Falling
2 Acabou?
Notas iniciais
O que não vale é deixar em branco, certo?
Bom, boa leitura.
Era vitoriana, 1886
–Otouto-chaaaaaaan!!! – eu corria desdesperadamente pela mansão em chamas – Ciel!!! Ciel, onde está você?!! Neko-chaaan!!
Flashback on
–Ohayou, neko-chan – disse eu vendo o meu pequeno correr em minha direção. Seus olhos brilhando.
–Ohayoou nee-chan – ele disse com um sorriso. É sempre assim. Sempre um sorriso. Não que eu não goste, pelo contrário.
–Otouto-chan, eu–
–Nee-chan! Me leva pro vale hoje? Pro vale das flores? Onegai! Onegai! – ele pedia, pulando de empolgação. Ah, sim, o vale das flores. Era um lugar realmente bonito.
–Que tipo de irmã eu seria se não levasse meu pequeno pra onde quisesse ir em seu aniversário?
Ele sorriu ainda mais.
–Arigatou, onee-chan – me abraçou.
Era aniversário dele. 11 anos. O vale das flores geralmente era completamente florido com flores de diferentes tipos e diferentes cores. Era em um lugar bem alto, pra falar a verdade, mas quando se está lá em cima, se parece que vai tocar os céus. Claro, provavelmente hoje ele não estará tão florido assim, afinal, é dezembro. Mas de qualquer forma, que tipo de irmã eu seria se não atendesse os pedidos de meu neko-chan em seu aniversário?
Depois de tomarmos o café da manhã, ele já pulava empolgado. Ele geralmente ficava muito feliz, principalmente em seu aniversário. Ele sempre tinha um lugar pra ir. Peguei ele pela mão e estáva-mos à um passo de sair da mansão, quando...
–Hei, garota! Onde pensa que vai com o MEU Ciel? – perguntou a mulher de cabelos dourados correndo em minha direção.
–MEU neko-chan me pediu para levá-lo ao vale das flores.
–Você não pode sair assim nesse frio, meu pequeno! Não, não, precisa de roupas mais quentes! Que tipo de irmã leva seu irmão no frio com riscos de adoecer? De jeito nenhum!
–Mamãe, onegai! Eu quero que ela me leve ao vale das flores...
–Não! Ela é muito irresp–
–Onegai! Onegai! Hoje é meu aniversário. Eu quero ficar um pouco com nee-chan – disse abrindo de forma fofa seus olhinhos azuis e brilhantes.
–Grrr! Tudo bem, vá! – disse a mulher – Mas tome cuidado, meu querido!
–Nee-chan vai tomar conta de mim – ele disse sorrindo.
–Esse é o problema – a mulher resmungou. Por sorte meu pequeno não ouviu.
Pois bem. Fomos sozinhos ao vale das flores, no final. Geralmente iríamos pedir à um criado que nos levasse. Mas hoje era aniversário dele, ele definia quem ia. E ele me escolheu. Pra ficar sozinha com ele em seu aniversário.
Não tinha tantas flores assim. Na verdade não tinha flor nenhuma. Bem como eu imaginei. Mas o que eu não previ foi que o pequeno ficasse rolando na neve, brincando com ela. Eu sorri com aquilo. Não importava se tudo dava certo ou errado, ele sempre fazia tudo ficar bom. E preenchia tudo com seus sorrisos.
Plof! Fui atingida por uma bola de neve.
–Hahah! Peguei você!
Eu sorri, antes de arremessar uma bola de volta. Guerra de neve. Macias como algodão. Eu podia querer cuidar dele com a minha própria vida, mas que tipo de irmã eu seria se não devolvesse uma chuva de bolas de neve nele? Era seu aniversário, afinal.
Estava ficando tarde. Precisávamos voltar. Depois de brincar tanto na neve, um sorriso cobria seu rosto. Sorriso que permaneceu e me contagiou quando ele me abraçou e disse:
–Esse é o melhor aniversário de todos. Eu te amo, onee-chan.
Eu sinceramente queria que aquele momento durasse pra sempre. Queria sentir pra sempre ele me abraçar. Queria ouvir pra sempre sua voz dizendo que me ama. Afinal, ele é tudo o que eu mais amo. Não importa o que aconteça. Não importa quanto tempo passe. Isso nunca vai mudar.
–Eu te amo, otouto-chan – eu disse retribuindo o abraço.
É. Aquele foi realmente um dos momentos mais felizes da minha vida. Era o dia mais feliz da minha vida! Era o aniversário dele, e que tipo de irmã eu seria se não ficasse feliz em seu aniversário? E se ele achava que aquele fora o melhor aniversário de todos, eu deveria achar também, não é? Mesmo que o aniversário não fosse meu, era o melhor da minha vida.
Pelo menos até chegarmos em casa. Ou onde ela deveria estar. Sim, não tinha mais mansão. Tudo o que tinha era apenas... fogo.
Ele arregalou seus olhos azuis. Nesse momento ele agarrava meu braço como se quisesse que eu fosse uma prova de que aquilo estava realmente acontecendo. Como se ele não conseguisse. Não, não quisesse acreditar. Como se ele desejasse voltar pro vale das flores e ficar lá pro resto da vida. Mas não foi isso o que ele fez.
Tão rápido quanto o bote de uma cobra, o pequeno neko-chan soltou meu braço e correu pra dentro da mansão.
Eu tentei pegá-lo, mas ele foi mais rápido.
Flashback off
–Neko-chaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaan!!!! – eu gritava. Ou tentava. A fumaça não estava me fazendo bem. Mas que se dane, eu tenho que encontrar Ciel antes de sair daqui. Droga! Droga! Por que eu o deixei fugir? Que tipo de irmã eu sou, afinal?– Neko... cof cof – eu tossia – Neko-chaaaaaaaan!!!
–Papaaaaaaaai!! Mamãaaaaaae!! – ouvi a voz do pequeno. Vinha de uma sala no final do corredor do terceiro andar, onde meu pai costumava ficar com a esposa dele.
Corri em direção à sala e encontrei o pequeno parado na frente da porta.
–Neko-chan!!!! Neko-chan!!! – eu gritei, no intento de ir até ele. Ele olhou pra mim. Seus olhos azuis não tinham mais aquele brilho. E seu sorriso também havia desaparecido e dado lugar pra lágrimas.
–Neko-chan! – eu disse enquanto o envolvia com meus braços – nunca mais.... nunca mais fuja de mim, entendeu?!!! Nunca!!!! – eu gritava com ele. Não que eu quisesse gritar com ele, mas eu estava preocupada demais.
Ele abaixou a cabeça e direcionou seu olhar pra dentro da sala. Papai. Papai estava lá dentro. Morto. Junto com a mãe dele.
–Neko–
–Eles morreram – me interrompeu, dizendo de cabeça baixa – ELES MORRERAM!! – agora ele gritava, tão nervoso quanto eu – Eles me deixaram!! Me deixaram sozinho!! Eles se foram!!!!
Eu o apertei ainda mais entre meus braços.
–Eles–
–Onee-chan! Me prometa!! – ele dizia enquanto me abraçava – Me prometa que nunca vai me deixar! Me prometa que nunca vai me deixar sozinho!! Me prometa, onee-chan!!
–Eu prometo – uma lágrima deslizou em meu rosto – você nunca vai estar sozinho, eu prometo! Eu nunca vou te deixar! Eu te amo, neko-chan! Eu te amo! – o abraçava com tanta força que poderia ter quebrado algum de seus ossos.
–Eu te amo – foi o que ouvi. A ultima coisa que ouvi. Porque depois disso, não havia mais nada...
x-x-x-x-x-x-x-x-x
2011
–P-por quê?! – eu gaguejava um pouco por causa de um soluço – Por queeeeeeeeeeê?!!!!!
Flashback on
–Ukyo, Umeko. Eu posso pedir uma coisa à vocês?
–Hai, Sakura-san – eu disse.
–Eu quero que entreguem isso à sua mãe. Quero que deem isso à ela – ela me entregou uma carta.
–Uma carta? – Ukyo perguntou.
–Hai. Podem fazer isso, sobrinhos via expresso?
–Hai, Sakura-oba-san! Deixa com a gente! – respondemos em uníssono.
–Espera! Ukyo-san, fique aqui. Eu preciso de ajuda com algumas coisas ainda...
–M-mas... imouto-chan...
–Ela dá conta. Não é, Umeko-chan?
–Hai – eu disse sorrindo.
A mulher loira sorriu. O que parecia ser um sorriso feliz, mas no final se tornou um sorriso diabólico.
Eu não teria entregado a carta à mamãe se soubesse de seu conteúdo.
–Mamãe!! Mamãe!! – entrei casa à dentro com a carta nas mãos.
–Florzinha de cerejeira, o que foi?
–A tia Sakura me pediu pra te entregar isso.
Ela sorriu enquanto pegava a carta de minhas mãos. Mas seu sorriso não durou muito mais tempo. Deu lugar à uma expressão preocupada.
–U-Umeko... onde está seu onii-chan?
–Na casa da tia Sakura – respondi inoscentemente.
Os olhos dourados da mamãe se arregalaram, antes de ela sair correndo preocupada. O que havia acontecido? Qual o conteúdo da carta afinal? Eu só ia saber se eu a seguisse. Era errado, eu sei, mas eu não gostava de vê-la preocupada.
Tomei todo o cuidado para que ela não notasse a minha presença. E ela não notou. Eu reconheci o caminho até a casa da Tia Sakura, onde pensei que ela fosse parar, mas ela continuou andando. Foi até um galpão que parecia abandonado e adentrou. Eu esperei um pouco e a segui.
A cena que veio à seguir foi terrível. Terrível e surpreendente. Sakura-san estava sentada em uma cadeira, ou uma poltrona, como se fosse uma rainha. E Ukyo-san estava ao seu lado. Não que quisesse ficar ao seu lado, mas ele estava preso por uma corrente em seu pescoço. Como a de um cão, porém cinco vezes mais grossa. A outra ponta da corrente estava enterrada na parede. Sakura-san sorriu diabólicamente ao ver a mamãe entrar.
–Ora, onee-chan! Você veio! – ela disse – Eu pensei que já tivesse esquecido onde ficava esse lugar.
–Ukyo!!! – a mamãe gritou.
–Nananinanão! Ainda não – sorriu e deslizou os dedos pelo rosto de onii-san.
–Sakura, o que você quer?!!
–Você. – ela sorriu – Morta.
Os olhou dourados de mamãe se arregalaram.
–Também quero seus filhos. –sorriu mais ainda – Órfãos.
–Por que está fazendo isso?
–Você sabe, onee-chan. Eu não pude me casar. Então matei seu marido. – arregalei os olhos nesse instante. Sakura... matou meu pai? – Eu não pude ter filhos, – ela continuou – então pensei em matar os seus. Mas que graça isso teria? Vou dar à eles uma dor pior do que à morte. A dor que só nós duas conhecemos. De ver a própria tia matanto sua mãe. Se lembra dessa sensação, onee-chan?
C-como? Minha tia-avó matou minha avó?
–Umeko-san. – arregalei os olhos mais ainda – Eu sei que você está ai. – disse a mulher loira – Eu não pretendo matar seu irmão. Mas eu o farei se você não aparecer.
–Nãaao!!! – eu disse correndo pra dentro do galpão.
–Ótimo – ela sorriu – assim está melhor. Agora os dois vão apreciar o espetáculo– disse indo lentamente em direção à mamãe – Você conhece as regras desse jogo, não é nee-chan? Se você correr... eles morrem. Decida: Você ou eles?
–Me mate – disse a mamãe com lágrimas nos olhos.
–Seu desejo... – a loira tirou uma adaga do bolso – é uma... – se preparou para atingí-la – ORDEM!!! – gritou enquanto enfiava a adaga bem fundo no peito de mamãe.
–Mamaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaãe!!!!! – meu irmão gritou.
–P-por quê?! – eu gaguejava um pouco por causa de um soluço – Por queeeeeeeeeeê?!!!!!
Flashback off
A maldita veio em minha direção, mas se desviou para Ukyo e limpou a adaga suja do sangue da mamãe nele.
–Agora vocês querem me matar, não é? – ela sorriu – pois eu não vou dá-los esse gostinho. Agora vocês são apenas dois órfãos imbecis que não vão conseguir durar tempo algum. E por não terem parentes mais próximos, vão pro mesmo lugar onde eu fui com a mãe de vocês: o orfanato!
–KYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!
Ela ria diabólicamente.
–E quem é que vai querer adotar duas crianças amaldiçoadas? – ela se questionou antes de riscar um fósforo – Ah, galpão abandonado. Eu deveria tê-lo enchido de gasolina? Oops! Foi o que eu fiz! – ela se divertia – adeus, seus idiotas – ela disse jogando o fósforo na parede de madeira. Em pouco tempo o lugar estava em chamas.
Pensei que ela ia fugir dali. Sair correndo. Ir pra outro lugar. Mas não. O que ela fez foi cravar a adaga em seu próprio peito. E ali ela morreu.
Eu ia correr, ir embora, mas ouvi uma voz...
–Imouto-chan!! Socorro!!! – Ukyo! Ainda estava preso à corrente.
Eu tentava puxar a corrente pra tirá-la da parede, mas por mais que eu tentasse, não adiantava. Estava presa.
–Ukyo-san!! – não adiantava. Não tinha saida. Então fechei os olhos. E o abracei e ele retribuiu.
Ele sabia o que aquilo significava. Eu também. Significava "acabou". E realmente. Porque depois disso, não havia mais nada...
Notas finais
Eu pretendo postar ele amanhã, então sejam pacientes e não matem a autora. Afinal, que tipo de autora eu seria se... ah, esquece.
Ah, reviews onegai!
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