Falling Skies - Ben Mason, When Oddities Match
14 Where Are All The Children?
Notas iniciais
Thanks For The Memories (Fall Out Boy)
"One night and one more time
Thanks for the memories
even though they weren't so great
"He tastes like you only sweeter"
One night, yeah, and one more time
Thanks for the memories, thanks for the memories
Been looking forward to the future
But my eyesight is going bad
And this crystal ball
It's always cloudy except for
When you look into the past(look into the past)"
Obrigado Pelas Lembranças (Fall Out Boy)
"Uma noite e mais uma vez
Obrigado pelas lembranças
Mesmo que elas não tenham sido muito boas
"Ele tem o seu gosto, só que mais doce"
Uma noite, sim, e mais uma vez
Obrigado pelas lembranças, obrigado pelas lembranças
Veja, ele tem o seu gosto, apenas mais doce
Estive ansioso pelo futuro
Mas minha visão está ficando ruim
E essa bola de cristal
Está sempre nebulosa, exceto
Quando você olha para o passado (olha para o passado)"
—Você não entende, não é? — ele sussurrou — seu amigo já está morto
Meu coração parou de bater por um segundo. Não era possível que Ben estivesse morto. Eu tinha certeza de que tinha o visto respirando. Ele tinha respirado, não? Então me lembrei de um dos homens dizer para levarem-no antes que ele acordasse. Meu coração voltou a bater
—Vai estar se você não me ajudar — eu falei tentando virar o pescoço para ver seu rosto, mas ele pressionou ainda mais o cano contra a minha nuca.
—Se você for embora agora eu posso fingir que não te vi! — ele falou com um leve desespero na voz.
Me virei de uma vez encarando seus olhos. Ele não podia ter mais de 18 anos. Era ruivo e tinha os olhos mais azuis que eu já tinha visto. Ele não parecia ser ruim.
—Eu vou salvar meu amigo, queira você ou não, agora você precisa me responder se vai me ajudar.
Eu estava prestes a perguntar se tinha mais gente com ele mas algo se moveu alguns metros dentro da floresta.
—Arthur — chamou a voz mais perto do que eu pensava.
Os olhos dele se arregalaram. Ele olhou ao redor como se procurasse uma saída, seus olhos pararam num lugar à minha esquerda. O garoto abaixou a espingarda e me puxou para trás de uma pedra em seguida fazendo um sinal para que eu ficasse quieta. Ele se levantou novamente e respondeu à voz.
—Estou aqui! — ele falou me olhando discretamente
O homem saiu das árvores eu consegui dar uma espiada por detrás da pedra. Era um homem grande e robusto com o cabelo do mesmo tom do de Arthur. Não dava para ver a cor de seus olhos por causa da sombra que o boné fazia em seu rosto.
—Estamos indo embora — ele falou — pegamos uma presa boa. Vai fazer companhia para o outro lá dentro. Bem, pelo menos enquanto ele não morre.
O homem riu como se aquilo fosse muito engraçado. O mais novo se forçou a dar um sorriso.
—Acho que vi uns rastros de cervo ali atrás. Vou continuar seguindo e depois volto para o acampamento — ele falou como se fizesse aquilo todo dia.
O sorriso do homem desapareceu e então seu rosto tomou uma expressão de quem estava olhando para uma criança que não queria comer as ervilhas no prato.
—De novo com essa história de cervo? — ele perguntou com uma mistura de seriedade e um leve tom de surpresa enunciado pelas sobrancelhas arqueadas
—Eu alcanço vocês em alguns minutos — Arthur falou tenso
O homem não discutiu. Estava se virando para ir embora quando se voltou novamente para o garoto.
—Vai ter que se acostumar com isso mais cedo ou mais tarde, filho. É a nossa realidade agora.
Ele foi embora caminhando com passos leves na floresta, passos que eu mal ouvi, isso explicava como Ben tinha sido pego. Pés de caçador. Provavelmente vinha caçando por aquelas florestas bem antes de eu nascer.
—Vá embora — ele sussurrou ainda olhando para a direção na qual o homem tinha ido.
Eu permaneci abaixada contra a pedra.
—Hoje às 23:00 nesse mesmo lugar — eu falei ameaçadora — pode me ajudar e evitar danos colaterais ou eu e meus amigos vamos invadir o local sozinhos e vocês nem vão saber o que os atingiu.
Quando ele se virou para mim eu já tinha ido embora deixando-o sozinho na floresta
...
Maya Stark Point Of View
—Então você o deixou ir? Sem mais nem menos? — perguntei perplexa
—Eu reconheço o olhar em seus olhos, ele está confuso e não é leal ao seu grupo — ela falou focada na faca que estava usando para desenhar algo na mesa. Era um padrão de rosas.
Eu confiei nela. Eu tinha mais motivos para confiar em Missi do que para confiar em mim mesma, apesar de ela ser tão sombria e guardar tantos segredos. Havia algo nela que a tornava um exemplo de sobrevivência. Não que eu soubesse nada excepcional sobre ela, mas seus olhos tinham um vazio que todos os bons soldados tinham. Uma grande solidão e angustia que só pode ser preenchida (ainda que parcialmente) pelo exercício de alguma atividade. Por isso ela lia tanto os mesmos livros sem parar e por isso estava tão calma agora.
Seja lá quem Mississipi fosse antes da guerra, estava morta. Ela havia sido assassinada e estilhaçada, sua personalidade tinha sido destroçada, e os pedaços remanescentes foram moldados, como argila, em um soldado. Era isso que ela faria para sempre agora, ela tinha renascido para a guerra.
—Maya — ela chamou séria — você já matou alguém que não merecia morrer?
—Não — respondi estremecendo levemente — só matei 3 pessoas e tenho certeza de que o mundo está melhor sem elas.
—Você se sente culpada com isso?
—Aonde quer chegar? — perguntei exasperada
—Tem algo que você precisa saber antes de irmos para aquela floresta encontrar aquele garoto — seu olhar era frio como gelo e tão cortante como uma navalha — se ele levar outras pessoas com ele haverá um tiroteio entre humanos. Alguns vão morrer pelas suas mãos e a maioria deles não merecerá morrer. As pessoas costumam dizer que você não sabe se é capaz de matar até que o faça, e acredite em mim você vai fazer. Pessoas vão acabar morrendo pelas suas mãos e isso vai te mudar. Uma morte pode tanto de fortalecer como pode te destruir completamente — Suas palavras pareciam estar saindo da boca de um general que tinha passado por inúmeras batalhas e não de uma adolescente de 16 anos — Você tem que ter em mente que você não será a próxima na lista do anjo negro se não suas próprias mãos se tornarão a foice e quando se chega a esse ponto não tem mais saída. Deixe que suas mortes se tornem sua muralha e não a bomba dentro delas.
Por vários minutos fiquei pensando em algo para responder. Mas não tinha como. Pela primeira vez em muito tempo eu tinha perdido completamente a habilidade de retrucar. Missi estava tão certa que causava um incomodo no fundo da alma. Um desconforto que adolescentes não são acostumados a sentir, aquele sentimento de que algo deu errado no caminho da humanidade e não há nada a ser feito. Antigamente quando se era jovem as pessoas acreditavam ser capazes de tudo e agora não havia mais tempo para os saudosos delírios de grandeza. Só sobrava tempo para a morte.
—Quando você fala "suas mortes" é como se estivesse se referindo a você também — falei olhando para a mesa para fugir de seus profundos olhos castanhos
—É por que foram minhas também. Quando se mata alguém inocente, se morre junto. Você tem que se acostumar a morrer todo dia.
Ela parecia estar me ensinando algo, como uma lição que sua mãe te dá quando você vai sair com os amigos dizendo que não é certo só por que os outros fazem... Eu queria que essa fosse uma lição desse tipo.
—Quantas pessoas inocentes você já matou, Missi — falei cautelosa
—Mais do que eu posso contar nos dedos — ela falou tão calma como se estivesse afirmando que está frio do lado de fora — eu tenho um dom, Maya. Quando eu me juntei à 2nd Mass eles me deram minha primeira arma e desde então toda vez que eu puxei o gatilho alguém morreu. Toda vez... É um dom de morte. Minha maldição. Nenhuma delas tinha feito nada diferente do que eu. Eu só preferi a minha vida do que a delas e meu gatilho foi mais rápido. Um dia o gatilho do outro lado será mais rápido.
Eu estava ficando enjoada e não era mais por causa da ressaca. Me levantei da mesa cautelosa e Missi acompanhou cada um de meus movimentos.
—Vá descansar, eu vigio até a hora de irmos — a ela falou voltando o olhar para a mesa
Eu assenti com a cabeça e subi as escadas voltando para o quarto do menino mais velho. Eu tentei arrumar seus livros ou varrer o chão, mas eu só conseguia pensar no que Missi havia dito. Me deitei na cama e fiquei tentando assimilar tudo, mas aquilo me deixava arrepiada e enojada. Quando eu finalmente fechei os olhos eu me perguntava para onde tinham ido as crianças.
...
Ben Mason Point Of View
Já passava das duas da manhã quando eu acordei. Dormi no posto e isso era imperdoável. Eu deveria ser metralhado por isso. Maya e eu tínhamos bebido a garrafa toda. Parecia impossível, mas a garrafa vazia em minha mão era uma prova disso. Eu me sentia um pouco alterado, mas não o suficiente.
Eu estava ao lado de Maya no sofá e ela estava com a cabeça apoiada no meu ombro dormindo profundamente. Tão profundamente que, por um segundo, temi que estivesse morta, mas os movimentos de respiração que seu peito fazia a denunciaram. Fazia muito tempo que eu não via uma pessoa dormir daquela maneira, tão despreocupada e calma como se ela não se preocupasse com a possibilidade de o mundo explodir durante a noite.
Me perguntei se eu também tinha estado assim antes de acordar. Não tive pesadelos, nem se quer flashbacks, foi um descanso tão profundo que eu estranhei. Agora eu estava tão calmo que meu peito nem doía para respirar. Eu não sentia aquela dorzinha no canto esquerdo do peito que vinha da dificuldade e esforço para manter o coração batendo.
Não pude evitar o pensamento de que aquele talvez fosse o momento mais confortável de minha vida pós guerra. Olhei novamente para Maya e comecei a analisar sua face. Seu rosto era magro de uma maneira suave que evidenciava o maxilar e as maçãs do rosto, o que trazia serenidade ao olhar. Sua sobrancelha esquerda tinha uma falha no canto com uma fina cicatriz que ia até a metade da pálpebra. Tirando isso ela só tinha um sinal de nascença na base do pescoço que tinha um formato parecido com uma letra E. Seus lábios tinham um leve tom rosado uma forma abundante. Por um segundo fiquei imaginando como seria beijá-los, mas logo afastei o pensamento, pois um beijo era uma promessa que eu não podia manter.
Imediatamente me permitir sentir a dor, o medo e a raiva novamente. Deixei que eles preenchessem meu peito com aquela pequena dor de cansaço, e dessa vez, quando olhei para Maya vi apenas minha colega de missão. Eu precisava ver isso.
Me levantei devagar, com cuidado para não acordá-la e coloquei a cabeça, antes apoiada no meu ombro, no sofá por cima de uma almofada bordada. Peguei meu rifle e fui para a janela observando a rua, porém dali eu não tinha uma boa visão da rua então decidi ir para o quarto do casal onde tinha janelas dos dois lados da rua. Porém antes de ir coloquei um cobertor por cima do tronco de Maya.
Lá pelas seis da manhã ouvi um barulho no quarto em que Missi estava dormindo e então presumi que ela estivesse acordada. Eu não queria nenhuma conversa com ela, muito menos sobre a garrafa vazia ao lado do sofá, então eu rapidamente desci as escadas e escrevi um bilhete com uma caneta velha num bloco amarelado que estavam ao lado da televisão um bilhete dizendo "FUI CAÇAR" e o coloquei no cantinho da tela antes de sair carregando o rifle no ombro.
Entrei na floresta sem a menor concentração. Eu só precisava sair daquela casa e esquecer a culpa que eu sentia por ter me sentido como uma pessoa normal durante a noite. Quantos adolescentes já não tinham passado a noite bebendo com uma garota bonita? Milhões! Mas eu não era um adolescente normal, eu estava em guerra. Uma guerra contra os invasores do meu planeta. Eu não podia começar uma guerra dentro de mim também, por isso eu tinha que sair daquela casa e fingir que não era um adolescente.
Eu estava a menos de 800 metros da casa e não prestava a menor atenção ao local, eu deveria, mas não conseguia. Eu pretendia caçar em algum momento, mas por enquanto eu só precisava andar para me lembrar quem eu era. Eu sou um soldado. Eu sou Ben Mason. Eu tenho espinhos nas costas. Eu tenho que me vingar. Tenho que matar todos eles.
Esse foi meu ultimo pensamento antes de eu sentir a pedra batendo na minha cabeça me fazendo desmaiar.
...
Maya Stark Point Of View
Me levantei às 22:34. Missi estava limpando seu rifle pela milésima vez. Eu me levantei da cama do mais velho e escolhi uns três livros da estante dele para levar na viagem, já que não sabíamos se iríamos voltar àquela casa depois que resgatássemos Ben. Coloquei tudo que eu poderia precisar na mochila e a joguei nas costas descendo as escadas em seguida.
Lá embaixo a primeira coisa que me atingiu a mensagem de Ben pregada na televisão dizendo "FUI CAÇAR" então aquela era a letra dele. Eu estava tentando evitar pensar na noite anterior, mas era inevitável pensar em como fazia tempo desde que eu confiara em uma pessoa a ponto de adormecer junto dela. O último tinha sido Grab.
Desviei esse pensamento e me virei para Missi.
—Já está pronta? — perguntei
—Você está? — ela perguntou com um peso na pergunta. Nem se parecia com a Missi que eu conheci na 2nd Mass. Aquela era a Missi em campo de batalha, uma pessoa completamente diferente
Eu não respondi, apenas fui na direção da garagem e entrei no carro junto com minha mochila e armas e o tirei da garagem deixando-o encostado na rua para caso precisássemos fugir rápido. Regra número um: sempre pense com antecedência.
Desci do carro com apenas as armas e fomos juntas na direção da floresta. Deixei Missi guiar e a obedeci sem questionar. Quando ela me pediu para encostar numa árvore e ficar preparada para atirar eu o fiz sem dizer uma palavra se quer. Eu não precisava pensar, só obedecer e agir, era isso que todos nós fazíamos quando entrávamos no campo de batalha. Porque depois dos primeiros ataques apenas os sortudos tinham sobrevivido, depois apenas os que tinham aprendido a ser um soldado.
Fiquei observando e escutando. Tentando identificar qualquer som que não pertencesse à floresta. Foi quando o ouvi se mexendo nas árvores. Droga, ele tinha estado ali o tempo todo analisando a situação e vendo em quantos estávamos. Se tinha uma coisa que eu apreciava era um inimigo capaz.
Missi estava a alguns metros de mim em uma clareira. Eu me levantei e caminhei até lá. Ela me dirigiu um olhar confuso e eu simplesmente apontei para cima, onde tinha um garoto de no máximo dezoito anos segurando uma espingarda com um olhar atento. Missi se levantou do tronco onde estava sentada e falou:
—Isso significa que vai nos ajudar? — ela perguntou olhando para cima
Ele apenas deu um sorriso maroto
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