Notas iniciais
Esse capítulo, como todos em diante, não vai ter um POV da Umeko. Vai ser completamente narrado pela Candice e vai se passar na Era Vitoriana.

Enjoy.

Era vitoriana, 1888

Barulhos de cortinas – seguidas de janelas – se abrindo. Em seguida a luz do sol invadindo meu quarto diretamente no meu rosto.

–Ojou-sama, ohayou gozaimasu – ele disse ainda de costas pra mim.

–O-ohayou – respondi esfregando meus olhos e bocejando. A voz fraca, obviamente pelo sono.

–Como passou a noite ontem? – perguntou educadamente se virando pra mim e sorrindo.

–Bem. Obrigada, Sebastian.

Ele ainda sorria. Sorrisos. Tch. Era obvio que ele não sorria porque estava feliz, e sim porque era o que um mordomo deveria fazer. Só me perguntava como seus sorrisos poderiam parecer tão verdadeiros.

Depois de me ajudar a me vestir – um vestido azul com detalhes pretos e uma meia preta acompanhada de botas e luvas da mesma cor –, Sebastian deixou o quarto por um momento pra trazer o chá. Em sua ausência me levantei da cama e fui até a janela. Puxa, hoje realmente fazia calor. Muito. Ao contrário de ontem à noite.

Depois do chá saí do quarto e me deparei com o garoto de cabelos cinza andando em minha direção.

–Onee-chan, ohayou – ele disse, sem apresentar sentimento algum em sua voz ou em seu rosto. Completamente indiferente, eu diria.

–Otouto-chan, ohayou – disse andando na direção do garoto e sendo seguida por meu mordomo, que por sua vez não disse nada.

Desviei meu olhar pra ele como se por repreensão.

–Ohayou, bocchan – ele disse ao pequeno.

–Tch. Como se precisasse de seus cumprimentos – o garoto apenas seguiu seu caminho.

Abaixei o olhar. Ele não tem jeito. Ele e Sebastian nunca se deram bem. Me pergunto se ele tem algum ciume do meu mordomo. Bom, mas independente disso, ele ainda é o mestre dele tanto quanto eu. Mesmo que ele não saiba do by Text-Enhance\">contrato. E mesmo que não saiba do que Sebastian é na verdade. Portanto, eu vou repreender o mordomo sempre que ignorá-lo.

–Sebastian... nunca mais ignore seu mestre, entendeu? Nunca!

–Yes, my lady – curvou-se formalmente.

–Bom... qual é a minha agenda para hoje?

–Às 20:00 horas um baile formal na mansão dos Schay.

–Só isso?

–Hai.

–Bom, parece que tenho o resto do dia livre então. E aparentemente não tenho nenhum vestido para usar no baile... preciso de um vestido novo. Vamos à cidade. Prepare uma carruagem.

–Kashikomarimashita – concordou antes de se retirar.

–Maylene – me aproximei da ruiva no fim do corredor.

–O-ojou-sama! Ohayou!

–Ohayou. Eu vou precisar sair por um instante. Preciso de um vestido novo para o baile de hoje à noite.

–Entendi. Quer que eu avise ao bocchan...

–Não é isso, Maylene – eu disse sorrindo.

–Não?

–Não. Eu quero que vá comigo.

–O QUÊ?!

Eu ri de seu espanto.

–M-ma-mas ojou-sama! P-por que eu?

Sorri ainda divertida.

–Bem, como meu servo pessoal, o Sebastian também vai comigo. Mas eu precisaria de alguém para me ajudar a escolher o melhor vestido. E não creio que ele seja a pessoa mais adequada para isso – eu ainda estava divertida. As expressões desesperadas de Maylene eram engraçadas.

–T-talvez eu t-ta-também não seja a p-pessoa mais adequada...

–Deixa disso, Maylene. Que problemas podem haver, afinal?

–B-bem... – ela não sabia o que dizer. Estava completamente perdida. Pobre Maylene! Eu sabia que ela não tinha muitas experiências com vestidos. Sebastian já havia me contado sobre seu passado. No entanto era bem divertido ver as expressões desesperadas da criada e o quanto gaguejava tentando dizer alguma coisa.

–Acalme-se Maylene. Eu estava brincando! – conclui sorrindo – Apenas quero que tome conta das coisas até eu voltar. E avise ao otouto-chan, mas apenas se ele perguntar por mim. Do contrário não o perturbe, está bem?

–H-hai – ela ainda estava corada e confusa por causa da brincadeira anterior.

Fui até a frente da mansão. A carruagem já estava pronta. O mordomo abriu a porta para mim, em seguida me dando apoio com sua mão para entrar e logo após entrando e se sentando na minha frente.

Schay. Um baile na casa dos Schay. Não sabia muito bem o que esperar desse baile. Principalmente porque o filho dos Schay – de apenas 13 anos – pretendia me tomar como esposa. Não estávamos noivos, claro, mas eram evidentes seus sentimentos. Eu não gostava muito de ir à casa dos Schay – principalmente em bailes – porque tinha medo de que fosse pedida em casamento ou algo do tipo. E negar um pedido de um nobre no nível deles seria realmente ruim para a minha reputação.

–Ojou-sama – a voz doce do mordomo me tirou de meus devaneios.

–Hai?

–No que está pensando?

–Não achei que tinha tanto interesse em meus pensamentos, Sebastian.

–Não é isso. É que sei que não aprecia ir à casa dos Schay – disse como se lesse meus pensamentos.

–É verdade. É realmente uma de minhas preocupações.

–Seria Frederic Schay sua maior preocupação?

–Acho que sim. Pelo menos naquela mansão. Afinal na própria mansão Phantomhive já tenho problemas de sobra com Maylene, Bard e Finny.

Sebastian riu. Ele sabia muito bem do que eu estava falando, afinal não era só eu que tinha problemas com aqueles três. Me permiti sorrir também.

–Minha outra preocupação é Ciel Phantomhive.

–Por quê? Pensei que ele não lhe desse tanto trabalho assim...

–Não! De forma alguma! É claro que não! – só então percebi o quanto tinha elevado meu tom de voz. Eu estava sendo rude. Oh droga – Não é isso, Sebastian – acalmei meu tom de voz depois de um suspiro – é que ele já tem doze anos e ainda não tem uma noiva e nem mesmo uma pretendente.

–Ojou-sama, se me permite intrometer, acho que devia se preocupar mais consigo mesma. Afinal a senhorita já tem quinze anos e está nas mesmas condições de seu irmão.

Ele tinha razão. Eu também não tinha um pretendente. Não era por falta de pedidos, claro. Mas sim porque eu não pretendia me casar. Não antes do neko-chan. E se não tenho uma prentensão, então não preciso de um pretendente.

–Estou mais preocupada com ele. Eu não vou me casar enquanto ele não tiver uma noiva. Uma boa noiva. – afirmei.

O mordomo não disse mais nada. Talvez não tenha entendido o porque. Na verdade eu não esperava que ele entendesse. Ele era um demônio afinal. Não tinha sentimentos, portanto não podia entender o que eu sentia pelo meu irmão.

–Ojou-sama, chegamos – avisou o cocheiro.

Andamos pelas ruas da cidade. Eu geralmente iria ordenar que me preparassem um vestido. No entanto não me restava tempo, afinal o baile era hoje à noite. Só me restava comprar um.

Depois de horas e horas de visitas em lojas e mais horas ainda de experimentos, finalmente consegui achar um vestido adequado. Era em camadas, negro com detalhes em prata e luvas pretas de renda.

–Sebastian, o que acha desse aqui?

–Perfeito como qualquer outro ficaria no corpo da senhorita, ojou-sama.

Sorri com o comentário. Eu não sabia realmente se ele estava sendo sincero ou se fazia isso apenas para o meu agrado. Mas de alguma forma, independente de sinceras ou não, suas palavras pareceram doces e serenas como sempre. Doces até demais para um demônio que desejava apenas devorar a minha alma. Balancei a cabeça afastando esses pensamentos. De certa forma eles realmente me incomodavam. A verdade me incomodava. Talvez porque eu não quisesse acreditar que devorar a minha alma era tudo o que ele queria. Como eu disse: a verdade me incomodava.

Depois de um tempo, já estávamos novamente dentro da carruagem, mas dessa vez fazendo o caminho inverso.

–Ojou-sama.

–Hm?

–Não me parece muito animada.

–Não tenho motivos pra ficar. Afinal é um baile na mansão Schay – menti. Não era essa a minha preocupação.

–Não se preocupe com isso. Frederic não é tão imprudente à ponto de colocá-la em uma situação embaraçosa. Eu não deixaria isso acontecer.

Apenas assenti.

Não é o Frederic a minha preocupação, Sebastian. É você.

Repentinamente a carruagem parou.

–Mas nós ainda não chegamos. – eu disse após observar o cenário pela janela – O que está acontecendo?

–Com licença, ojou-sama. – o mordomo desceu da carruagem.

Me levantei me preparando para descer.

–Por favor, fique aqui dentro. – me pediu docemente.

–Não. Eu quero ver o que está havendo.

O vi suspirar e em seguida estender a mão para que eu descesse da carruagem.

Fomos até a frente. Eu pretendia perguntar ao cocheiro o porque de ter parado a carruagem. No entanto isso não foi mais nescessário. O que eu via naquele momento era o cocheiro morto, com uma espada lhe atravessando o peito.

Cobri minha boca com ambas as mãos evitando que um grito escapasse. Me virei pra trás e abracei o mordomo, o apertando fortemente. Eu estava com medo. Muito medo.

Senti as mãos enluvadas percorrerem meus cabelos. Só então percebi a imprudência de meu ato e me afastei dele completamente corada.

–M-me desculpe. – proferi completamente corada olhando para o chão. Balancei a cabeça brevemente. Não era momento pra isso. Tínhamos realmente um problema bem grande. – S-Sebastian. Isso é uma ordem. – eu disse tirando a luva da mão esquerda deixando à mostra a marca do contrato na palma dela, que brilhava enquanto eu proferia àquela sentença – Me leve para a mansão Phantomhive imediatamente!

–Yes, my lady. – disse, curvando-se formalmente.

O mordomo se aproximou de mim. Não fazia idéia do que ele ia fazer, até que o mesmo me puxou pelo braço esquerdo fazendo um movimento rápido e me carregando no colo. Arregalei os olhos.

Ele corria em uma velocidade sobrenatural enquanto me carregava. Eu fechei os olhos pra não ter que olhar pra ele naquele momento e não corar completamente. Porém, no intento de me segurar, passei minhas mãos pelo pescoço dele e me segurei nele mais firme. Claro, ainda com os olhos fechados.

Mas tudo aquilo estava me deixando tonta. Tanto o cheiro dele quanto a velocidade e quanto o que tinha acabado de acontecer.

–S-Sebastian... eu... – não consegui terminar a frase. Antes disso eu desmaiei.

Notas finais
A história acabou de começar :D

Vocês vão entender no próximo capítulo.
Até lá!

Kissus ;*