Fame
23 Cavaleiro de armadura
Notas iniciais
POV KATE
Tentei abrir os olhos, mas a luz forte me fez fecha-los novamente e minha cabeça começou a latejar. Sentindo os lençóis e a cama, posso perceber que não estou em casa e muito menos no loft.
Logo depois escuto uma porta abrir e as vozes da minha mãe e do meu pai.
– Mãe? – Minha voz está muito rouca, como se eu estivesse sem falar por dias.
– Minha querida. – A voz dela está embargada. Lentamente abro os olhos e a encontro me analisando com um enorme sorriso, olhando para o lado vejo meu pai sorrindo também. – Como está se sentindo?
– Confusa. – Faço uma careta tentando me sentar. Só então é que percebo que minha perna direita inteira está imobilizada. – O que aconteceu comigo? E onde está o Rick? – A única coisa que consigo me lembrar no momento é que eu estava presa naquela sala com Arlene e então Rick apareceu. Ela me cortou, olho meu braços e vejo meus curativos e depois... Meus olhos encheram de lágrimas com a lembrança.
– Rick teve que ir conversar com a editora. Ele ficou aqui o tempo todo, nem pra comer saia. – Como assim. Dormi quanto tempo?
– Eu estava dormindo por quanto tempo?
– Três dias e meio. Sua cirurgia foi muito delicada, por isso o Dr. Geller achou melhor deixa-la sedada até que você ficasse estável. – Papai me explicou. – Vou chamar uma enfermeira pra lhe examinar. – Eu concordo.
Papai chegou com a enfermeira e ela me fez um monte de perguntas bobas do tipo em que ano estamos. Depois ela trocou os curativos dos meus braços, não estavam tão feios. Já estavam cicatrizando, contei quatro pontos em cada um. Mas o pior era o da coxa, quando a moça mexeu para posicionar eu tive que morder meu lábio para não gritar.
O corte era de tamanho médio, mas a enfermeira explicou que o pior foi a profundidade, que eu só sobrevivi por causa do rápido atendimento e do torniquete que Castle colocou. Ela disse também que recebi transfusão de sangue, e pra minha surpresa foi Rick quem doou. Eu nem sabia que nossos tipos sanguíneos eram iguais.
Converso com meus pais por mais algum tempo, os dois estavam muito preocupados e quase passaram mal ao saber que eu estava no hospital, Lanie os ajudou muito nesse período que eu estava sumida. Porém logo fico sonolenta de novo, mamãe diz que é normal por causa da medicação, e antes que eu possa perceber já estou dormindo novamente.
[...]
– Kate... – Ouvia ao longe Rick chamar. – Kate?
– Hm. – Fui acordando e via apenas o vulto do rosto dele na minha frente. – Rick?
– Hey, meu amor. – Senti ele me abraçar e retribui o apertando. – Como se sente?
– Bem... Um pouco dolorida, mas bem. – Falei acariciando o rosto dele. Pensei que nunca mais o veria. – Você me salvou não sei nem quantas vezes essa semana. – Ri.
– E farei quantas vezes for preciso. Não vai se livrar tão rápido de mim. – Ele aperta meu nariz de brincadeira me fazendo rir. Perto dele me sinto tão criança quanto ele, é por isso que o amo tanto. Castle faz todos os problemas parecerem apenas bobagens.
– Então... O que fez enquanto eu dava uma de Bela Adormecida? – Perguntei. Lembro-me muito claramente ele dizendo que se eu sobrevivesse ele pararia de escrever e isso é uma coisa que nunca o deixarei fazer. Desde que o conheço, isso faz mais de dez anos, ele ama escrever, pois é a válvula de escape de Rick.
– Só aqui, sabe? Olhando você roncar e babar. – Ele fala desdenhando e eu dou um peteleco em sua orelha. – Ai, garota! Nem se recuperando você para de me bater. – Ele disse esfregando o local machucado.
– Garota? – Arqueio a sobrancelha. – Se eu sou garota então você é um velho, é mais velho que eu quatro anos.
– Ei, ei! Sou muito jovem, bonito e disposto. – Diz convencido e eu gargalho. – Senti falta dessa risada.
– Senti falta das suas palhaçadas. – Se formou um silencio confortável e eu pensava em como abordar o assunto, sei que ele não quer falar disso agora, mas não posso deixa-lo fazer isso. – Eu ouvi o que você disse na ambulância.
– Eu sei. Eu te amo. – Ele ri. Ops! Acho que não estamos falando da mesma coisa.
– Eu digo... Enquanto eu estava desmaiada. – Percebo que ele não esperava por isso, seu rosto está rígido. Ninguém iria esperar que eu ouvisse algo desacordada, mas fazer o que? Era Castle falando comigo, era como se estivesse me puxando do poço em que estava caindo. – Rick, você não pode parar de escrever. Você ama isso!
– Eu amo mais a você – Fala ele sério.
– Eu sei, babe, mas essa é sua profissão, o que você ama fazer assim como amo ser detetive.
– Eu fui à editora. Já acertei tudo. Tenho um contrato que se for quebrado perderei muito então ficou combinado que só lançarei mais um Nikki Heat para acabar a história e então encerrarei minha carreira de escritor. – Dá pra ver a dor em seus olhos ao dizer isso, não posso viver sabendo que eu sou a causa de sua infelicidade.
– Não vou deixar você fazer isso. – Ele bufa e sorri tristemente pra mim.
– Conversamos sobre isso depois, ok? Agora só vamos pensar na recuperação dessa perninha. – Vou deixar passa. Talvez com o tempo ele perceba que essa atitude é burrice.
– Está horrível. Sorte sua que não viu. – Está tudo roxo e inchado, espero que ele nunca me veja assim. – Parece uma perna de zumbi. – Nós rimos.
– Se você tivesse visto na ambulância... – Rick fala com pesar. Tinha me esquecido de que ele tinha vindo junto comigo no carro.
– Ei. Eu estou não estou? – Digo carinhosamente acariciando sua mão. Ele beija minha testa e depois minha boca e então deita a cabeça no meu ombro. Ficamos assim pelo que parecem horas, eu fazendo carinho nos cabelos dele com uma mão e a outra sendo afagada por Rick.
– Falei com o Dr. Geller. Ele disse que você receberá alta amanhã de noite, mas que terá que ficar em repouso absoluto por 2 a 3 semanas. – Ele avisa.
– Ah não! – Resmungo. Detesto ter que ficar de repouso.
– E você vai ficar no loft comigo, minha mãe e Alexis. Assim podemos lhe ajudar e você terá companhia o tempo todo.
– Não sou criança pra precisar de babá. Porém vou relevar... Acho que vou gostar de conhecer o Dr. Castle. – Brinco e ele responde com um sorriso maldoso.
– Talvez eu tenha que fazer alguns exames, sabe? Check up... No corpo todo... – Eu gargalho e ele me cala com um delicioso beijo.
Sinto que até meu repouso será divertido por ter Castle ao meu lado, e ainda tem Alexis, que é uma figura. Eles são minha família assim como meu pai e minha mãe, eu os amo demais. E é por essas e outras que não posso deixar meu escritor favorito viver angustiado por não ter mais suas obras publicada, tenho certeza que posso fazê-lo mudar de ideia.
Só mais uma noite e já posso ir para casa. Com Rick ao meu lado esse tempo vai ser menos estressante e chato do que normalmente seria. Com ele nada é entediante ou comum. Castle é meu cavaleiro de armadura.
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