Falling Skies - Ben Mason, When Oddities Match
5 Smart Guys Don't Trust
Notas iniciais
Volte e leia as notas iniciais!!!
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Starman (David Bowie)
"There's a starman waiting in the sky
He'd like to come and meet us
But he thinks he'd blow our minds
There's a starman waiting in the sky
He's told us not to blow it
Cause he knows it's all worthwhile
He told me:
Let the children lose it
Let the children use it
Let all the children blue again"
Homem Estelar (David Bowie)
"Há um homem estelar esperando no céu
Ele gostaria de vir nos visitar
Mas ele acha que iria confundir nossas idéias
Há um homem estelar esperando no céu
Ele nos disse para não confundir
Porque ele sabe que isso é valioso
Ele me disse:
Deixe as crianças sossegadas
Deixe as crianças usarem a cabeça
Deixe as crianças deprimidas de novo"
–Ela será levada ao Tom assim que acordar — disse a voz de Ben a minha esquerda
–Sei disso — disse a voz de uma garota que parecia estar ao lado de Ben — agora vá descansar, já passou a noite de guarda.
Então os passos que eu julguei ser de Ben se afastaram aos poucos. Por um momento eu quase pensei que não estava ali como prisioneira. Benjamin havia me dito que me traria aqui para conseguir escolta, armas e suprimentos. Agora eu estava deitada com os pulsos novamente amarrados em uma cama, e para variar, com um guarda ao meu lado, como se eu fosse escapar e atirar em todo mundo (eu não podia culpa-los pela última parte, já que era exatamente o que eu tinha feito antes de escapar).
Abri um dos meus olhos visando entender melhor a situação em que estava metida. Encostada no canto da sala tinha uma garota limpando as unhas com uma adaga. Seu cabelo era longo até a cintura em cachos grandes, com os fios num tom claro de loiro. Seus olhos fixados nas mãos eram cinza claro, suas feições eram suaves. Ela estava bonita como nos tempos de paz. Diferente das outras pessoas nesses tempos, ela não estava magra a ponto de aparecerem os ossos. Essa era uma coisa que eu também tinha notado em Ben e nas pessoas que me salvaram. Eu já tinha me esquecido do formato real de um ser humano, todos pareciam ser esqueléticos. Não havia ninguém com o corpo normal. Mas desde que eu tinha chagado na 2nd mass as pessoas passaram a parecer menos desnutridas. Me perguntei se lá talvez houvesse a nova sociedade que tantos grupos prometiam.
A garota não estava armada do modo como eu tinha imaginado que estaria. Ao invés do imenso rifle, ela estava com duas pistolas, uma de cada lado do corpo, e com uma faca que no momento estava sendo usada para limpar as unhas.
Tentei mexer as mãos, porém as algemas estavam muito folgadas, fazendo com que elas batessem no dossel metálico da cama com um barulho terrível de metal contra metal. A garota olhou para mim já com a faca em posição de ataque.
–Há quanto tempo está acordada? — ela perguntou
Eu não respondi
–Ok! — ela cantou meio decepcionada — Sou Missi. Você está na base fixa da 2nd Mass, localização sigilosa — ela falava como se dissesse isso o tempo inteiro, como um texto decorado — ninguém irá te machucar, a não ser que você o tente antes. Vou te levar para falar com o nosso líder.
Missi parecia estar entediada, como se estivesse ali à força, e eu não a culpava por estar brava ao ficar de babá de uma adolescente manca. Ela parecia tão desesperada por alguma ação quanto eu estava antes de ir para a minha primeira missão, então simplesmente acenei com a cabeça em resposta. Eu finalmente via o pacto com Ben ser cumprido, pelo menos em parte.
A garota guardou a faca na bainha ao lado do coldre onde guardava uma de suas pistolas e veio até mim, como se nunca tivesse passado pela sua cabeça que eu pudesse escapar, então soltou suas algemas, puxou a ponta do lençol e virou de costas para pegar uma cadeira de rodas de modo um tanto descuidado.
–Senta aqui! — ela disse despreocupada analisando as unhas
Como se estivesse num sonho, me levantei da cama com dificuldade, finalmente percebendo que vestia uma camisola hospitalar. O ferimento já estava bem cicatrizado graças ao veneno do arreio que ainda corria por minhas veias. Tudo que eu me lembrava era de uma médica costurando a ferida enquanto as enfermeiras me seguravam, depois disso, por mais que eu tentasse me lembrar, só conseguia ver preto
–Eu não tenho o dia todo! — ela disse impaciente
Então me sentei na cadeira de rodas, e Missi imediatamente começou a me empurrar na direção da porta que dava para um corredor que seguia infinitamente para a direita e mais três metros para a esquerda. Fomos para a direita, aonde entramos numa porta a esquerda e depois uma à direita, e outra a direita... Foram tantas portas que eu jurei estar em um labirinto. Parecia que queriam ter certeza de que eu não ia conseguir escapar. Depois de alguns minutos fazendo curvas por entre os corredores estreitos, chegamos em um grande salão, onde várias pessoas estavam sentadas rindo e comendo.
Assim que Missi me empurrou para dentro daquele salão, todos viraram o olhar para mim. Haviam mais de quinhentas pessoas ali, e pelo modo com que me olhavam elas não gostavam muito de mim. Missi parecia querer me mostrar o que estava realmente acontecendo, por um lado aquilo amoleceu meu coração, todas aquelas pessoas juntas. Sobreviventes. Mas por outro me deu raiva, quem ela achava que eu era? Uma espiã? Uma traidora? Se não fosse o efeito dos analgésicos eu teria me levantado e batido nela naquele mesmo instante.
Ela continuou me empurrando por entre as mesas com a maior calma. Vergonha... Eu estava com vergonha, aqueles Machs só tinham aparecido por minha causa. Apesar de que nada daquilo fazia sentido, eu me sentia muito culpada...
Abaixei o olhar e esperei até que o salão acabasse. Depois que acabou eu levantei os olhos novamente e o labirinto voltou a se formar. Esquerda, direita, esquerda, esquerda e direita. Foi aí que entramos em um corredor enorme que terminava em uma porta de madeira vigiada por dois guardas fortemente armados.
–Tom me pediu que a trouxesse aqui assim que ela acordasse — disse Missi a um dos guardas
O guarda colocou a cabeça para dentro da sala e sussurrou um quase inaudível "Ela está aqui". Então ele abriu a porta e fez sinal para que entrássemos.
Lá dentro estava um homem sentado atrás de uma mesa ,que lembrava um pouco a do salão oval, e às suas costas estava uma estante de livros que ocupava a parede inteira. Missi me colocou na frente da mesa e então saiu pela porta.
–Maya Stark — disse o homem olhando em meus olhos
–Você sabe meu nome... — falei decidida a não fraquejar — e eu não sei o seu
–Tom Mason — disse o homem — agora que estamos ambos apresentados, o que está fazendo aqui?
–Vocês que me sequestraram. Esqueceu? — perguntei sarcástica
–Nós salvamos a sua vida! — ele disse com um leve sorriso
–Nos dias de hoje não tem muita diferença entre um e outro...
Tom revirou os olhos e decidiu ir direto ao ponto
–Ben me disse que quer escolta, armas e suprimentos para uma viagem, e que em troca tem uma informação valiosa a nos dar.
–Eu não te conheço, como vou saber que é realmente Tom Mason e que essa é realmente a famosa 2nd Mass? Como vou saber que não é aliado dos aliens?
–Vai ter que confiar em mim — ele disse com um olhar sombrio
Analisei-o. Ele não tinha a linguagem corporal de quem estava mentindo, tinha a linguagem corporal de quem estava jogando um jogo de azar, e a cara de quem estava perdendo. Alguma coisa o preocupava. E ele não parecia ser do tipo que se assustava com uma simples garota estranha que aparece atraindo Machs.
–Passei 4 meses infiltrada junto com os aliens e descobri umas coisas bem úteis — falei me levantando e caminhando pelo espaço. Ele pareceu não se incomodar — Você já se perguntou o por que de os aliens estarem aqui? Digo, o que nós temos que os outros planetas não tem?
–Vida? — perguntou Tom descrente
–Já ficou provado que isso é um mito — eu falei tentando me acostumar com a dor na perna — Nós temos em nosso sistema solar 22 luas realmente importantes. A Lua, Fobos, Deimos, Io, Europa, Ganímedes, Calisto, Mimas, Encélado, Tetis, Dione, Reia, Titã, Jápeto, Miranda, Ariel, Umbriel, Titânia, Oberon, Proteu, tritão e Caronte. Dentre elas apenas a nossa lua e Io tem um potencial energético realmente grande.
–Então tudo isso é uma guerra energética? — perguntou Tom me olhando curioso
–É um pouco mais complicado que isso — comecei — há uma raça alienígena muito mais poderosa que os Sphenin chamada...
–Espera um pouco. Sphenin? — perguntou Tom
–É o nome dos grandões humanóides, os que controlam isso tudo — expliquei
–Ah sim, os cabeça de peixe — disse Tom — continue...
–Há uma raça muito mais poderosa que os Sphenin chamada Dhones, eles são muito evoluídos em todos os aspectos, mas apesar disso, a guerra só começou por causa deles.
"Há milhões de anos houve uma guerra civil entre os Dhones, uns lutavam pelo que hoje chamaríamos de anarquismo e outros lutavam por uma democracia. Os democráticos ganharam e baniram os anarquistas para um outro planeta. A maioria deles morreu antes se quer de chegar em seu destino, e os que sobreviveram viram isso como uma declaração de guerra e decidiram ser chamados agora de Sphenin que significa "vingadores" na língua deles.
Eles ocuparam o planeta que chamamos de Vênus. Diferente do que pensamos ele não é completamente coberto de lava. Antes ele era um planeta parecido com a terra e depois de uma rápida degradação de sua atmosfera por causa da respiração dos novos habitantes fez com que o planeta fervesse como num vulcão. Os Sphenin se abrigaram no núcleo de Vênus que é na verdade oco, revestido de uma liga metálica fortíssima. E lá viveram mais milhares de anos isolados. Os descendentes daqueles que antes apoiavam o anarquismo tomaram o poder e se tornaram os sete chanceleres da luz. Eles chegaram a interferir na Terra utilizando a Lua para extrair Hélio 3 e os povos daqui como escravos. Mas foram obrigados a se retirar por causa da política intergaláctica de paz e respeito interplanetário.
Foi então que recomeçaram as tensões entre os dois povos, já que os Dhones tem um alto posto dentro das Forças Planetárias unidas (FPU). Os Dhones começaram a tomar conta da nossa lua a partir de 1969, quando o homem pisou na lá pela primeira vez, para garantir que os terráqueos não achassem e evidências de coisas que não estávamos preparados para saber. Foi aí que os Sphenin se prepararam para invadir, eles viram a ocupação da Lua pelos Dhones como um desafio.
Desde 1969 os Sphenin investiram tudo em armamentos e tecnologia bélica. Eles já tinham frotas prontas em 2011, foi aí que começou essa bagunça toda"
–Então tudo isso começou com uma guerra ideológica — concluiu Tom
–Sim, mas se tornou energética por que os Dhones ocuparam a Lua, que era a antiga fonte energética dos Sphenin — acrescentei
–Você sabe que isso é algo muito difícil de se acreditar, não é?
–Sim, eu sei — falei voltando a me sentar por causa da perna dolorida
–Se essas Forças Planetárias Unidas retiraram os... Sphenin... Daqui antes por que não estão nos ajudando agora? — perguntou Tom com um olhar confuso
–E é aí que eu queria chegar — eu disse batendo a mão na mesa dele — a minha base é aliada dos Dhones. Nós trabalhamos juntos para trazer a paz para a galáxia. Os humanos não estavam prontos para saber da existência de vidas alienígenas ainda, se nós estivéssemos a guerra não teria chegado onde chegou. Tudo já teria sido resolvido em diplomacia.
Tom parecia não saber no que acreditar. Ele era um homem inteligente por duvidar de mim, eu também pensaria duas vezes antes de aceitar as palavras de um estranho como verdade, ainda mais quando esse estranho estivesse me contando histórias miraculosas sobre alienígenas do bem.
–E essas informações você conseguiu como? — ele perguntou com dois dedos em cada têmpora
–Como eu disse a minha base é aliada dos Dhones.
–Mas isso não vai nos ajudar a vencer a guerra — disse Tom por fim — era essa a informação que você tinha?
–Não — eu disse forçando um sorriso — o que eu descobri é uma fraqueza na mecânica dos Sphenin. Vocês já devem saber que os Machs são feitos de peças recicladas revestidas de uma liga metálica, correto?
–Prossiga — disse Tom acenando com a cabeça
–Essa liga metálica vem da camada externa do núcleo de vênus, e eu consegui acesso aos relatórios de danos enviados aos três chanceleres que ainda estão em vênus. Um grupo alemão conseguiu manipular os Machs a partir de um simples acesso de ondas de rádio à liga. Ela é mais do que o revestimento, é o cérebro também, é o que alimenta-os. Se usar a frequência correta à altura certa e manipulando a informação numa língua compreensível a eles, você tem soldados Machs todos ao seu dispor!
–E como vou saber que não está mentindo? — ele perguntou com um sorriso desconfiado
–Não vai. Vai ter que confiar em mim — repeti as mesmas palavras que ele tinha usado comigo no início daquela conversa.
–É só isso que tem a me dizer? — ele perguntou como se estivesse me dando um ultimato
–Eu posso dizer muito mais quando eu estiver na minha base. Esse é apenas um dos relatórios que eu consegui. Só preciso decodificar os outros, pelo que sei neles tem falhas estruturais nos Beamers [N/A: as naves], nas torres, nos arreios, em tudo! Podemos vencer essa guerra com os relatórios que eu tenho
–Está com eles agora? — perguntou Tom
–Eles estão na memória do meu fluido espinal. É um dos tipos se memória que os Dhones nos ensinaram a utilizar. Preciso de equipamentos sofisticados para ter acesso a essas memórias.
–E os aracnos? — ele perguntou — aonde é que eles entram?
–Venus já era habitado pelos aracnos antes, e os Sphenin os escravizaram
Tom me olhou com uma mistura de descrença e confusão nos olhos.
–Lee! — chamou Tom
Um dos guardas apareceu na porta
–Chame Missi! — ele ordenou e a garota adentrou no cômodo quase que de imediato
O soldado, Lee, fechou a porta, e então Misse se aproximou da mesa com respeito
–Instale Maya no quarto 316 na ala G — ele disse
–É só isso? — perguntei incrédula — não vai nem testar a minha informação antes de desprezá-la?
–Eu tenho que consultar o conselho antes de tomar qualquer providencia. Até lá você fica no 316.
Eu queria argumentar, mas Missi começou a empurrar a cadeira de rodas na direção da porta, então eu decidi ficar calada. Eu podia falar o que eu quisesse, mas havia algo na voz de Tom que me fazia teme-lo. Ele tinha uma postura arrogante, os olhos eram de um típico líder, ele sabia que para manter o grupo vivo teria que fazer sacrifícios.
–Eu acredito em você — disse Missi depois que já estávamos a certa distância
–O que? — perguntei
–Eu acredito em você — ela repetiu — naquilo que você disse para o Tom, sobre os Dhones e Sphenin!
–Como você...? — comecei, mas logo em seguida entendi — Espinhos, certo?
–Exatamente os mesmos que tem nas suas costas — ela falou
–Há quanto tempo te salvaram? — perguntei
–Um ano
–Qual a sua base? — perguntei com medo de Missi achar que eu estava espionando-a
–Delaware — ela disse com certa hesitação na voz.
Ela estava mentindo, não apenas por causa do espaçamento mais curto entres batidas de seu coração ou de seu tom de voz, mas por que a base de Delaware tinha sido destruída logo no começo da guerra.
–E você? — ela perguntou
–Cincinatti — falei um pouco desapontada
–Cidade legal — ela disse
–É. Bem, pelo menos costumava ser... — falei ignorando o quando a minha perna latejava
Missi riu
–E então? — perguntei curiosa — o que é o 316? Algum tipo de prisão ultra secreta?
–Na verdade é um quarto na ala G. É onde todas as crianças com espinhos ficam...
Tom sabia que aquilo era bem pior que qualquer prisão, já que, além dos soldados naturalmente bombados, esses soldados também tinham sensor de alta frequência e uma super audição que escutaria qualquer palavra que eu dissesse antes mesmo que eu pudesse dize-la.
–O Mason é um cara esperto — eu falei mordiscando o lábio discretamente
–É mais do que você imagina... — disse Missi em um tom sombrio
¡¡¡¡¡Eu mato quem não ler as notas iniciais e finais!!!!
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