Fame
22 Promessa
Notas iniciais
POV RICK
– Olá Richard. – Arlene fala ainda sorrindo daquele jeito maníaco.
– Oi. – Digo somente. Ela estava na frente de uma porta velha e suja, posso ver um rastro de sangue no chão que ia daquele quarto até um canto do galpão, onde desaparecia completamente. Provavelmente foi onde as vítimas foram colocadas em um carro. – Onde ela está? – Pergunto.
– Porque pergunta se já sabe a resposta? Ela está aqui. – Ela aponta para a porta que está atrás dela e revira os olhos. – Mas preciso avisar uma coisa, para evitar aquela palhaçada de choro, despedidas e coisinhas sentimentais. Você sabe que ela não sairá viva daqui, não é? — Eu nem respondo. Dizem que se contrariar louco é pior.
– Vamos então. – Ela se vira e vamos andando até o cômodo sinistro. Aproveitando que ela está no minha frente, olho para trás e vejo Ryan me observando por uma janelinha. Com as mãos faço o gesto de dez e para ele entrar, Kevin parece entender, pois faz sinal positivo e desaparece dali.
Ao entrar no quarto vejo Kate sentada em uma cadeira com as mãos amarradas para trás e as pernas amarradas nas pernas da cadeira. O rosto dela está vermelho só de um lado e seus olhos, apesar de assustados, brilham quando me vê. Sem me importar, corro até ela e a abraço, Beckett descansa a cabeça em meu ombro enquanto chora baixinho.
Eu só consigo dizer que a amo e que vai ficar tudo bem, que vim aqui para salva-la. Procuro alguma ferida por seu corpo e agradeço por ela estar fisicamente bem.
– Chega! – A doida me puxa para trás de me senta em uma cadeira. Eu ia reagir, mas quando vi uma faca em sua cintura achei melhor ficar quieto e só esperar os policiais. – Escritor, se você sair dessa cadeira a morte dela vai ser mais rápida e mais dolorosa então sugiro que fique quietinho.
– Você fez isso tudo sozinha? – Pergunto tentando ganhar tempo até os meninos chegarem.
– Claro. – Ela ri. – Você não imagina como tudo fica fácil com uma droguinha básica... E não estou falando só de matar não. – Ela ri de novo.
– Eu já estou aqui. Não era o que queria deixando aquelas pistas? Solta ela e resolvemos isso. – Digo. Em resposta ela gargalha.
– Na verdade só queria que viesse pra ver isso. – Ela rapidamente pega a faca e dá um corte no braço de Kate, que grita de dor.
– Para com isso! – Eu me levanto, porém ela vai para trás de Beckett e põem a faca em sua garganta como ameaça e a única coisa que posso fazer é sentar novamente. O corte não parece ser tão sério, mas está sangrando e ela está sofrendo.
– Ah! Isso só foi um arranhão. – Ela volta a andar em volta de Kate. – Essa magrela sem sal é muito sensível. – Ela faz cara de nojo. Não sei se isso me faz um péssimo homem, mas estou com tanta vontade de bater nessa mulher, minha mãe me ensinou que em menina não se bate nem com uma flor. Mas isso não é nem gente, Arlene tá mais pra uma bruxa ou monstra.
– Deixa ela em paz e você pode me machucar. Faz o que quiser comigo. – Peço com lágrimas nos olhos e novamente ela ri.
– Mas ai perde a graça. – Ela faz cara de triste e dá outro corte no outro braço de Kate.
– Ah! – Kate grita e começa a chorar. Eu não sei o que fazer, mas então quando eu olho para baixo da porta vejo uma sombra passando. São eles.
Porém acho que não fui o único a ver isso. Arlene, pela primeira vez desde que entrei, parece assustada e com medo. Ela me olha com raiva e começa a grita. – Eu falei pra não trazer eles aqui! Você é um filho de uma puta! Escritor de merda!
Ela parece esquecer um pouco de Beckett, pois está vindo pra cima de mim, mas então Arlene se vira e passa a faca na coxa de Kate. O corte foi fundo e grande, Kate grita chorando e soluçando e é ai que o FBI arromba a porta e atira na perna e Arlene, na queda a faca cai do outro lado do quarto dando a chance de algemarem ela.
Na mesma hora eu corro para socorrer Beckett e escuto ao longe Espo avisar que a ambulância já está chegando. Tento estancar o sangue, mas é muito e ela já parece dar sinais de desmaio.
– Kate, fique acordada, ok? Tente ficar acordada. – Digo enquanto a desamarro e tento fazer um torniquete para fazer o sangramento diminuir. A levo no colo para fora daquele lugar que parece sufocante com os gritos histéricos daquela maluca. – Fale comigo, meu amor. Os médicos já vão chegar. – Ela está pálida e os lábios roxos.
– Acho... que vou desmaiar. – Ela fala baixinho.
– Não vai, não. Aguente firme, minha linda. Você é forte. – Tiro o cabelo do rosto dela e dou-lhe um beijo em sua testa que está fria.
Se os policiais não chegasse logo Arlene faria o mesmo que fez com as outras quatro mulheres. No caso de Kate ela só pulou para o pior, o corte na perna. Pela quantidade de sangue que está saindo, deve ter pegado na artéria femoral. Não quero pensar nisso, a ambulância já tá chegando e tudo vai ficar bem.
– Rick... – Ela sussurra. – Eu te amo. – Ela sorri suavemente. – Você me encontrou.
– Claro que sim. Você é o amor da minha vida, sempre vou te achar em qualquer lugar do mundo. – Digo. Mas os olhos dela começam a perder o foco e seu corpo todo amolece em meus braços. – Não... Kate! Kate! Fale comigo. – Eu olho ao redor e consigo escutar a ambulância chegando.
– Kate, pelo amor de Deus, não me deixa. Por favor. – Vou correndo para fora dos muros que rodeiam o galpão e vejo a ambulância estacionando bem perto então ando o mais rápido que posso até lá.
Os médicos logo a colocam na maca, digo que vou no carro junto com ela e eles não se opuseram. Lá dentro eles trabalham rapidamente cortando as roupas dela a deixando apenas com a calcinha e o sutiã. Não consigo nem olhar para a perna dela, está horrível.
– Ri...ck – A escuto falar baixo. – Cas...
– Oi, meu amor. Não fale, você está fraca. Descanse. – Sinto o solavanco do carro, já estamos a caminho do hospital.
– Eu pre...ciso dizer. Eu sempre... te amei. – Ela fala com dificuldade. Ela está suando frio e seus sinais vitais já estão sendo monitorados. – Eu vou sempre amar... o meu herói. – Ela sorri. Eu não consigo mais me segurar. Sorrio e choro ao mesmo tempo.
– Eu também te amo, minha musa. Agora só descanse que logo nós estaremos em casa vendo filme. – Ela sorri e novamente desmaia, mas agora os aparelhos começam apitar mostrando que os batimentos estão caindo. – Não Kate! Fica comigo!
Os paramédicos começam a arrumar o desfibrilador e dão três choques nela para que volte ao normal. Um deles fala alguma coisa sobre transfusão de sangue e continuam a tratar a corte da perna, porém eles logo constatam que a única coisa que podem fazer é estancar o sangramento, pois aquele precisará de cirurgia.
– Kate. – Sussurro em seu ouvido. Sei que ela está desacordada, mas tenho que fazer isso. Ela está viva e talvez possa me ouvir. – Por favor, não me deixa de novo. Eu sou tão idiota, eu não sei mais viver sem você, eu não quero viver sem você. Eu te prometo... Deus, por favor, se ela viver, se ela voltar pra mim, eu juro que Richard Castle nunca mais lançará um livro se quer. – Eu nem me importo se estão me olhando ou achando estranho, tudo o que tenho em mente agora é salvar a vida da coisa mais importante da minha vida. – Eu não quero mais fama, não quero mais sessões de autógrafo, eu só quero viver minha vida junto de você, Kate Beckett.
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