Falling Skies - Ben Mason, When Oddities Match
13 Heirs Of The Earth
Notas iniciais
21 Guns (Green Day)
Do you know What's worth fighting for,
When It's not worth dying for?
Does it take your breath away
And you feel yourself suffocating?
Does the pain weight out the pride?
And you look for a place to hide?
Did someone break your heart inside?
You're in ruins
[...]
When you're at the end of the road
And you lost all sense of control
And your thoughts have taken their toll
When your mind breaks the spirit of your soul
Your faith walks on broken glass
And the hangover doesn't pass
Nothing's ever built to last
You're in ruins
Salva de Tiros (Green Day)
Você sabe pelo que vale a pena lutar?
Quando não vale a pena morrer?
Isso tira seu fôlego
E você se sente sufocando
A dor tira o orgulho?
E você procura por um lugar para se esconder?
Alguém quebrou seu coração por dentro?
Você está em ruínas
[...]
Quando você está no fim da estrada
E você perdeu o seu senso de controle
E seus pensamentos cobraram seu preço
E a sua mente quebra o espírito da sua alma
A sua fé anda sobre vido quebrado
E a ressaca não passa
Nada é feito para durar
Você está em ruínas
Mississipi Point Of View
Eu sonhei com ele. Não sabia o nome, mas sua face era conhecida. Eu estava em seu colo, ele me segurava em seu peito como se eu fosse o tesouro mais precioso da galáxia. Ali eu me sentia segura, mesmo com a dor em minhas costas e com o som de tiros ao meu redor eu só queria ficar em seus braços. Acordei com apenas uma palavra em mente: "Jeyden". Estava escrito no bolso de seu uniforme, bordado com linha branca no pano escuro. "Fique calma, garotinha" ele dizia "A ajuda já vai chegar" e então voltava para a batalha.
Como em todas as vezes que eu sonhava com ele, eu acordei tremendo e suando frio, com meus espinhos doendo. Era estranho sentir sobre eles sensações como dor e frio, que eu sentia apenas em meu próprio corpo.
Levantei a cabeça para analizar o cômodo e vi um rato roendo a sola da minha bota. Eu não me incomodava, ele era como qualquer um de nós, buscando alimento, querendo sobreviver. Eles eram os herdeiros da terra se pensássemos bem, eles herdaram o que uma vez foi nosso por direito.
Alguns podiam dizer que aquilo era um absurdo, que os ratos jamais substituiriam os humanos pois não eram seres racionais, mas nunca tinha sido sobre inteligência e sim sobre sobrevivência, superar seus inimigos, e num mundo selvagem como a terra era só isso que importava. A nós só restava a conformação de que nossa era se fôra e que agora o lema era: vida longa aos ratos.
Dei um chute de leve para tira-lo da cama. O dono do quarto não poderia mais voltar. Em mais alguns meses os ratos destruiriam o local, assim como nós havíamos destruído o planeta. Uma ironia interessante.
Ouvi o barulho de passos no andar de baixo, se pareciam com os de Ben. Desci as escadas para encontrá-lo, mas o andar estava deserto. Maya estava dormindo no sofá com um cobertor por cima de seu tronco e a porta dos fundos tinha acabado de ser fechada. Ben tinha saído para caçar conforme dizia o bilhete pregado na tela da televisão escrito grosseiramente em letras garrafais: "Fui Caçar".
Ao pensar em Ben voltando da caçada com carne meu estômago roncou. Eu não comia carne desde que saíra da 2nd Mass. Peguei uma lata de pêssego em calda na bolsa que repousava encima da mesa e a abri com a faca de caça que ficava sempre em uma bainha na minha cintura. Peguei uma colher dentro da gaveta ao lado do fogão enferrujado e comecei a comer. O açúcar preenchia cada caloria que tinha faltado durante todos esses meses.
–Bom dia — falou Maya rouca se levantando aos poucos — onde está Ben?
Apontei a colher para a televisão onde estava o bilhete. Ela olhou e levantou as sobrancelhas antes de levar a mão à testa. Pela garrafa vazia ao seu lado eu julgava que ela deveria estar com muita dor de cabeça. Eu não havia bebido nada, e agora que via o jeito que Maya acordara agradecia por isso.
–Bebeu tudo sozinha ou Ben ajudou? — perguntei me sentindo energética com o açúcar
–Ele bebeu bem mais que eu — ela falou com a cabeça entre as mãos — se ele estiver com metade da ressaca que eu estou então é melhor irmos procurá-lo, ele deve ter desmaiado nos primeiros dez metros
–Ele está bem, provavelmente só dormiu um pouco mais. Ben não tem ressaca — falei antes de colocar outra colher na boca.
O sabor do pêssego me deixava eufórica.
–Porque? — Maya perguntou se levantando com as mãos na barriga
–Ele ficou com o exoesqueleto por mais tempo do que qualquer um e seus espinhos não sumiram como o dos outros do seu batalhão.
–Isso faz dele um ótimo soldado então — ela concluiu
–Nem tanto. Isso tudo acabou com o psicológico dele, então não adianta ele ter a força e resistência se a guerra o destruiu. Ele luta por vingança, por isso queria tanto vir com você, Ben quer vencer, mas não sabe o que fará depois que tudo isso acabar, ele vive para lutar.
Ela estava encostada na parede ao lado do sofá com um olhar diferente no rosto. Ela compreendia do que eu estava falando por que no fundo todas as crianças de exoesqueleto estavam na mesma situação. Maya tinha dito que sua mãe ainda estava viva, mas não falava muito dela.
–Ele não fala muito sobre isso — ela disse pegando sua faca para abrir uma lata de pêssego recém tirada da mochila.
–É — falei temendo o rumo que aquela conversa levaria
Maya se sentou tendenciosa ao meu lado na mesa de madeira onde eu estava.
–E nem você...
Aquela era definitivamente a minha deixa para sair dali. Eu não queria falar sobre isso com Maya, mas também não queria que ela percebesse que eu não queria falar sobre aquilo com ela. Eu tinha que agir com naturalidade.
–Não há muito o que falar — eu disse estremecendo com os flashes de lembranças.
Eu poderia contar a ela sobre o garoto com o uniforme, Jeyden. Poderia contar que aquela era minha memória mais antiga e que depois disso eu só me lembrava de acordar na beira de um rio, o rio Mississipi ou eu poderia confessar que eu não me lembrava do meu nome e eu tinha adotado Missi por que tudo na minha vida parecia girar em torno daquele maldito estado amaldiçoado. Mas havia uma voz aterrorizada dentro de mim que fazia dessas lembranças intocáveis.
–Eu sei que mentiu quando falou que tinha vindo da base de Delaware — ela falou me fazendo estremecer ainda mais.
–Vou procurar Ben — sussurrei me levantando sem olhar para ela
Peguei meu rifle e saí pela porta sem mais nem menos, deixando Maya sentada numa enorme mesa de madeira e com uma lata de pêssego na mão.
Era difícil confiar em alguém para contar tudo aquilo que me aterrorizava. Eu jamais tinha dito uma palavra sobre o meu passado nem mesmo a Ben, e ele era a pessoa na qual eu mais confiava. Fôra Ben quem me salvara de Ericsson.
David Ericsson me encontrou três dias após eu acordar na margem leste do rio Mississipi. Ele me levou para sua casa, me ofereceu abrigo, comida e proteção, por que não confiar nele? Ele era cuidadoso, tinha um gerador a gás. Por isso fiquei lá por algumas semanas.
O primeiro sinal de que haviam problema foi quando ele me drogou no jantar. Acordei no dia seguinte com o cabelo cortado até o meio das costas e ruivo, então ele começou a me chama de Diana. Mais tarde descobri que esse era o nome de sua filha, então ele começou a ficar violento. David me batia toda vez que eu fazia algo que não lhe agradava, depois ele começou a me manter amarrada o dia inteiro. A esse ponto eu já estava com marcas roxas pelo corpo inteiro e meus pulsos estavam com marcas escuras por causa das cordas.
A 2nd mass nos encontrou um mês depois de ele me amarrar pela primeira vez. Ele me obrigou a agir como a filha perfeita que amava seu pai, do contrário ele me bateria mais. Para os convidados eu era Diana Ericsson, mas Ben percebeu que eu não era a mesma garota das fotos, ele reparou que eu estava usando roupas folgadas demais para serem minhas, e que as mangas compridas escondiam mais do que uma pele sensível ao sol.
No dia antes de partir, Ben me presenteou com uma faca de caça para eu me defender de David da próxima vez que ele me batesse. Quando Tom liderou o grupo de volta para a estrada eu o esfaqueei e corri para alcançá-los. Desde então eu seguia a 2nd mass.
Ben era a única pessoa na qual eu confiava completamente, ele era meu único amigo, e tudo que ele sabia era que eu era uma vítima de Ericsson. Não sabia que eu tinha perdido a memória. Eu disse que meu nome era Mississipi e ninguém discutiu. Já nem eu discutia mais.
Segui rua abaixo até o fim onde havia uma floresta. Eu não achava que haveriam animais grandes o suficiente para servir nós três, não valeria o tempo de caça. Ben sabia disso, provavelmente tinha ido ficar sozinho um pouco e usado caça como desculpa.
–Acha que infectou a carne? — ouvi uma voz falando.
Parei de andar imediatamente.
–Vamos assar de qualquer jeito. É só servir bem passada — respondeu outro
–Eu não vou comer — anunciou outra voz
–Quero ver se não vai pegar pelo menos um pedaço quando o Carlos temperar. Vai ficar uma delícia.
O som parecia estar vindo da minha esquerda. Me abaixei e caminhei com passos veles e curtos na direção de uma árvore de onde eu conseguia vê-los com clareza. Eram seis homens, desses apenas um parecia ser jovem, os outros tinham no mínimo 45 anos. O mais novo deveria ter 25 anos.
–Vamos levá-lo antes que acorde — falou o que tinha a careca tatuada
Foi aí que eu percebi do que eles estavam falando. Caído a seus pés havia um corpo masculino vestido com roupas de outono. Seus espinhos estavam à mostra na nuca. Eles tinham pego Ben.
Meu primeiro pensamento foi em atacá-los. Eu usaria meu rifle para atirar neles, mas eu não sabia se eles estavam sozinhos, e mesmo se estivessem, eu talvez conseguisse pegar dois ou três deles, mas não daria conta dos seis sozinha.
Eu precisava chamar Maya. Precisávamos de um plano. Ben era o mais forte da equipe, e nós o havíamos perdido. Maya era ágil, esperta e tinha uma mira relativamente boa. Eu era muito boa na mira, mas não era rápida como Maya ou forte como Ben. Estávamos claramente em desvantagem.
Caminhei lentamente para trás, pensando na raiva que eu sentia de Ben por ter ido caçar. Eu estava prestes a dar um giro de cento e oitenta graus para andar de frente, ja que estava a uma distância razoável do grupo quando senti o metal gelado contra a minha nuca entre o primeiro e o segundo espinho.
–Fique quieta — sussurrou o portador da arma
Não movi um músculo.
–Você precisa ir embora, ou eles te pegarão também — ele sussurrou
Engoli o seco.
–Eu quero o meu amigo de volta — falei ainda parada na mesma posição
–Não vai conseguir — o garoto sussurrou — eles vão matá-la também. Vá embora enquanto pode!
–Me ajude a pega-lo de volta — pedi encarando o chão enquanto imaginava como seria seu rosto.
–Você não entende, não é? — ele sussurrou — seu amigo já está morto.
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