Fame
24 Perfeitos um para o outro
Notas iniciais
Dois dias depois...
POV KATE
Estou me sentindo uma inválida. Minha perna tem que ficar esticada por uma semana ou os pontos internos pode abrir e causar uma hemorragia, isso é tão chato! Não posso andar também, tive que sair do hospital de cadeira de rodas.
Pra ir ao banheiro ou tomar banho é Rick quem me leva no colo. Ele que me ajuda a lavar o cabelo, as costas e me vestir. Meus pais não conseguiriam me ajudar nisso tudo, principalmente na hora de me levar para o banheiro. Nem sei como agradecer a ele, Martha e Alexis por isso tudo.
Quando ele tinha que ir resolver alguma coisa na rua quem trazia minha refeição era Martha ou Alexis. A mãe dele também me ajudava com o curativo porque eu me recusei a deixa-lo ver o quão feia minha perna está. Sei que é bobagem, mas não quero que ele me veja assim. Sei que ele irá se culpar e não quero isso.
Hoje acordei e ele estava do meu lado com o notebook no colo digitando rapidamente. Animei-me em vê-lo escrevendo, ele parecia concentrado e inspirado. Resolvi continuar quieta, porém minha perna começou a doer e latejar, era sinal de que já tinha que tomar outro analgésico. Mesmo não querendo me virei e o interrompi para pedir que buscasse o medicamento.
– Você estava escrevendo. – Digo quando ele me oferece o copo d’água com o comprimido.
– Sim. Tenho que escrever o último Nikki Heat. – Respondeu com pesar. – Faltam só alguns capítulos.
– Rick, você não pode ir adiante com isso. – Seguro sua mão, mas ele não me olha.
– Kate. Por culpa desses livros você está assim, ferida, e sem falar da primeira vez que te magoei e nos afastamos por tanto tempo. Do que adianta eu poder escrever e ter tudo publicado se um dia esse reconhecimento por me trazer tristeza? Eu fiz uma promessa, Beckett, e vai ser assim. – Ele não estava de bom humor, não era mais como antes. Sempre que ele escrevia ficava feliz e satisfeito.
Não toquei mais nesse assunto. Quando estivesse melhor o chamaria pra conversar e ele teria que me ouvir também, afinal de contas isso afetaria não só a ele, mas a sua família.
[...]
Alexis vai para um acampamento hoje, Rick não podia ficar mais orgulhoso da filha, o acampamento era apenas para os melhores da escola. Ele teve que ir deixa-la cedo no colégio de onde partiriam para uma reserva onde ficariam acampados por uma semana.
– Rick, é só uma semana. – Eu tentava o confortar, acho que ele ficaria com mais saudade que Alexis.
– Mas ela só tem nove anos e parece ser mais nova. E se ela se esquecer de passar o protetor, a pele dela é tão clarinha. E se ela ficar com saudade de mim ou de você? – Ele falava tudo tão rápido que quase não entendi.
– Castle qualquer coisa o pessoal vai te ligar. E ela não ficaria com saudade de mim. – Falei com voz baixa. Gosto muito da Vermelha, já sinto como se ela fosse da minha família. Acho que a amo, sabe? Preocupo-me com ela, acho que é quase como se ela fosse minha filha.
– Claro que ela ficaria! Ela me disse outro dia que gosta muito de te ter aqui e pediu pra eu te chamar pra morar com a gente. – Ele sorriu docemente.
– Ela é tão fofa. – Sorri. Desviei do assunto, não estou pronta pra dar esse passo. Ainda mais agora, é tanta coisa na minha cabeça.
– O que quer fazer hoje? Temos tv com vários filmes, comida e minha mãe vai sair com um “amigo”. – O jeito que ele fala certas coisas me faz rir.
– Ah. Você escolhe, já não aguento mais ficar nessa cama, nesse quarto. – Cruzei os braços, é horrível não poder sair e andar por ai.
– Você é tão bonitinha quando tá irritada detetive. – Ele me beijou na bochecha. – Fazemos assim: vou te ajudar no banho, comemos alguma coisinha e depois podemos ver uma série que eu acompanho e preciso te viciar nela também.
– Ok. Pode me levar. – Ergo os braços, pronta pra ele pegar no colo e ele começa a rir. – O que eu fiz agora?
– Parece uma criança. “Papai me dá colo?”
– Se eu pudesse estaria andando e em casa agora. – Já estou odiando ficar assim e ele ainda faz isso? Viro-me e deito de novo me cobrindo. – Não quero mais tomar banho.
– Ei, Kate. Vai fazer birra?
– Sabe que não gosto dessa situação e ainda fica tirando sarro de mim. Gostaria se fosse o contrario?
–Ei. Calma, desculpe. É que às vezes não sei o limite da brincadeira, não fica assim não. – Ele levanta da cama e se ajoelha na minha frente fazendo carinho em minha cabeça. – Posso te levar agora? – Eu apenas me descobri e ele me levou.
Minha perna estava enfaixa com ataduras e gazes então tinha que enrolar com um plástico para não molhar, depois eu trocaria e colocaria limpas. Hoje a banho seria rápido, já tinha lavado o cabelo de manhã e a única coisa que fiz desde então foi dormir...
Ele me sentou em um banquinho de plástico, que tinha deixado dentro do boxer só pra hora do meu banho, e apoiou minha perna em outro banquinho para manter a perna esticada. Rick ligou o chuveiro e, primeiro, deixou a água molhar todo o meu corpo. Depois foi passando o sabonete suavemente, nos corte dos braços ele passou o sabão apenas com a mão bem devagar. Após mais minutos de enxague, me enrolei na toalha e ele me sentou no vaso sanitário, com o outro banquinho na minha perna, pra fazer o curativo no braço.
– Está bem melhor. – Ele tirou a gaze e examinou.
– Esses dois não incomodam. – Rick limpou, passou a pomada cicatrizante e cobriu novamente com as gazes, prendendo com esparadrapo.
– Quer beijinho pra sarar mais rápido? – Castle perguntou com voz infantil, eu sorri e puxei seu rosto selando nossos lábios. Senti falta desse beijo intenso e apaixonado. – Vamos fazer o da perna agora, né?
– Você pode só tirar o plástico que eu mesma faço. – Pedi.
– Kate... Deixe de besteira. Qual o problema de eu ver?
– Porque eu estou feia, inchada e roxa. O corte vai deixar uma cicatriz horrível.
– Querida, você nunca vai ficar feia. Só está assim agora por causa da cirurgia, logo vai melhorar e sua perna vai voltar ao normal. Longa, magra e linda. – Ele beijou minha testa.
Acho que agora eu sei o porquê de Arlene fazer isso comigo. Mesmo eu tendo sobrevivido sempre vou me lembrar dela, do mesmo jeito que ela sempre vai se lembra do Castle quando olha para a perna prejudicada. Pelo menos o Dr. Geller me confirmou que não teria problemas com a movimentação, a única coisa que vai ficar é a cicatriz que ou vai ficar uma fina linha branca ou, se eu tiver o azar de dar quelóide¹, ficará mais aparente e grande.
Quando percebi, ele já tinha tirado todos os curativos e a enorme mancha rocha com o corte inchado no meio apareceu. Meus olhos encheram de lágrima, ainda envergonhada olhei para ele e o vi chorando.
– Eu sinto muito, Kate. – Soluçou. – Se eu pudesse trocaria de lugar com você. Perdoe-me, por favor.
– Rick. – O chamei para que olhasse para meu rosto. – Você não tem culpa de uma louca querer matar pessoas e fazer mal a mim, o que você poderia fazer? Ninguém espera que uma psicopata vá te atacar ou ser obcecada por você. – Passei a mão por seu rosto limpando as lágrimas que escorriam pelas bochechas. – Nunca mais se culpe pelos crimes que aquela louca cometeu. Você foi meu herói, se não fosse por você me levar rápido pra ambulância e doar sangue para mim, eu não estaria aqui com você.
– Eu te amo tanto. – Sussurrou.
– Eu também te amo, babe. E tudo o que eu falei vale pra sua escrita também. – Rick baixou o rosto e continuou calado. – Agora me ajude a limpar isso e fazer o novo curativo. – Ele assentiu e sorriu levemente.
[...]
– Porque nunca me mostrou essa série? – Perguntei. Já tinha ouvido falar, mas nunca tinha me interessado. The Walking Dead, uma série de zumbis... Como poderia ser legal? Eu estava redondamente enganada.
– Achei que não fosse gostar. – Deu de ombros.
– Sabe que eu gosto de filmes de zumbis.
– É que eu ouvi você falar mal dela um dia, ai achei que não quisesse ver. Mas agora que você tá aqui... – Ele fica tão fofo quando se faz de rejeitado assim. Arrastei-me até ele, o beijei na bochecha e deitei em seu peito sendo abraçada.
– Põe o próximo? – Pedi.
– A gente vai terminar a primeira temporada em um dia? – Ele riu e eu assenti. – Ok então. Disse que ia viciar você. – Rick se levantou apenas para selecionar o vídeo e voltou a se deitar puxando para perto.
Passamos o resto do dia vendo aquela série cheia de zumbis e morte. O que poderia ser mais romântico para um casal? Somos uma dupla nada convencional, mas ao mesmo tempo combinamos — uma detetive de homicídios e um escritor de mistérios de assassinato. É... Somos perfeitos um para o outro.
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