afastar do Lovino.

– Eles tem banheiros com banheiras na maternidade, mas acho que poderiam te emprestar um. Oh! E aqui... – Ele colocou a bandeja em cima da cômoda, e tirou das costas uma mochila que Antônio não tinha percebido até o momento. – Estão suas roupas. Não se preocupe com o senhor Vargas, se houver qualquer alteração no quadro dele, você será avisado imediatamente.

O latino abriu um sorriso agradecido. Ao se levantar, ele ainda hesitou por um momento antes de soltar os dedos de Lovino sobre o colchão. Ao sair, diferente do que o pobre japonês poderia um dia imaginar, ele deu-lhe um abraço agradecido.

– O-o que você está-

– Obrigado por tudo. – Sussurrou. – Por cuidar de Feliciano também. Nós seremos eternamente gratos, saiba disso. Toda a família.

–... Eu não preciso da gratidão da sua família, senhor Antônio. Eu não me tornei amigo de Feliciano pensando no que ele poderia me oferecer.

– Falando nisso, como vocês dois se conheceram, se você não é de nenhum grupo aliado nem nada?

– Bem... – Apesar da falta de luz, daquela vez o espanhol percebeu a forma com que o rosto dele corou. – Pela internet.

Com um sorriso, o espanhol recuou e deu de ombros. Não fazia diferença. Não lhe importava quem era aquele rapaz, ele seria eternamente grato a Kiku. Por dar a Feliciano a perspectiva de uma vida longe daquelas grades geladas do casarão, longe dos olhares e das expectativas de qualquer um. Uma vida normal, dentro do possível.

– Você o salvou, Kiku. Espero que saiba disso.

O rapaz abriu um sorriso carinhoso.

–... Ele também me salvou. Estamos quites nessa.

Os olhos verdes brilharam alegremente na luz pálida do corredor. Ele curvou-se e pegou do chão a mochila, saindo pelo corredor e cumprimentando dois rapazes mais novos da família que se levantaram assim que ele saiu.

– Senhor Antônio...

– Vocês deveriam ir pra casa, eu vou segurar as pontas. Vai acabar tudo bem... Digam isso a Giuliano pra mim, sim?

Eles sorriram, mas Antônio percebeu que ainda lançaram um olhar desconfiado ao japonês que agora conversava com uma enfermeira – ela estivera impedida de acender as luzes do quarto até que Antônio acordasse, e parecia aliviada em poder checar a situação de Lovino e sair dali logo.

– A vida continua... Pra frente, sempre. – Sussurrou para si mesmo, seguindo o longo corredor até o balcão. Inconscientemente, puxou de dentro da blusa e tocou com os lábios o pingente de cruz, agradecendo por Lovino respirar um dia mais.

Notas finais
Fucking capítulos de transição malditos -k
Mas teve um pouquinho de spamano! E o Kiku apareceu todo fofo! ♥ E, bem, a Nat tá aí, sonhando em matar o Wang como aparentemente metade das pessoas da fic UHSAAHSUAHSAHUAHS E, claro, Feli e sua jornada em busca de respostas. E o Francis lindo como sempre -q
E claro, o incrível Gilbert e sua incrível pessoa fazendo o incrível papel de melhor amigo do Feliciano ♥
Espero que tenham gostado do capítulo xD Eu pensei em fazer um preview do próximo capítulo - que por um milagre já tá quase pronto - mas nem vou.
De qualquer forma, ficamos por aqui. Sei lá mais quem morreu em SnK - nem vejo o anime com medo de acabar em depressão profunda - o Rin e o Haru vão nadar um contra o outro no campeonato - não vou contar quem venceu - e aparentemente, Naruto é tão eterno quanto One Piece e o Goku.
... Sim, eu acho que fumei alguma coisa de errado hoje, ou só estou sob efeito de "The Delicious Tomato Song" ~ fuososososo
Boss está mandando um beijo, mas o Lovi não, porque ele tá dormindo um sono merecido depois de ficar ferrado daquele jeito xD
Gin-chan