Notas iniciais
"Uma promessa. Foi o que fiz à ele. Eu prometi que nunca iria deixá-lo sozinho. Prometi que iria cuidar dele. E eu vou cumprí-la. Nem que isso custe a minha vida. Ciel Phantomhive, meu neko-chan, eu não vou te decepcionar, eu prometo."

"Ukyo-san. Eu disse que éramos um só agora, não é? Eu não vou deixar você morrer. Nem que pra isso eu tenha que me sacrificar. Aquela marca. Ela decide qual dos gêmeos amaldiçoados sobrevive. E eu vou conseguí-la. Pra você."

Era vitoriana, 1882

–Onee-chan! Onee-chan! – o pequeno corria em minha direção– Olha, onee-chan! Olha o que eu encontrei! – disse estendendo sua pequena mãozinha na qual continha uma pequena concha azul.

–Que linda, otouto-chan. Tem a cor dos seus olhos – eu disse fazendo brotar um sorriso em seu rostinho lindo – Onde a encontrou?

–No jardim. – sua resposta, apesar de breve, me fez deslizar os olhos instantaneamente para suas roupas. Como esperado: sujas de terra. Suspirei. Sorri.

–Dando by Text-Enhance\">trabalho para os empregados de novo, neko-chan? – eu sempre tive mania de chamá-lo de "gatinho"

–Uh?

–Magdalene não vai gostar...

–Oh!

–Vai te deixar sem sobremesa...

–Não! Isso não! – sua expressão era preocupada, o que me divertia ainda mais.

E nesse momento quem entrou na sala de estar, foi ela mesma. A própria Magdalene.

–Magdalene! Magdalene! Não me deixe sem sobremesa, onegai! – disse o pequeno correndo em sua direção e se apressando em se agarrar à barra das saias da criada.

–E por que eu o faria, senhor Ciel?

–É que... é que a onee-chan disse que você não ia apreciar o fato de ter sujado minhas roupas de terra... mas foi sem querer! Eu juro!

A mulher de cabelos brancos não conteve uma risada. Desviou o olhar pra mim e deu um sorriso cúmplice que eu retribui.

–Tudo bem, dessa vez eu perdoo – brincou.

É claro que Ciel-otouto-chan não precisava do perdão de uma criada, e eu, tendo apenas oito anos, sabia bem disso. Mas neko-chan não sabia, então permiti a brincadeira.

Fui tirada de meus devaneios pela voz da mãe dele.

–Magdalene. Apresse-se. Não há tempo para distrações! – repreendeu a criada

–Sim senhora. Mil perdões. – seu sorriso causado pela brincadeira com neko-chan desapareceu imediatamente.

–Céus! Ciel, você está completamente sujo! – disse se aproximando do pequeno – Candice, vá pedir à uma criada que prepare um banho para o seu irmão. Depressa!

–Não.

–O que foi que disse?

–Eu disse que não. Isso é by Text-Enhance\">trabalho dos criados, e não meu. – retruquei desafiadora.

–Sua pirralha! Você...

–Não fale assim com a onee-chan! – o pequeno me defendeu.

–Humf, que seja – disse antes de pedir, ou melhor, ordenar à um criado que preparasse um banho para otouto-chan. Esse, antes de ser arrastado para o quarto, me entregou a pequena conchinha azul.Da cor de seus olhos.

Suspirei e fechei a mão com a conchinha e fui para o quarto. Droga, que mulher chata! Sim, ela não é a minha mãe. Apesar de meu pai viver dizendo que tenho que respeitá-la como se fosse, mas com ela me tratando como uma criada fica difícil! Na verdade eu nunca conheci a minha mãe. Papai disse que ela faleceu quando eu era muito jovem, por isso ele se casou de novo com aquela bruxa. Eu realmente tenho pena do meu irmão por ser filho daquela mulher.

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2007

–Ukyo-san, espera!!! – gritei correndo atrás dele. Seus cabelos verdes como os meus, porém soltos, balançavam embalados pelo vento.

–Tente me alcançar, Umeko!! – retrucou ainda correndo.

Quando finalmente atingimos nosso destino paramos.

–Precisava mesmo correr tanto? – eu disse arfando, tentando regularizar o fluxo dos meus pulmões enquanto apoiava as mãos nos joelhos.

–A mamãe disse pra sermos rápidos, não foi?

–Mas não pra correr como o vento! Quem me matar?!

–Não é culpa minha se não está habituada a correr – disse dando um sorriso irônico – Vamos, oba-san nos está esperando.

–Hai – disse quando finalmente consegui voltar ao normal.

Batemos na porta e fomos atendidos por nossa tia.

–Ukyo-chan! Umeko-chan! Vocês chegaram rápido!

–Hai! Sobrinhos via expresso – brincou onii-chan.

–Vou pegar o que onee-chan pediu – disse a mulher de cabelos louros bem claros depois, de algumas risadas. Foi até a cozinha e pegou alguma coisa antes de retornar – Aqui, entregue isso à sua okaasan. Ah, e não corram tanto! Podem ralar os joelhos!

–Hai, Sakura-oba-san! – dissemos eu e Ukyo em uníssono, nos retirando da casa dela e seguindo nosso destino de volta. Deixamos de correr? É claro que não!

No final não tivemos joelhos ralados. Pelo menos não dessa vez. Entregamos à mamãe o que Sakura-san pediu e fomos para o jardim. Nos sentamos e por lá ficamos por um bom momento.

–Ukyo-onii-chan...

–Hai?

"O que faria se algum dia... assim... do nada... perdêssemos tudo o que temos?" eu ia perguntar. Mas não o fiz. No entanto seus olhos verdes aguardavam ansiosos que eu dissesse alguma coisa.

–Nada não. – disse perdendo meu olhar no horizonte novamente. O céu da tarde tomava um tom alaranjado e escarlate, pelo crepúsculo.

Ukyo suspirou.

–É lindo, não é? – ele me perguntou olhando diretamente à paisagem.

–Uh?

–O céu, baka! O crepúsculo!

–Ah, sim! Hai! É bonito sim.

Eu não me virei para olhar, mas tinha certeza que Ukyo estava sorrindo naquele momento. Pelo menos até...

–Imouto-chan...

–Hai?

Dessa vez me virei para encará-lo.

–Nada. Esquece.

Será que ele ia perguntar o mesmo que eu?

Notas finais
Primeiro capítulo.
Não que essa história seja movida a reviews apesar de que são bem vindas mas escrever pro vento também não é legal, né?
Então se tiver lido pelo menos esse primeiro capítulo deixa um "oi" ai se não tiver mais nada pra comentar.