Família Grey

48 Cabelo em pé!


Notas iniciais
*Espero que gostem. *Comentem. *Próximo capítulo semana que vem. *Próximo capitulo será um bônus da Sophie e do Gabriel.

**Ethan**

– Meninos parem. – digo para Nick e Chris que estão se danando.

– Pai vamos ao zoológico hoje? – pediu Nick.

– Claro, mas primeiro temos que falar com sua mãe.

– Manhê. – Chris grita.

– Oi. – diz ela entrando na cozinha. – bom dia meu amor. – disse ela me dando um beijo.

– Mamãe vamos ao zoológico?

_ Ótima ideia filho. Ethan vai para clinica hoje? – perguntou Mia.

– Não. – respondi. – cadê a Mel? – perguntei.

– Já está descendo.

– Bom dia. – disse Melissa ao entrar na cozinha.

_ Bom dia. – respondemos em uníssono.

– Mel hoje a gente vai para o zoológico. – disse Nick.

– E você vem me dizer isso agora? – ela arqueja. – não vou ter tempo de procurar uma roupa legal. – disse saindo da mesa.

– Melissa volte e venha tomar seu café. – digo não gosto que eles não comam pela manhã.

– Pai não vai dá tempo de procurar uma roupa. – choramingou.

– Dá sim, sua mãe fez um café delicioso.

Ela bufa e senta-se á mesa.

**Mia**

Outro dia li numa revista que as mulheres não saem de casa sem passar pelo menos 21 minutos se arrumando. Esse tempo refere a um programa básico, como ir ao shopping. Quando se trata de uma noitada em um bar, a mulherada perde 54 minutos se arrumando. Melissa, que nem é mulher ainda – embora se ache uma – gasta, no mínimo, uma hora em frente ao espelho se ajeitando. – depois que deu seu primeiro beijo está bastante vaidosa – E isso em dia de tarde no shopping. Em dia de festa, melhor pedir para a lerdeza em pessoa começar a se arrumar umas quatro horas antes de sair.

O cabelo é o grande culpado. O cabelo é a vida para Melissa, um assunto importantíssimo, cabelo é tudo para ela. Para chegar perto das madeixas dos seus sonhos, ela gasta intermináveis minutos alisando, esticando, puxando, escovando e secando os benditos fios. Cuida deles com um carinho que só vendo. Mas nunca está satisfeita, claro. Vive reclamando da textura. Do tipo, da cor, do comprimento, dos cachos...

– Vamos embora, Melissa! Você está há quarenta e cinco minutos fazendo esse rabo-de-cavalo! Não é possível! A gente só vai ao zoológico e me disseram que os bichos não são muito de comentar e prestar atenção no penteado dos visitantes.

– Dâââ! – chiou ela, mostrando que não estava para brincadeiras. – É que não estou conseguindo abaixar um fio.

– Que fio?

– Este aqui, não está vendo?

– Não, ninguém vê, só você.

– Mas está aqui, todo eriçado.

– Onde?

–Aqui! Não está vendo? É cega?

Engoli a malcriação para não criar clima ruim e fiz e refiz a porcaria do rabo-de-cavalo da Madame Mau Humor umas sete vezes e o diacho do fio que ela via continuava em pé. Chamei o Ethan, que criou dezessete versões desastradas para o penteado e o tal fio (que era absolutamente invisível para toda a família, vale frisar) continuava irritando a moça – e a casa inteira.

Chris quis ajudar, mas foi logo vetado, Nick bem que tentou dar uma mãozinha, mas acabou levando uma bronca por ter deixado eriçados outros dois (dois!) fios, vizinhos ao eriçado original – o que é uma tragédia no universo paralelo onde vive a Melissa.

– Será que ninguém nesta casa consegue fazer um rabo-de-cavalo decente? – reclamava ela, doida para puxar briga.

– Vamos botar gel – sugeri.

– Claro que não! Não se atreva! Vai ressecar o meu cabelo todo!

– Laquê?

– Nem pensar! Deixa o cabelo duro e armado. E eu só quero abaixar um fio! – gritou com toda força.

– Água?

– Água? Louca! Água seca e fica dez vezes pior do que antes, né mãe?

– Já sei!

– Não, mãe! Cuspe, não, né?

Tarde demais. Já tinha dado uma lambida de respeito no polegar e em dois tempos passei no seu cabelo. Para fixar bem, tasquei mais uma lambida. A fresquinha chiou e se esgoelou o quando pôde, mas minha saliva materna cumpriu à risca sua função adesiva e baixou os (oh, meu Deus!) três frios rebeldes. Minha saliva é tão potente que deu até mais brilho no cabelo da menina.

Menina ingrata:

– Eca! Que nojo! Como você teve coragem de fazer isso? Nojo! Nojo! – resmungou ela com o rosto todo franzido sem saber onde pôr as mãos, apontando para a cabeça como se 370 minhocas gosmentas estivessem passeando por ela. Cena engraçadérrima, mas me contive.

– Nojo de quê? Da minha saliva? Deixe de ser ridícula! Limpei um monte de cocô seu e é isso que recebo em troca?

– Não venha de conversinha, não! Nada justifica você cuspir no meu cabelo. Você cuspiu no meu cabelo! Isso devia ser proibido.

– Mas você vai ser no zoológico que a mãe lambe as crias. É só encarar a cusparada como uma lambida, boba. Assim você sai de casa entendendo como funciona o reino animal – debochei. – Podemos ir agora?

– Claro que não, não saio sem tomar banho. Você me deixou horrorosa com essa lambida. Agora meu cabelo ficou com cara de sujo, imundo! Parece que derramaram um litro de óleo na minha raiz.

– Deixe de ser exagerada, menina! Se quiser, lava de novo o cabelo que essa história me deixou de cabelo em pé! – soltei meu lado piadista.

– Nossa, como você é engraçada – disse ela, seriíssima.

– E você é emburrada. Vá para o chuveiro logo e não demore, por favor!

Depois do banho, ela me puxou num canto:

– Não conta do cuspe para ninguém?

– Segredo nosso.

– Promete?

– Está prometido.

O silêncio selou nosso trato. Mas logo ela me lançou um olhar sapeca e me surpreendeu:

– Posso rir agora?

– Pode, sua maleta.

– E você jura que não conta para ninguém que eu ri do dia em que você tascou cuspe no meu cabelo?

– Juro.

Ela estourou numa risada pra lá de saborosa. Não resisti e me deixei contagiar por seu sorriso lindo.

E ficamos ali, no quarto, sozinhas por bons e longos minutos, fazendo uma coisa saudável e recomendável: rolando de rir uma da cara da outra. Antes de sair, prometemos esquecer o episódio da lambida. Aliás, que Melissa nunca saiba minha opinião sobre isso: nojo! Nojo! Nojo!