Fame
19 Distância
Notas iniciais
Mais três dias se passaram e nenhuma pista de Arlene. Era como se ela estivesse realmente morta. Kate ainda chegou a pensar que poderia ser alguma pista falsa e foi atrás disso, mas logo soube que o corpo da mulher nunca foi encontrado. Isso tudo foi um erro dos médicos do manicômio que nunca deveria ter a dado como morta.
Esposito e Ryan avisaram a policia federal, rodoviária e costeira, passaram a foto de Arlene por todo o país. Também recorreram a policia do Canadá, mas lá ela não foi encontrada então ela só podia estar escondida. Porém a única dúvida era: Ela irá fazer outra vítima? Exatamente por esse motivo a delegacia estava uma correria.
Quatro mulheres. Quatro famílias sem respostas e sem entender o porquê daquilo. Beckett não estava aguentando mais, ela teve que conversar com os familiares três vezes para saber de tudo da vida das vítimas, mas o pior era o sofrimento que isso trazia.
O caso ainda estava em aberto, porém não podiam focar apenas nele e esquecer os outros homicídios. A cada corpo que era encontrado Kate ficava tensa já a espera de mais um bilhete, mais uma ameaça e mais uma frustação por não conseguir encontrar a assassina. Beckett ainda tinha dúvidas sobre a insanidade da mulher, pois tudo era muito bem calculado para deixar apenas as pistas que Arlene queria que eles descobrissem, nem câmeras pegaram imagens da serial killer. Ryan e Esposito tinham um forte palpite de que havia um comparsa, um homem que a ajudava, mas isso eles ainda não podiam confirmar.
XxX
POV KATE
Essa situação está me desgastando psicologicamente e fisicamente. Não consigo sair do distrito antes das 21 horas e saio de casa antes das 7 horas, esse caso está me atingindo pessoalmente e ainda não sei como Gates não me afastou.
Minha maior preocupação agora é Rick, ele tem dormido no máximo quatro horas por dia. Está sempre alerta e assustado, percebo que quando escuta o toque do meu celular fica tenso e a respiração fica mais pesada. Castle está passando a maior parte do tempo trancado no escritório, ele tenta disfarçar, mas sei que está lendo e relendo as copias dos arquivos que trouxe.
Ele faz questão de me levar e trazer do trabalho junto com dois seguranças particulares que contratou. Não quero aborrece-lo então não reclamo, mas isso está me incomodando. Sei que ele ficou muito mais perturbado com o último bilhete e realmente aquela mensagem foi muito assustadora. A ameaça foi diretamente para mim, porém não tenho medo, só quero encontra-la logo para nossas vidas voltarem ao normal.
XxX
– O que quer comer no almoço? – Perguntei. Hoje estava com tempo para almoçar em casa, só tinha papelada para fazer e nenhuma pista da minha perseguidora.
– Qualquer coisa. – Rick murmurou desanimado.
– Não. Você vai escolher e eu vou cozinhar para você. Ande, aproveite. – Brinquei, mas só consegui um sorriso triste. Esses dias tenho feito de tudo para anima-lo, porém Rick está triste e sempre com o semblante cansado.
– Pode ser frango grelhado, o acompanhamento é por sua conta. – Disse. Beijou-me na bochecha e foi para o escritório.
Apesar de estar preocupado comigo, ele tem estado distante. Posso contar nos dedos quantas vezes me beijou verdadeiramente nesses quatro dias, de noite ele nunca vem se deitar junto comigo. Sinto falta dos abraços e carinhos que me fazia, isso era tudo que eu precisava no meio de toda essa bagunça.
[...]
– Babe, vamos ou jantar vai esfriar. – O chamei umas cinco vezes e ele não me ouvir, decidi vir no escritório o chamar. O encontrei entretido com algo que lia no computador.
– Vou já, só um minuto. – Falou distraído.
Decidi ir para o lado dele para ver o que tanto lhe interessava. Pra minha surpresa era um artigo de quatro anos atrás. Um acidente na rodovia, a foto mostrava um carro completamente destruído. De longe comecei a ler algumas palavras e uma me chamou a atenção. Arlene Jakobek.
– Onde encontrou isso, Castle?
– Kate, por favor, não quero falar sobre isso. – Ele começou a se levantar, mas eu o puxei.
– Agora também não quer mais falar comigo? Já não me abraça, não me beija, não dorme mais comigo... O está acontecendo? – Sem querer as palavras saíram da minha boca. Cheguei ao meu limite e o jeito que ele está me tratando só faz parecer que não me quer mais. Por mais que saiba que não é essa a razão... Ele está me rejeitando e esse não é modo que eu queria passar por isso.
– Não, por favor, Kate. – A voz dele estava baixa e cansada.
– Tudo bem, Rick. – O deixei sozinho e fui para a cozinha. Fiz o prato dele e coloquei na mesa junto com a bebida.
Posso parecer egoísta, ou não, mas na minha cabeça imaginei que ele iria ficar mais próximo. Iria compartilhar o que estava sentindo assim como estou tentando fazer, mas tudo o que fez até agora foi se fechar mais e mais e me deixa só. Vou para o quarto e arrumo minha pequena mala, que fiz para passar um tempo no loft.
Quando saio com tudo pronto o encontro comendo. Ainda penso por um momento se devo ou não fazer isso.
– Tchau, Castle. – O mínimo que posso fazer e dizer que estou indo, certo? Acho que no fundo só quero que ele diga algo que me faça mudar de ideia.
Ao ouvir minhas palavras parece que deram um choque nele, rapidamente ele se levanta e corre para a porta, a tranca e coloca a chave no bolso.
– Não vai sair daqui. – Fala assustado.
– Aqui não é minha casa, Rick, combinamos que estaria aqui só por um tempo.
– Mas aquela mulher ainda quer você. Não vai embora agora. – Falou firme. Nunca o vi assim tão mandão.
– Ficar aqui só está me fazendo sentir rejeitada. Você quase não fala mais comigo, tento te agradar, te animar e você nem comer junto comigo quer mais! Quero te ajudar, mas você não me deixa entrar... – Rick parece estar cedendo. Seus ombros relaxam e sua expressão fica mais triste, os olhos estão brilhantes das lágrimas acumuladas.
– Só não quero te preocupar mais. – Diz baixo. – Sei que está atarefada no trabalho, não quero trazer mais uma coisa para te perturbar.
– Rick, você não perturba. Pensei que estivéssemos juntos nisso. – Seguro a mão dele, que sorriu e me abraça. Ele beija o topo da minha cabeça e pela primeira vez, depois que tudo aquilo começou, me sinto segura.
– Eu te amo, não pense que estou te rejeitando.
– Eu também te amo. – Minha voz sai abafada por meu rosto está escondido em seu peito.
– Vem. Vou te mostrar o que encontrei. – Com o braço envolto da minha cintura ele me leva para o escritório. – Primeiro de tudo: Promete não ficar chateada ou irritada comigo e me bater? – Ele perguntou levantando o dedo mindinho. Agora reconheço o homem por quem sou apaixonada.
– Ai ai... – Ri e revirei os olhos. – Prometo. – Entrelacei meu dedo ao dele e o dei-lhe um beijo. – Agora me conta.
– Tudo bem. Eu falei com um amigo, que é detetive particular, para ele investigar toda a vida de Arlene. Hoje ele enviou um e-mail com tudo o que tinha encontrado o que não foi muita coisa, mas pode ajudar com o caso. – Ele me chamou para ir olhar o conteúdo no notebook, sentou-se na cadeira e me fez sentar em seu colo.
– É sobre o acidente? – Pergunto.
– Sim. Ela ficou com sequelas mentais e físicas e o marido morreu na hora, mas o mais bizarro não é isso. Quando perguntaram a ela o que ela fazia dirigindo em alta velocidade ela respondeu que estava atrasada para a festa de lançamento do meu livro. – Agora faz mais sentido a fixação dela em Rick.
– Será tudo isso só vingança? – Tento entender.
– Vendo assim parece, mas eu não sei. Pode ter mais coisa... Tudo bem que ela tem problemas, mas matar quatro mulheres por causa disso? – Ficamos pensativos por um minuto. Nossa vida só tá em volta desse caso, preciso mudar de assunto.
– Só não faz mais isso, tá? Não se afaste de mim. – Pedi olhando nos olhos dele enquanto acariciava sua bochecha.
– Não vou, não quero que fique infeliz apesar das circunstancias... – Eu sorrio e o beijo, porém somos interrompidos pelo toque do meu celular, no visor vejo o nome de Ryan.
– Beckett. – Atendo.
– Beckett, temos uma pista.
– Já estou a caminho. – Me levanto e puxo Castle comigo, não quero mais ir sozinha para a delegacia.
– Ela deu entrada em dois hotéis ao mesmo tempo.
– Como assim?
– Um em New Jersey e o outro no Broklyn. Teremos que nos dividir para verificar.
– Me passa o endereço do hotel do Broklyn e vai com o Espo para o outro. Estou saindo com o Castle.
– Não entre sem chamar o reforço, Beckett. – Ele me avisa.
– Tudo bem. – Ao desligar passo toda a informação para Rick que fica um pouco confuso, assim como eu, mas se arruma rápido e logo estamos indo para o local.
A viagem é tensa. Não sabemos o que podemos encontrar, pode ser apenas uma “pegadinha” da assassina ou pode ser um deslize ou, o que eu acho mais provável, que ela queira nos atrair. Quando chegamos a frente ao hotel, ligo para pedir reforço, porém não espero por eles para entrar.
– NYPD. Sou detetive Beckett, precisamos de informações sobre uma hospede. – Falo mostrando o meu distintivo.
– Sim, senhora. Fui eu mesmo que liguei. – O recepcionista parece assustado. – Quando ela me deu sua identidade lembrei o nome que os noticiários mostravam. Ela é como na foto, loira de olhos castanhos. Parece um pouco desequilibrada.
– Obrigada, senhor. Fez bem em ligar. Qual o quarto onde ela se encontra?
– Quarto andar, 401. – Ele me deu a chave mestra dele para que entrássemos no quarto.
– Kate não vai entrar sem o reforço chegar. – Castle segurou meu braço.
– Não quero correr o risco de ela ouvir a policia e conseguir fugir. – Ele suspira e me solta.
Rick estava nervoso e eu o entendo, também estou com receio do que vamos encontrar. Mais um corpo, uma maluca, em armadilha? Agora sinto falta do reforço...
– Tome. – Digo a Castle lhe dando minha arma reserva.
– Quer que eu segure enquanto amarra o sapato? – Ele me olha para a arma e para mim.
– Não. Quero que seja o meu reforço. – Ele acena positivamente e aceita a arma.
Com cuidado para não fazer barulho abro a porta e entramos.
XxX
POV RICK
Já vim em prisões o suficiente para saber como eles vasculham uma casa. Além do mais Kate já me ensinou uma vez que sou seu parceiro. Beckett vai para o quarto enquanto eu procurou no banheiro.
– Aqui tá limpo. – Falou de dentro do banheiro, estou um pouco aliviado por Arlene não estar aqui.
– Rick... – A voz dela falha, eu corro para o quarto e a encontro desacordada no chão.
– Kate! Kate acorda! – Falo passando a mão pelo seu rosto e então vejo a marca de agulha no pescoço dela. – Oh não... Droga. – Não consigo fazer muita coisa, pois sinto uma forte dor nas minhas costas, vejo um vulto na minha frente e caio ao lado de Kate vendo tudo escurecer.
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