Fallen Spirits

6 Um longo caminho


– Dean, espere, vamos descansar um pouco, eles não vão mais nos alcançar. — Dizia Raphael, com a respiração ofegante.

– M-mas, e Leon, temos que alcançá-lo. — Dean apoiava seu braço em uma árvore, também ofegante, ambos cansados de tanto correr.

– Ele pode ter ido para qualquer lado, e não sei se você percebeu, mas ele nos abandonou lá em cima. — Raphael sentava-se na neve, apoiando suas costas na árvore.

– É eu vi, mas acho que ele estava só assustado, para falar a verdade eu também pensei em correr logo que sai pela porta daquela cabana.

– Sim, mas você não fez, ficou para me ajudar, e eu agradeço por isso, se você tivesse corrido junto com ele, neste momento eu estaria morto. — Raphael esfregava ambas as mãos em seus braços, tentando evitar o frio.

– É, acho que sim, mas e agora? Para onde vamos? Não está perdido, está?

– Não sei onde estamos, eu só planejei até a gente chegar nessa floresta.

– Então vamos indo, não quero morrer de frio. — Disse Dean erguendo seu braço em direção a Raphael, com a intenção de ajudá-lo a levantar.

– Tem razão. — Respondia Raphael segurando a mão de Dean e logo levantando.

– Você está muito gelado, é melhor achar logo algum lugar para nos aquecer.

– É, é a neve, está muito frio aqui.

Os dois então voltavam a andar floresta adentro ao meio dos pinheiros, a neve em seus pés estava alta, era muito mais fácil se cansar e difícil de andar, dessa vez eles iam com mais calma, pensando que os guardas não os alcançariam. Ao andar por quase vinte minutos, eles encontram uma estrada, e ao fim dela, uma pequena vila.

– Graças a Deus, não vamos morrer aqui! — Exclamou Dean, agradecido por achar um lugar que não fosse apenas árvores e neve.

Então começaram a andar em direção a vila, ao chegarem mais perto eles percebem que o lugar não era muito grande, mas não era um lugar pobre, muitas casas de madeira na entrada da vila mas muito bem conservadas, a estrada que era de terra, agora era de pedra que fazia o caminho por toda a vila, na entrada era possível ver uma placa de madeira com o nome da cidade, "Blue Montains". Ambos continuavam a andar até chegar ao centro da vila, que não era muito longe da entrada, não havia quase ninguém e ali havia um pequeno lago, vários bancos feito de troncos que o cercavam, o centro era um lugar aberto, mas em volta existia apenas casas.

– E agora, o que faremos? Disse Dean indo em direção a um dos bancos, sentando-se.

– Dean.. Você tem algum parente ou amigo de seus pais que poderia te ajudar? — Perguntava Raphael, indo em direção ao mesmo banco de Dean, também sentando.

– O único que conheço é meu tio John, não acho que eu tenha algum lugar para ir.

– Ah, sei.. — Dizia Raphael mostrando estar preocupado.

– E você? Tem algum lugar?

– Na verdade sim, Dean.. Mas antes que pergunte, você não pode ir lá, minha família não iria aceitá-lo, espero que entenda.

– ... Eu entendo. — Dean mostrava a decepção ao saber que o único que poderia lhe ajudar não iria.

– Desculpe Dean, mas olha, eu não vou te deixar na mão, espere aqui, eu já volto. — Raphael então se levantava e começava a ir em direção a uma pequena rua da cidade cercada por casas, ele então entrava em um beco, fazendo com que Dean perdesse a visão de seu amigo.

Dean confiava em Raphael, ele pensou na possibilidade de seu amigo ter apenas ido embora, mas ele esperava que ele voltasse. Enquanto esperava, Dean aproveitava para dar uma olhada no que pegou de seu tio John, colocou sua mão no bolso, e de lá tirou uma pequena caixa de fósforos, ele abriu e a checou, estava cheia. "Será que vou precisar disso mesmo?" pensava Dean. Guardava novamente a caixinha e do mesmo bolso retirava uma carta, parecia ser um pouco antiga, o papel estava amarelado, mas ela ainda não havia sido aberta. Dean pensava se deveria abrir a carta, ele não sabia porque havia pego ela, mas não conseguiu segurar sua curiosidade, ele então rasgou o envelope, e retirou o papel que havia dentro dela e então começou a ler.

"John, sei que você não confia em mim, mas é o único em que posso contar agora, estou com problemas, Dwain está na cidade, ele está me procurando e não está sozinho, desde que matamos o irmão dele ele procura se vingar, e se me achar, matará Lilian e meus filhos, preciso que você leve-os para fora da cidade o mais rápido possível. Leve uma arma com balas de prata, é o único jeito de matar o tipo dele, sei que não vai me entender, mas por favor, faça isso. Eu vou procurar por Dwain amanhã a noite, quero que você aproveite para levá-los assim que eu sair. Se eu não sobreviver, diga a Lilian que eu a amo muito, diga a Dean e Phillip para se cuidarem, crescerem e cuidarem de sua mãe, diga para eles seguirem seus sonhos, e que não procurem sobre meu passado, eu tenho algumas coisas guardadas no cofre da cidade de Valáquia, a senha é "Rofunus Eduran", você entenderá tudo o que aconteceu, mas por favor, não conte nada a minha família, agradeço.

Ethan Roberts Wincold"

Vários pensamentos ocupavam a cabeça de Dean nesse momento. "Quem é Dwain? Porque meu pai matou o irmão desse cara? Será que ele teve algo com o que aconteceu com Phillip?". Ele estava confuso, não esperava esse lado de seu pai, um simples pescador que nunca fez nada de mal a ninguém.

Raphael estava voltando do lugar do qual ele havia entrado, ao longe era possível ver em sua mão um pequeno saco de pano que parecia estar cheio. Dean rapidamente dobrava a carta e novamente a guardava em seu bolso enquanto Raphael se aproximava com um sorriso no rosto, sentando ao lado de Dean.

– Veja. — Raphael erguia sua mão com o saco de pano em direção a Dean.

– O que é isso?

– Apenas pegue.

Dean então o pegava e logo o abria, estava cheio de moedas, algumas de prata mas a maioria de bronze.

– Então.. O que faço com isso? — Perguntava Dean, surpreso.

– Eu não sei, faça o que você quiser, compre comida e ache um lugar para dormir. É um agradecimento por ter me ajudado.

– Ah, ok. Obrigado.. Mas.. você está indo embora? — Ele olhava para Raphael.

– Sim Dean, se eu não ir meu pai me mata, me desculpe.

– Entendo..

Raphael então se levantava com um sorriso no rosto, logo Dean fazia o mesmo, ambos apertavam as mãos.

– Adeus. — Dizia Dean, esperando como se nunca mais fosse encontrar seu novo amigo.

– Adeus não, até logo, espero te ver em breve. Foi um prazer conhecê-lo.

– Igualmente Raphael, obrigado pela ajuda.

Raphael então começava a andar em direção a saida da vila, ele levantava sua mão, acenando para Dean, que abria um sorriso, confiante que logo se encontraria com Raphael novamente. Raphael então desaparecia ao longe em meio a neblina, Dean voltava a se sentar, e então começava a pensar no que faria a partir de agora.

"Bom, vou procurar um lugar para comer e dormir, amanhã vejo o que faço." — Pensava Dean levantando-se e indo em direção a uma das ruas da vila, procurando o lugar. Dean olhava de porta em porta, dos dois lados da rua, procurando um lugar que pudesse entrar, logo mais a frente era possível ver uma porta com uma placa em cima, escrito "Taberna Dwarfish". Dean então entrava no lugar, era um local bem rústico, várias mesas de madeira espalhadas pelo local, um balcão para atender os clientes e atrás, vários barris de alguma bebida que Dean não tinha conhecimento, vinho talvez. Não havia quase ninguém na taberna, no fundo havia duas pessoas sentadas, conversando e bebendo, e na frente do balcão um homem enorme, ele não era musculoso, era apenas grande, ele estava limpando uma caneca com um pano branco, encarando Dean.

– O que quer aqui, garoto? — Perguntava o homem.

– Estou com fome, você tem algo para comer? Eu tenho dinheiro. — Dean mostrava a pequena sacola de moedas para o dono do lugar, os dois homens do fundo paravam de beber e começavam a prestar atenção em Dean por alguns segundos, e logo voltavam a conversar.

– Tenho sim, sente-se, vou buscar. — Dean acenava positivamente com a cabeça e ia em direção a um banco em frente ao balcão, sentando-se. Alguns minutos depois o homem voltava com um prato de comida, colocando em cima do balcão junto com uma caneca, no prato arroz e um grande pedaço de carne, na caneta, aparentemente leite.

– Ei, antes de comer me pague, custa uma moeda de prata ou cinquenta de bronze. — Disse o taberneiro erguendo sua mão em direção a Dean esperando que o pagasse.

– Aqui. — Dean pegava de sua sacola uma moeda de prata e entregava para o homem e logo começava a comer desesperadamente e junto a isso, bebia o leite que estava na caneca. Dean estava morrendo de fome, fazia um bom tempo que ele não comia. — Muito boa a comida, senhor.

– Obrigado. — O taberneiro agradecia.

Dean agora satisfeito guardava sua sacola no bolso e voltava a falar com o taberneiro enquanto limpava a boca. — Preciso de um lugar para dormir, tem algum? — Era fim de tarde, mas Dean estava cansado o suficiente para ir dormir.

– Uma prata por noite.

Dean entregava uma prata a o homem e novamente guardava o saco de moedas.

– Suba as escadas, primeiro quarto.

– Obrigado. — Agradecia Dean indo em direção a escada, ao começar a subir os dois homens voltavam ao encarar, Dean percebia, mas continuava a subir, ignorando-os, e então ia para seu quarto. O quarto era pequeno, havia uma cama encostada na parede, nos pés da cama alguns barris aparentemente vazios, no chão um enorme tapete de pele e ao lado da cama uma pequena mesa com uma cadeira. Dean fechava a porta e ia em direção a pequena mesa, lá deixava tudo o que tinha em seus bolsos, a pequena sacola de moedas, a carta, o broche e a caixa de fósforos de seu tio, pegava a cadeira e encostava na porta, de uma forma com que fosse difícil abrir, ele então ia em direção a cama sentando na mesma, retirava seus sapatos de couro colocando-os em baixo da cama assim ele deitava, dormindo alguns minutos depois.

O tempo passou, agora era madrugada, perto de amanhecer, Dean acordou, ele havia dormido muito bem, estava totalmente descansado, ele abria seus olhos esfregando-os com suas mãos.

– Bom-dia Phillip. — Dizia Dean, mas logo se espantava, lembrando de tudo o que aconteceu. Dean dormia no mesmo quarto de Phillip, para ele era normal acordar todos os dias e dar bom-dia para seu irmão. Após ficar em silencio por alguns segundos, Dean se sentou na cama sem saber o que iria fazer de agora em diante, ele erguia seu braço em direção a mesa, pegando o pequeno broche de seu tio, que agora era a única lembrança de sua família, ele o analisava, tentando entender o que era aquele símbolo e o que aquelas letras significavam, ele não conseguiu pensar em nada, então ao invés de guardar em seu bolso, ele encaixava-o na manga de sua camiseta, logo abaixo ao ombro do braço esquerdo, a camiseta estava suja, porém era a única que ele tinha no momento. Ele continuava sentado por alguns minutos, até ficar entediado, levantava e ia em direção a janela, procurando algo que pudesse lhe chamar a atenção, estava tudo escuro, ninguém do lado de fora, e o único som que podia ser ouvido era o som de corujas que não pareciam estar muito longe. Dean voltava a se sentar, dessa vez pegando a carta de seu pai, voltava a ler, parando na senha, ele olhava para a senha fixamente por um bom tempo, para memorizá-la "Rofunus Eduran", logo após, Dean rasgava a carta em vários pedaços e jogava-a no chão. "Acho que vou até o lago" — Pensou Dean.

Dean pegou novamente seu sapato de baixo da cama o calçando, ele então se levantou, notando um casaco de couro marrom preso a porta, ele não pensou duas vezes antes de o pegar, ele não tinha outra roupa para o esquentar, pegou a pequena caixa de fósforos e o saco de moedas, deixou uma moeda de prata pelo casaco e foi em direção a saída da taberna, ao descer as escadas, ele percebe que não havia ninguém no andar de baixo, não ligando para isso saia pela porta da entrada, fechando-a. Começou a andar em direção ao lago com suas mãos nos bolsos, estava frio, mas Dean já estava acostumado com aquele clima, não era um problema para ele, mas foi bom pegar o casaco. Estava tudo escuro no caminho para o lago, não havia muitas luzes, o suficiente para guiá-lo até lá. Quando Dean estava próximo de chegar, ele ouve uma voz.

– Ei, garoto.

– Hum? — Dean olhou para trás e viu os dois homens, os mesmos que estavam na taberna bebendo mais cedo. — Sim?

– O que você tem ai no bolso? — Dizia um dos homens se aproximando de Dean.

– Nada. — Respondeu Dean, notando o que aconteceria a seguir.

– Nada? Deixe-me ver.. — O Homem se aproximava mais ainda, erguendo seus braços em direção a Dean com a intenção de segurá-lo.

Dean se surpreendia e em um movimento rápido de reflexo, levava sua mão com seu punho fechado em direção ao rosto do homem lhe dando um soco relativamente forte para uma criança, o homem cambaleou para o lado, caindo de joelhos um pouco tonto, Dean aproveitou para correr, mas o outro homem começou a persegui-lo. Dean corria desesperadamente, sua respiração estava ofegante, o homem que o perseguia estava lhe alcançando, ele ria sem parar, como se soubesse que Dean não iria conseguir escapar, Dean chegava ao fim da rua, era um beco sem saída, não havia para onde fugir, então ele se virava.

– Espere, o que você quer? — Pergunta Dean cansado de tanto correr, ele estava com medo, mas não tanto quanto antes, Dean havia mudado nesses últimos dias.

– O que eu quero? Você sabe o que eu quero. — Respondia o homem que logo dava uma alta risada sádica mostrando seus dentes podres dentro de sua boca.

– Quer o dinheiro não é?

– Quero tudo o que você tiver, garoto. — Disse o homem indo em direção a Dean que já se preparava para lutar, o homem ao se aproximar agarrava os braços do garoto que fazia força para se soltar, ao ver que não poderia, levou sua boca em direção ao braço do homem, o mordendo com força o suficiente para fazê-lo sangrar. O homem erguia sua cabeça, gritando de dor, ele não largava os braços de Dean, e agora irritado, dava um soco no rosto do garoto, fazendo-o cair, deixando com a visão turva. O outro homem se aproximava, com a mão no rosto, enquanto o bandido que acertou Dean estava procurando o dinheiro em seus bolsos.

– E aí? — Perguntou o homem que estava se aproximando. — Peguei. — Respondia o outro levantando o saco de moedas, logo ficando em pé. — Esse ai deu trabalho, o que vamos fazer com ele? — O homem largava seu olho, revelando estar inchado.

– Acho que.. Espere, o que foi isso? — O rapaz mordido olhava para trás estranhando um barulho que ouviu.

– Não deve ser nada, cara.

Dean ainda estava acordado, prestando atenção no que os dois estavam falando, mas algo estranho acontecia, Dean percebia um vulto atrás dos dois homens, logo o rapaz mordido arregalava seus olhos e seu peito começava a sangrar, algo havia o atravessado pelas costas, o outro bandido não conseguiu nem perceber o que estava acontecendo, e o vulto agora o atacava, cravando seus dentes no pescoço do homem, que não conseguia gritar, pois sua boca estava sendo segurada pelo assassino, a única coisa que Dean pudera perceber daquele vulto, foram seus longos cabelos negros, era como se ele já os tivesse visto antes, o soco que Dean recebeu lhe deixou fraco o suficiente para desmaiar, ele não estava mais aguentando, então desmaiou.

– Pai, ele vai ficar bem?

– Vai sim minha filha, ele só está dormindo agora.

Era é o que Dean conseguia ouvir enquanto tentava acordar, ele abria seus olhos, sua visão estava turva e sua cabeça começou a doer como nunca, quando sua visão voltou ao normal, ele percebeu estar deitado em uma cama, colocou sua mão no rosto notando um curativo, ao olhar para o lado, havia duas pessoas lhe encarando, um homem aparentemente velho, cabelos grisalhos, barba, usando óculos e um casaco marrom escuro, ao seu lado uma linda e jovem garota que aparentava ter a mesma idade de Dean, seus cabelos eram longos e castanhos, seus olhos azuis e usava um casaco parecido com o de seu pai, os dois estavam lhe encarando, como se esperassem por algo.

– Oi? — Disse Dean, confuso, encarando a menina. O velho e sua filha riam, fazendo com que Dean ficasse mais confuso ainda. — Aonde estou?

– Minha filha encontrou você jogado na rua esta manhã, você estava desmaiado, então ela me chamou e eu o trouxe para cá, poderia nos dizer o que aconteceu? — O velho explicava para ele o acontecido.

– Estava escuro, eu estava andando pela rua até que chegaram dois caras e me atacaram, eles queriam meu dinheiro, eu bati em um deles e sai correndo, mas me alcançaram e bateram em mim, pegaram minhas coisas, e... algo matou eles? — Respondia Dean, tentando se lembrar do que aconteceu. — Eu não lembro direito, eu estava caído, enquanto os dois conversavam, algo atacou eles, atravessou o peito de um.

– Algo atacou eles? O que poderia ser? — Perguntou a garota, de forma curiosa.

– Eu não sei, aquela coisa mordeu o pescoço do outro depois, não me lembro como ele era, apenas seus cabelos, eram grandes e escuros ai eu desmaiei. Acho que era um lobisomem.

– Lobisomem? Acho que era um vampiro. — Dizia o velho coçando a barba com uma das mãos.

– Sim, um vampiro, é assim que eles agem, matam de forma silenciosa e se livram dos corpos, mas me pergunto.. Porque ele não atacou você? — A garota completava o que seu pai disse, assim fazendo uma pergunta a Dean.

– Eu não sei, mas.. Um vampiro? Eles realmente existem? — Perguntou Dean, surpreso.

– Sim meu filho, vampiros e lobisomens existem, e alguns deles andam entre nós. — O velho enquanto respondia, pegava uma xícara de cima da mesa e entregava a Dean.

Dean começava a beber, era um chá doce, o sabor era bom, estava bem quente. — Eu sei, meu irmão é um lobisomem.

– Seu irmão? — Estranhava o velho.

– Sim, meu irmão, Phillip. Vou contar minha história para vocês, mas antes disso, poderiam me dizer seus nomes?

– Ah, me desculpe, eu sou Hector Walker e essa é minha filha Lucy.

– É um prazer conhecê-los, eu sou Dean Roberts, obrigado por me ajudarem. — A garota sorria para Dean, aceitando seu agradecimento.

Dean então contava sua história, desde a vista de seu irmão matando seus pais, até chegar ali, Hector e Lucy prestaram atenção até o fim de sua história.

– Impressionante, garoto. Sinto pelos seus pais, mas.. Você tem algum lugar para ir? — Perguntava Hector.

– Na verdade não, eu tinha dinheiro o suficiente para durar alguns dias, mas aqueles caras me roubaram. — Dean terminava de beber, Lucy notando, pegava a xícara das mãos de Dean colocando-a sobre a mesa, Dean acenava a cabeça de forma positiva abrindo um pequeno sorriso, agradecendo a gentileza da garota.

– E o que pretende fazer agora? — Disse o velho.

– Meu objetivo agora é caçar meu irmão, ele não merece viver, vou matá-lo, e fazer o mesmo com qualquer outra criatura que ataca pessoas.

– Vingança.. isso não é bom, não jogue sua vida fora meu jovem.

– Senhor.. eu já me decidi, vou vingar meus pais, esse é o único motivo que me fez sobreviver até aqui.

– Você sabe que a maioria dos lobisomens não tem controle de seus atos, não é? — Disse o velho.

– Sim, eu sei, mas quando ele voltou a forma normal, ele estava rindo, Phillip gostou de fazer aquilo, e ele também tentou me matar, colocando fogo na casa.

– Eu sei como se sente, eu tive o mesmo sentimento que o seu no passado, eu era um caçador, vida de um caçador não é fácil, você perderá tudo, mas para alguém que não tem nada.. Não vou lhe impedir, se você ficar aqui, eu posso te ajudar, eu e Lucy sabemos de tudo sobre lobisomens e vampiros, podemos te ensinar, também posso te ensinar a atirar e usar um facão, o que acha?

– Eu não sei, senhor, eu agradeço, mas.. — Dean era interrompido antes de terminar.

– Por favor, Dean, fique. — Disse Lucy, esperando a resposta positiva de Dean.

Dean se mantém calado por alguns segundos encarando a garota, pensando na possibilidade de ficar, e então respondia.

– Tudo bem, acho que vou ficar.

O velho e a garota abriam um sorriso. — Tudo bem, mas você terá que trabalhar, certo? Agora sou lenhador, e preciso de ajuda, é uma troca justa, não acha? — Dizia o Hector.

– Tudo bem, eu ajudo o senhor. -Dizia Dean sentando na cama, pronto para sua nova vida.

Notas finais
Esse capítulo ficou um pouco maior que os outros, um pouquinho só, kk. Espero que não seja um problema e leiam normalmente. ^^